Broken Arrow
16 Capítulo Quinze
Notas iniciais
Desculpa pela demora, eu realmente não esperava demorar assim, mas esses dias foram extremamente corridos na escola. Eu fiquei a ponto de pirar.
E para completar, eu estava com um bloqueio filho da mãe, que me fez escrever e rescrever várias vezes.
Como diz Anna, a escola definitivamente está atrapalhando meu desenvolvimento no Nyah haha
Anyway, aqui estou com mais um capítulo.
Boa leitura (:
Capítulo Quinze.
Aqui estou eu
Com todo o meu coração.
Espero que você entenda,
Que eu sei que te decepcionei,
Mas eu nunca vou cometer aquele erro novamente.
(What You Mean To Me — Sterling Knight)
A névoa baixa escoava das montanhas, flutuando contra o céu manchado de roxo. O sol ia, aos poucos, sumindo ao horizonte, dando ao céu uma coloração arroxeada de uma beleza capaz de tirar o fôlego.
A pequena praça localizada em um condomínio fechado estava relativamente vazia para uma sexta-feira à tarde. O vento soprava de forma agradável, favorecendo os ingleses que houveram tido uma tarde extremamente quente para um dia de outono em Harrow.
As duas jovens sensações da música estavam sentadas sobre o banco de praça revestido de madeira com a pintura branca por renovar; o vento diurno levava para o lado o cabelo encaracolado, que caia sobre o pano fino da blusa até metade das costas miúdas da cantora. O silencio mórbido recaia em uma atmosfera sonolenta entre os dois jovens, que perdido em seus próprios devaneios, focavam os olhos, mesmo sem nada ver, sobre as poucas crianças que se divertiam ao longo da praça.
— Eu invejo essas crianças. — comentou Melody aletoriamente, quebrando o silêncio até então rigoroso entre ela e Zayn. O cantor a fitou com uma das sobrancelhas arqueada, indagando-a silenciosamente sobre o que ela queria dizer com tal comentário. — Sabe, não ter com o que se preocupar, a não ser com os deveres de casa.
Zayn balançou a cabeça afirmativamente, mostrando a Melody que havia compreendido seu comentário e concordava com este; logo o silêncio novamente havia recaído sobre o casal de amigos.
A cantora respirou fundo, medindo em pensamentos suas palavras ditas, e então percebera que nunca houvera uma época a qual se importara somente com os deveres de casa; nunca houvera uma época em que pusera sorrir e brincar verdadeiramente, sem se importar com todos os porém da vida. E se houvera tido, Melody não lembrava.
Sempre muito preocupada com as opiniões alheia, e sensível em demasiado sobre as críticas, Melody nunca se vira enfrente ao espelho, satisfeita consigo mesma; ao contrário, desde mui nova Melody se lembrava de ficar enfrente ao espelho que tomava quase toda a parede de mármores brancos do banheiro, murchando a barriga, sem entender o porquê de ser taxada fora do padrão da maioria.
Nunca houvera tido uma época a qual sentia vontade de entrar em casa depois de brincar no fim de tarde com os poucos coleguinhas que conhecia; Melody sempre adentrava a casa receosa, esperando a briga dos pais, tendo em mente que a tranquilidade não durava menos que dois dias na família, logo o pai chegava descontrolado e a briga se estendia.
Por vezes observava o carinho e compreensão entre pais e filhos e sempre se indagava porque não poderia ter tal relação com tanta ternura e cumplicidade com o pai. Melody então sempre vira a figura paterna no avô, e qual grande foi o baque para a garota de apenas 9 anos quando essa perdera seu herói cedo demais.
Melody soltou um suspiro, pondo os cotovelos sobre as coxas, para logo descansar o roso entre ambas as mãos, assistindo com graça as luzes fluorescentes dos postes ao redor da praça se acenderem, uma a uma.
E por mais irônico, Melody perecera que a vida provavelmente tiraria dela outra figura paterna, mesmo que esta não merecesse ser taxada como tal.
— Já pensou em pedir desculpas? — indagou Zayn de supetão, desta vez ele quebrando o silêncio estendido entre os dois. Melody mordeu o lábio inferior, esperando por tal assunto desde que Zayn a tirara do hotel naquele fim de manhã catastrófico, e se surpreendeu que levara quase a tarde toda para tal assunto vir a tona; em seu íntimo agradeceu a Zayn por ter lhe dado aquele tempo para espairecer e ingerir tudo que houvera acontecido na reunião.
