Broken Glass
4 Capítulo III - Parte Dois
Notas iniciais
James encarava o céu azul, junto ao Sol radiante, procurando pelas nuvens. Procurava ,mas não encontrava nenhuma. Olhou para o lado e viu seu vô dirigindo um Chevette barulhento porém poderoso.
— Para onde estamos indo, vô?
— Longe daqui. Vamos para a minha casa em White Orchard.
Observando mais abaixo, o menino olhava montanhas num terreno semi-árido, juntamente a muitos cactos e cobras.
— Mas e a minha escola? Meus amigos.
— Esqueça tudo isso. Vamos começar do zero. Você terá uma nova escola, novos amigos, novos pais.
— Como assim?
— Eu serei o seu pai, agora. Eu serei o seu protetor. — O velho de majestosa barba afirmava encorajadamente.
— Por que você está fazendo isso, vô?
O velho suspira.
— Estou tentando compensar o que o meu filho Phil fez com você. Eu não sei onde errei mas com certeza não o ensinei assim. Farei questão de que você tenha um aprendizado melhor.
— Como?
— Ensinarei-te tudo o que sei.
Capítulo III – Parte Dois
“A verdade vos digo, amigos, um detetive não tem uma vida fácil. Não, longe disso. Ele está sempre sujeito à ameaças, ao cansaço, à dor, à cenas cruéis do feitio humano... Tudo o que se pode imaginar de ruim, um detetive já viu, ou sentiu, ou cheirou, ou ouviu. Mas para quê então ser um detetive?
Ser detetive é ter o prazer de solucionar, principalmente aos casos internos. Entrar em conflito com as emoções que tanto abalam nossas estrutras. Resolver questões que um homicídio soluciona para você. É difícil explicar para quem nunca viu, mas ver a morte nos traz vida, nos faz celebrá-la, nos faz mais gratos. Ver a tortura estimula-nos a apreciar o próprio prazer.
Perceber que estamos nas sombras nos faz luz.”
— Merda... — Ryan passa todos os faróis fechados, quase que rasgando latarias de carros, ouvindo suas buzinas atrás por pouco tempo devido à alta velocidade. Ele dirige desatento, pensando no que James se tornou logo à sua frente e ele não tendo percebido.
“Isso não está acontecendo... Que merda! O meu melhor amigo!” — Ryan Smith pensa, enquanto esquece de virar o volante e quase bate num poste. — Preciso chegar rápido! — Anuncia em voz alta.
“Uma vez luz, tudo se ilumina. Nossas relações melhoram, nosso amor melhora, tudo melhora. Há uma introspecção inacreditável quanto a isso, que muitas pessoas, obviamente, não percebem e não acompanham. Daí vem a tristeza: As suas mudanças não correspondem às mudanças daqueles que prezamos, gostamos. Como então contornar isso?”
— Phil! — James grita enquanto encara a casa de dois andares. De madeira, bonita, provavelmente espaçosa por dentro, mas ele não ouve ninguém. — Pai, eu vim conversar sobre a mãe!
Silêncio, se não fosse pelo som do riacho. James dá alguns passos. A frente e os lados da casa eram enormes, cobertos do verde límpido da grama. Enquanto ia para outro canto, ele ouve:
— Eu não vou sair daqui! — Uma voz grave anuncia.
— Só quero conversar! Nada mais! — James responde.
— Eu sei o que você fez com a minha Susan, seu desgraçado!! — Phil aparece de uma janela aberta com a sua espingarda e atira em James. O homem só consegue ver um pouco das feições do pai, ainda careca mas com barba longa, antes de quase ser atingido.
— Merda! — James Winter se esconde atrás de um grande casco de árvore caído.
“Seja humilde. Essa é a resposta.
Não espere mudanças daqueles ao seu redor. Entenda, porque eles são assim. Ora, não se pode culpar um cego por tropeçar, pois todos somos cegos no caminho da vida! Não se limite ao que as outras pessoas são, mas abra um espaço em seu coração para elas poderem te tocar, pouco ou com intensidade, mas que consigam sentir o que você é e o que você faz por essa pessoa. Um detetive nunca conseguirá solucionar casos se não solucionar a esse caso interno específico.”
