Broken Arrow
10 Capítulo Nove
Notas iniciais
Não demorei muito, certo? haha
Então aqui vai mais um capítulo para vocês.
Boa leitura (:
OBS.: No fim do capítulo tem um recadinho bem sério para vocês.
Capítulo Nove.
Estou sentindo algo aqui dentro
que não vou aceitar.
Não que eu não queira cometer.
Eu só não sei por que não consigo
parar de me sentir assim.
(Tell Me Why – Jonas Brothers)
A noite já era avançada. Ao lado de fora o vendaval estava intenso; era possível ouvir o uivo dos ventos causados pelo choque desses com as janelas. A chuva fria voltara a cair forte sobre Paris e eram raras as pessoas que ainda se encontravam perambulando pelas calçadas. Vez ou outra o céu era clareado por majestosos relâmpagos, para, segundos depois, o som estrondoso dos trovões ecoarem sobre a cidade.
Melody e Harry não tinham consciência da hora exata, mas estavam cientes que a mesma avançava rápida pela madrugada. E por mais que soubessem que deveriam estar dormindo, pois teriam que estarem de pé às sete da manhã no dia seguinte, não conseguiam pegar no sono.
O tempo gélido arrepiava a pele da cantora por debaixo do moletom, o lençol fino quase não cobria seus corpos desprotegidos; os pés de Melody por vezes roçavam aos do moreno, mostrando o quão inquietante era seu estado de insônia.
— Ei cenourinha. — Harry a chamou de repente, quebrando o silêncio confortável que se estendia pelo elegante quarto de hotel. Melody se remexeu sobre o garoto, sua cabeça escorada no peito desnudo de Harry. Somente seus olhos castanhos se ergueram para encontrar os do cantor, sua expressão em uma careta de desgosto pelo apelido relembrado. — Lembra quando inventou de ficar loira?
— E como eu poderia esquecer? — a morena indagou revirando os olhos e franzindo o nariz em uma expressão de desagrado, muito embora não conseguisse conter um pequeno sorriso de desenhar seus lábios ao recordar tais lembranças. — Você ficou me infernizando com esse apelido ridículo durante meses.
Harry soltou uma pequena risada nasalar enquanto, distraidamente, as mãos dele brincavam com o cabelo da morena que se esticava por suas costas.
Há algum tempo atrás Melody quisera ficar loira, no entanto, seu empresário não permitira tal façanha, proibindo seu cabelereiro de ceder sua vontade. Revoltada, Melody decidira pintar seus cabelos ela mesma. Entretanto, pela falta de prática e conhecimento, acabara ficando tempo demais com o descolorante nas madeixas, o que, após enxaguar o cabelo, resultara em um tom acobreado, quase laranja.
Como punição, seu empresário a deixara com aquela tonalidade no cabelo durante pouco mais de três dias. E mesmo a garota se negando a sair de casa, por estar sempre em contato com os garotos, estes não deixaram de constatar seu visual medonho ao decidirem invadir sua residência.
E Harry não perdera a oportunidade de lhe por um apelido que acabara por pegar mania em chamá-la; chamava-a de cenourinha em qualquer ensejo, ocasionando até em histórias constrangedoras por conta de tal apelido.
Até que Caroline surgiu e a convivência dos dois nunca mais fora a mesma.
— Eu acho que foi para seduzir Louis. — pronunciou-se o cantor de olhos verdes, soltando uma risada alta pela expressão de desgosto no rosto da morena. Melody ainda lembrava o quanto os fãs insistiram em um "Lelody".
Por conta do apelido que Harry lhe colocara e pelo fato de Louis declarar seu gosto por cenouras e por garotas que comiam cenouras, fez a mente fértil dos fãs deduzirem que tal apelido era pelo fato de Melody estar com Louis. Pobres fãs que não entendiam a verdadeira maldade por trás do "gosto de garotas que comem cenouras".
Pela garota estar sempre em contato com Louis, tal história rendera bastante; até Eleanor aparecer e acabar com qualquer instigação que seus fãs estivessem por fazer.
— Com toda certeza foi, pena que ele preferiu os morenos. — Melody rebateu, destacando o masculino empregado em sua frase. Harry continuou a rir, sem se importar que Melody procurara atingi-lo com tal declaração. Já estava tão acostumado com o suposto caso que as fãs insistiam em dizer que ele e Louis compartilhavam, que ser posto como a preferencia de Tomlinson não seria ofensa alguma ao garoto de cachos.