— Eu não consigo. — confessou a morena sabendo o quão ridícula aquela confissão soara para Zayn, e até mesmo para si própria; parecia alguém superficial demais, agindo como mimada, pensando ser boa demais para pedir desculpa.
No entanto, Melody estava longe de se achar boa demais. O que motivava a garota pensar de tal forma era achar que admitindo seus erros, mostrando que não era perfeita e corretíssima, estaria afastando os amigos de si; a cantora concluía que caso se mostrasse erradica, as pessoas as quais a cercavam se afastariam, por ela não ser boa o suficiente para estar com eles. Por ela não ser perfeita.
Eram pensamentos e conclusões tolas, de quem nunca fora segura de si mesma e do que poderia ser capaz de fazer.
— Eu acho que você não soube se explicar. Porque o que te faz ser melhor do que os outros para não poder pedir desculpas? — questionou Zayn, um tanto descrente do que Melody o afirmara; conhecendo Melody o tanto que conhecia, o cantor não poderia crer que Melody se transformara em algo tão fútil, preferindo então por fé em que ela somente se expressara mal.
Melody fitou Zayn com um tanto de hesitação, expor seus pensamentos era algo que não estava acostumada a fazer, no entanto, Zayn parecia tão empenhado em a ajudar que Melody não queria simplesmente ser taxada como uma imagem tão ridícula na mente do amigo, vendo então a necessidade de melhor se expressar.
— Não tem nada ver em me sentir melhor que os outros, na verdade, está bem longe disso. É como se, se eu mostrar que realmente estou errada, vocês vão se afastar, entende? — ela se expressou melhor, as palavras ditas em voz alta soando tão complicadas e sem nexo até mesmo para ela.
A garota quis rir da expressão engraçada que tomara a feição do moreno, que pôs o tornozelo sobre a perna direita, apoiando um dos braços sobre a coxa e o rosto sobre a mão, encarando Melody como se a mesma fosse um enigma indecifrável.
— Não sei se você percebeu, mas todo mundo sabe que você errou e nem por isso nos afastamos. Quer dizer, você que está se afastando de nós. — Zayn proferiu as palavras com serenidade e cautela, encarando-a com os olhos castanhos compreensivos e extremamente expressivos. Melody mordeu o lábio inferior, uma mania que havia adquirido quando sua mente e ideias entravam em conflito. O cantor abaixou o braço o qual sua mão apoiava o rosto e com ambas as mãos pegou as mãos de Melody. — Ninguém é perfeito, eu não sou perfeito e você também está longe de ser. E nós sempre te amamos, independente de tudo. Então pare com essa glicose anal e peça desculpas enquanto ainda pode concertar seus erros.
— Mas e se ele não quiser aceitar? — indagou Melody, receosa em ser negada por Liam.
— Pelo menos você vai estar com a consciência tranquila, sabendo que reconheceu seu erro e lutou por algo que queria mudar. — Zayn respondeu em prontidão, como se já estivesse acostumado em dar conselhos; ou como se esperasse que Melody fosse indagar tal pergunta.
A morena sorriu e como há muito não fazia, não foi somente um sorriso vazio, obrigatório, fora sim um sorriso espontâneo, que Melody abrira por estar feliz; feliz em ter ao seu lado alguém tão especial quanto Zayn.
Sentia-se tão bem, com uma sensação até então desconhecida de estar com alguns quilos a menos no enorme peso das costas, que teve uma vontade descomunal de se abrir com Zayn; de contar seus problemas, falar sobre Harry, Niall e até mesmo seus problemas familiares.
Entretanto, ditar a Zayn seus conflitos já não mais seria reconhecer apenas seus erros, seria confessar suas fraquezas, seus medos e anseios; seria mostrar a Zayn que não existia a Melody forte que nunca se deixaria se levar aos charmes irlandeses e com isso acabar por extinguir com uma amizade de anos; que não existia a Melody que enfrentava os problemas familiares de frente e não corria para o silêncio do quarto, se deixando desabafar em meio a machucados e cicatrizes.
Então, ao invés de vomitar tudo que a vontade de falar pedia, Melody se inclinou até Zayn, passando seus braços ao redor do corpo do cantor, abraçando-o com vigor e logo o sentindo retribuir com mesma intensidade.
Naquele momento, com os braços protetores do cantor ao redor do corpo esguio, Melody conheceu a verdadeira amizade.
