Broken Glass - Caco de Vidro
4 Capítulo 4 - Discussão
Acordei com um bendito despertador, que eu nem mesmo sabia que existia, tocando. Aqueles malditos \'trim-trim\' já estavam me irritando. Peguei ele e o joguei contra a parede. Ops, acho que nem a pilha sobreviveu para contar a história.
Nesse momento, minha mãe entrou no quarto sorrindo abertamente, enquanto a minha tia fada, Alice, entrou e foi direto pro meu closet. Bufei, se fosse por ela eu teria um closet triplicado. Eu até não posso reclamar, porque quero que o Jake fique babando por mim. De preferência literalmente. Tia Alice concerteza daria conta do recado. Sorri ao constatar isso.
- Bom dia, querida. Não gostaste do presente? — Minha mãe disse olhando para os restos do despertador.
- Desculpa mãe, mas ele era muito irritante.
- Tudo bem — ela sorriu. — Mas, me conte, o que aconteceu? — Perguntou curiosa, com uma cara sapeca e os olhinhos brilhando. Ela parecia mais uma adolescente, não uma mãe, a minha mãe.
- Nada demais. Eu fui no vô Charlie, chorei de emoção. Lá também estava a Sue, cuja.. — Ela me interrompeu.
- A Sue? Mas o que ela estava fazendo lá?
- Ela estava cozinhando para o vô Charlie, o tio Billy e alguns lobos.
- Alguns lobos? — Ela perguntou com a sombrancelha arqueada.
- O Seth, — ela sorriu e eu continuei indiferente — o Quil e o Embry. O Jacob — destaquei o nome, nunca mais o chamaria de Jake. Talvez na minha inconciência. — ia chegar lá, mas então eu saí antes. Ah, a Leah estava lá também. — Só de me lembrar da vadia, já fazia uma cara de nojo.
- Filha, hoje mais cedo, você viu o Jake?
- Mãe é Jacob. Jacob Black e você sabe que eu o vi, com a Leah.
- Me mostre os acontecimentos. — Arregalei os olhos, ela não podia pedir pra mim fazer isso. Ela se sentou no canto da cama. Automaticamente, comecei a lembrar de tudo o que aconteceu ontem e ela pegou a minha mão e colocou sobre a sua.
- Não mãe — gemi. Sabia que não conseguiria parar de lembrar sobre ontem. Tentei tirar a minha mão dali, mas ela, sendo mais forte do que eu, apertou o meu pulso.
- Não acredito que o Jacob fez isso! — Ela gritou, fazendo o meu pai entrar no quarto.
- NÃO ACREDITO NO QUE AQUELE CACHORRO FEZ! — Ele gritou furioso.
- O que aquele projeto de cão fez?- Minha tia Rosalie gritou furiosa ao entrar no quarto, com um Emmett risonho ao lado.
- Ele e a Leah... — Meu pai se sufocou não conseguindo terminar. Pelo jeito, ontem eu consegui não pensar naquilo aqui em casa.
- Edward, como ele conseguiu fazer isso? — Minha mãe perguntou com a face horrorizada e começou a limpar as lágrimas que caiam em meu rosto, inconscientemente.
- Não sei. O impriting não tem como ser quebrado. — Ele andava de um lado pro outro pelo meu quarto, nervoso e inquieto.
- O quê? — Perguntei, tentando conter as minhas lágrimas silenciosas. Uma vez, Seth disse uma frase com essa palavra. Eu lembro que o Jake, quer dizer Jacob o olhou feio e o Seth se engasgou com a maçã que estava comendo. Me lembro também que eu não entendia o que aquilo significava: impriting. Essa palavra agora rodava em minha mente enquanto todos me encaravam com choque e pena em suas feições. Não estava entendendo nada, até que tia Alice griou de dentro do closet mesmo:
- Que saco esses cachorros. Não enxergo como ela ficaria com esse modelito. — Fazendo eu rir um pouco.
- Ixi, a baixinha virou bipolar! — Tio Emmett disse ainda rindo. Eu não sei como ele aguenta gargalhar tanto.
- Para de encher o saco. Deu de reunião familiar? Eu preciso ir ao colégio. — Eu disse irritada. Talvez eu seja sim bipolar.
- Eu disse. -Emmett falou e saiu. Claro que ele estava se referindo ao meu humor.
- Está bem, querida. — Minha madrinha Rosalie disse e me deu um beijo na testa, saindo logo em seguida.
- Mãe, cadê o tio Jasper? — Afinal, só ele e os meus avós não haviam subido.
- Ele saiu, filha. Sabe como é certidões, carteira de motorista... — Ela disse e os meus olhos brilharam. Seria esse ano que eu ganharia carteira para dirigir um carro?