Eles, sem importarem com a hora que avançava em velocidade, ficaram mais algum tempo relembrando a época em que ainda conseguiam se entender. Por vezes riam ou se alfinetavam ao remomerar algumas das bobeiras que falavam ou faziam quando reunidos.
Harry preferira não por algum assunto sobre o distúrbio de Melody a tona, não queria criar clima desagradável ou de tensão naquela noite. Mas por vezes Melody sentia os dedos do garoto repousar sobre o pulso coberto pela manga do moletom, fazendo um leve carinho sobre o local machucado.
A cantora começou a sentir suas pálpebras pesarem, o sono finalmente chegando e tomando lentamente seu corpo. Um longo bocejo vindo de Harry denunciara que o mesmo não se encontrava em uma situação tão diferente da dela.
Melody aconchegou-se mais ao corpo quente de Styles, fechando os olhos por breves segundos.
— Ah, só para constar. Não é porque você está sendo legal hoje que eu vou te amar Harry. — notificou Melody, levando seus olhos pequenos, por conta do sono pesar nestes, até os de Harry. Sentiu o peito de Harry mexer sob sua cabeça enquanto o mesmo soltava uma pequena risada.
— Tudo bem, não é porque estou dormindo com você sem antes escutar seus gemidos, que isso irá se repetir. — ele também a advertiu, rindo alto quando Melody se ergueu de supetão, sentando-se na cama; uma expressão descrente tomava seu rosto no que ficara observando-o rir por alguns segundos.
— Você é ridículo. — afirmou por fim, desferindo um tapa estalado no braço do garoto, que não parecera nem sentir. Logo voltou a por sua cabeça sobre o peito do moreno, que somente sorriu, passando os braços ao redor do corpo fino de Melody, grudando-a ainda mais ao seu corpo másculo.
— Obrigada, mas não fique me elogiando ou vou ficar acanhado. — brincou Harry, escondendo o rosto com uma das mãos. Melody não pode deixar de rir junto ao cantor; Harry era tão idiota.
Por fim o sono os venceu.
E ali Melody adormeceu, nos braços de seu pesadelo, que fizera seu sono ser tranquilo naquela noite.
Era somente ele, Melody e o passado engraçado que ambos compartilharam.
——
Descansou a garrafa de água sobre o tampo da mesa de forma retangular. Um forte cheiro de papel invadia suas narinas e a pilha de pôsteres autografados já era grande a sua frente. Sua mão latejava e podia sentir um pequeno calo se formar no dedo anelar da mão esquerda. O único barulho escutado na sala de paredes em tom pastel era o arranhar das canetas esferográficas nos papéis. A sala estava abafada, os cabelos começavam a colar na nuca suada de Melody.
A noite se estendia ao lado de fora da sala de um andar qualquer do hotel, algumas estrelas brilhavam no céu escuro. O tempo em Madrid era um grande contraste com a chuvosa Paris que haviam deixado pela manhã.
Escutou um suspiro cansado vindo de Liam sentado na cadeira ao seu lado, e com o canto dos olhos observou o garoto compenetrado nos papéis que lhe era passado por Zayn, em um ciclo vicioso assinava automaticamente seu nome no fim da foto e colocava em uma pequena pilha que começava a se formar na frente de Melody.
A garota resolveu tirar a jaqueta, contorcendo-se para não esbarrar em Liam ou Louis e sem querer os borrar. Foi com alívio que sentiu o corpo refrescar levemente ao se livrar da jaqueta e o cachecol, pondo-os sobre as coxas. Deu uma rápida passada no relógio devidamente posicionado no pulso fino e não fora surpresa constatar que em minutos o mesmo marcaria meia noite.
Desanimada, Melody fitou a pilha relativamente grande a sua frente, os rostos sorridentes já estavam irritando-a.
Sentia os olhos pesados por conta das pouquíssimas horas dormidas. Na noite anterior mal houvera fechado os olhos, e o celular de Harry tocava insistentemente com um Liam irritado do outro lado da linha. Nem mesmo o voo de Paris à Madrid fora tempo suficiente para a garota descansar, afinal, uma hora e meia de sono não seria o suficiente para compensar a madrugada acordada. E para completar não parara desde que chegara a capital espanhola, nem mesmo haviam posto os pés em seus respectivos quartos do hotel em que estavam hospedados. Haviam feito três entrevistas, sendo a primeira uma apresentação em um programa de TV e Melody não via a hora de poder cair na cama e dormir até não poder mais.
