Broken Arrow

3 Capítulo Dois


Notas iniciais
Hey fofas, como estão? Eu estou bem feliz que vocês estejam gostando da fic (: Aqui vai mais um capítulo, espero que gostem.



Cap
ítulo Dois.
Seus sentimentos ela esconde.
Seus sonhos ela não consegue encontrar.
Ela está perdendo a cabeça, ela foi deixada pra trás.
Ela não consegue encontrar seu lugar.
Ela está perdendo a sua fé.
Ela caiu em desgraça.
(Nobody's Home — Avril Lavigne)

Os tímidos filetes do alvorecer infiltravam-se pelas frestas da cortina que caía em uma cascata azulada, emoldurando o vidro fumê da sacada devidamente fechada, clareando de forma escassa todo o extenso quarto de hotel; eram seis e meia da manhã.

Melody, encolhida sobre a cama, encontrava-se entre o sono e o despertar; em tal estado em que se sente tudo ao seu redor, todavia, continua a sonhar.

A jovem inglesa sentia o macio colchão em par ao lençol embolado embaixo de seu corpo desnudo, o grosso edredom que lhe abrigava do frio que o ar-condicionado desferia em sua potência máxima sobre o quarto de aparência rustica e luxuosa; sentia o braço pesado que lhe cobria a cintura junto ao corpo seminu grudado ao seu.

Entretanto, ainda presa ao sonho, via-se cercada de largos sorrisos; contudo, não os normalmente calorosos ou acolhedores sorrisos, eram somente o curvar dos lábios com os dentes à mostra; curiosamente, todos eram estranhamente familiares e vazios, como os sorrisos que costumeiramente Lewis exibia.

Como um fio sendo definitivamente desconectado da tomada, Melody repentinamente despertou por completo; o corpo sendo achocalhado a fizera abrir os olhos com o repentino susto.

— Quer fazer o favor desligar a porra desse celular?! — em seu tom áspero e rouco, Harry mandou em completo mau-humor; as mãos grandes ainda sacudiam, sem sutileza alguma, o corpo esguio da inglesa.

Logo que os abriu, Melody os fechou no mesmo instante, a claridade irritando os globos oculares; piscando diversas vezes, seu campo de visão fora tomado pelo semblante irritado de Harry, seus cachos totalmente desgrenhados e o rosto amaçado.

— E você quer fazer a porra do favor de parar de me sacudir?! — rouca e enraivecida, Melody entoou em alto tom, encarando-o com uma expressão nada complacente.

O moreno a observou, varrendo com suas esmeraldas o rosto amaçado da cantora, e ao que confirmava que ela houvera realmente despertado, dera de ombros a sua feição embravecida, voltando a afundar pesadamente sobre o colchão, na marcação onde anteriormente desfrutava do sono; pondo o travesseiro de fronha clara sobre o rosto para abafar o toque irritante que ainda soava alto pelo cômodo.

De certo modo, Melody agradeceu interiormente a Harry, nunca capaz de admitir em voz alta, por tê-la livrado do sonho medonho. A familiaridade medonha dos sorrisos a deixava aterrorizada. Eram tão iguais aos que ela exibia naturalmente, que suspeitara se mais alguém poderia notar a apatia dos sorrisos como ela fizera quando os assistia no fúnebre sonho.

Porém, cultivava a certeza de que nunca fora má atriz; sempre na crença de que uma mentira bem contada era capaz de até mesmo fazer seu autor acreditar nela.

Ou afundar junto à mentira.

Já desperta o bastante, Melody ergueu o tronco, tomando assento na cama em completa desordem, uma das mãos segurando de maneira firme o grosso edredom que lhe cobria o tórax desnudo; os olhos passearam pelo aposento ostentoso a procura do celular que entoava sua melodia demasiadamente irritante e familiar, dando-se conta que esta vinha da direção da bolsa retangular em tom escuro, jogada aos pés da King Size.

Deixando escapar um suspiro em resigna por entre os lábios ressecados, a morena esticou-se para o lado; o corpo ainda recuperando-se da noite anterior, logo protestara. Enganchou a alça metálica com os dedos finos da mão que não segurava o edredom, prontamente puxando a bolsa para si; logo a música cessou.