Ryan pisava no acelerador. Já na quinta marcha, mal conseguia reparar na bela estrada em que passava, repleta de flora e fauna que antecede Brooke Mountains.
Mais para frente, consegue ver um estacionamento e um caminho à direita. Ele reconhece de longe o carro de James, um Hyundai branco. Pega sua arma do porta-luvas e coloca entre sua calça.
Lentamente, ele estaciona em uma vaga, sem tirar os olhos do carro.
Ele sai.
Andando cautelosamente e mantendo sua mão o mais perto do revólver, ele chega no carro e encontra apenas um garoto.
— Junior? — Ryan bate no vidro pro menino ver.
— Ryan! Veio ajudar o meu pai a perseguir o assassino?
“Merda” — Sim, mas... Tem como você sair do carro para conversarmos? Está trancado, destranque no banco do motorista.
O menino aperta um botão que desativa as trancas das quatro portas e sai do carro, abraçando o detetive.
— Como você está?
— Bem, e você?
— Também. O seu pai, onde ele foi?
— Ele foi por esse caminho. — O menino aponta para a direita. — O pai me disse que o assassino é careca, você conhece ele?
— Conheço, e na verdade o assassino até que tem bastante cabelo. — Ryan tenta sorrir para Junior. — Por que ele te deixou aqui?
— Não sei. Ele me disse para eu ajuda a procurar o assassino, para que quando eu voltasse eu falasse para onde ele foi.
— Entendi... Espere só um pouquinho, ok?
— Ok.
Ryan se afasta e liga para a emergência.
— 911, qual é a sua emergência?
— Quem fala é o detetive Ryan Smith, da cidade de Vengerburg na Divisão de Homicídios. Estou investigando um caso e me deparei com uma criança presa num carro aqui no estacionamento, na entrada de Brooke Mountains. Ela conseguiu sair, mas seus pais não se encontram.
— Tudo bem, uma viatura aparecerá o mais breve possível.
— Junior. — Ryan desliga o telefone e se ajoelha para conversar. — Uma viatura está vindo para te buscar. É muito perigoso aqui.
— Mas o meu pai—
— O seu pai ligou para mim, pois ele precisa de minha ajuda. Ele confiou em mim para te proteger e é o que eu estou fazendo. Ok?
O menino olha para baixo. — Tudo bem.
— Tenho que ir. Comporte-se, ok?
— Tá.
“Seja a luz.”
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Atrás do casco, James pressiona fortemente sua arma contra a madeira, andando agachado para o lado tentando não ser visto. Um moço de cabelo laranja aparece atrás das árvores atirando contra Phil, errando todos os disparos.
— Ivan, volte, agora!! — James grita ao ver o jovem se aproximando da casa. Assim que sua munição acaba, Phil desencosta da parede e dá um disparo, colocando outra bala já em seguida. A bala pega na virilha de Ivan, que cai.
O jovem começa a tremer, sua visão fica embaçada e a consciênca vai se dissipando. James não se esforça para correr e ajudar, apenas observa quando finalmente morre.
Ele usa a superfície do tronco como apoio para colocar sua arma, e dispara três vezes. No último disparo, o projétil bate na madeira de sustentação da janela, que quebra e bate contra o braço de Phil que está dentro da casa. O velho fica dolorido.
— Você que quis assim, pai! Você sempre quis usar a violência.
— Você é louco! Deixe-me em paz, agora! — Após recarregar, o velho atira novamente, quase acertando a cabeça de James.
— Não vou sair daqui, eu preciso falar com você de uma vez por todas.
— Nunca!
James começa a correr para pegar cobertura em outro lugar. Atrás de uma árvore grossa é o lugar perfeito, e lá ele se esconde. Sua respiração ofegante causa nele um suor frio nunca sentido, que cai em sua mão.