— Ei gatinha, me passa algumas fotos. — Louis pediu, dando uma leve cutucada com o dedo indicador na cintura de Melody. A cantora encarou Louis que tinha estampado nas feições do rosto o mesmo grau de animação que ela: nulo. Liam não parava de empilhar as fotos a sua frente e, soltando um suspiro derrotado, Melody voltou a autografar os pôsteres e logo passá-los para Louis.
Uma foto parara a sua frente e não se encontrava assinada por nenhum dos garotos. Somente se via a familiar letra garranchosa de Harry no meio da foto.
"Excitante e selvagem. Gostei da estampa."
Melody franziu a testa, lendo e relendo o que Harry escrevera no papel, tentando encontrar alguma coerência para o conteúdo ali imposto. Provavelmente era alguma estupidez, como tudo que Harry falava, e ela não deveria estar dando tanto crédito. Mas curiosa, virou o rosto na direção do moreno e observou seus olhos verdes grudados em seus seios.
Um tanto constrangida, a garota desceu os olhos a fim de constatar o que Harry tanto olhava. A estampa do sutiã aparecia por conta do pano rendado da blusa, não era grande coisa por conta do pano ser grosso, mas com um olhar meticuloso poderia constatar a estampa de oncinha que enfeitava seu sutiã.
Bufando impaciente, Melody rabiscou uma resposta rapidamente na folha, esticando-a discretamente na mesa, até chegar perto de Harry, sentado enfrente a Louis.
"Foda-se"
Harry leu, reprimindo o riso para não chamar atenção dos demais. Harry e Melody não trocaram palavra se quer sobre a noite anterior. Já até haviam se bicado no aeroporto, fazendo os demais garotos assistirem sonolentos a uma partida de farpas que não houvera ganhador de lado algum. E por mais que tudo parecesse ter voltado ao mesmo de antes de Harry descobrir suas cicatrizes, Melody por vezes pescara alguns olhares estranhos vindos do cantor, os quais ela decidira por ignorar, querendo poder continuar fingindo odiar Harry e simplesmente esquecer o que ocorrera nesses últimos dias.
Melody continuou a assinar, tentando não divagar sua mente para outros lugares. Suas energias estavam no fim e pensar que, acabando aquela tarefa poderia se enfiar em seu quarto e dormir até o dia seguinte, deixava-a ainda mais inquieta.
— Eu não aguento mais. — Melody exclamou quando sua mão começava a dar indícios de câimbra. Jogou-se encima da pilha de fotos, sem se importar que provavelmente acabaria por misturar fotos que não havia assinado com outras já assinadas. No final alguém teria de rever tudo de qualquer jeito.
— Falta pouco. — Liam tentou lhe passar força, mas sua voz encontrava-se tão desanimada quanto Melody jogada sobre as fotos. A mão do garoto latejava e seus olhos pesavam. Ao seu lado, o estômago de Niall roncava.
— Podem dar uma pausa crianças. — A voz grave fez os seis jovens, sentados à mesa, instantaneamente desviarem seus olhos para a entrada da sala. O corpo musculoso e alto era coberto por uma simples calça jeans e uma blusa polo azul; Paul abrira um sorriso divertido ao observar as caretas dos jovens a sua frente por terem sido denominados como crianças. — Pedi pizza, deve estar chegando. Eu sou ou não sou o guarda-costas favorito?
— Talvez se você parar de me chamar de criança, possa realmente ser. Tenho 19 anos. — resmungou Zayn, revirando os olhos. Carregava 19 anos na bagagem, não poderia, nem caso quisesse, ser denominado como criança.
— Ele te julga pela capacidade mental e não pela idade Zayn. — implicou Melody, ainda com a cabeça deitada sobre a pilha de fotos. Soltou uma risada alta, sendo acompanhada pelos amigos, ao fitar a expressão nada amigável que Zayn lhe encarava e o dedo do meio que o garoto esticava em sua direção.
— Mel, me empresta seu celular? — pediu Louis, levantando-se da cadeira desconfortável ao lado da cantora. O moreno sentia sua bunda doer por conta das intermináveis horas sentado sobre o assento duro.
Melody sentiu as bochechas arderem ao se lembrar do acesso de raiva que tivera na noite anterior e por conta do mesmo lançara o celular contra a parede. Provavelmente o aparelho em pedaços estaria em alguma lixeira do hotel em Paris.
— Eu perdi meu celular. — Melody contou, tentando soar verdadeira. Louis revirou os olhos e foi em direção a Liam, logo pedindo o celular do mesmo.
