Broken Arrow
12 Capítulo Onze
Notas iniciais
Sei que demorei um pouco, podem puxar minha orelha, eu deixo haha
Mas para recompensar vocês, coloquei bastante emoções nesse capútlo ok? haha
Queria dedicar esse capítulo a Disdine e a Gisele Alegre, essas duas fofas que mandaram recomendação para fic. Obrigada lindas, vocês não sabem como é gratificante saber que estão realmente gostando da fic.
Anyway, boa leitura pessoal (:
Capítulo Onze.
Eu estava invadindo seus segredos?
Eu estava perigosamente perto?
Você está me afastando,
Quando eu quero entrar.
O que eu estava a ponto de descobrir.
Quando eu cheguei perigosamente perto?
(Too Close For Comfort — McFLY)
Londres, Dezembro de 2009.
Tudo estava coberto pelos grandes e gordos flocos de neves que haviam caído durante toda a noite anterior. A neve era tanta, que a cidade inglesa parecia ter sido forrada por um tapete mágico, tudo era branco, gelado e macio.
A manhã era frienta e o vento gélido soprava, sem piedade alguma, as vestes e cabelos das pessoas que andavam apressadamente pelas ruas, focadas em suas obrigações.
O natal estava próximo e com ele o frio de congelar qualquer um. As casas, lojas e ruas estavam enfeitadas, repletas de papais-noéis e pisca-piscas. Faltando apenas três dias para a tão esperada data comemorativa, as principais avenidas encontravam-se congestionadas a maior parte do tempo e o fluxo de pessoas na rua parecia ter quadriplicado.
Após acenar para Toph, seu motorista, e acompanhar o automóvel sumir entre as várias fileiras de carros na estrada, Melody voltou-se para a casa bege de arquitetura medieval, mas que ao mesmo tempo mesclava com a atualidade do século.
O vento que dançava ao seu redor lhe causava arrepios; mesmo estando ela agasalhada, o frio a atingia em cheio. Respirou fundo e apertou ainda mais o sobretudo envolta do corpo, o vestido que trajava deixando suas pernas exposta à brisa diurna de inverno.
Caminhou pelo gramado mal cuidado, o que deixava claro que os garotos que ali moravam não eram tão caprichosos. A banda começara a pouco e os cinco garotos juntos em uma casa não fazia da mesma um exemplo de casa limpa, organizada e bem cuidada.
Parou enfrente a porta de madeira negra e levando à mão a campainha, logo afundando o dedo indicador na mesma, tocando-a por longa e diversas vezes. Esperou então alguns segundos e quando ia, mais uma vez, enterrar seu dedo na campainha da casa, a porta se abriu bruscamente. Seus olhos passearam por um Louis apenas de boxer, com o rosto totalmente amassado e sonolento, fitando-a com olhos nada contentes.
— Bom dia Boo Bear! Com saudades? — Melody indagou, sua voz soando alta pela casa silenciosa enquanto a morena abria um sorriso doce, tentando fazer com que Louis não avançasse em sua direção, como sua expressão denunciava que ele gostaria muito de fazer. O garoto franziu o nariz, desagradado pelo apelido que ela empregara na saudação, mas não resistiu ao abraço caloroso que a cantora o dera, logo passando os braços ao redor da mesma. Mesmo Melody tendo interrompido seu sono, ele sentira saudades dela durante os dias em que ela estivera fora do país. — A propósito, gostei das cenourinhas.
Louis levou os olhos até sua única peça de roupa; a boxer branca estampada por pequenas cenouras que ganhara outro dia de uma fã.
— São adoráveis, eu sei. — proferiu na direção da morena, acabando por rir da expressão engraçada que tomara as feições de Melody que adentrava pela casa, procurando mais algum ser vivo acordado.
Louis escutou barulhos na escada; Niall descia seus degraus com pressa no que repetias diversas vezes o apelido de Melody, que o fitava com um sorriso contente no rosto.
— Nialler! — Melody exclamou, repentinamente pulando no pescoço do garoto, quando este aterrorizou a sua frente, e logo o mesmo tentava se equilibrar com a abordagem da garota ao mesmo tempo em que tentava esconder o sorriso idiota que tendia cobrir seus lábios.
