Broken Arrow

15 Capítulo Quatorze


Notas iniciais
Hey flores. Como vocês estão?
Demorei bastante dessa vez, certo? E sei que muitas de vocês querem de matar por isso hihi Mas tenho meus motivos. Conversamos melhor nas notas finais.
Quero dedicar esse capítulo Gi Horan, Miss Malfoy e osgritosdosilencio, essas coisas fofas que dedicaram Broken Arrow e me fizeram ficar sorrindo igual uma bobalhada com suas recomendações. Obrigada pelo carinho a fic amores, vocês são demais.
Sem mais enrolações, aqui vai mais um capítulo.
Boa leitura (:


Capítulo Quatorze.
E eu tento não me importar.
Eu tento não sentir nada.
É tão difícil de acreditar.
Mas, no fim das contas, é verdade.
Você acertou essa bala bem nos meus ossos.
(Bullet — Clare Maguire)


Londres, Novembro de 2011.


Sua respiração era escassa, seus passos apressados. O vestido justo subia por suas coxas conforme as pernas abriam em passos longos.

A mulher olhava o relógio de minutos a minuto. Passou como um raio pela portaria, sem nem ao menos se preocupar em cumprimentar o porteiro; nunca o fizera e não seria agora, que seu tempo era escasso, que o faria.

Adentrou ao elevador, agradecendo aos céus pelo mesmo está parado, com suas portas de metais abertas, no térreo. Postando-se no meio do cubículo de metal, a mulher levou o dedo indicador até o painel e apertou com firmeza o último número, fazendo com que as portas automaticamente fechassem e o elevador se pusesse a subir, levando-a a cobertura.

Passou a mão pelos fios do cabelo, concertando qualquer fio rebelde que houvera tido a audácia de ficar para cima. Com o polegar e o indicador da mão direita, endireito o forte batom rosa no canto dos lábios; sorriu confiante para seu próprio reflexo e logo o apito baixo soara por seus ouvidos, anunciando a chegada do elevador ao destino demandado.

Caroline Flack deu o primeiro passo para fora do cubículo e ao terceiro passo, se erguendo no corredor em uma figura exótica, bela e segura, seu sorriso vacilou. A mulher respirou densamente, observando com uma das sobrancelhas arqueadas e um descontentamento óbvio a cena que se erguia a frente, na porta do garoto o qual viera visitar. Quis pular no pescoço da morena que sorria tão abertamente para o cantor a sua frente, mas sua pose de boa moça não permitiria tal ato violento. Os olhos da garota estavam fixos no verde de Harry Styles, transbordavam sentimentos, fazendo com que Caroline facilmente compreender que havia algo entre os dois; algo que até mesmo ambos ainda não houvessem percebidos, ou confessado.

Então a loira resolvera interromper aquele momento particularmente enojado, sentimentos como aquele teor de intensidade não deveriam existir; a mulher pensava. Sentimentos levavam as pessoas ao fundo do poço, rasgavam seus corações e deixavam-nas a estardalhaços; e Caroline sabia de todo aquele fundamento por contra própria. Após encontrar um sapo, ao invés de um príncipe, que lhe tirou toda a inocência e brilho de um amor, Caroline houvera jurado que nunca mais voltaria a se apaixonar, nunca mais se enganaria ou deixaria outro alguém pisá-la e machucá-la. Ela havia amadurecido, se tornado uma pessoa fria, calculista e egoísta, não admitia que ninguém tentasse sequer passar por cima dela. Aprendera que o mundo pertencia aqueles que sabiam jogar. E fora de fato o que ela passara a fazer, começando um relacionamento com uma das mais recentes sensações adolescente da Inglaterra, quiçá do Reino Unido.

Com um pequeno pigarro, mas que fora o suficiente para chamar a atenção de ambos os jovens, pescou satisfeita os dois pares de olhos confusos sobre si. Assistiu os lábios rosados de Harry desenharem-se em um sorriso largo e a morena a sua frente, fitá-la com extrema confusão e hesitação. Um sorriso que pingava malícia repuxou os cantos dos lábios pintados de rosa choque; aquilo seria interessante.