— Você perdeu o celular? — Paul a questionou, ficando em pé ao lado da garota que instantaneamente abriu um sorriso inocente ao mais velho.
— Não perdi. Eu acho que o esqueci em Paris em algum lugar que eu não faço ideia. — explicou a garota, soltando uma pequena risada no que Paul arqueara uma das sobrancelhas, pondo as mãos na cintura. — Você pode me arrumar outro, não pode?
— Eu não. A rica aqui é você. — ele respondeu em prontidão, fazendo Melody revirar os olhos e rir sem humor. Ele estava certo, muito embora toda a riqueza que Melody era dona não a fizesse nem um tanto feliz.
Melody sentiu algo macio sobre uma de suas mãos e ao levar seus olhos para cima, encontrou os olhos extremamente azuis de Niall fitando-a intensamente; os olhos do loiro pareciam vidro de tão puros, ávidos e cristalinos que poderiam ser. Distraidamente o garoto mexia seu polegar sobre as costas da mão de Melody e ela o ofereceu um sorriso sincero, sentindo-se de alguma forma estranha com tal contato.
— OPA. — exclamou Louis em alto som chamando atenção de todos os presentes no recinto, estava deitado em um sofá de estampa escura colado à parede do outro lado da sala. O garoto ergueu o tronco, tomando assento reto no sofá afofado. Seus olhos fitavam o celular, um tanto divertidos, e um sorriso malicioso brincava em seus lábios. — Que foto é essa? Niall seu garanhão.
Melody levantou de supetão, o movimento rápido a fez sentir a cabeça rodar ligeiramente. Contudo, a menção de uma foto onde Niall saíra como ganharão a fez imediatamente se lembrar do que houvera acontecido entra ela e o amigo em Paris e um frio lhe congelou o estômago ao imaginar que imagens do beijo estariam rolando pela internet.
Niall se encaminhou com a velocidade de um raio para o lado do mais velho junto dos garotos que imediatamente aproximaram-se, até mesmo Paul parecia curioso para saber o que Niall aprontara. Não era comum sair boatos sobre o irlandês; sempre quieto, dificilmente Niall era flagrado com alguma garota.
Ainda sentada à mesa, Melody assistiu o rosto de Niall tomar uma pigmentação avermelhada enquanto os garotos começavam a zoar com o loiro conforme viam a foto no celular.
— Mas que loira é essa Niall? — indagou Louis, ainda observando a foto na tela do celular. Niall revirou os olhos, saindo de perto do mais velho para pegar algo na direção da porta da sala.
Então Melody franziu a testa. Loira? Ela era morena.
Movida pela curiosidade, Melody se pôs de pé, deixando a jaqueta e o cachecol cair ao chão e sem se preocupar em pegá-los, andou a passos rápidos até Louis, sentando ao lado do mesmo no sofá almofadado. Pôs os olhos na foto que tomava a tela do celular e sentiu algo incomodo no peito.
Não se dava para ver o rosto de Niall, pois o mesmo estava de costas, mas sem sombra de dúvida era o irlandês beijando uma loira no canto de algum pub; cabelo ondulado que ia até pouco depois dos ombros e a franja pouco acima dos olhos fechados. Pela blusa de Niall, a foto fora do dia anterior, quando Zayn e Harry decidiram ir a algum pub depois do show e provavelmente arrastaram Niall junto.
Melody não havia se simpatizado nada com a loira da foto. E se o que imaginasse pudesse virar realidade, a tal loira estaria em pedacinhos.
— Que cara é essa? — questionou Louis, encarando-a com a testa franzida. Melody, saindo do estupor de seus pensamentos assassinos, encarou Louis um tanto perdida.
— Que cara? — perguntou ao amigo, mas já imaginando que sua expressão não era das melhores.
— Você parece querer matar alguém. — ele notificou e riu. Percebendo que Melody não o acompanhara na risada, armou uma expressão amedrontada e ainda sentada no sofá, lentamente começou a se afastar da garota. Melody não pode deixar de rir com tal atitude do amigo.
— Está com medo de mim Tomlinson? Vem cá que eu vou te pegar. — ela ameaçou rindo e se jogou encima do amigo antes que o mesmo pudesse levantar, fazendo-o resmungar algo incoerente enquanto era sufocado pelas próprias risadas e o corpo de Melody sobre o seu.
——
Negava-se em aceitar que estava se mordendo de ciúmes de Niall. Mesmo que o peito estivesse ardendo de raiva e a cena dos malditos beijos, sendo o dela com Niall ou de Niall com a loira, não saíssem de sua mente.