Melody encarou os olhos azuis do garoto, brilhando em sua direção. Ela poderia ficar observando por horas os tons de azul que se juntavam nas íris tão puras de Niall, e a sensação de estar em casa quando estava nos braços aconchegantes do garoto, sempre a deixava confortável.
Ela queria ficar ali para sempre, envolva ao abraço apertado e tão gostoso que Niall a oferecia. Entretanto, outro barulho na escada logo as costas de Niall, a despertou.
Harry soltou uma risada rouca, descendo lentamente pelos degraus que Niall, momentos antes, descera de um jeito afobado. Melody desviou os olhos dos de Niall, encarando sobre os ombros deste o Harry de rosto amaçado, cabelos desgrenhados e olhos pequenos, que descia os últimos degraus da escada.
Melody não pode evitar abrir um sorriso no que o garoto fez o mesmo, como se seus lábios fossem atraídos pelo movimento dos dele e automaticamente tomassem a forma do mesmo sorriso aberto.
Harry acordara com Niall descendo a escada como um desesperado, gritando o apelido da cantora, e logo o moreno estava em pé, seguindo o exemplo do irlandês, mas sem demonstrar toda a euforia que realmente sentia, como Niall não hesitara em fazer.
E como Melody estava linda! Seus cabelos caíam perfeitamente por seus ombros e chegava até a metade de suas costas, seu sorriso era meigo e seu olhar pacífico, seu corpo adolescente era proporcional e não tinha nada ali que era fora de lugar. Parecia que não a via há anos, mesmo sendo somente uma semana e alguns dias.
Melody não sabia como agir, Harry estava simplesmente perfeito. A pele tão branca exposta por conta da boxer ser a única peça de roupa que trajava. Os olhos verdes expressivos e tão inocentes, o cabelo castanho escuro encaracolado e um sorriso malandro que brincava discretamente em seus lábios. A garota não sabia se devia desviar o olhar e voltar sua atenção a Niall ou se ficava presa àqueles intensos olhos verdes e se esquecia do mundo ao seu redor. E Harry sentia algo semelhante; incrível como em poucos meses ela parecia ser tudo o que ele procurava. Ela era tudo o que ele queria em uma garota.
Mas então Harry se lembrou de que não parava de falar dela em nenhum momento e estava até ficando meio irritante, do tanto que Niall demonstrava gostar da garota. No começo achara que era por conta da devoção que Niall sentia por Melody, sua cantora favorita. No entanto tudo mudou, não era mais a admiração de fã, pois Niall e Melody não eram mais apenas fã e ídolo e sim amigos, e mesmo assim a afeição do loiro parecia ainda maior a cada dia, o irlandês parecia ainda mais encantado com a cantora de cabelo castanho.
Com muita dificuldade, Harry afastou esses pensamentos e tentou se focar na sua nova realidade, ela era a menina de Niall e ele não poderia fazer nada a respeito, até porque, Niall que a merecia.
Harry era novo demais, estava no auge da idade e da fama, não poderia se prender a uma garota só.
Mesmo sendo Melody, a única garota que ele desejava veemente se prender.
Lisboa, atualmente.
A tão tímida claridade do dia que amanhecia ao lado de fora ia adentrando o quarto pelo espaço aberto da grande e esvoaçante cortina vermelha, que descia perfeitamente, emoldurando os dois lados do amplo vidro fumê que revestia a janela, tomando o confortável e luxuoso quarto de Melody em um dos mais requisitados hotéis em Lisboa.
Melody acordou assustada com o som irritante de uma melodia desconhecida que provavelmente viera programada no celular novo que a cantora ainda não tivera a paciência de mexer.
Para sua satisfação, o som logo cessou e o silêncio voltou a reinar sobre o quarto abafado do hotel. Mas Melody já entendera o recado, alguém, muito provavelmente irritado com seu possível atraso, lhe dera um intimado para acordar.
Um braço a cercava pela cintura, e o corpo másculo e desnudo grudado ao dela, lhe dava a estabilidade que seu corpo friento agradecia. A respiração pesada contra seu pescoço anunciava que, mesmo com o escândalo que segundos antes fizera seu celular, Harry não despertara.
