Broken & Bounded

5 Lilith Scopelli, La Signora della notte


Notas iniciais
"Riposa, riposa in pace. Nel racconto che ho scritto, puoi volare in libertà. Ecco il mio ultimo incantesimo, Affinché la tua luce non conosca ombra. (...)"

Tanto eu quanto Alexander tinhamos o olhar voltado para o rapaz de belos olhos azuis que estranhamente me encarava e eu não pude deixar de notar o quão atraente ele também era. Ponderei por algum tempo até que o sobrenome daquele bruxo fez sentido – eu já havia lido sobre ele enquanto estudava arduamente na biblioteca privada do Vaticano.

"Griffith?” – repeti para mim mesma enquanto pousava uma das mãos sob o queixo, analisando atentamente o rapaz a minha frente – “Esse sobrenome, eu já o li em algum...” – me interrompi ao finalmente recordar sobre, dando um pequeno pulo cheio de entusiasmo – “Ah! É claro, como pude me esquecer? O incidente com Sarah Griffith em 2000, ela foi arremessada contra uma parede de vidro e nunca descobriram quem realmente foi o culpado. Creio que você, Logan, tenha algo relacionado a isso, giusto*?”

Voltei a encarar Logan e notei que sua expressão antes tão despreocupada agora estava tensa e ele cerrava ambos os punhos, desviando o olhar para os próprios sapatos.

''Primeiramente, nós bruxos não somos animais para serem catalogados dessa forma...” – ele deu uma longa pausa e forçou um sorriso amarelo enquanto voltava a me encarar – “ E sobre aquele incidente....Bom, isso não lhe diz respeito.''

Entreabri os lábios para respondê-lo a altura, mas antes que eu pudesse fazer isso, Alexander se manisfestou, nítidamente ofendido com o que o rapaz de olhos azuis havia dito.

“Ei engomadinho, sabia que os "animais" podem facilmente abrir sua garganta antes mesmo que voce consiga dizer Quadribol...?” – esbravejou.

Revirei os olhos e encarei o lobo, o fuzilando com o par de olhos esmeraldas. Ele arqueou uma das sobrancelhas confuso e eu franzi o cenho, bufando e o reprovando em seguida.

“Per favore(1), poderia parar com as citações de Harry Potter? Já disse que os bruxos reais são completamente diferentes dos retratados em livros e eu estou tentando resolver um assunto sério.” – proferi irritada e cruzei os braços.

Alexander me encarou por alguns segundos e deu alguns passos em minha direção e voltou a se pronunciar.

“Ah! Vai dizer que você também não esta cheia de referências a Harry Potter na cabeça agora, hum? Além disso, nós literalmente já acabamos de nos conhecer, e ele ja me chamou de animal sem nem saber quem eu sou...”

Soltei um longo suspiro e passei uma das mãos pela minha franja úmida, tentando ajeitá-la de alguma forma, inutilmente. Logan deu uma breve e travessa gargalhada, desviando os olhos azuis cristalinos para o outro rapaz.

''E como sabe que me referi a você?'' – um sorriso travesso surgiu nos lábios perfeitamente bem desenhados de Logan, deixando Alexander completamente sem ação.

Desviei o olhar ao lupino que entreabria e cerrava os lábios inúmeras vezes, sem saber o que responder ao outro rapaz.

"Eu sinceramente não consigo entender como você conseguiu sobreviver esses 15 anos no anonimato se você se entrega dessa forma para alguém que você nem faz ideia de quem seja. Eu, por exemplo, durante todos esses anos e mesmo sendo tão conhecida e temida, ninguém nunca descobriu quem eu realmente sou." – dei um sorriso torto que foi desfeito assim que Logan voltou a se pronunciar.

“Também sei quem você é, lady of the night (2), ou melhor, Lilith...'' – sussurrou o bruxo calmamente enquanto enfatizava meu nome verdadeiro.

Os olhos azuis me encararam fixamente e um arrepio percorreu toda a extensão do meu corpo como um choque, como ele sabia de algo tão íntimo? Trinquei os dentes e cerrei os punhos alarmada.

“Lilith?” – indadou Alexander nítidamente confuso – “Mas seu nome é Artémis, não é?”

Logan alargou o sorriso travesso e eu entendi aquele ato como uma provocação e resolvi agir, eu necessitava saber como ele havia conseguido aquele tipo de informação. Deslizei as mãos sob o cinto que estava encoberto pela minha jaqueta, empunhando minhas adagas de caça preferidas – as mesmas que meu pai havia me dado como presente de dezoito anos e que desde então eu não as largava. Um inesperado fervor tomou conta de mim naquele instante e avancei sobre o jovem bruxo, me posicionando em frente a ele, e pressionando a lâmina contra sua garganta, enquanto minha mão livre voava para a parte de trás de sua cabeça, puxando seu cabelo no intúito de deixá-lo imobilizado.