Bufando, abriu a bolsa sem graciosidade alguma, retirando do interior bagunçado o objeto retangular que como acionado por seu toque, logo voltara à vida, vibrando e entoando uma música qualquer da One Direction, a qual Melody não fazia questão alguma de gravar o nome.

Antecedentemente de ler o nome o qual a tela do aparelho exibia, a cantora já estava ciente de quem a transtornava tão cedo; quem, a não ser Louis, poria como seu toque exclusivo a canção da própria banda, no celular da inglesa? Ela definitivamente deveria manter seus pertences longe do mais velho.

— O que você quer? — levando o aparelho à orelha, Melody entoou zangada, a voz explicitamente mal-humorada; Louis, mesmo sem poder a encarar, poderia apostar que um bico formava-se em seus lábios.

— Bom dia para você também amorzinho, e nossa, quanto bom humor matinal. — em explícita ironia e cinismo, a voz aguda de Louis soou por seu órgão de audição, fazendo-a instantaneamente revirar os olhos.

Fechando os olhos, Melody se controlou para não acomodar-se novamente ao colchão, pois certamente dormiria antes que Louis ditasse o que pretendia ligando àquela hora da manhã.

Apoiou o aparelho entre o ombro e o ouvido, coçando os olhos ainda fechados, sem muito se importar com a aparência lastimável que deveria se encontrar, porquanto não houvera se desfeito da maquiagem escura que usara na noite anterior.

— Me acordou só para dar bom dia? — indagou exasperadamente, a voz soando alta, fazendo com que Harry remexesse por baixo do edredom, em uma explícita queixa do quanto sua conversa o atrapalhava dormir.

O ignorando, Melody respirou fundo; não cultivava um bom humor matinal, principalmente quando era desperta do modo sem sutileza alguma que Styles usara para com ela.

— Por mais que você quisesse, não. Liguei para avisar que você e o senhor Styles estão bem atrasados e... — a leve pontada de irritação era perspicaz no natural timbre da voz aguda de Louis. Sessando o que iria proferir, Louis subitamente ficara em silêncio, logo, um emaranhado de vozes sobrepôs a tal silêncio; Melody não entendia o que diziam, todavia, estava ciente que não pareciam nada contentes. — Enfim, se não estiverem prontos em 30 minutos, nós os deixaremos aqui. Palavras de Paul.

— Meia hora? O que? Não...

Melody se interrompeu em seus protestos quando se dera conta que o silêncio que ocorria ao outro lado da linha não se dava por Louis estar escutando atentamente o que fervorosamente ditava; a tela do celular constatava que Louis cometera a audácia de encerrar a ligação sem a escutar até o fim, sequer sem avisar antes.

Grunhindo ultrajada, Lewis decidira deixar os planos de assassinato, que corriam livres pela parte psicótica de sua mente, para outra hora; se houvesse sido Paul quem decidira os exatos trinta minutos, de fato, eles eram válidos. Higgins não era o tipo de voltar atrás com suas decisões, mesmo que esta contivesse o fato de estar deixando para trás duas sensações pop do momento.

O que eram apenas duas, quando provavelmente quatro já se encontravam no hall do ostentoso hotel, pontualmente esperando a partida do ônibus que os levaria a próxima cidade?

Sentindo o beijo frio do assoalho de madeira encerada às solas finas de ambos os pés, Melody imediatamente se encolheu; o ar-condicionado desferia seu bafo gélido pelo corpo desnudo, coberto somente pela calcinha de renda escura. Esfregando as palmas das mãos, os olhos acastanhados apuraram o quarto, antes que seu corpo se pusesse a ir à busca dos pertences espalhado pelo quarto de Harry.

Pôs o vestido com notória dificuldade; apressada sem querer abrir seu zíper posterior. Trajou uma caminhada veloz ao quarto em busca dos demais pertences espalhados; juntando os sapatos de salto e a bolsa sobre o colchão junto ao celular, equilibrou tais pertences em ambas as mãos.

Fora então que seu olhar recaíra sobre Harry, que jazia estirado na cama, o travesseiro sobre a face, evidentemente, adormecido. Revirando os olhos, Melody ponderou deixá-lo ali, sem o aviso prévio de correr o risco de ser abandonado no hotel; todavia, por mais que soasse tentadora a ideia, o sermão que obviamente ganharia de Paul, quiçá de Simon também, a fizera dissipar tais planos.