Harry.
Esse nome ecoou em sua mente e a fez devagar sobre a semana turbulenta que tivera, enquanto a cantora buscava disposição para finalmente se por de pé.
Havia se aproximado um tanto de Harry durante aquela semana. Muito embora esta não sendo de uma forma saudável ou amigável, pelo contrário, as birras e rixas pareciam ainda mais constantes entre os dois. Somente as visitas de Harry a cama de Melody passara a serem mais presentes, parecia que quanto mais brigavam, mais elevada era a tensão sexual entre os dois cantores e no final do dia, lá estavam descarregando toda a energia na cama do quarto de um deles.
Entretanto Harry era o que mais tivera contato durante os sete nebulosos dias de Melody, contando ao fato de que estivera distante dos demais garotos da One Direction, com o propósito de se afastar de um em especial.
Niall.
Melody não pode evitar o suspiro cansado se esvair por entre seus lábios ressecados; um aperto incômodo se apoderou em seu coração, como se alguma mão invisível o apertasse com uma lentidão tortuosa. Desde que deixara o irlandês na cafeteria com o moletom sujo de café que ela mesma jogara, há exatamente uma semana antes, Melody tomara uma decisão. E não estava sendo nada fácil cumprir tal tarefa.
Se afastar de Niall parecia mais doloroso do que ela pensara algum dia realmente ser. E isso a estava afetando mais do que deveria.
Para não ter de lidar com essa nova realidade sem-Niall, passara a se afundar no trabalho de forma assustadora, sentindo-se cada vez mais consumida pelo mundo mesquinho em que entrara, e mesmo dando o máximo de si, Melody nunca se via satisfeita, alimentando constantemente sua insatisfação pessoal. E foi assim que a morena passou a descontar suas frustrações nas pessoas ao seu redor, descontando sua angustia transmutada em uma raiva sem nexo nos colegas de trabalho, os quais não tinham nada a ver com suas anomalias.
Se antes Melody se considerava perdida, naquele exato momento ela tinha a plena certeza de que nunca mais se encontraria no meio de todos aqueles confusos e tumultuosos sentimentos e sensações; se via em um abismo sem volta, não era capaz nem mesmo de distinguir o que acontecia em seu interior desordenado.
Provavelmente estaria sendo taxada de louca mimada e descontrolada pela equipe da turnê e a distância que os amigos não faziam questão de questionar ou tentar quebrar era a prova que eles mesmos já não a suportava. E por mais que toda aquela situação fosse um mais para seus desabafos no banheiro, seja com uma lâmina ou uma escova de dente em mãos, Melody via pelo menos um bom resultado em todo seu empenho de se afastar da única pessoa que ela poderia ferir mais do que a si mesma. E que ela nunca se perdoaria caso realmente acontecesse.
Melody já deveria saber que se aproximar de alguém com o nível de apego que compartilhava com Niall era perigoso, principalmente para alguém como ela, que fugia como uma condenada de quaisquer sentimentos daquele porte. E ao invés de acabar com tudo no começo, somente fora se enfiando naquele emaranhado de sentimentos, sempre ignorando os olhares e demonstrações de afeto de Niall com um quê a mais do que fraternal.
Melody já houvera percebido algo fora do comum sobre o que Niall nutria por ela, contudo, iludindo a si mesma para não ter de se afastar do garoto que a fazia tão bem, preferiu acreditar que era somente uma admiração por ter sido um fã durante tanto tempo.
Passara a ignorar qualquer pensamento que a fizesse refletir a que nível Niall levava seus sentimentos por ela, com medo de acabar confirmando o que receava.
Covarde, sempre agindo por meio de seus medos e sempre acabando ainda mais perdida por conta deles.
O barulho irritante voltou a soar por seus ouvidos e Melody decidiu levantar antes que alguém decidisse por vim lhe chamar em seu quarto. Tirou o braço de Harry que pesava sobre sua cintura, jogando-o para o lado sem delicadeza ou cuidado algum, o que fez com que o cantor se remexesse sobre o colchão macio e distanciasse seu corpo do dela, fazendo-a pensar que o mesmo acordara.