Melody sentiu o sorriso murchar aos poucos no que observava Harry sorrir tão contente e avidamente para a mulher que houvera os interrompido; seus olhos castanhos rapidamente a estudaram dos pés a cabeça e logo Melody se sentiu inferior à beleza e maturidade da mulher que sorria sedutoramente para seu amigo.

— Desculpe pelo atraso, amor. — Caroline voltou a desfilar ao longo do corredor, aproximando-se a passos contidos dos amigos. Melody torceu veemente que Caroline se desequilibrasse sobre o salto alto e quebrasse o nariz arrebitado quando fosse com o rosto de encontro ao chão, mas nada acontecera. A mais velha continuou em seus andar pomposo até parar ao lado de Harry.

E logo, Melody desejou nunca ter ido a casa do amigo naquela hora.

Assistiu, sentindo a garganta fechar e o coração apertar, a mulher aproximar-se de Harry e grudar seus lábios aos do cantor, em um rápido e singelo selinho; o que Caroline não desejara, pois do contrário teria tascado um beijo de tirar o fôlego em Harry para mostrar a Melody quem estava ao lado do mesmo, no entanto, o cantor pareceu acanhado na presença de Melody, que os assistia com visível descontentamento no olhar.

— Hm. Então Mel, essa é...

— Eu sei. Eu preciso ir agora, nos vemos depois. — Melody o interrompeu, não querendo escutar a confirmação que os tabloides especulavam sobre aquele romance ser realmente verdadeiro; simplesmente não saberia dizer se aguentaria escutar as palavras saírem de entre os lábios de Harry.

Então a garota se virou, andando a passos apressados em direção a escada, ignorando o elevador que voltara para o térreo. Não se importou para a imagem que passaria a Caroline, ou até mesmo para Harry, queria somente poder sumir. Passara meses pescando iniciativas de Harry, chegara ao ponto de se sentir perdida no meio daquele caos chamado Harry Styles, a ponto de pensar em confessar o que sentia, querendo se ver nos braços do garoto. Mas então, o cantor surgira com uma namorada; namorada essa 15 anos mais velha.

Como Melody poderia sequer cogitar a hipótese de concorrer com alguém do porte de experiência e sedução daquela mulher?

De costas, Melody não assistira o sorriso vitorioso que se estampara nos lábios de Caroline. A cantora era somente mais uma a se dar conta que sentimentos não serviam para nada.

E Caroline se sentiu contente em ser o pivô desta constatação.



Harrow, atualmente.


Os familiares sorrisos a cercava, dando a angustia de querer correr e não poder. Não via seus respectivos rostos, somente os sorrisos; o simples curvar dos lábios e amostra dos dentes, sorrisos vazios, flácidos, falsos, desprovidos de qualquer sentimento de euforia, felicidade ou satisfação.

Os sorrisos se aproximavam e deixavam-na amedrontada; queria correr, mas seus pés não pareciam querer obedecer a seus comandos, como se estivesse pregada ao chão, a morena estava impossibilitada de fugir.

Oleve afago em seu cabelo ondulado penetrou em seu sono, arrancando-a pouco a pouco do mundo dos sonhos, ou em seu caso, dos pesadelos. Melody lentamente afastava o estupor do sono, deliciando-se com o carinho que lhe era dado.

Havia se passado pouco mais do que uma semana e poucos dias desde o beijo que dera em Niall, o fatídico ocorrido com Liam e a bronca que tomara de Simon pela bebedeira, juntamente com Styles, pelo mesmo ter sido fotografado com Caroline Flack; e a cada dia que passava, parecia que um novo trator passava por cima de Melody. Não falava com Liam desde então, e passara a deixar uma tensão no ar quando estava no mesmo recinto que Niall; não conversaram sobre o beijo, não por escolha de Niall, este chegara a tentar conversar com a cantora, no entanto, Melody fora irreversível em sua escolha de não tocar em tal assunto.