— Harry, acorda. — Styles sequer remexeu-se em sua marcação; parecia ter caído em um sono profundo, imune a voz alta que Melody usara. Bufando com notória irritabilidade, Lewis caminhou a passos duros até se fincar ao lado do garoto adormecido. Equilibrando seus objetos em uma só mão, levou a desocupada até a fronha clara do travesseiro, puxando-o em um só solavanco. Buscando impulso, forçou o travesseiro verticalmente de baixo para cima, o mergulhando num fluído contra o peito tatuado de Harry Styles.

— O que? — em um ímpeto, o inglês sentou-se sobre o colchão macio; os olhos esverdeados piscaram diversas vezes até acostumarem-se com a luz que banhava o aposento ao que toda a cena tomava coerência na mente ainda sonolenta.

Quando finalmente dera-se conta do que ocorrera, seus olhos de esmeralda ergueram-se em extrema ameaça aos acastanhados de Melody, que sequer deixou-se abalar. Styles conseguiria por medo em muitos com devida expressão, todavia, Lewis o conhecia demais para se deixar acovardar.

— Estamos atrasados. Você tem meia hora para está lá embaixo, caso contrário, será deixado para trás. — mecanicamente, em um só fôlego, a voz, impregnada de indiferença soara irritantemente nasalar.

Com os resmungos e palavras de baixo calão vindas do cantor enchendo seus ouvidos, Melody se pôs para fora do recinto sem realmente se importar com coisa alguma que o mais velho proferia.

Geralmente, nunca dava devido valor a algo que saía por entre os lábios de Styles. Em sua ideia, Harry era um idiota, egocêntrico e cheio de si, e sempre o seria para ela.

Em algum momento de compaixão por si mesma, Lewis refletiu que deveria sentir algum dano do modo como se tratavam após uma noite como a que compartilharam; todavia, não o sentia.

Quando os corpos se juntavam, suas peles colidiam, o desejo eminente expelia por seus poros; quando afundavam um ao outro, fundidos, era quase como se partilhassem de uma cumplicidade inexiste. Entretanto, o prazer explodia, extravasando para fora de seus corpos suados, e a realidade os puxava repentinamente.

Ela e Harry não usufruíam de amor, talvez até tal sentimento não fossem destinados a pessoas como eles, o que faziam era somente sexo; algo totalmente carnal, onde buscavam somente o prazer, sem exigências no dia seguinte.

E era só.

——

Domingo. Melody Lewis concluía que tal dia sempre carregara tédio em cada segundo que o pertencia. Talvez pelo simples e evidente fato de marcar a véspera da tão enfadada segunda-feira; outro infortunado dia da semana que deveria se exterminado do calendário anual.

O sol não houvera inundado com seus raios aquele domingo, extinguindo o banhar de seu brilho dourado à cidade litorânea; nuvens espessas e, ambiguamente escuras, encobriam o céu de Brighton. O ar conduzia consigo o notório cheiro de chuva. O vento gélido uivava e serpenteava, levantando folhas em redemoinhos, oscilando as copas das árvores por toda cidade e esvoaçando os cabelos e roupas dos pouquíssimos ingleses que, corajosos, trajavam seus respectivos caminhos pelas calçadas naquela frienta manhã de domingo.

Tão preguiçosa quanto o dia em si, a jovem inglesa trajava em notória lentidão seu caminho pelo hall do hotel, arrastando sua mala esverdeada ao que se perdia em sua reflexão pela aversão que continha pelos dois primeiros dias da semana. Um dia o qual tudo e, evidentemente todos, encerravam seus expedientes demasiadamente cedo e a programação da TV em péssimos programas o qual sua grande maioria forçava a compaixão do povo por famílias necessitadas. Segunda-feira era por simplesmente ser a ressaca do dia anterior.

Todavia, era cômica toda sua antipatia, geralmente não seguia o calendário semanal como a maioria dos demais ao redor do mundo; não continha importância se era domingo ou segunda. Quase sempre havia algo em sua tão compromissada agenda artística para ser realizado.

— Pode ser mais lenta, se quiser. — em notória sátira, a voz a retirou do estupor sonolento de pensamentos idiotas. Erguendo os olhos das Uggs escuras orbes para quem a abordara, Lewis fitou Zayn em pé ao lado da figura, perceptivelmente inquieta, de Louis Tomlinson. Suas malas jaziam ao chão lustroso e óculos escuros lhes escondiam as olheiras cometidas por conta das pouquíssimas horas dormidas.