A amizade que até então ela dizia ter conhecimento, mas que nunca houvera tido a oportunidade de experimentar; a amizade que não precisa ter o amigo ao seu lado vinte e quatro horas por dia para mostrar lealdade, que não precisa fazer um texto para mostrar preocupações. Ter um amigo não para concordar na íntegra, mas para revisar os rascunhos e duvidar da letra.
Aquela amizade que, mesmo quando você não sabe para onde vai, o que irá fazer, como irá resolver seus problemas, ou já se sente no limite, ajuda saber que você não está indo sozinho, que tem um amigo para te apoiar, independente do seu erro ou quem você seja.
Melody descobriu que amizade é independência, é respeito, é pedir uma opinião que não seja igual, uma experiência diferente.
Amizade é amor.
Melody naquele momento se dera conta de que não interessa se é amor de irmão, amor vindo da paixão, amor por parentesco. Amor é amor e não se tem como rotular isso. É o amor egoísta, que traz o ciúme como acompanhante, que tem a dependência como sua aliada.
Então, a garota que até então esteve fugindo do amor, percebera que não havia como. O amor não pede sua opinião para florar, não marca horário ou uma data e não há como evitar.
O amor que a faria lutar com a própria vida pela outra pessoa. E ela não dizia só por Zayn, mas a família que os garotos da One Direction haviam se tornado para ela.
Ela lutaria. Lutaria por Liam.
E lutaria por Niall.
Até que não houvesse mais jeito.
–---
Respirou fundo.
Passou ambas as mãos pela saia escura, sentindo o tecido fino fazer cócegas na palma das mãos miúdas. O ar entrava escasso pelo nariz, não que o mesmo estivesse entupido, mas a agonia que a tomava no peito privava sua respiração de se normalizar.
O corredor estava movimentado pela hora estar próxima ao horário do show, mas a morena enfrente a porta de madeira branca não saberia se conseguiria entrar no palco e simplesmente esquecer o que deveria concertar.
Não, ela não conseguiria.
Levou a mão esquerda ao cabelo, puxando a franja para trás com força. Soltou o ar pela boca densamente e com a mão livre do emaranhado dos fios de cabelo, aproximou os nós dos dedos da porta e então não teve coragem. A mão abriu sobre a porta e escorregou sobre o material de madeira até cair livre ao lado do corpo.
As pessoas que passavam apressadas pelo corredor olhavam de forma estranha para a cantora parada enfrente a porta, em conflito consigo mesma. Se não bastasse o comportamento extremamente mimado e irritante, agora Melody dera para agir de forma estranha pelos corredores.
Provavelmente começariam a se indagar seriamente se Melody não passara a usar substancias químicas.
Revirando os olhos para si mesma, Melody mordeu o lábio inferior. Estava sendo patética. Estava enrolando para bater a porta há alguns minutos e incontáveis foram as vezes que erguera a mão e desistira no último segundo.
Você se perguntaria: Qual era a dificuldade de Melody em erguer a mão e bater na porta? Simples. Ter de enfrentar quem a atenderia.
Ter que enfrentar Liam.
Desistiu por fim. Era covarde demais para enfrentar um problema daquele porte; era covarde demais para enfrentar o que fosse. A possibilidade de ser renegada era dolorosa para Melody, poderia ser algo infantil, mas a cantora houvera passado por situações tão humilhantes por conta disso, antes, que passara a ser um trauma.
Além de cogitar a hipótese de que Liam poderia a machucar, não fisicamente, mas sim verbalmente. E neste caso, Melody preferia que o garoto fosse um covarde machista e a batesse, pois palavras poderiam machucar muito mais que um tapa. E Melody houvera aprendido muito bem isso ao longo de seus meros 17 anos.
Agressão física deixavam hematomas, marcas que sumiam ao longo dos dias. Palavras grudavam no coração e independente do tempo, nunca deixariam de se lembradas.
Melody sabia que Liam era bom demais para simplesmente batê-la, ele nunca faria isso, nem mesmo com a mulher mais desprezível da face da terra. Sua criação esplendida, seus ideias e imoralismo nunca permitiriam.
E a cantora desejou saber o quanto machucara Liam a ponto de poder escutar o que não queria, mas o que irrevogavelmente merecia, quando tomasse a coragem devida para enfrentar o garoto.