A morena sentou sobre a cama, sentindo a cabeça girar e o ar seco e frio do ar-condicionado lhe arrepiar a pele quando entrou em contato com seu tronco desnudo. Virou o rosto na direção de Harry e bufou ao observar o garoto agora deitado de bruços e modo desleixado no meio da cama; seus olhos fechados e a respiração pesada denunciavam que o mesmo não havia acordado como ela suspeitara.
Revirando os olhos, aparentemente sem paciência, Melody levou a mão até o braço do garoto, sacudindo-o com força.
— Styles, acorda caralho. Estamos atrasados. — pronunciou Melody em seu mau-humor matinal. Harry resmungou algumas palavras incoerentes para a morena e tirou a mão dela de seu braço, virando-se de costas. Melody revirou os olhos, sem qualquer resquício de paciência para a preguiça de Harry. Novamente levou a mão até o garoto e o chacoalhou insistentemente até que o mesmo virasse seu rosto na direção dela e a fitasse com seus pequenos olhos verdes e um tanto avermelhados, de forma ameaçadora. — Vamos. Hora de você vazar daqui.
— Você é tão delicada que às vezes eu me sinto a garota com o coração quebrado depois da transa. — murmurou o cantor, sentando vagarosamente sobre o colchão. Observando Melody buscar suas peças de roupa espalhada pelo extenso quarto, o moreno pôs os pés para fora do colchão e finalmente saiu do calor aconchegante da cama e edredons.
— Como se você tivesse um coração. — rebateu Melody prendendo os fios embaraçados do cabelo rebelde em um coque mal feito. Jogou as roupas que pescara pelo quarto sobre o colchão e caminhou em direção ao banheiro, sendo impedida por Styles que a tomou pelo pulso, com um sorriso malicioso nos lábios, grudando seus corpos apenas cobertos pelas peças íntimas.
Melody mordeu o lábio inferior, evitando o gemido dolorido que queria irromper por seus lábios por conta do aperto firme da mão de Harry em seu pulso machucado recentemente, este encoberto por um bracelete. Tentou não demonstrar o desconforto e evitou fazer contato com o pulso preso, no entanto, Harry percebera sua reação e imediatamente soltou seu pulso, como se o mesmo houvesse lhe descarregado um choque elétrico.
— Eu não acredito que você continua fazendo essa porra, Melody. — Harry se manifestou, afastando-se um tanto da garota para encará-la com um olhar desapreciado e preocupado que mesclava com sua ridícula pena; o sorriso já extinto em seu rosto.
— Foda-se o que você acredita ou não. — debateu Melody evitando contato com os olhos verdes inexpressíveis do garoto. Logo voltou a caminhar em direção ao banheiro, enquanto Harry encarava-a descrente.
— Sabe, eu já disse que pode não parecer, mas eu me importo com você. — Harry esbravejou caminhando atrás da garota, mas esta foi mais rápida, entrou no banheiro e fechou a porta na cara do garoto com um estrondo.
— E eu já disse que não acredito. — rebateu Melody na direção da porta de madeira clara, no que trancava a mesma. Passou a mão pela frente do cabelo preso, soltando um suspiro baixo. Ela odiava quando Harry agia daquele modo inesperado. Como se realmente se importasse com ela.
O silêncio do outro lado da porta anunciou a desistência de Harry e Melody agradeceu por isso. Sua convivência com Harry, por mais que houvesse seus diversos conflitos, era melhor do que com os demais garotos, pois ela sabia que ele não insistiria em algo tão íntimo com os sentimentos dela.
Ela se despiu das peças intimas, adentrando no box. Estava pronta para abrir a torneira quando a voz de Harry lhe chamando pelo nome rompera o silêncio estendido no banheiro e ao longo do quarto.
— Eu sei que não temos uma das melhores relações. Mas eu não te odeio e... — Harry parou por alguns segundos, Melody congelara no lugar, os dentes mordendo o lábio inferior, a respiração presa e a mão suspensa no ar a caminho da torneira. Escutou Harry soltar o ar de uma forma ruidosa e podia quase jurar que o mesmo estava com a testa colada a porta de madeira clara. — E... E eu quero te ajudar.