— Essa mala não é leve, sabia. — rebateu de imediato, revirando os olhos, abdicando a vontade dar alguns tapas em Louis por tê-la acordado tão cedo.

Estacionou ao lado do moreno, surpresa tomando cada traço da face delicada ao notar que Malik possuía seu adorado cabelo em uma confusão; duvidou que Zayn houvesse olhado a si mesmo em algum espelho antes de chegar ali.

— Pronto, podemos ir.

— Ainda falta o Harry. — informou Louis, os olhos azuis checavam as horas no celular, devidamente posto em mãos, a cada minuto; a perna direita tremia em um evidente gesto de impaciência. Por vezes soltava o ar por entre os lábios rosados, de forma ruidosa, inquieto por estar esperando há tanto tempo os demais atrasado, parado naquele mesmo lugar; ele houvera imposto meia hora, não uma.

— Então porque diabos você estava me apressando? — dirigindo-se a Zayn, Lewis indagou o mesmo, a voz soando em extrema bravura; um vinco formado entre as sobrancelhas.

— Porque é legal. — Zayn dera de ombros, o sorriso divertido alastrando-se pelos lábios ressecados; Melody continuou a fitar-lhe, a expressão tomada por incredulidade, como se Malik fosse algum tipo de extraterreste ou contivesse algum sério transtorno mental. Por vezes, indagava-se se Simon não teria formado a One Direction baseando-se em suas mentes incoerentes e de extrema ausência de inteligência, ou no geral, na falta de seus cérebros.

Decidida a ignorar Zayn, porquanto cogitava seriamente a hipótese do cantor ainda estar sobre o efeito do grande teor de álcool que houvera ingerido na noite anterior, Melody passeou com as orbitas castanhas pelo recinto ao todo. Até então, não houvera reparado que Niall e Liam estavam também à espera.

Totalmente indiferente ao que ocorria ao seu redor, Liam encontrava-se entretido em seu celular, os dedos passeando sobre a tela com impressionante velocidade e precisão. Niall dormia, a cabeça coberta pela cabeleira loira totalmente desgrenhada, escorada a parede, levemente inclinada para cima; a boca estava entreaberta e era nítido um leve riscar de baba escorrendo de um dos cantos dos lábios rosados. Ambos garotos estavam acomodados sobre suas próprias bagagens, suas costas devidamente coladas a parede de tom pastel.

A recepção encontrava-se incrivelmente vazia, a não ser por eles e a recepcionista de cabelo grisalho e nítidas rugas encrustadas aos lados de seus olhos compenetrados na tela do computador a sua frente; digitava de forma constante, os dedos martelando no teclado era audível sobre o silêncio alojado por toda a recepção. Era notório que estava alheia a tudo que ocorria ali.

— Podemos deixar o Styles para trás. — voltando com seus olhos para Louis, Melody; um sorriso cheio de dentes alastrou-se convincente pelos lábios pintados de gloss labial rosa, demonstrando gostar bastante da devida ideia. Todavia, estava plenamente consciente que os demais não concordariam, mesmo que Louis ou Zayn estivessem prestes a topar. Infelizmente Harry era parte da One Direction, e, muito estranhamente, era demasiadamente querido e comicamente especial para suas fãs.

— Não vai se ver livre de mim tão fácil, Lewis. — a voz naturalmente rouca soou por seus ouvidos sensíveis, nitidamente divertida; o cheio forte de seu perfume recém-posto, semelhante à respiração quente inundando a pele exposta de seu pescoço, denunciavam a Melody uma perigosa proximidade que Styles demarcava. Afastando-se de imediato, Melody fora parar ao lado de Louis, marcando uma confortável distância da figura odiosa de Harry Styles. Por vezes a cantora sentia uma vontade imensa de lhe bater, geralmente, só por Styles existir.

— Alguém proteja a recepcionista, Harry Styles está à solta. — alfinetando Harry, em explicito tom de zombaria, a voz de Melody soou implicante; sua risada soando longa e divertida após devido comentário.

Não demorou sequer dois segundos para os demais amigos explodirem em risadas; Niall, que outrora se encontrava adormecido, levantou-se de supetão, obviamente assustado com a barulhada no, anteriormente, tão silencioso hall.