Os dias e as noites passaram então a se revessarem rapidamente com o excesso de trabalho que Melody se comprometia em uma busca estúpida de tentar esquecer seus problemas; doce ilusão, pois no segundo que se colocava no silêncio do aposento a qual dormiria, os fantasmas viam a assombrar, sem descanso. Entretanto, sob as lentes das câmeras, sempre esboçava um sorriso largo mesmo em meio ao vazio que a preenchia.

Passou o dorso de uma das mãos sobre os olhos, escutando a risada baixa e totalmente conhecida soar em seus ouvidos.

Então, o fato de alguém a fazer um afago tomou coerência em sua mente ainda um tanto sonolenta. Melody ergueu seu tronco de supetão e encarou quem a afagava com os olhos castanhos levemente arregalados e um tanto assustados. Geralmente, quando dormia com alguém, não costumava acordar com afagos carinhosos no cabelo; Harry não a acordava de forma delicada.

Os olhos da garota somente aumentou seu tamanho quando a figura sentada sobre sua macia cama de hotel tomou reconhecimento em sua mente, associando-a a outra pessoa que, definitivamente, não era Harry.

Piscou descrente, encontrando os olhos verdes no rosto esbranquiçado. O cabelo de fios dourados e cacheados caiam em cascadas nos lados do rosto fino, pipocado por pequenas e claras sardas; o sorriso acolhedor desenhava os lábios rosados e um corpo curvilíneo que, mesmo a mulher já tendo seus quarenta e poucos anos, daria inveja a muitas modelos. Logo Melody se lançou contra o corpo alto e magro com força, sentindo o cheirinho que acompanhava a mulher desde quando se entendia por gente, impregnar em suas narinas junto ao aconchego que a tomava no peito.

— Não queria ter te acordado. — a doce voz feminina fez Melody afastar o rosto da curvatura do pescoço da mais velha com um sorriso largo estampado nos lábios. — Mesmo que sejam três horas da tarde mocinha, e não seja hora de está dormindo.

— Eu senti sua falta, mãe. — confessou, novamente se encaixando entre os braços da mulher, que a apertou contra seu corpo. O fato de ter brigado com a mãe no último encontro de família não passava de um borrão para Melody; a jovem não desperdiçaria o tempo que teria naquele dia com a mãe por mágoas passadas e razões estúpidas. Então a afastou, fitando Marietta com a saudade estampada nos olhos castanhos. Contudo, algo nos olhos da mulher fez Melody abruptamente ficar alerta. — Está tudo bem? O que a senhora está fazendo aqui?

— Fiquei sabendo que estaria em Harrow e como não é nem uma hora de Londres, resolvi visitar minha garotinha, já que ela não dá notícias e me deixa preocupada. — o tom de advertência era explícito na voz delicada da mulher, mesmo que em sua expressão um sorriso não deixasse de desenhar seus lábios. Melody mordeu o lábio inferior, sabendo que muito embora Marietta houvesse brincado, a preocupação e repreensão eram explicitamente verdadeiras em sua frase.

— Desculpe. — pediu a cantora, abrindo um sorriso um tanto arrependido, muito embora ambas soubessem que a morena não mudaria muito seus atos após aquela visita.

Já haviam passado pela mesma cena diversas vezes e Melody nunca ligava no dia seguinte.

Marietta passou uma das mãos sobre o cabelo da cantora, indo do topo de sua cabeça até suas pontas, por fim afagando o rosto amassado, por ter acabado de acordar, da garota. A mais velha soltou um ruidoso suspiro e novamente puxou a filha para entre seus braços.

Algo estava errado e Melody estava mais do que ciente disso.

Marietta não era de ir até a menina, pois sabia que a mesma não gostava de ter de fazê-la deixar seus compromissos e trabalho, tirando-a da rotina, para viajar com em suas turnês; e mesmo que Marietta achasse um absurdo sem fundamento, respeitava o limite que Melody impusera entre seu mundo da fama e a família.

Logo, quando Melody passava muito tempo sem dar notícias, Marietta a ligava insistentemente, até a mais nova, derrotada, a entender; não viajava até a garota, a não ser que algo realmente grave estivesse acontecendo.