Demoraram exatos 20 segundos para Melody ter alguma reação, as últimas palavras de Harry ecoando repetidas vezes em sua mente. Ela estava surpresa, esperaria algo assim das demais pessoas que a cercavam, agora vindo de Harry, era difícil de acreditar.
— Tchau Styles. — foi o que a garota respondeu ao recuperar a voz e saber que a mesma não sairia tremida. Ainda pode escutar Harry resmungar algo antes dos passos pesados ecoarem pelo quarto e logo a porta ser fechada com demasiada força.
Enquanto a água quente escorria por sua cabeça e lhe lavava o corpo, Melody tentava expulsar aquelas palavras da mente.
Não queria ser ajudada, não precisava de ajuda, principalmente esta vinda de Harry Styles. Provavelmente o moreno somente queria ter algo para lhe jogar na cara e a ferir depois.
No entanto e se ele estivesse mesmo disposto a ajudar? E se caso ela aceitasse sua ajuda, algo mudaria? Será que ainda haveria saída para Melody?
Então Melody se lembrou dos seus verdadeiros problemas. Não era como se ela pudesse se livrar deles. Ela não cometia tais atos erradios por bobeira, ou por gostar, ela tinha reais motivos. Para ela não havia escapatória ou outra escolha.
Talvez realmente precisasse de ajuda, talvez houvesse outra saída para todo aquele mar de confusões, angústia, dores e escuridão.
Contudo, Melody era covarde demais para tentar, era covarde demais para admitir aos outros que era fraca e que necessitava desesperadamente de ajuda, antes que seus erros a consumisse de vez.
Era covarde demais para admitir a si mesma realmente precisava de ajuda antes que fosse longe demais e não houvesse como voltar atrás.
——
O som ecoava alto por toda a arena ainda desprovida dos fãs histéricos, estes amontoados em algumas extensas fileiras ao lado de fora da casa de show.
A banda entoava a melodia da canção com verdadeiro desempenho, a sintonia era grande e a euforia parecia crescer entre os músicos.
Melody, no entanto, estava parada ao centro do palco, a mão firme segurava o microfone encaixado ao pedestal em um aperto duro, as feições do delicado rosto retorcidas em uma expressão séria. O cenho franzido denunciava que algo estava fora de seu agrado e Paul, junto aos garotos da One Direction, a alguns passos dos pés do palco, torciam para que ela não interrompesse a música ao meio como fizera diversas vezes antes.
— Não dá. — Melody anunciou ao microfone, pondo uma das mãos na cintura e a outra sobre os olhos. Então, com uma desafinação desagradável dos instrumentos musicais, a melodia cessou. — Essa merda de luz está me atrapalhando, eu já não mandei trocá-la?
Alguns músicos da banda reviraram os olhos e outros bufaram, descontentes com a décima interrupção de Melody a música. A passagem de som já durava meia hora e não haviam sequer saído da segunda música. Melody parecia ver defeito em tudo e em todos, nem ela mesmo estava escapando das suas duras críticas.
— Não é tão fácil Melody, quando montamos o palco a luz foi posta assim. Os garotos já passaram suas músicas e não reclamaram. — interveio Paul, tentando soar calmo mesmo quando sua vontade era de subir ao palco e dar algumas sacudidas em Melody até ela parar com toda aquela frescura.
— Eles são eles. Eu sou Melody Lewis, outras músicas, outro jeito, outro show. Essa porra de luz está me atrapalhando e eu não faço nada até que tirem ela dos meus olhos. — a voz de Melody soou irritantemente fina e escandalosa no que foi alterando sua altura conforme a morena ditava sua exigência. Logo os olhares surpresos e nada amigáveis estavam fixos na cantora.
— Tudo bem Melody. Dez minutos pessoal, vou ver o que posso fazer. — Paul murmurou. Antes do homem se retirar do recinto lançou um último olhar decepcionado em direção a Melody, olhar este que por um momento a fez se arrepender das palavras duras que havia proferido ao mais velho.
Paul sempre fora um amigo para ela, ou quase um pai, já que era o homem que passava mais tempo com ela, se importando e cuidando mais dela do que seu próprio pai.
Encarou então os cinco garotos que a fitavam sem reação, apoiados a grade que separa um pequeno espaço entre o palco e a pista onde as fãs ocupariam lugar algumas horas mais tarde.