Harry encarou Melody, a expressão confusa, alheio sobre o que Lewis implicara; sabia que não era algo agradável, contando que vindo da figura irritante da cantora, não era boa coisa. Geralmente, Melody era tão irritante e estúpida.

Decidido a acabar com sua curiosidade sobre qual era o tópico da algazarra entre os demais, Styles dirigiu suas íris esverdeadas a recepção, encontrando em tal a recepcionista já de idade avançada, atenta a tela em sua frente, ignorando tudo e todos ao redor.

De imediato entendera a piada; os olhos tornando-se ameaçadores, extravasando irritação, voltaram-se a se fixar na cantora, desejando que esta explodisse sobre seu campão de visão. Rapidamente matutou algo na mente para usar contra Lewis, a resposta fora à ponta da língua, contudo, não pudera proferir; Liam fora o mais rápido.

— Podemos ir antes que Paul arranque nossos fígados? Estamos quase uma hora atrasados. — tomando a posição ereta, com as solas do tênis devidamente sobre o assoalho reluzente, Liam dirigiu um olhar nada complacente a Harry e Melody, destacando suas últimas palavras para tais; interrompendo uma óbvia discussão que se alastraria entre ambos, e, muito provavelmente, demoraria para se concluir.

No que colocavam suas bagagens em mãos, avistaram Paul em um semblante zangado acompanhado de uma pequena equipe de outros seguranças, onde outrora encontravam-se tentando acalmar as fãs ao lado de fora, vir em direção onde estavam.

Harry pôs os olhos sobre a Lewis, entretida em observar quaisquer pontos que não fosse ele. Styles a conhecia muito bem para saber que Melody estava ciente sobre seu olhar meticuloso nela.

E ele tinha de admitir; era tremendamente bom em esconder sentimentos e ser um idiota, arrogante e egocêntrico.

Todavia, Melody houvera ganhado em disparada o troféu do ano como rainha do gelo.

——

A melhor parte de toda a turnê eram definitivamente os hotéis de magnificência. Para Melody, toda a resplandecente sofisticação e o ostentar de luxuosidade excessiva que cada hotel continha, era um óbvio destacar da classe a qual estava para as demais inferiores, a diferença de quem ela era, do quanto tinha, para aqueles que somente serviam para servi-la; aquele hotel não era diferente.

Com notória satisfação, Lewis passeara com os olhos acastanhados pelas paredes impecavelmente em bege, os acabamentos em ouro; o teto detalhadamente trabalhado em gesso fino, em par com o luxuoso lustre de cristal, ofuscava quaisquer outros pontos ostentosos do hall da recepção. O piso excessivamente liso em brancura, de tão limpo, refletia os diversos pontos de luzes dos demais cantos do recinto.

Todos os numerosos aposentos da cobertura fora restritamente reservados para toda a equipe que acompanhava os seis cantores pela estrada em devida turnê. Tudo o que Melody Lewis ansiava em compulsão era o colchão macio que muito provavelmente lhe aguardava em sua suíte.

O trajeto crucialmente silencioso da cidade litorânea de Brighton à cidade de Wembley não durou por um longo tempo, uma vez que não o persistia em extensos quilômetros; uma fina garoa os acompanhara por todo o percurso, lentamente banhando o asfalto das estradas, trazendo consigo um sonolento frio.

Após ajeitarem-se no amplo e semelhantemente luxuoso ônibus de turnê, tomando seus respectivos beliches acoplados em ambos os lados da parede do segundo andar, as seis celebridades repentinamente encontravam-se adormecidas, submersos em um estupor de sono. Dormiram por toda a viagem, momento algum despertando nem sequer por alguns segundos com os solavancos que por vezes o ônibus dava.

Coube a Paul a árdua tarefa de acordar os seis jovens ranzinzas e nada contentes, quando finalmente houveram chego ao destino final da viagem; em suas respectivas expressões sonolentas e ambiguamente zangadas, desembarcaram do ônibus.

Após serem distribuídos os cartões magnéticos, encontravam-se os seis apertados no cubículo de metal junto a um Paul em feições tempestuosas, os fitando no que recitava um longo sermão sobre o atraso de quase uma hora.

Nitidamente alheia ao que Higgins proferia, Melody concentrava-se em não deixar a mente se desligar, contando com o fato de que a melodia lenta que soava pelo elevador mais parecer um gás sonífero.