Virou de costas, pronta para se retirar daquele corredor e voltar, com toda a pressa que suas pernas molengas permitiriam, para seu camarim.
Mas o barulho de trinca a impediu.
Fechou os olhos por puro instinto ao som da porta se abrindo ecoar por seus tímpanos. O coração falhou uma batida, para logo voltar com o dobro da velocidade que mantinha antes; a cantora poderia jurar que se não fosse o barulho da movimentação no corredor, as batidas do coração poderia ser facilmente ouvidas. Um frio se alojou no estômago e Melody se vira sem saída.
Era hora de deixar a garota covarde de lado.
— Melody? — a voz grossa do cantor ecoou pelos ouvidos da cantora como se houvessem a elevado alguns graus a mais, como se Liam houvesse gritado. A cantora soltou o ar que até então nem percebera que havia prendido, e com os ombros tensos e uma postura defensiva, Melody se virou lentamente na direção da porta onde, antes, perdera minutos em sua frente.
Liam a encarava de forma estranha. Seus olhos castanhos mesclavam vários sentimentos, o qual Melody não queria e nem saberia decifrar. Uma das sobrancelhas grossas do moreno se ergueu e ele continuou a fitar de forma indagadora, perguntando-a silenciosamente o que a mesma fazia enfrente a porta de seu camarim.
— Então, Liam. Eu... Ern... Será... Quer dizer... — Melody se embolou com suas próprias palavras, logo após ter achado a voz. A garganta estava seca e a cantora se sentia pateticamente ridícula. Era como uma criança bobona, querendo contar a mãe que quebrara o vaso preferido e caríssimo da mesma.
— Entra. — demandou Liam. Deu alguns passos para trás, com o intuito de entrar novamente no camarim e logo abrindo a porta algum tanto a mais, dando espaço para que Melody pudesse também entrar no mesmo.
A garota ainda ficou alguns segundos parada, cogitando a hipótese de sair correndo, se indagando se tal ato pareceria muito infantil ou covarde. Por fim decidiu entrar, pelo menos uma vez na vida deveria acertar as coisas. Liam nada tinha a ver com sua vida e mente perturbada e o colocar no meio de tal vendaval era maldade e falta de consideração com alguém que só a queria bem.
Ao que Liam fechou a porta com um pequeno clique, o silêncio constrangedor se instalou entre ambos e se estendeu ao longo do camarim. Liam quis imediatamente quebrar tal silêncio, mas via em Melody essa obrigação. Fora ela que o procurara, acima de tudo, fora era que errada gravemente com ele, e cabia a ela agora dizer o que tinha de ser dito.
Melody não sabia o que dizer. A voz travara na garganta, o orgulho tomando-a a voz. O frio congelava o estômago e a tensão, quase palpável, prendia a mente; os pensamentos pareciam um redemoinho.
Então, a cantora se viu na obrigação de falar. Não havia mais tempo para fugir, deveria lidar com as consequências de seus atos, sejam eles pensados ou não. Era hora de enfrentar os medos e os receios, como uma menina grande deveria fazer.
— Será que você poderia me ouvir agora? — questionou ao garoto por saber que a hora já era avançada e logo estariam sendo requisitados para entrar no palco. Tomando coragem para subir seus olhos até os castanhos do cantor, Melody percebera que as íris castanhas a fitavam com hesitação, como se pensasse se deveria escutá-la ou não. E com isso, novamente o medo a assolou. A garota teve medo de não poder ser desculpada e se puniu mentalmente por ter cometido tamanha estupidez com Liam e Danielle. Ambos não mereciam ter Melody como amiga.
— Pode falar. — a voz de Liam soou por fim, arrancando a cantora do estupor de pensamentos acusatórios e arrependidos. Melody fechou os olhos, pondo as mãos em ambos os lados da cintura fina, procurando algum resquício de coragem para falar. Com os olhos ainda fechados, a cantora tentou sessar o furacão da mente e procurou as palavras certas para poder ditá-las a Liam.
Abriu os olhos e encarou o garoto parado a sua frente, com uma distância consideravelmente grande entre seus corpos. Melody sentia vontade de abraçá-lo e escutar sua voz, sempre mui serena, a dizer que tudo acabaria bem.
Mas não era possível, pois ela novamente estragara as coisas e não teria mais Liam ao seu lado. Pelo menos não por hora.