No entanto, fora ela mesma que afirmara a Niall que não o via de outro jeito a não ser como seu melhor amigo. Já haviam posto tudo em pratos limpos, deixando claro que não valia a pena a grande amizade ser posta em risco por algo tão bobo. Não havia motivos para sentir ciúmes do irlandês.
Então porque o maldito beijo ficava se repetindo em sua mente?
Enganando a si mesma, preferiu pensar que estava somente com uma ligeira raiva de Niall. Afinal, ele a beijara em uma noite e logo na seguinte correra para os braços de outra. Era praticamente falta de respeito e consideração com ela. Niall deveria ter esperado pelo menos alguns dias.
Contudo, Niall estava somente aproveitando sua vida de solteiro, afinal de contas, quantas garotas Niall já havia ficado? Melody preferiu não pensar nisso.
O irlandês passava tanto tempo ao seu redor que Melody simplesmente nunca parara para refletir como seria sua vida caso Niall aparecesse com uma namorada. Provavelmente ele passaria a dar mais atenção e carinho a sua garota e logo Melody seria deixada de lado.
Não foram muitas as vezes que vira Niall com uma garota, entretanto, não se lembrava de se simpatizar com nenhuma delas; a maioria queria somente a fama do loiro, o resto era fã e estava com ele por ser Niall Horan, um dos membros da One Direction.
O único problema era que como Harry ou até mesmo Zayn, Niall não era de ficar com uma garota e nunca mais olhar para a mesma. Ele se importava em levá-la até em casa e pegar algum contato; mesmo que não pretendesse levar nada adiante, não gostava de pensar que a garota provavelmente se sentiria usada. E era esse o risco, pois tendo contato com a garota que ficara, Niall poderia surgir apaixonado a qualquer momento.
Espera. Risco? Isso não deveria ser um problema para Melody, Niall era solteiro e poderia arranjar uma namorada na hora que bem entendesse. Garotas se atirando aos pés dele era o que não faltava. Entre todas, uma delas poderia ser a certa.
Então porque diabos Melody queria matar a garota certa sem nem ao menos saber se já existia ou não alguma?
Bufou, jogando as costas contra o sofá escuro e a cabeça para trás. Estava em uma batalha interna com ela mesma. Não entendia o que se passava em sua mente, muito menos em seu coração. Estava completamente confusa, nunca imaginara se encontrar em tais circunstâncias por conta de Niall.
E o que a assustava era que já havia passado por ciúmes semelhantes. Não por Niall, mas aquele incômodo no peito já lhe era bastante familiar e tinha gosto de Caroline.
Agora, o de outra loira.
A cantora não gostava nada de suas conclusões.
Já vira Niall com outras garotas, mas nunca chegara a pensar em Niall com uma namorada, ou chegara, contudo aquilo nunca a incomodara tanto como estava incomodando depois de ter o beijado.
O fato era que, de um jeito fraternal ou não, se encontrava com ciúmes.
Muito ciúme.
Mesmo pretendendo nunca aceitar e admitir tal fato.
— Não vai comer? — a voz harmoniosa de Niall a tirou de seus agonizantes devaneios. Melody encarou o garoto e logo desceu os olhos para prato apoiado no colo do mesmo, com três fatias de pizza dentro; sabia que Niall ainda voltaria para pegar mais alguns pedaços depois de comido aqueles.
Estava tão absorta em seus pensamentos que nem percebera a chegada das pizzas e nem mesmo vira os amigos atacando as mesmas como lobos sedentos por carne.
— Não. — respondeu ao irlandês de forma seca, desviando-se do olhar do garoto que enfiava um pedaço de pizza na boca.
Estava com raiva de Niall; queria que ele, a loira e mais o mundo se explodisse.
— Deveria comer. Não te vi comendo nada hoje. — Niall entoou em um tom preocupado e com a boca cheia. Melody pensou em repreendê-lo em tom de brincadeira, como sempre fazia, contudo, uma fagulha de raiva queimava fraca em seu peito. E os olhos preocupados de Niall atiçava-o ainda mais. Ele deveria ir se preocupar com a loira aguada.
Não, ele não deveria.
Melody queria Niall o mais longe possível da sósia muito mal feita da Hannah Montana.
— Eu não quero. — respondeu de má vontade, esticando as pernas que pendiam para fora do sofá. O cheiro de pizza preenchia a sala e chegou agradável as suas narinas. O estômago da cantora roncou, ansiando por uma fatia, mas ela não se permitiria.