— Entendeu Melody? Melody!? — sentiu-se repentinamente tragada fora da sonolência que a assolava em tal instante; a voz grave de Paul soando pelos ouvidos sensíveis tomara coerência na mente lenta. Levando os olhos à figura mais velha que a fitava com intensa repreensão, Lewis não hesitou em revirar os outros.

— Desculpe, parei de ouvir quando você abriu a boca. — em explícito cinismo, Melody deixara a resposta malcriada tomar consistência por entre os lábios rosados, se deparando com o olhar surpreso e desgostoso de Paul; o homem não merecia sua dose de mau-humor matinal. Todavia, não se desculpara. Não era seu feitio voltar atrás em suas palavras; uma vez ditas, raramente via-se na obrigação de contornar.

A sinfonia lenta fora substituída pelo apito baixo e logo as portas metálicas abriram-se no último andar, relevando o longo corredor de paredes opacas e carpete azulado. Saíram para o vasto corredor quando a melodia voltou a entoar, as portas do elevador rapidamente voltando a fechar-se.

— Vocês têm passagem de som às quatro da tarde. — a voz de Paul voltou a cortar o silêncio constrangedor que houvera se alastrado, cometendo atenção dos seis jovens aos seus atos. — Então estejam às três e meia no hall. Sem atrasados.

Melody sentiu os olhos claros de Paul pinicar sua pele, severo; não se importara em demonstrar quaisquer expressões ou feitos ao que fora proferido pelo irlandês, fitando-o com feição de apatia, Lewis somente esperou ser dispensada. Harry, por sua vez, forçou os lábios a curvarem-se em um sorriso culposo, mesmo que em seu interior realmente não se importasse; não seriam os protestos e repreensões de Paul que evitariam seus atrasos futuramente.

— Três e meia. — o homem voltou a repetir, sua voz grave tomando os cantos do corredor vazio. Somente quando Paul começara a trajar seu percurso, tomando a direção contrária do grupo, os jovens europeus viram-se livres para arranjarem-se em seus respectivos quartos.

Conforme o som abafado de seus passos ecoavam sobre o silêncio, Lewis sentira o vibrar do celular ao bolso, emergindo-a do cansaço que lhe tomava a mente e o corpo levemente dolorido. Suspirando em resigna, pôs o aparelho retangular em mãos; o brilho da tela acesa foscando totalmente seu campo de visão. Reprimiu os lábios carnudos em uma linha reta, seu interior remexia alvoroçado.

Seu silêncio durou por todo o percurso que trajou do elevador à porta com o número que o cartão magnético demandava, em alto relevo à porta de madeira clara; o silêncio absoluto prevaleceu quando também adentrou ao aposento de mobílias rústicas, sem importar-se em se despedir dos demais garotos.

Não reparou sequer no modo como o recinto aconchegante apresentava-se perante o olhar; somente cortou o quarto em seus passos rápidos, em uma marcha ininterrupta a king case coberta em lençóis egípcios afofados.

A morena tomou assento sobre o colchão macio, o local afundando levemente. Sua atenção estava tomada pelo celular fechado entre os dedos da mão direita; no aperto de ferro, sentia o aparelho esquentar pela mão soada.

Os olhos achocolatados viajaram sobre a tela do celular, lambendo, famintos, o que as letras reluziam.

“Ei meu anjo, sabe, às vezes é bom dar notícias!

Estou com saudades.

Beijos, mamãe.”

Prendeu o lábio inferior entre os dentes, uma batalha interna tomando forma em seu interior ao evitar o choro. Há quanto tempo não houvera entrado em contato com Marietta, sua mãe; provavelmente uma semana antes do começo da turnê. No entanto, o contato maior da cumplicidade maternal deixara para trás dês de que saíra de casa, das asas protetoras da jovem senhora, adquirindo seu próprio apartamento, usufruindo da emancipação que houvera ganho dês dos quinze.

E aquele repentino contato que Marietta houvera forçado, despertara o que tanto desesperadamente lutava para manter congelado; tais emoções que almejava nunca ter de demonstrar.