— Olha Liam, eu... Aquele... Nós... Eu... — Melody se embolou novamente com as palavras e ao se calar, fechou os olhos com força, xingando-se mentalmente por bancar tamanha estupidez. Respirou fundo, escolhendo as palavras mentalmente e, se obrigando a abrir os olhos, novamente voltou a falar: — Eu sei que agi errado com você e também sei que não há palavras que eu diga que vá reparar tal erro ou fará você me desculpar. Dizer que eu estava bêbada não é desculpa, porque para começar, eu não deveria estar bêbada. E eu sei que você deve está pensando coisas horríveis sobre mim e eu não tiro a sua razão por isso.
O silêncio que se alastrou pelo cômodo fora ainda mais constrangedor do que outrora estivera entre os dois. Melody via a necessidade de falar mais, de se expressar melhor, pois sabia que aquelas meras palavras de nada fariam diferença. Que se explicara pior do que se houvesse ficado calada. No entanto, nada lhe vinha à mente, palavra sequer sobre o que deveria dizer para amenizar aquela distância que havia sido posta entre eles, onde ela era a principal e única responsável.
— Pelo contrário. — a voz de Liam rompeu o silêncio, trazendo Melody de volta de sua batalha mental. A cantora o fitou com os olhos chocolates um tanto curiosos e nada, nem ninguém, havia a preparado para as poucas, porém duras, palavras que viriam a seguir. — Eu não penso mais nada em relação a você.
Melody sentiu o baque das palavras como tapas doloridos em ambos os lados do rosto delicado. As palavras de Liam pareciam como navalhas afiadas, e seus significados foram pouco a pouco tomando a mente de Melody, enquanto ela sentia o peso da indiferença recair como um piano sobre sua cabeça.
— Você... Eu sei que mereço isso. — Melody ditou as palavras em voz baixa, desviando os olhos dos castanhos acusadores de Liam para o chão. O carpete bege parecia mais ameno do que o avalanche de sentimentos que transbordavam dos olhos do cantor. — Eu agi por impulso e eu nunca o faria novamente. Eu sinto muito. Eu não pensei...
— Você nunca pensa. — Liam a interrompeu, sua voz soando alguns décimos acima do normal. Uma risada sem humor algum saiu de dentro do castanho, fazendo com que até ele mesmo se surpreendesse com tal ato. Melody sentiu automaticamente os ombros encolher, e por mais que desejasse a imagem de alguém forte e destemida, no momento mais parecia uma garotinha com medo do monstro do armário; estava com medo do que as palavras de Liam causariam a ela. — Você não pensou que estaria me ferrando, ou machucando Danielle, ou quase acabando com nosso namoro. Sabe por que Melody? Você só pensa em você. No que te convém. É isso. Você só pensa no que vai te fazer bem e foda-se o que isso vai causar nos demais, você estando segura e bem, quem se importa? Você, definitivamente, que não.
O castanho vira nos olhos achocolatados de Melody o quão suas palavras, de maneira brusca, a atingiram. Assistiu com pesar o corpo de Melody dar alguns passos para trás, como se uma massa invisível houvesse tido a audácia de lhe empurrar; os ombros se encolheram um tanto mais e os olhos manejaram.
Liam então soube que houvera sido rude demais, que pegara pesado demais.
E logo se arrependera.
O cantor, por ser um tanto mais quieto que os demais da banda, se tornava também um bom observador e já houvera percebido que Melody era um tanto sensível demais com palavras grosseiras, muito embora a morena gostasse de mostrar o inverso; Liam houvera percebido que Melody passava por um momento delicado, seja com a carreira, o coração ou até mesmo com a família, que Liam também percebera ao longo do tempo de convivência ser algo que Melody não gostava de falar.
No entanto, problema algum dava direito a Melody de brincar com os sentimentos alheios, de quem a queria bem, para seu próprio bem estar; problema algum a dava direito de beber e sair cometendo atos impensados e, pior, incluindo quem nada tinha a ver em suas burradas.
Pois bebida para Liam não significava desculpa alguma. Melody nem sequer havia idade suficiente para beber legalmente, muito menos deveria ter se entregado de forma tão drásticas as bebidas naquela noite, ou em noite nenhuma; mesmo que o que estivesse passando fosse ser árduo demais, não a dava o direito de se afogar nas bebidas, porque isso somente a tornava tão patética como a maioria dos bêbados que achavam que beber afugentava as mágoas.