Melody suspirou, dando as costas para os garotos e sua banda, voltando para os bastidores do palco.
Andou sem destino, passando entre o farfalhar de pessoas nos corredores abarrotados, procurando algum lugar para ficar sozinha; sua cabeça estava muito cheia e latejava, enquanto seus pensamentos e sentimentos ficavam mais confusos a cada instante.
Foi quando adentrou a uma sala vazia que sentiu uma mão macia fechar-se firme sobre seu braço em um aperto forte, porém delicado.
— Agora pode parar e falar que porra está havendo com você? — exigiu Niall, trazendo o corpo dela para frente do seu. Melody encarou o garoto de feições retorcidas em uma expressão nada amigável, os olhos azuis intensamente sérios pareciam lhe ler a alma e desvendar cada vírgula que passava por sua mente desordenada. A morena o encarava com os olhos levemente arregalados, sabendo que Niall provavelmente estaria bastante irritado com suas atitudes infantis pelo palavrão sendo impregnado em sua frase e seu tom irritado.
— Não está acontecendo nada Niall. — mentiu a garota de cabelo castanho, desviando os olhos para um ponto qualquer atrás do loiro, sabendo que caso proferisse aquela mentira o fitando nos olhos, o garoto facilmente descobria a farsa.
— Você poderia contar essa mentira para qualquer um, e muito provavelmente ninguém acreditaria. E você acha mesmo que eu, que te conheço tão bem, vou cair? — Niall indagou fitando-a nos olhos. Melody mordeu o lábio inferior, querendo se manter o mais longe possível de Niall. Ele estava errado, ele não a conhecia tanto, pensou a garota, soltando um suspiro ruidoso.
— Você não me conhece, pode ter certeza. E eu não vou falar sobre isso. Agora me larga Horan. — ela ditou, tentando dar o assunto por encerrado. Mas o aperto de Niall nem sequer afrouxou em seu braço, o que dizia que o loiro não faria o que ela demandara.
— Melody, ninguém está te reconhecendo. — Niall proferiu as palavras com seriedade, seus olhos tão intensos fitavam o dela, revestidos em decepção. Niall estava decepcionado com ela, mais do que antes já era. — Nós nos preocupamos com você e...
— Não, vocês não se preocupam comigo e sim com a Melody Lewis, a porra da cantora doce que tem que ser o exemplo para milhares de pessoas. Agora, eu, a fodida, ninguém realmente se importa. Então não tente vim com essa para cima de mim. Eu sei que me mantive insuportável todos esses dias e vocês nem se quer se importaram em tentar saber o motivo. Vocês querem que eu seja a Melody fofa e encantadora, mas tenho uma novidade para você Horan, ela não é a verdadeira eu. — Melody desabafou sem parar nem mesmo para respirar entra uma palavra e outra. Niall a fitava com o cenho franzido, Melody via diversas reações passarem por seus olhos azuis e não conseguia interpretar uma se quer. Teve vontade de rir com isso, não conseguia nem mesmo se interpretar, como interpretaria sentimentos de outra pessoa?
— Nós tentamos saber, mas você se manteve irreversível em contar. Então achamos que você precisava somente de um tempo e nos mantivemos distantes. — o irlandês tentou justificar, e Melody o encarou com uma sobrancelha arqueada em sua expressão esnobe que tendia tirar Niall seriamente do sério.
— Ou seja, vocês se importam tanto que não se preocuparam em questionarem ou quebrarem essa distância, porque é isso...
— Nós tentamos, mas você nos afastou, está lembrada? — Niall a interrompeu, não querendo escutar a mesma baboseira de antes. Sabia que aquela era somente uma desculpa de Melody, procurando manter o foco do assunto voltado para sua defesa e longe de seus reais motivos.
Niall percebera que ele era o principal alvo da mudança de Melody. A garota evitava ficar sozinha no mesmo cômodo que ele, não atendia suas ligações e tentava não manter uma conversa paralela somente com ele. Era como se fugisse de algo que Niall poderia causar a ela. E toda aquela distância que Melody insistia em por entre ela e o irlandês dês do dia em que foram a cafetaria começava a irritar Niall de uma forma que Melody não tinha noção.