Não que odiasse a mãe; nem de perto sentia algo assim pela mulher que lhe dera a vida e cuidara com toda atenção de si. Seus fantasmas nada possuíam parentesco com a mulher, Lewis definitivamente não culpava a matriarca pelo o que se transformara. Amava a mãe com tudo o que restava de sentimento em si, talvez Marietta fosse a única que despertasse tal sentimento; a única com quem a inglesa sentia-se realmente preocupada. Entretanto, ter que se lembrar da mãe era o desencadear de tantas outras recordações, sendo estas as lembranças que implorava toda noite por esquecer.

Em um ímpeto de raiva, Melody arremessou o aparelho eletrônico para trás; não pela mensagem recebida. Era raiva de si mesma por ainda sentir, por não ter controle sobre aquela parte de si; por rancor de tudo que houvera passado e presenciado.

O barulho do aparelho chocando-se contra o carpete liso ecoou ao que Melody travava uma guerra com ela mesma, desesperadamente buscando apagar o motivo de toda a distância que houvera imposto entre ela e sua mãe. Os olhos trajaram todo o aposento em mobílias de mogno escuro, os tapetes persas à cortina emoldurando a porta de vidro para a sacada, com visão privilegiada da cidade inglesa; todavia, todo o luxo passara a ser um lembrete de tudo que faria para poder trocar tudo aquilo pelo verdadeiro aconchego do seu quarto em casa.

E fora a deixa para o sorriso amargo, o aperto no coração de fazê-la arfar.

E tinha ela uma casa? Adquirira um apartamento, de fato, o qual morava sozinha há dois anos, mas não se referia ao imóvel qual podia dormir e usufruir de abrigo nos poucos dias de folga; não, Melody se referia a um lar o qual se sentisse verdadeiramente acolhida.

Não era tão fácil quanto ela imaginava, a fama e toda a pressão em ter de ser perfeita.

Virara uma rotina levantar todos os dias e, contra a sua vontade, desenhar nos lábios um sorriso, encarando a todos como se a vida fosse perfeita e maravilhosamente bem; como se Melody fosse a ser somente mais uma garota preocupada exclusivamente com suas unhas, roupas e cabelo.

O que a grande maioria que a conhecia não estava ciente era que por baixo de toda a camada de garota inabalável e egocêntrica, cultivava a dor, escondida em cada sorriso que forçava nos lábios carnudos; haviam nela sentimentos que não desejava que ninguém desconfiasse existir. Era a Melody que alguém sequer conhecia e que, muito provavelmente, nunca iria conhecer. Porquanto era mais confortável esconder o mais difícil, toda a dor, todo o sofrimento, e fingir ser apenas mais um corpo vazio; era simplesmente mais confortável carregar tudo sozinha. Não queria a pena de ninguém, e, definitivamente, não precisava ser ajudada.

Era somente mais fácil carregar um sorriso no rosto e fingir ser perfeita para o mundo.

De supetão, Melody fizera um caminho certo até mala deixada por um dos muitos funcionários do hotel. As mãos trêmulas em par da visão turva, embaçada pelas lágrimas rigidamente contidas, dificultaram sua procura; Lewis levou as mãos suadas aos olhos, exprimindo-os, limpando quaisquer resquícios de lágrimas.

As mãos desesperadamente indo a procura da nécessaire verde em detalhes rosas; sufocou a respiração horrorizada ao perceber o que iria fazer. Porém, não se impediu.

Em um baque abriu a porta do banheiro, a mão a qual não segurava a nécessaire batendo no interruptor, subitamente banhando o recinto com a luz fluorescente; não se demorou nos detalhes, a ânsia de livrar-se do incomodo pesar ao peito era maior. Marchou rumo a pia e pôs sobre seu mármore claro o que continha em mãos.

Os olhos apressadamente alojaram-se nas mãos apoiadas ao redor da pia; as pulseiras que cobriam os pulsos foscando todo seu campo de visão. Como que mecanicamente, retirou uma por uma, em uma tortura lenta, juntando aos anéis, jogou todas as joias dentro da pia.

Em desprazer encarou os pulsos; observou as cicatrizes que os encobriam, mais claras e pouco elevadas dês da última vez que as fitara. Sem prazer, desviou o olhar do mais sujo ato que houvera feito há algum tempo e deu atenção ao que pretendia realizar. Abrindo a nécessaire, retirando sem delicadeza alguma tudo o que a complanava, espalhando-os pelo mármore, Lewis repentinamente achara o que almejava em seu fundo, escondida.