Liam ainda lembrava o quanto houvera escutado de Danielle; lembrava também do medo que o assolara ao pensar que corria o risco de perder a amada, pois após sair do apartamento de Melody, seguida por Niall, não atendera uma ligação sequer do cantor durante 2 dias. E agradecia aos céus por Danielle ser alguém tão compreensiva e, após longas horas de discussão, ter entendido que nada fora planejado ou esperado por Liam; que o moreno fora tão surpreendido quanto ela ou Niall.
Liam também não era injusto, sabia que o estado que Melody se encontrava naquela noite era deplorável e talvez estivesse fazendo uma tempestade em copo d'água. Mas Melody havia o ferido, o decepcionado, desmanchado a imagem de boa menina em sua mente, quebrado sua confiança, como um castelo de areia se desfazendo ao entrar em contato com o baque de uma onda.
Liam sempre vira Melody como uma irmã, se preocupando e se mantendo presente sempre quando a mesma precisava. Nunca esperara tal atitude da cantora e mesmo que Melody houvesse estado bêbada, o cantor se encontrava irrevogavelmente decepcionado com ela.
— E eu não me perdoo por ter chego a machucar você, ou Danielle, e até mesmo ter posto o namoro de vocês em risco. Eu reconheço que errei e peço que você, algum dia, possa me desculpar. — A voz de Melody saíra abafada e entrecortada, sua visão embaçada por conta das lágrimas. O peso no coração era sufocante e a morena sentira-se subitamente fraca. — Você pode me xingar, me odiar, porque eu mesma já fiz isso. Eu sei que sou patética, ridícula e que também sou um horror com as palavras, eu só... Liam...
E as palavras cessaram junto à voz falha. Melody não tinha mais força para continuar, pois em um segundo de pausa, o choro irrompeu.
Melody chorou por tudo. Por ser estúpida; por acabar com mais uma amizade; por nunca parecer ser boa o suficiente para concertar seus erros.
E chorou por Jeremy e sua doença, sentindo-se enojada com ela mesma por isso.
Liam se aproximou alguns passos, ficando a uma distancia alarmante da cantora e Melody poderia jurar que seria a hora que levaria uma bofetada, se não fosse Liam o garoto a sua frente. Até então Melody não percebera que estava chorando, mas ao erguer o rosto no intuito de encarar Liam, percebera o vento gélido do ar-condicionado central entrar em contato com as bochechas molhadas. E talvez por este gesto, até então não presenciado por Liam, que o mesmo tomou a garota em seus braços, abraçando-a de forma protetora.
Nunca, nos dois anos de convivência com Melody, vira a garota chorar. E isso fora algo que acabara com qualquer orgulho ou reluta em desculpá-la. Fora a forma que Liam vira que Melody realmente se arrependera e não cometeria tais erros novamente.
Não com ele.
E então se vira na obrigação de consolá-la.
— Eu realmente deveria te odiar, te xingar. Mas todo mundo erra e merece segunda chance, principalmente quem amamos. — Liam proferiu em uma voz serena, que surpreendera até mesmo ele. — Me desculpe pelas palavras grosseiras, eu só estava magoado.
A cantora balançou a cabeça, passando os braços ao redor da cintura de Liam, estando ciente que, muito embora Liam achasse que suas palavras fossem rudes demais, não passavam de verdades.
Melody não disse nada, mas chorou também de alívio. Estava aliviada em ter o cantor ao seu lado de volta, e então percebera que tentar concertar as coisas não era tão ruim quanto parecia.
E odiou o estado sensível que o câncer recém-descoberto de Jeremy havia a posto. Pois a cantora estava ciente que o estado em que se encontrava, se deixando chorar e ser amparada, era culpa do estado de saúde do ser que havia ajudado a lhe por no mundo. A ideia de perdê-lo ainda era irrevogavelmente ruim, e por mais que Melody quisesse fugir daqueles pensamentos, a garota sabia que tais lembranças viriam à tona.
E as palavras de Liam, mesmo que o mesmo não houvesse tido verdadeira intenção, estariam igualmente como fantasmas e a assombrariam durante a noite.
Notas finais
Queria agradecer as leitoras que comentaram e me ajudaram, é muito bom saber que posso contar com vocês e que estão gostando tanto assim da fic. Isso significa muito para mim, obrigada suas lindas ♥
>>> Volto com 15 ou mais reviews.
OBS.: Sei que não respondi alguns reviews do capítulo passado, e irei fazer isso brevemente.
Beijões. xx
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