"Como você sabe disso..?" – lhe indaguei de forma ameaçadora, fuzilando-o com os olhos.

Mesmo estando incapacitado de se mover, Logan retomou seu sorriso travesso, e com um brilho nos olhos, me encarou com a mesma ferocidade com a qual eu estava encarando-o.

“Ora, eu tenho minhas fontes, gracinha." – disse ele, alargando ainda mais o sorriso.

Pressionei mais fortemente a adaga contra seu pescoço, e não hesitei ao ver um filete de sangue escorrer por sua pele. Atrás de mim, pude ouvir passos, mas não me virei. Toda a minha atenção estava focada em tirar todo o tipo de informação que este bruxo em meus braços possuia.

"Ei... Artémis... Que tal conversarmos sobre isso tudo como pessoas civilizadas? Acredito que ele tenha apenas te confundido com outra pessoa. Afinal, você é Artémis, não Lili..." – disse Alexander se aproximando de mim, sendo interrompido assim que tocou meu braço direito.

No momento em que ele tocou meu braço, meu pingente de serpente emitiu uma forte luz branca, impelindo tanto Alexander quanto Logan para o outro lado da rua, ambos de lados opostos. Logan foi arremesado e caiu próximo a calçada, fazendo com que o a barreira que nos protegia da chuva sumisse e fossemos novamente castigados pela tempestade que assolava Londres naquela madrugada. Alexander foi arremessado para o outro lado e antes que tocasse o solo ele se transformou rapidamente, deixando pelo ar pequenos pedaços de carne humana e manchas de sangue, provas de sua transformação. Ele provavelmente não teria que se importar em limpar nada, pois a chuva iria fazer este trabalho por ele. Assim que ele caiu no chão em suas quatro patas ele se virou em minha direção, mas eu não pude vê-lo. Eu estava com os olhos arregalados em pânico enquanto encarava o pingente ainda reluzente sem conseguir entender o porquê de aquilo ter acontecido.

“Como... Como eu fiz isso...?” – sussurrei enquanto o observava, completamente distraída em pensamentos e já ensopada por conta da tempestade.

Enquanto eu estava distraída, Alexander focou a atenção em mim e arregaçou os dentes, rugindo em minha direção, talvez ele imaginava que eu teria causado aquilo propositalmente, mas eu estava tão focada em entender o que havia acontecido comigo que não notei quando ele se jogou no ar e mirou as presas em direção da minha jugular.

Poucos antes de me atacar, seu corpo recebeu uma lufada de ar que o tirou de rota e o fez rolar pelo chão, longe de mim e do outro rapaz, o que fez que eu voltasse a prestar atenção a minha volta. Encarei o lobo caído do outro lado da rua e desviei o olhar para o bruxo que mesmo caído mantinha uma das mãos erguida enquanto o brilho amarelo em seus olhos sumia vagarosamente.

Escutei outro rosnado frustado do lobo, notando ele passar por mim na intenção de atacar o outro rapaz e antes que pudesse fazer isto, lancei uma das adagas em sua direção, acertando exatamente onde deveria ser seu ombro. A fera grunhiu com a dor e parou o ataque, me encarando diretamente e soltando outro rosnado feroz, porém antes de eu voltar a atacá-lo ele correu na direção contrária a nossa, em direção ao Big Ben, logo desaparecendo de nossas vistas.

Eu ofegava por conta da adrenalina momentanea e, assim que ele sumiu, senti minhas pernas falharem, fazendo com que eu caísse ajoelhada no asfalto com as pálpebras estreitas e a visão embaçada, tão fraca. Logan se levantou e correu em minha direção, se ajoelhando do meu lado e tocando meus ombros, me forçando a encará-lo.

“Ei, você está bem?” – os belos e magnéticos olhos azuis me encararam e eu me derreti completamente – “Lilith? Consegue me ouvir?”

“Logan...?” – estreitei ainda mais as pálpebras para conseguir fitá-lo melhor, mas minha visão apenas piorou – “Eu consigo te ouvir... Eu estou...”

Antes que pudesse respondê-lo devidamente, minha visão escureceu e meu corpo pendeu para a frente, fazendo com que meu rosto se escorasse contra o peito de Logan e eu desmaiasse em seus braços.

Pressionei as pálpebras fortemente assim que despertei, sentindo uma terrível enxaqueca quando tentei abrir os olhos, além do meu corpo estar inteiro dolorido. Era como se eu tivesse sido atropelada por um caminhão, ou pior, como se eu tivesse usado toda a minha energia de uma só vez. Soltei um longo suspiro e abri os olhos, piscando freneticamente. A luz do sol invadia completamente o quarto, me deixando incomodada, aquele apartamento ridiculamente pequeno era cenário de minha súbita perda de memória da noite passada. O que havia se passado na noite anterior? Boa pergunta, também gostaria de saber. Ergui a cabeça quase em câmera lenta e aquilo me causou uma dor dos diabos. Estiquei os braços me espreguiçando e expelindo um leve gemido de dor. Tinha uma bomba relógio dentro da minha cabeça e o tic-tac do relógio era insuportável. Por mim, passaria o resto do dia camuflada naquela cama até conseguir abrir os olhos sem sentir pontadas de dor, mas assim que minha visão focou e eu finalmente olhei em volta, entrei em pânico – aquela não era minha cama e muito menos o meu quarto. Notei que estava sem a jaqueta e as adagas, apenas trajando minha regata branca e a calça jeans.