Os dois recarregavam, colocando balas uma por uma, quando Phil, ainda atrás da parede de sua casa, dialoga:
— Não bastou matar o seu irmão, não é mesmo? Empurrou o coitado contra uma estaca que atravessou o pescoço. Eu via você nessa estaca desde o dia que Jason morreu! Você matou um bom futuro pai de família, um policial, advogado ou algo do tipo!
— Olhe para mim, pai! Eu sou um detetive renomado, eu consegui! Eu tinha 10 anos quando o acidente aconteceu. Você sabe muito bem que eu nunca iria querer aquilo pro meu irmão, nunca!
— Mas aconteceu, e eu não quero saber, nem se tivesse um ano de idade! Você fez! Agora matou sua mãe e veio matar a mim.
— Eu não matei a minha mãe! Eu matei uma mulher que me maltratou, que me surrou, que me espancou, que tirou sangue de mim, e que te provocava a continuar aquelas sessões nojentas de tortura que vocês faziam comigo.
— Aquilo era para você aprender! Deus é justo e Ele não deixaria você escapar do seu crime tão facilmente. — Phil termina de recarregar após sua tremedeira. — E dessa vez, eu, com o poder divino, não vou permitir que você continue essas atrocidades. Eu não vou morrer, filho, eu vou te matar!
Phil mantêm sua espingarda apontada na direção de James. O detetive aproveita a distância razoável e a sombra entre as árvores para agachar e rastejar. Entre minhocas, gravetos quebratos, folhas soltas e formigas, ele rasteja como uma cobra até outra árvore, no parcial escuro. Phil, sem o uso de seu típico óculos redondo, vê apenas um vulto que acha ser vários pássaros procurando por comida.
James se levanta, ainda encostado em outra árvore, à quatro árvores de distância da inicial.
— Apareça, vagabundo! — Phil grita, quando finalmente James sai da cobertura e atira contra o pai. O disparo pega em seu ombro, seu braço fica fraco e ele quase deixa a espingarda cair, mas corre para dentro.
— Vocês já me arrancaram dentes, já me fizeram cortes, já me queimaram com cigarro, já me deixaram sem comer, sem beber e sem ir ao banheiro por dias, várias vezes... E tudo isso para eu aprender o quê? — James, não tendo certeza se seu pai ouvia ou não, continuava caminhando em direção à janela. — Aprender que eu vivo num mundo onde nem em meus pais posso confiar!? — O detetive entra na casa pela janela aberta.
A casa era enorme por dentro, tendo cores fortes como vermelho e marrom, e todas as madeiras rústicas, parecendo até troncos. James ouviu passos logo à sua frente e saiu correndo, passando pela cozinha e contornado. Viu um vulto. Continuou e viu uma porta batendo. Seguindo as gotas de sangue por toda a casa, ele abre a porta e vai pro lado de fora. Lá, seu pai, com a mão esquerda, tenta parar o sangramento de seu ombro direito.
O velho mira a espingarda com uma mão, dispara, mas erra. James sorri e continua andando em direção a ele, apontando a arma.
Os dois se encontram no terreno plano de grama, com os pássaros a cantar as glórias que encontraram no céu azul, todos deixando seus corpos a serem consumidos pela calor escaldante do Sol.
— Miserável... — O pai cospe sangue no chão.
— Como pode... Um representante de Deus tentar matar o próprio filho.
— Cala a boca... — O pai se mostra ofegante. — Se quiser me matar... Me mate logo...
— É isso? Sem desculpas? Sem perdão Sem arrependimentos? Depois de tudo o que você fez, com o sangue de seu sangue, e você vai partir assim, orgulhoso, de cabeça erguida?
— Pedir desculpas à você... Isso sim seria uma humilhação pela qual eu nunca iria passar... Prefiro uma bala no meio de minha testa do que ter que olhar nos seus olhos e mostrar culpa.
— Não mostra culpa nem ao meu amigo, que você matou também?