- É esse ano? — Eu perguntei, afinal ela sabia sobre o quê eu estava falando.
- Supresa!!! Vamos? Você está atrasada, nem sequer tomou café! — Assenti e me levantei.
Tomei meu café da manhã, onde eu mal comi, porque mal suporto comida humana. Comi apenas duas panquecas e um copo de suco de laranja, cuja estava muito azedo.
Fiz minha higiene bucal e fui ver o que a minha tia Alice estava aprontando. Ela ainda estava no closet então fui até lá. Entrei e estava tudo revirado e eu só via um raio (leia-se Alice) correndo de um lado para o outro.
- Tia? — Perguntei e ela parou, segurando uma blusa azul.
- SIm? — Ela perguntou, batendo o pé.
- Já decidiu o que eu irei usar? — Perguntei.
- NÃO! — Ela gritou. — Não consigo decidir quando estou cega.
- Deixa tia, eu escolho. — Disse me dirigindo ao armário esquerdo, onde ficava as calças jeans.
- Na-na-ni-na-não! Você não vai de calça. Vai de saia ou shorts. O que é bonito tem de ser mostrado e as suas pernas cabem bem no ditado. Tome. — Ela disse, me entregando um shorts jeans claro, com o final desfiado.
- Mas tia, nem está tão quente assim! — Temei.
- Não importa. Veste rápido, se não vai se atrasar. — Ela insistiu.
- Mas posso pelo menos escolher a minha blusa? — Tentei.
- Não. Vista essa. Anda, Nessie. Te esperarei lá embaixo, eu que te levarei pro colégio. Rápido, falta vinte minutos pra aula começar.
- Tá bom. — Me rendi.
Fui para o meu quarto e rapidamente me vesti. Olhei o meu reflexo no espelho e resolvi passar um lápis no olho, junto com um rímel. Reparei que a minha blusa era um pouco indecente, pois a minha blusa era roxa com um decote um pouco impróprio para uma escola, mas pelo menos não era justa, e sim larginha. Coloquei uma bota de bico fino e salto alto preta e agora só faltava fazer a maquiagem.
Depois de eu ter feito um make básico, ainda passei um gloss que deixava com brilho nos meus lábios e peguei o meu material que a mamãe havia comprado. Desci correndo as escadas e fui direto pra garagem.
- Tia? Em que carro? — Perguntei.
- Nesse aqui. — Ela disse ligando o carro que estava. Era o novo porshe dela, do mesmo modelo do antigo, mas atual e amarelo.
Estávamos quase chegando na escola de La Push e eu perguntei:
- Tia, só o Seth e o Jacob estão no colégio?
- Não sei, flor. Mas você ficará sabendo... agora! — Ela disse entrando no estacionamento do colégio. O mesmo até que era bonitinho. Era composto de três prédios diferentes que eram de cores claras, diferenciando entra tons pastéis. O estacionamento estava lotado e eu senti o meu coração acelerar quando eu vi a quantidade de pessoas que se viraram para encarar o meu carro. Peguei o meu material e pensei: não é hora de ficar nervosa.
Saí do carro e coloquei a minha mochila nas costas. Eu praticamente desfilei no caminho à secretaria e eu ouvi comentários como: ouvi falar que ela é uma Cullen ou Ela é muito linda, será que está disponível? ou outros mais obscenos e alguns como olha esse corpo e tal, o que me fez ter nojo do guri que disse isso. Ouvi uma voz rouca dizendo se acalme e logo entendi que era o Quil falando. Me virei pra eles e Jake tremia. Percebi que o Seth não estava ali, apenas o Jacob, o Quil e o Embry. Me virei e continuei o meu caminho à secretaria. Quando abri a porta um sino tocou, demonstrando a minha presença. Uma mulher de cabelos grisalhos saiu de uma sala e me comprimentou:
- Bom dia.
- Bom dia, senhora. Sou Renesmee Cullen e vim buscar os meus horários.
- Ah, claro senhorita Cullen. Espere só um momento.
- Sem problemas. — Sorri simpaticamente.
A mulher entrou novamente na sala e saiu dali com um montinhos de folhetos.
- Aqui está: o mapa do colégio, os seus horários, os grupos extra-escolares, que você poderá fazer ou não. Temos várias oficinas, como a de mecânica, a de artes cênicas, mais conhecida como teatro, entre outras.
- Obrigada, senhora. Já vou indo, se não me atrassarei.
- Seu primeiro período é bio-química, no prédio três, senhorita.
- Ah, muito obrigada pela dica. — Sorri amalvemente.
- De nada. — Ela disse enquanto eu fechava a porta.