— Certo. O que está acontecendo? — Melody questionou sem rodeios, afastando-se delicadamente dos braços da mulher, no entanto, pegando uma das mãos da mesma entre as suas.

Assistiu os olhos verdes da mulher, marejar, e sentiu um arrepio lhe perpassar a espinha; definitivamente não era uma boa notícia que a mãe viera lhe dar.

— Não posso querer vir visitar meu bebê? — indagou a mulher, encenando uma expressão sentida, a qual fez Melody revirar os olhos e rir pela visível má atuação da mãe; os dotes de artista da família definitivamente haviam ficado para Melody.

— Eu te conheço mãe. Sei que não viria até aqui para somente ver se está tudo bem, sabendo que daqui a alguns dias estarei fazendo um show Londres. Vamos, desembucha. — Melody ditou em voz baixa, surpreendendo a si mesma com a calmaria que a rondava; geralmente, a curiosidade e a aflição que a atingiriam pelo mistério que a mãe fazia, a deixaria irrequieta e impaciente. Contudo, a cantora somente encarou os olhos tristonhos da mãe, apertando delicadamente sua mão.

— Eu... Eu não sei como dizer isso. — Marietta pronunciou em voz baixa, seus olhos descendo para a mão presa entre as da mais nova; a mulher pôs sua outra mão sobre as da filha e as apertou carinhosamente.

— Somente diga. — demandou Melody, sentindo-se ficar um tanto aflita pela óbvia gravidade do assunto que Marietta parecia ter trago para tratar.

— Seu... Eu... Nós fomos fazer... Que dizer...

— Mãe, por favor, seja direta. — a interrompeu Melody, franzindo o cenho em um sinal explícito de que se encontrava perdida nas palavras sem nexo que a mãe murmurava.

— Seu pai... — a mulher respirou fundo. Melody sentiu suas entranhas revirarem, um frio alojando-se em sua barriga. Quis interromper novamente Marietta, e lhe corrigir, dizendo para não por Jeremy como seu pai, como sempre fazia. Entretanto, a gravidade do assunto afetava o rosto angustiado da mãe e a impediu de fazer qualquer outra ação, que não fosse a de escutá-la. — Eu não... Deus... Melody, seu pai... Ele... Ele está com câncer.

Melody não esboçou qualquer tipo de reação, no entanto, o coração disparou os olhos esqueceram de piscar e as palavras não pareciam tomar forma em sua mente inquieta; muitas coisas passavam ao mesmo tempo pela cabeça da jovem confusa. A cantora observava Marietta, que com os olhos marejados, lhe encarava totalmente aflita, temendo por alguma reação contraditória.

Logo, pouco a pouco, as palavras proferidas entre os lábios ressecados da mais velha, foram tomando coerência na mente confusa de Melody; aos poucos a cantora se dera conta da gravidade do assunto.

Jeremy estava com câncer.

Melody queria poder afirmar que não se importara, que a notícia não a abalara; Entretanto, sentiu o coração apertar, as feridas ainda expostas se alastrarem. Era como jogar álcool no machucado ainda aberto, ou abri-lo ainda mais, sem piedade. E o fato de sentir-se culpada por se importar, por querer que qualquer outra pessoa, menos ele, estivesse em tal situação, a cortava ainda mais por dentro.

Sentia-se estúpida por se importar com alguém que, caso contrário, provavelmente estaria dando uma festa por poder cogitar a hipótese de estar se livrando de algo que não desejara ajudar a colocar no mundo.

— Eu... Eu não entendo. — Melody murmurou, ao achar a voz; não se satisfazendo ao notar que a mesma saíra tremida e fraca, expondo para a mãe que ela se abalara com tal notícia.

— Ele estava... Estava vomitando sangue. Então, depois de insistir muito, fomos... Fomos ao médico e, após alguns muitos exames, foi diagnosticado que ele está... Está com c-c-câncer no fígado por conta da... Da cirrose avançada. — Marietta ditou com a voz baixa e falha, fungando vez ou outra por conta de não mais segurar o choro. Estava preocupada com a saúde do marido e Melody a admirava por toda a força e determinação; por aguentar de pé todos os anos da comunhão conturbada. E mesmo com todos os porém e brigas, as idas e vindas que o casamento carregava a tanto tempo, junto aos tremendos erros que Jeremy cometia, Marietta ainda amava o homem irrevogavelmente.