— Ele não era seu amigo. — O nariz redondo de Phil é iluminado pelo Sol assim que ele finalmente levanta a cabeça e olha nos olhos do filho. — Você o contratou para me matar. Para deixar o mínimo de pistas contra você. Mas olha só... — Ele sorri. — Você vai ter o prazer de me matar... E as pessoas vão te achar.
— Claro que não. — James sorri. — Vou matar você, aqui e agora. Logo após, vou trocar de arma com Ivan, e ligar para a polícia. Eu serei o cara que tentou salvar você de um assassinato encomendado, mas fracassei. Talvez eu ganhe até uma medalha por isso, tenho que fingir bem, claro, mas... Fingir não foi dificuldade nesses últimos anos. Fingir que amo minha família. Fingir que amo meu trabalho. Eu me escondia atrás de um véu apenas para tirá-lo na sua frente ,aqui... E agora. — James aponta firmemente contra o pai.
— Você é um coitado, James... — Phil respira forte. — Se for apertar o gatilho, aperte de uma vez.
— Pare!
James olha para a esquerda e vê uma figura conhecida, apontando um revóvler contra ele. Ryan, de intensos olhos azuis e charmosos fios loiros, se encontra sério, apontando a arma contra o amigo.
— Ryan!? — James se mostra surpreso. — Mas... Como!?
— Eu comparei a escrita da sua dedicatória no livro com o suposto recado de Phil, e percebi que as letras eram as mesmas. Fui na casa de seus pais e vi mensagens que foram mostradas para o seu pai, para ele seguir instruções. Eu não queria acreditar, James... — Ryan treme mais forte. — Não queria acreditar, mas fui na sua casa mesmo assim compartilhar o feito, quando encontrei a sua mulher inconsciente.
James olha para baixo.
— Eles levaram-na para um hospital. Fiquei por lá para examinar as pistas e encontrei o seu caderno. Pulei a parte que eu já conhecia, seus pais te maltratando, xingando, ridicularizando, e fui para a parte que interessava.
— Huh... Pensei que tivesse matado Lisa...
— Você matou a sua mãe, James! A sua própria mãe! A mulher que te trouxe para o mundo. Como você conseguiu? Não importa se ela te maltratou, não importa se ela fez de sua vida um inferno... Ela te trouxe à vida para você aprender a superar tudo isso e—
— Não existe superação! — James grita. — É fácil para você que teve carinho e amor, mas e para os outros? E para mim? Acha que é fácil esquecer tudo o que eles fizeram comigo?
— Não é! É muito difícil! Mas é possível... Você teve todas as chances do mundo... O seu avô te acolheu. Era uma vida nova a partir daí.
— Você não sabe de nada, Ryan Smith... — James continuava a mirar contra o pai.
— Sei mais do que devia, isso é verdade. Sei que você aproveitou a ausência do seu pai para eliminar Francis e ligar os dois casos, tudo para tirar um traficante da rua, já inativo, e para fazer acordos com um homem de muito perigo e dinheiro como Blake. Você fez tudo isso para poder tirar as pedras do seu sapato e ainda ganhar dinheiro de um cara que deixou retardado o seu cunhado.
— Tá bom, tá bom, você sabe de tudo. Da metanfetamina, do assassinato de Francis, eu sei, você leu tudo, e agora?
— Merda, James...
— E agora!? O que você vai fazer? Me matar? Jogar anos de amizade fora para isso?
— Eu não quero te matar. Eu não quero. Eu vim te prender...
— Você deve estar de brincadeira. — James ri.
— ... Pelos assassinatos de Susan Winter e Francis Woods, por alteração de cena do crime, pela tentativa de assassinato de Lisa Woods Winter, e pela irresponsabilidade para com o seu filho Junior, ao deixá-lo preso no carro.
James aponta a arma contra Ryan. Phil observa tudo, ainda ofegante, quase conseguindo parar boa parte do sangramento.
— Ryan... Eu e você... O caso do açougueiro, o caso do padre louco, nossas conversas, os almoços na minha casa. As tardes em que jogávamos cartas e bebíamos... Tudo isso... Vai ser jogado fora porque eu tive, pela primeira vez, a minha chance de vingança?