Logo que eu saí do prédio um, onde se encontrava a secretaria, vi o Seth chegando com a sua moto e pulando dela todo desengonçado, pois estava atrasado.
- Seth! — gritei, fazendo com que ele se virasse pra mim e sorrisse.
- E aí, Nessie? — Ele perguntou e se aproximou.
- Tudo legal e que período você tem agora?
- Hãã, acho que é química ou algo assim. — Disse coçando a cabeça. Eu ri e ele me olhou confuso.
- Vem, Seth. Você tem bio-quimica agora comigo, vem. — Disse puxando-o pela mão.
O Seth me ajudou a chegar na sala e bati com uma mão na porta, enquanto a outra ainda estava na de Seth. A porta abriu-se e eu sorri sem jeito:
- Desculpe, professor, mas eu me perdi ao procurar a sala.
- Ah, você deve ser a famosa Renesmee Cullen. Entre, mas e você Seth Clearwater? De novo atrasado? — O professor perguntou bravo.
- Desculpa aí. — Ele disse e entrou na sala comigo, nós ainda de mãos dadas.
Ouvi uns sussuros de como ela é rápida e outros como o casal mais bonito da escola. Corei e soltei a mão de Seth que parecia conter o riso. Seth disse que ele não tinha parceiro nessa aula e que eu poderia sentar com ele. Assim o fiz e reparei que um guri com os olhos azuis escuros e com o cabelo preto me encarava de cinco em cinco minutos.
- Quem é ele? — Sussurei para o Seth e apontei discretamente para o guri.
- Ele é o William. É um mauricinho filinho de papai. Nem adianta se interessar por ele que ele tem namorada, a Melissa.
- Melissa? — Perguntei, não sei porque tinha uma sensação ruim quanto àquele nome.
- É. As Cheer Líderes são um grupinho de populares do colégio. Um bando de maquiadas e metidas que se acham e que são bem atiradas.
- Quem são as outras do grupinho? — Perguntei curiosa.
- A Melissa, a Mellody e a Miranda. Todas com \'M\' e fazem um gritinho irritante. Como: Unhas bonitas, cabelos caprichados, unidas com \'M\', sempre amigas! Eu sei é irridiculo. — Seth disse e revirou os olhos.
- E a Mellody e a Miranda têm namorados?
- Não, elas são muito vazadas, sabe? Ficam com qualquer um.
- Nossa. — Disse e a curiosidade me atiçou: — E você Seth, acha elas bonitas?
- Não. Elas são muito falsificadas, se é que me entende, sabe? Não são naturais.
- Ah. E o Quil e o Embry têm namoradas ou rolos?
- O Embry, como ele fala, é um cachorro de rua. Sem dono ele se sente livre. O Quil não enxerga mais ninguém além da Claire.
- Mas ela não tem oito anos?
- Tem, mas sabe como é, impressão. — Ele disse e aquela palavra voltou a viajar pela minha mente.
- É o tal de impriting não é?
Ele parou, acho que se deu conta que tinha falado sobre algo que eu não sabia.
- Hãã... — Ele murmurou apenas isso.
- Afinal, o que é essa impressão? Por que todo mundo muda de assunto quando falam essa palavra? Que raiva!!! — Exclamei, falando ainda baixinho, respeitando o professor desligado que ainda explicava a aula.
- Nessie, não sou eu quem tenho que te contar isso. — Ele disse com uma cara de dor.
- Seth, prometo não contar que você me disse. Conta, por favor. — Fiz uma cara pidona.
- Não posso, Ness. Ordens do alfa. — Seth disse.
- Espera, ordens do alfa? O seu alfa não é o Jacob? — Perguntei brava. Estavam me escondendo algo e o Jake não queria que eu soubesse.
- Upss. — Seth disse e bateu com a mão na testa. — Besta, besta, besta.
- Seth, você está legal? Mas que história é essa do Jake.. quer dizer do Jacob me proibir de contar algo? Ai, mas que droga! — Eu disse, um pouco alto demais.
- Senhorita Cullen. — Ebaa, o professor me ouviu. Droga.
TRIMMMMMMM. Salvo pelo gongo, literalmente. O sinal tocou e eu sorri abertamente, me livrando de um discurso.
- Que aula você tem agora, Seth? — Perguntei, pegando na sua mão.
- Não sei, Nessie. Mas qual você tem? Eu posso te acompanhar, quer dizer, te mostrar onde é a sala. Sabe como é, pra você não ficar perdida por aí.
- Ah, qual é! O colégio não é tão grande. O meu da Suécia era bem maior. O dobro no mínimo. Vamos, Seth, eu aceito a sua companhia.