E era desse amor que Melody sentia medo. Do tão requisitado amor que poderia facilmente dilacerar alguém em pedaços. De se doar inteira, sofrendo por colocar a felicidade e bem estar de outro alguém, acima do seu próprio.

Melody mordeu o lábio inferior, se impedindo de chorar. Jeremy não merecia nada a mais do que seu desprezo. Doente ou não, Jeremy continuava o mesmo homem que a deixara amarga, que a fizera se afastar da família; o homem que deixava seus fracassos e medos explícitos, o homem que ela tentara por anos se fazer notada, mas que nunca tivera olhos para ela. O pai que houvera se entregado as bebidas e deixado sua família, as pessoas que jurava amar, de lado.

— Porque a senhora está me dizendo isso? — Melody questionou por fim, vestindo a máscara habitual, fingindo indiferença e naturalidade, mesmo que em seu íntimo a estúpida dor se alastrava como fogo. — Sabe que eu não me importo com ele. Quero mesmo... É melhor deixar para lá.

Marietta ficou observando a mais nova, perguntando-se quando Melody virara aquela garota tão amarga e insensível com a vida; se perguntou onde falhara, deixando-a ser machucada até chegar a tal ponto. Se perguntou se fizera certo em ter permitido Melody entrar na loucura de fama, talvez, se houvesse posto limites, ainda tivesse sua garotinha.

— Podemos falar de outras coisas? E Naomi, como está? Meu sobrinho?

Melody desviou os olhos dos verdes da mulher, não suportando toda a carga de decepção e nostalgia que transbordavam dos mesmos.

A cantora não sabia o que sentir. Estava imersa em um turbilhão de sentimentos, como se estivesse no meio de um vendaval; queria correr, fugir de todos aqueles problemas. Mas não tinha jeito, os problemas estariam onde quer que ela estivesse, impregnados em sua mente, como uma farpa presa a pela, machucando-a ininterruptamente.

Então, em seu interior, fazendo-a sentir repulsa de si mesma, Melody temeu por Jeremy. A cantora estava ciente que caso o pai viesse a falecer, seria a solução da maioria de seus problemas; não teria o porquê se manter afastada de sua mãe ou de assuntos que ligavam direta e indiretamente ao pai. Contudo, a morena temia pela vida do pai, por mais que quisesse gritar aos céus que desejasse mais que o homem viesse a morrer, seria uma mentira deslavada.

E Melody percebera que nunca superara. A chama, mesmo que quase apagada, continuava lá, dando sinal de vida.

A chama da esperança, da inútil esperança de que um dia Jeremy viesse olhar para trás, perceber seus erros e tentar concertá-los; por Melody entre seus braços e confortá-la como qualquer pai faria com um filho.

Toda via, Melody sabia que não se daria parar pegar algo que nunca tiveram.


——


O dia era quente. O céu azulado, sem uma nuvem sequer, de tão claro ardia os olhos quando estes eram erguidos para cima sem uma proteção. O sol estava a pino e tamanho era o calor que os ingleses sentiam; o clima já abochornado para uma manhã inglesa.

Os seis jovens, sentados a mesa de reunião do hotel, em um andar qualquer, estavam irrevogavelmente sonolentos. A sala estava abafadiça e somente se escutava a voz de Simon, em seu discurso sobre responsabilidade.

A maioria dos presentes perguntavam-se o porquê de estarem ali escutando tal monótono, pois em momento algum Simon dera a palavra aos cantores, respondendo ele mesmo as perguntas que empunhava a tona.

O pivô da reunião estava sentado desleixadamente sobre o assento almofadado de couro, na ponta da mesa e, com o cotovelo apoiado na madeira polida desta, o queixo sobre a mão, observava Simon andar de um lado para o outro, enfrente a outra ponta da mesa. Seus olhos verdes, por vezes ameaçara fechar, mas não querendo atiçar ainda mais a irritabilidade de Simon, Harry obrigava-se a se manter acordado, mesmo que não entendesse palavra alguma do que o empresário ditava.