Olhei em volta, podendo perceber que o apartamento não era grande, mas era muito aconchegante e todos os cômodos eram interligados. Todos os móveis e paredes eram brancos, deixando aquele recinto sutil e harmonioso. Era tudo muito simples, porém tudo combinava muito bem. O quarto dava acesso direto para a sala de estar e para a cozinha que aparentemente pareciam ser muito confortáveis. A cozinha tinha apenas um pequeno balcão com dois banquinhos de estilo americano, uma geladeira, fogão e a copa era inteiramente branca, nada sofisticada. Na sala, o sofá de três lugares de couro branco estava encostado a uma das pareder cinza. Na metade de baixo da parede tinha uma grossa faixa marrom que se arrastava de ponta a ponta. O raque, em que se situava a TV de tela plana, era de um tabaco claro e reluzente. Em cima da raque tinham dois jarros decorados com tons de terra e brancos com grandes lírios saindo de cada um destes. As cortinas eram brancas e tinham uma faixa de cor caramelo espalhado por todo o tecido. Suas janelas eram grandes e deixavam a luminosidade entrar facilmente, o que para mim era um pesadelo. As paredes do quarto em que eu estava eram completamente brancas, mas a que a cabeceira da cama king size encostava era feita de tijolos marrons. Os lençóis da cama eram azuis escuros e os travesseiros alternavam entre branco e preto. Os móveis eram todos brancos com os detalhes e puxadores prateados. Havia uma pequena escada que dava para um piso suspenso acima da cama, o local em que o closet se localizava.

Quando me levantei da cama, cambaleei sonolenta pelo quarto e notei o barulho familiar de um chuveiro, só não sabia exatamente aonde era o banheiro. Encarei uma pilha de livros próxima da escada e me aproximei desta, nítidamente curiosa. Me interessei por um dos livros sem nome que estavam na pilha e o puxei cuidadosamente. Assim que o puxei, algo caiu de suas páginas e quando me abaixei para pegá-lo, notei que era uma fotografia ligeiramente mal tratada pelo tempo e terrivelmente surrada. A apanhei do chão e encarei a foto, reconhecendo o rapaz da fotografia imediatamente por conta de seus belos olhos azuis cobalto – Logan. Torci os lábios e encarei a garota ao lado dele na foto, percebendo as semelhanças que ela tinha com o rapaz. Após eu ponderar por algum tempo pude concluir que aquela devia ser sua irmã, Sarah, e me perguntei o que a foto dos dois estaria fazendo escondida naquele livro. Estreitei as pálpebras enquanto analisava atentamente a fotografia, sendo interrompida pela voz sedutora e envolvente do moreno que ecoou pelo cômodo, logo atrás de mim.

“O que pensa que está fazendo, gracinha? Não te ensinaram que é feio mexer nas coisas dos outros?”

Arqueei as sobrancelhas e me virei na direção da voz melódica do rapaz, me deparando com a visão do paraíso. Ele estava praticamente semi nu com uma toalha enrolada em sua cintura – na intenção de esconder suas vergonhas. Fiquei boquiaberta enquanto o encarava, nunca havia prestigiado uma visão como aquelas e muito menos havia ficado no mesmo cômodo com um homem desconhecido, não daquela forma. Vasculhei todo o corpo dele com os olhos, notando o quão belo e atraente ele era daquela forma. Algumas gotas caíam por seu abdômen definido e eu o encarava descaradamente e um sorriso travesso surgia em seus lábios. Ele se aproximou de mim e apanhou a fotografia de minhas mãos antes que eu pudesse protestar, mantendo os olhos fixos contra os meus enquanto se afastava. Aqueles olhos e aquele corpo haviam tirado todo o meu fôlego e eu podia sentir minhas pernas falharem novamente de forma patética. Despertei do transe e me puni mentalmente por encará-lo daquela forma. Pigarreei, franzindo o cenho e cruzando os braços. Ele alargou o sorriso quando eu voltei a encará-lo, forçando uma expressão séria que para ele deveria ser cômica. Estreitei as pálpebras e o questionei, quebrando o gelo.

“Eu ainda quero saber como é que você conseguiu informações tão íntimas sobre mim, Logan. E eu quero que me diga a verdade de como as conseguiu agora.”

Notas finais
Legenda: (1) Por favor (2) Dama da noite Capítulo por jubilauta ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.