- Obrigada madama. — Ele se curvou beijando as costas das minhas mãos.
- Que delicadeza, cavalheiro. — Eu disse, rindo abertamente.
- Que que foi? Não posso ser um cavalheiro agora? — Ele disse com um sorriso no rosto.
- Vamos, Seth, não quero chegar atrasada na aula. Lembra o por que de eu aceitar a sua companhia?
- Ai, magoou. — Ele brincou. — Tá. Vamos.
Saimos do prédio três e fomos para o um, onde era a aula de Matemática. Seth me disse no caminho que achava que tinha Física e fez uma careta, dizendo que a gente não precisava aprender sobre aquilo que a gente não vê. A gente depois falou sobre umas besteiras e gargalhávamos, enquanto alguns alunos que passavam pela gente nos estranhavam.
Chegamos perto da porta e o professor estava atrassado. Seth disse que mataria Física, pois estava com fome e não conseguia pensar quando sua barriga roncava.
Estava rindo abertamente com isso enquanto me aproximava da sala. Com eu e o Seth de mãos dadas, todos que passavam por nós nos encaravam, até que eu ouvi uma voz rouca dizer:
- E aí, Nessie? — Movi a cabeça em direção a voz e vi Jacob encostado na porta, com uma camiseta preta justa, que marcava todos os seus musculos e uma calça jeans escura rasgada.
- Pra você é Renesmee. — Disse e me virei pra encarar o Seth. Como percebi que o Jake não tirava os olhos da minha mão que estava entrelaçada na do Seth, resolvi provocar. De frente para o Seth eu o abracei, dando um beijinho na ponta de sua boca. Um beijo demorado, foi quase um selinho. — Tchau, Seth. Até, obrigada pela companhia. — Sorri.
- De nada. — Ele disse encarando o Jake.
Eu ia entrar , mas o Jacob me segurou pelo braço, impedindo que eu entrasse.
- Espera. — Ele disse, apertando o meu braço.
- Pára, está doendo. Larga, Jacob Black. — Eu disse braba, olhando naquelas duas pérolas negras.
- Por que de Jake eu virei Jacob Black? — Ele riu, divertido.
- Ótimo, vou ficar com uma marca no braço depois. — Disse, devido ao fato que ele estava usando muita força e dava pra ver ele até precionando os bíceps. Gzuisss, QUE HOMEM É ESSE?
- Tá, mas Nessie você está assim por causa da Leah? — Ele perguntou sério. Fiz uma careta quando ouvi esse nome e ele riu.
- Eu não esqueci a cena, OK? Eu passo três anos longes do meu melhor amigo e a cada dia que passava eu sentia um aperto maior no peito. Não via a hora de retomar a minha vida, que ERA perfeita. Não via a hora de reencontra os meus melhores amigos, a matilha toda, o meu avô, os meus tios emprestados, a minha vida! Mas não, eu vivia lá na Suécia, fingindo ser alguém que eu não era, fingindo ser feliz quando na verdade eu era a pessoa mais triste no mundo. A minha alma não estava completa, eu precisava do meu amigo. Eu tinha amigas e amigos lá, mas eu sempre sentia falta dos meus amigos lobos. No primeiro mês, eu mal comia ou caçava, passava horas no quarto chorando e olhando as fotos da minha infância. Tudo isso enquanto você se esfregava na Leah e esquecia da sua melhor amiga. Por que você não atendia os meus telefonemas? Só no início, mas depois você deve ter pensado \'\'Ah, a Nessie não vai mais voltar, pra que eu manter contado?\'\' né seu idiota? Você não se importa com mais ninguém além de você mesmo! E quando eu volto, depois de muito insistir com a minha família, eu insisti tanto, que eles me deram isso de aniversário e pra mim foi o melhor presente de todos. Eu vou até a casa do meu EX-melhor amigo — enfatizei ex e recuperei o fôlego, para continuar com o maior discurso que eu já havia feito na vida- e vejo a pior cena da minha vida. Eu ia te perdoar por não ter atendido os meus telefonemas, por ter me evitado. Mas não, você está dormindo e está com quem do lado? A cadela! Eu saí correndo e de lá e sabe quem foi me ajudar? O meu verdadeiro amigo. Amigo é aquele que nos ajuda nos momentos difíceis. O Seth fez logo isso, por isso ele é o meu melhor amigo. — Eu ia continuar, mas Jacob, que até agora estava em estado de choque, gritou:
- E O QUE VOCÊ FEZ? FOI SE ESFREGAR NELE, NÉ? — Ele disse e aquelas palavram penetram a minha alma, me machucando tanto que a única coisa que eu consegui fazer, foi correr na velocidade humana, para o banheiro feminino.
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