O tópico do assunto de tal reunião, ou bronca, estava jogada sobre a mesa; a revista de fofoca exibia em um dos cantos de sua capa a foto de Harry junto à Caroline, saindo de um pub inglês de nome desconhecido. E era somente uma das revistas, pois quando Simon saíra naquela manhã, estando ciente que haveria tal matéria em alguma revista, não pensara que acharia a mesma estampada em praticamente todos os tabloides de fofocas da banca de jornal.

Harry definitivamente houvera caído em maus lençóis.

— Acabou? — indagou Harry quando o falatório de Simon finalmente cessara. O empresário encarou Harry com uma de suas sobrancelhas erguidas, observando sua expressão despreocupada, como se não houvesse discernido nada do que falara; o que de fato, ocorrera.

— Você não escutou nada do que falei, não é? — questionou o mais velho, seu olhar fulminante e o rosto tomando uma pigmentação avermelhada, deixaria qualquer um intimidado; inclusive Harry. — Eu tento Harry, juro que tento colocar juízo na sua cabeça, mas parece que você não tem nada dentro dela.

— Eu só estou cansado de fazer tudo que você quer. O que há demais em eu sair com Caroline? Que eu saiba, ela não tem nenhuma doença e não representa perigo algum. — Harry ditou um tanto irritado. A verdade era que estava ficando de saco cheio de toda aquela pressão que Simon insistia em por sobre ele. Ele sabia suas responsabilidades, e não estava faltando com elas. Fazia todos os shows, ia a todos os ensaios, estava em todos os compromissos, um atraso aqui e outro ali, claro, pois Harry odiava acordar cedo, no entanto, o que se dizia ao seu papel na banda, realizada tudo com tamanha perfeição. Contudo, Simon insistia em lhe tomar a vida intima também, e Harry estava cansado de sair na companhia de quem a imprensa queria que ele fosse visto, tendo de se esconder para encontrar com quem realmente queria. Seja uma fã ou garota a qual ele ficaria ou até mesmo um amigo não tão bem visado pelos tabloides.

— Ela representa um perigo para sua imagem. Suas fãs se esgoelam quando veem uma foto de vocês juntos e a imprensa adora todo o caos, ampliando o que é ruim, para pior. — Simon ditara com a voz contida, falsamente controlada em sua irritação. A verdade era que Simon queria gritar com Harry até sua garganta arder, porém deveria sempre zelar pelo profissionalismo.

Os demais na sala pareciam ter sidos acordados, retirados de seus respectivos estupor de sono para a discussão que começava a se estender entre Harry e Simon; assistindo a tal com extrema atenção, medindo ambos os lados.

— Essa porra de imagem já está me tirando do sério, eu não ligo para o que pensam de mim. — rebateu Harry, elevando o tom de voz para um décimo acima do que falara anteriormente. Aquele tópico de assunto era o que vinha o devastando pouco a pouco, levando-o a uma insanidade que ele suspeitava que brevemente estaria o tomando.

— Bem vindo ao mundo da fama, Styles. Pensasse nisso antes de querer fazer parte dele. — Simon proferiu as palavras com um tanto de cinismo, abrindo os braços como se realmente saudasse Harry a algo. O cantor teve vontade de pular sobre a mesa e dar alguns tabefes na cara debochada do empresário, no entanto, se controlou, fechando as mãos em punho. Andava irritadiço demais nos últimos dias, e somente aumentava ao ter de aceitar o fato de sua vida ser controlada pela imprensa e seu empresário. — Você tem que pensar em grupo, no que é melhor para seus companheiros de banda. Tendo uma imagem tão ridícula, vai prejudicar não só você, como os demais também. Não sei se está lembrado, mas você faz parte de uma banda, garoto.