Primeiro, não queria ceder a Niall. Segundo, certas circunstâncias não permitiam.
— Tem certeza? — Niall indagou erguendo uma das sobrancelhas em uma expressão desconfiada e um tanto divertida por conta do barulho estranho que fizera o estômago de Melody ao pedir por comida, este a denunciando.
Melody sentiu a bochecha esquentar, não por timidez e sim por raiva.
Niall não presava pela vida, afinal, estava se divertindo à custa dela.
— Porque não vai encher a loira peituda da foto? — indagou irritada a morena, virando-se para o garoto com uma feição nada amigável. Assistiu Niall franzir a testa e a fitar confuso durante poucos segundos, então um sorriso começou a brincar nos lábios rosados do irlandês e Melody sentiu o sangue borbulhar um tanto mais.
— Espera, você está com ciúmes da Pietra? — questionou Niall em um sorriso divertido, toda via não podia evitar certa euforia lhe tomar o peito.
Pietra. Esse era o nome da loira peituda? Preferia continuar chamando-a de loira aguada. Ou vadia. Ambos se encaixavam melhor que Pietra na mente de Melody.
— Sim! Não... Quer dizer, sim, eu... Você é meu irmão, não posso deixar qualquer uma te machucar. — Melody se embolava com as palavras, ela mesma ficando confusa com o que se passava consigo mesma.
Niall a fitava com as sobrancelhas arqueadas e todo o papo de irmão não parecia ser digerido pelo irlandês; mesmo que pudesse estar apenas se iludindo, algo nos olhos de Melody praticamente gritava que a mesma se encontrava com ciúmes. E não parecia um bobo ciúme fraternal. Melody parecia querer assassinar Pietra.
E de fato, ela queria.
— Certeza? — insistiu Niall. Tomado por um tanto de ousadia, o loiro se aproximou alguns centímetros a mais de Melody, deixando seus rostos perigosamente perto. Melody desviou os olhos dos azuis intensos de Niall, se sentindo estranhamente atraída pelos mesmos.
Por milésimos de segundo, Melody desejou ter os lábios de Niall sobre os seus, como acontecera na noite do pub francês. E logo rejeitou tais pensamentos, decidindo por ignorar aquela parte irracional da sua mente. Era apenas Niall, seu amigo, somente isso.
Espalhados pela sala, os demais amigos pareciam entretidos demais com a comida para assimilarem algo estranho que parecia ocorrer com ela e o irlandês.
Niall se aproximou alguns impercebíveis centímetros a mais e a respiração lenta e cálida do garoto contra seu rosto fez a pele da morena eriçar.
Seu corpo estava correspondendo a Niall. Não! Aquilo era uma tamanha loucura.
Confusa, Melody se afastou. Estava irritada consigo mesmo e com Niall, por dificultar as coisas.
— Vai se foder Niall. — mandou irritada, levantando-se do sofá escuro para se afastar do garoto, andando a passos apressados para o outro lado da sala. Não conseguiria pensar com coerência sentindo o par de olhos azuis, tão límpidos como cristas e borbulhando de sentimentos, tão perto dela.
Involuntariamente um sorriso surgiu nos lábios do irlandês e dali não quis mais sair. Ele estava mesmo constatando isso? Melody se encontrava correspondendo de forma intrigante a sua aproximação?
Aquilo nunca acontecera antes. Parecia incrível Melody estar com ciúmes dele com Pietra.
O garoto passeou com os olhos pela sala, os pousando sobre Melody que estava novamente sentada com a cabeça e os braços sobre o amontoado de pôsteres sob a mesa.
Talvez as coisas não estivessem tão perdidas para o seu lado. A cantora parecia começar a enxerga-lo como algo a mais que um irmão. E por mais confusa que Melody estivesse, isso já era algo bom.
Entraria no jogo de Melody e jogaria conforme suas cartas. Agora era a sua vez de poder conquistar Melody e quebrar suas paredes.
E dá forma certa, como Harry não soubera fazer quando teve a oportunidade.
Notas finais
Poxa, se você leu o capítulo, não vai cair o dedo se comentar. Mesmo que seja só um "posta mais" ou "continua". Só para eu saber que tem gente lendo isso aqui.
Então, fantasminhas, apareçam, porque eu não mordo haha
E eu só posto o próximo capítulo com no mínimo 5 reviews. E assim vai ser por diante.
Desculpe se estou sendo chata, mas né, não está dando =/
Beijões lindas. xx
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