Ryan Smith escuta atentamente.
— James...
— Você não sabe como é ter pais que me estuprariam caso meu vô não tivesse me resgatado... Com certeza não sabe. Eu desisto, Ryan. Mesmo. Desisto. Largue essa arma, que eu prometo que vou embora, mudo de nome, mudo de país... Que seja. — James mostra um olhar soturno.
— Você... Você deve pagar pelo que fez, James. — Ryan, ainda apontando para James, mostra-se confuso.
— Não tire a chance de minha vingança, por favor. Não jogue fora todos esses anos por besteira. Como eu disse, eu desisto. Eu vou embora. Abaixe a arma que eu vou embora.
— Mas...
— É a última coisa que eu peço, amigo. Faça isso, que eu largo a minha arma automática que você tanto odeia, dou a volta e vou embora.
Ryan se sente pressionado. Por um breve momento, cenas do passado vêm à tona. Momentos onde os dois amigos riam, bebiam, assistiam futebol americano, enfim, curtiam a vida. Brigavam, auxiliavam... A típica amizade de homem que qualquer americano do interior gostaria de ter. Uma amizade que se estendeu desde a adolesência até o momento atual, os dois, trabalhando, como detetives.
“Você me salvou, amigo” — O detetive lembra quando James o agradeceu por ter salvo do padre louco. Lembra dos conselhos, dos bons momentos e dos maus momentos.
Finalmente, Ryan vai, lentamente, enfraquecendo o braço em meio às tremedeiras, e se permite a abaixá-lo totalmente.
James sorri.
Puxa o gatilho.
Ryan geme e cai na grama. Sente sua orelha pinicando pela ponta de uma das folhas, e tenta resistir à dor. Tenta agarrar a ferida de um dos lados da barriga, mas o sangramento é intenso. Com a visão turva, tenta enxergar James que se aproxima.
— Você sempre foi ingênuo, Ryan. — Ele anda, um passo de cada vez, lentamente. — Sempre tentei te ensinar a ser mais malicioso mas você nunca ouvia.
— Merda, James! — Phil grita.
— Quieto. Eu sei que você está sem munição e ferido. Apenas olhe.
Ryan choca seus dentes aceleradamente, com medo. Lembra de sua família, dos companheiros de trabalho, e lembra das mesmas cenas que passou a vida inteira com James — só que agora, com o amigo apontando uma arma em sua direção.
— Machuca-me muito fazer isso, Ryan. Mas eu realmente não vejo outra escolha. — O detetive Winter aponta a arma automática para a cabeça de Smith e puxa o gatilho.
Silêncio.
Depois de um barulho curto e agudo, James observa a arma e percebe, de súbito, que ela não disparou. No encaixe dela, uma bala emperrou, ficou saltada para fora e prendeu.
O detetive se assusta quando vê Ryan, mesmo caído, apontando contra ele um revólver manual. Ele dispara e acerta James em cheio, na testa.
O detetive cai lentamente, junto ao sangue jorrando pela passagem à mostra, permitindo a visualização de uma parte de seu cérebro, mexendo-se inconstantemente. Sua cabeça alcança o chão e ele cai morto.
Ryan percebe o seu braço fraco tocando o chão e sua arma saindo de sua mão.
— Ajuda! Alguém me ajuda!! — Phil, mancando, sai de lá e começa a descer o morro.
Ryan, ainda com a visão escura, olha para o lado e vê James. Seus cabelos negros se fundem a um vermelho intenso, que ainda derrama de sua pele. Seus olhos abertos, ou melhor, arregalados, fitando o infinito e o nada ao mesmo tempo. Sua boca semi aberta num estranho sorriso, ou talvez fosse apenas a ação da gravidade puxando seus grossos lábios para o chão.
A poça de sangue alcança a mão esquerda de Ryan, fazendo com que ele sinta o calor.
Ainda ofegante, com os lábios tremendo, Ryan fecha os olhos e não reage mais.
Deixa ir.
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