— E talvez eu não queira mais fazer. — Harry replicou com a voz entre os dentes, muito embora soubesse da mentira deslavada que havia posto em palavras. Nunca, em sã consciência, pensara em sair da banda, nem mesmo agora, que se encontrava tão perturbado com toda a pressão da fama. Ele amava as fãs que tinha, mesmo não tendo a chance de conhecer sua grande maioria pessoalmente, contudo, saber que fazia a felicidade de cada uma já era uma grande recompensa a todo aquele caos que havia se metido.

A sala silenciou. Os quatro garotos prenderam a respiração, olhando descrentes para Harry. Sabiam que o One Direction era formado por 5 integrantes e nunca cogitariam a hipótese de continuar com somente 4, ou mesmo colocar algum outro cantor no lugar de Harry, acima de tudo, Harry era um irmão para cada um dos quatro ali presentes. O One Direction eram eles, todos os cinco, e nada mudaria esse fato; se Harry houvesse mesmo dito a verdade, seria uma pena e fatalidade, mas a banda veria seu fim, mesmo com tão pouco tempo na bagagem.

— Não é melhor você ficar quieto e aceitar logo não ver essa... Caroline? — a voz feminina de Melody quebrara o silêncio mórbido estendido pela sala. A garota encarava Harry com uma expressão entediada, mesmo que em seu interior agoniado ela implorasse para ele retirar tais palavras, pois mesmo que nunca fosse confessar, Melody era uma directioner, afinal, é um tanto impossível não virar uma, convivendo e tendo de, obrigatoriamente, assistir aos shows da banda.

— Não sou como você que aceita o que impõe sobre você como um cachorrinho, colocando o rabo entre as pernas e aceitando tudo o que te falam. — Harry a respondeu em prontidão, encarando-a com raiva explícita nos olhos. Melody sentiu-se chateada com suas palavras, pois sabia que eram verdadeiras, e tais circunstancias a incomodavam.

Teve então inveja de Harry por enfrentar Simon e lutar por seus ideais. Mesmo estes não valendo a pena, pois convenhamos, uma discussão por Caroline não valia a saída da banda.

— Pelo menos não vivo fazendo merda e recebendo broncas. — rebateu Melody, revirando os olhos. Queria poder xingar Harry de todos os palavreados chulos que uma garota não deveria saber, entretanto, estava ciente que caso o fizesse, Harry sairia vitorioso por conseguir irritá-la mais do que ele mesmo se encontrava.

— Claro, você é incubada, faz as merdas no silêncio. Me pergunto o que Simon diria da tão exemplar e perfeita Melody, caso soubesse que ela andou beijando Liam por ai, tendo consciência que ele tem uma namorada. Namorada esta que você dizia ser amiga. — Harry proferiu as palavras do modo mais cínico que conseguira, atingindo Melody como se a estapeasse no rosto. A morena se encolheu, encarando Harry com ódio. Era tão mesquinho, sempre querendo ferir os outros quando ele se encontrava igualmente ferido.

A sala voltou ao silêncio, a tensão era quase apalpável. Dessa vez, os olhos de Simon recaiam desacreditados em Melody.

Liam se remexeu desconfortavelmente em seu assento, buscando qualquer ponto que não fosse a imagem encolhida de Melody em seu assento, tendo Niall seguindo suas mesmas ações. Louis e Zayn se entreolharam, fitando Melody e Harry com grande receio.

— Você beijou Liam? — Simon indagou ainda um tanto desacreditado, quebrando o silêncio e retirando cada um presente do emaranhado de seus respectivos pensamentos.

Aquela fora a deixa para Liam, que tendo sido desperto de seus pensamentos nada amigáveis em relação Melody, e Harry que trouxera tal assunto a tona, levantar irritado de seu assento e, sem ao menos pedir permissão, sair da sala de reunião, deixando os cinco jovens petrificados sobre seus assentos.

Melody mordeu o lábio inferior, controlando-se para não chorar. Então seguiu os mesmos passos de Liam, levantando abruptamente da cadeira, tendo em mente seguir os passos de Liam para fora daquele lugar. No entanto, antes, se virou para Harry, com os olhos transbordando repulsa.