Então um sorriso brotou no canto dos lábios de Niall. O dia da cafeteria. Como ele pudera esquecer? Melody agia daquele jeito para o afastar, evitando qualquer sentimento que poderia surgir por Niall. Pois ele lembrava o quanto ela parecera quase se render ao seu beijo.
— Já entendi. — Niall afirmou, fazendo Melody o encarar confusa, esperando alguma explicação. — Você mudou assim dês do dia em que fomos aquela Starbucks. É medo, não é? Medo do que você pode sentir.
Ele não estava totalmente errado. Contudo, era muito mais do que o medo sobre o que ela poderia sentir. Ela tinha medo principalmente por Niall, pois ela tinha consciência de que caso cedesse a algo que ela ainda desconhecia sentir por Niall, o garoto sairia machucado. Ele era bom e merecia alguém tão bom quanto, e ela não se encaixava nesse padrão. Melody estava praticamente morta por dentro, e talvez não demorasse muito para estar também ao lado de fora. Nunca seria capaz de retribuir tudo que Niall poderia lhe dar; seus sentimentos nunca seriam inteiros, sem medo ou hesitação.
— Tem noção do quão isso soa ridículo até mesmo vindo de alguém como você? — Melody indagou em uma voz irreconhecivelmente fria, suas palavras soando como facadas em Niall.
Alguém como ele. Ridículo em achar que Melody cederia suas expectativas de modo tão fácil. Niall deveria parar de esperar as turbulências acalmarem. Ela estava vivendo tempos difíceis e ele ficou enquanto ela precisava, mas Melody não parecia mais querê-lo ao seu lado.
Ela não queria sentir algo por ele e ele sabia que a morena acabaria com o mal pela raiz antes que se agravasse.
O irlandês sentia vontade de chorar e gritar ao mesmo tempo, o aperto no coração era sufocante. Ele somente a queria fazer feliz, sem muito em troca. E ela parecia lutar contra isso, lutar contra se deixar ser feliz.
Niall desejou nunca ter se metido naquela confusão que era Melody, mas ele sabia que faria tudo de novo, teria insistido tudo de novo, pois os olhos castanhos haviam o conquistado a partir do momento em que o fitaram com as bochechas coradas em seu restaurante preferido há anos atrás.
Por hora ele estava cansado de lutar. Havia cansado de esperar, cansado de ter esperanças. Talvez um amor não correspondido pudesse doer mais do que um coração ferido.
— Você tem razão, eu não te conheço, ou pelo menos não conheço essa Melody que está agindo como uma estrela mimada e estúpida. Tudo o que você dizia ter nojo é o que você está se tornando. — Niall proferia as palavras com aspereza, como se tentasse atingir Melody o tanto que ela havia acabado de atingi-lo. A morena olhou para baixo, sentindo-se exposta sobre o olhar de Niall.
— Você está certo, mas isso é problema meu, unicamente meu, e não seu. — disse por fim, sabendo que aquela seria sua cartada final. Niall nada disse, parecia não acreditar no que Melody, sua Melody, havia se transformado.
Seu olhar decepcionado e extremamente triste parecia como agulhas sendo fincadas ao peito de Melody. Ela se sentia dilacerar, desmoronar em pedaços conforme ele a fitava daquela forma intensamente triste e desapontada. Ela podia ver nos olhos de Niall o quanto havia o afetado, o quanto ela havia o machucado; e isso parecia machucá-la em dobro.
Ele lentamente largou o braço fino da morena e se vendo livre, Melody se pôs a caminhar para longe de Niall. O peso agora parecendo recair dobrado sobre suas costas; ela desejava veemente poder arrancar toda aquela pressão e aperto que sentia no peito.
E então ela se pegou perguntando a si mesma se Harry realmente poderia ajudá-la.
Notas finais
Enfim, deixem reviews com suas opiniões, palpites, ideias e criticas construtivas.
Queria dar as boas vindas para todas novas leitoras e aos fantasminhas que resolveram aparecer (:
>>> Volto com 8 ou mais reviews. Eu sei que vocês vão conseguir, não é?
Beijões minhas fofas. xx
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