— Eu tenho pena de você Harry e realmente te odeio. — confessou ao garoto, cada palavra dita entre dentes, soando tão raivosa quanto a expressão que tomava seu rosto delicado.

Então trajou a mesma rota que Liam houvera feito. Deixando um Harry extremamente desconfortável para trás, e em seu íntimo, Harry sabia que tais palavras haviam feito gravuras.

Zayn e Louis novamente se entreolharam e o primeiro se pôs de pé. Encarou Simon, que ainda assistia toda a cena, um tanto abobalhado e desacreditado. Não conseguia crer que o grupo que houvera outrora sido tão amigos e ligados uns aos outros, agora partisse em pedaços. O mais velho fez um singelo movimento com a cabeça, acatando ao que Zayn pretendia fazer e sem tirar os olhos desfocados da mesa, escutou a porta da sala bater.

Zayn andou apressado pelo corredor, tendo os cabelos castanhos de Melody foscando seu campo de visão. E em pouco tempo já havia a pego pelo cotovelo, detendo-a no trajeto que nem mesmo a cantora saberia dizer qual.

— Você está bem princesa? — questionou Zayn, resgatando tal apelido que houvera a posto quando, logo que houveram se conhecido, assistiram a uma peça a qual a princesa era parecidíssima com Melody. E então, Zayn passara a chamar carinhosamente de princesa, tendo como resposta a garota o chamando de príncipe.

Melody abriu um pequeno sorriso diante tal apelido e não pode mais aguentar. Desmoronou enfrente a Zayn, como nunca houvera feito com ninguém, a não ser Harry.

Chorou, chorou alto, pondo para fora toda aquela angustia que estava a consumindo por dentro. E então fora rapidamente amparada pelos braços de Zayn, sendo confortada por palavras doces sussurradas em seu ouvido.

Melody já não mais aguentava aquela situação. Estava sendo difícil ter de conviver com toda aquela distancia que havia sido posta entre ela, Liam e, Niall, a qual distancia que ela mesma cuidara de providenciar. A cantora sentia todo o peso de ter de conviver com ambos garotos e não poder dirigir palavra alguma a tais; sentia os olhares nada amigáveis que eles a lançavam quando entrava em algum assunto o qual eles estavam incluídos e aquilo simplesmente a dilacerava. Queria ser ao menos um tanto corajosa e reconhecer seus erros, não deixando amizades de tanto tempo se esvaírem por entre seus dedos.

E Melody desejou, com toda a força, poder reparar cada dano que houvera feito em cada amigo.

E ela pensava até mesmo em Harry.

Notas finais
E então, o que acharam do capítulo? Sei que esse capítulo ficou uma bostinha, mas eu estou me sentindo um tanto desanimada com relação a fic, então saiu essa porcaria. Me desculpem.
E bem, quero explicar o porquê de ter demorado tanto para postar. E eu nem ia postar, para começo de conversa. Porque bem, eu estipulei uma quantia de reviews no capítulo passado, e não é possível que uma fic com cinquenta e poucos leitores não consiga cotar os meros 14 reviews que eu pedi.
Então, eu não postei por birra mesmo. Sei que isso é chato, e não gosto de ficar chamando a atenção, mas fica insuportável tentar dar o melhor, corrigir e revisar, pensar e bolar cada capítulo e ver que o trabalho não está sendo valorizado. Poxinha, não vai quebrar seus dedos postar pelo menos um "continua". Já não perdeu alguns minutos lendo o capítulo, o que custa perder mais alguns segundos mandando um review?
Não achei justo parar de postar a fic sem avisar.
Então, avisando, só irei postar broken arrow com 15 reviews nesse capítulo. E não me importa o tempo, uma ou duas semanas, até mesmo meses, só vou postar com os 15 ou mais reviews. Lamento pelas leitoras que fazem sua parte, mas fica difícil ver que meu esforço não está sendo retribuído.
>>> Volto com 15 ou mais reviews.
OBS.: Sei que não respondi alguns reviews do capítulo passado, e irei fazer isso brevemente, estou com o tempo limitado no computador e tem sido difícil.
Beijões. xx