Ficou algum tempo analisando lâmina que refletia a luz em suas íris, em um brilho incomodo. Como hipnotizada, Lewis pegou o objeto entre o polegar e o indicador, tomando-a em mãos como se fosse a pedra rara que tanto desejara possuir. O nó trancara a garganta, uma lágrima teimosa vazando pelo canto do olho esquerdo; de modo bruto, levou a mão, limpando a gota como se tal fosse ácido.

Deu alguns passos para trás, o objeto ainda foscando quaisquer atenções que outros pontos não poderiam tomar. A cantora sentiu o frio da parede de mármore claro chocar-se contra si e institivamente permitiu-se escorregar pela mesma. Sentou-se com as pernas abertas pelo plano liso composto pelos igualmente mármores claros que revestiam as paredes.

Mantinha a lâmina de maneira firme entre os dedos, a frente do rosto, a pouca parte racional implorava por espaço dentro de si, gritando para que não cometesse tal delito; clamava por redenção. Todavia, Melody não cultivava mais força para lutar contra o monstro dentro de si, simplesmente não poderia se impedir do ato masoquista.

A lâmina parecia quase conversar com a inglesa, expondo seus pontos de vista e pondo em questão o fato que poderia ser a única solução para retirar toda aquela repulsa por si mesma ao se importar com alguém que ela queria poder ser indiferente; aos poucos, a lâmina passara a convencê-la de que nunca haveria outra escapatória a não ser ela, sua única amiga, a qual sabia de todos seus segredos silenciosos.

Não fora complicado decidir-se, tudo o que almejava era simplesmente se desfazer da maldita dor.

Tal dor que lhe deixava ainda mais patética e extremamente ridícula do que o ato de se automutilar; a humilhação de nunca ter sido boa o suficiente para ele, de nunca ter sido realmente alguma diferença na vida de seu pai.

Fechando os olhos, a escuridão lhe tomando de imediato, apertou a chapa de metal entre os dedos finos. As lembranças pareciam-lhe com a dor de por álcool sobre uma larga ferida; faziam arder seu o coração.

Sentiu-se regressar ao tempo, viu a si mesma encolhida ao soalho gélido, devidamente colada à porta amadeirada da fria e escura área de serviço. As pequenas mãos gordinhas da pequena garota de aproximadamente cinco anos cobriam de maneira desesperada os ouvidos, em um gesto inútil para abafar o ruído que ocorria ao outro lado da porta. Todavia, continuava a escutar toda a discussão e vidros partindo-se ao chocarem de encontro ao chão da cozinha. Em algum momento de bravura, mesmo que muito amedrontada, tomou o intuito de firmar-se nos pés, abrindo uma pequena fresta entre a porta e o batente. O casal, que ainda gritava um com o outro, tomar foco em seu campo de visão. Assistiu com pesar o pai tomar em mãos uma caneca familiar sobre a mesa, reconheceu de imediato sendo a caneca que ela o presenteara algumas semanas antes, no dia dos pais, e com mágoa, o observou arremessar o objeto cilíndrico ao chão. A pequenina sentiu como se não fosse somente a cerâmica que partia-se aos cacos, pudera jurar que escutara o barulho do próprio coração vir a esmos. Era a primeira vez que assistia aquele acontecimento, uma briga tão feia entre os pais; fora a primeira de muitas que viriam em sequência.

Jeremy não mais parecia com seu tão querido pai, havia se transformado em um monstro de olhos injetados e forte odor de álcool, e de fato, nunca mais voltara a ser o seu pai.

Em um ímpeto, abriu os olhos, arquejando; um soluço escapando por entre os lábios ressecados. Em extremo alvoroço, esticou o braço esquerdo a frente do corpo, e, em demasiado desespero, deslizou a lâmina sobre a pele já tão padecida de marcas claras, a lâmina afiada cortando lentamente os finos ligamentos entre suas células. E devido ato insano nem mais doía como outrora já houvera feito; após longos anos, a dor virara uma acolhedora amiga, sua única válvula de escape.

De modo doentio, assistiu o sangue traçar uma linha desforme em sua pele alva e, pingando sobre o piso branco, coloria com seu escarlate. Um sorriso sádico desenhou os lábios da inglesa. Sem controle, levou mais uma vez a lâmina, desferindo-a sem dó, em um agrado ao pulso ensanguentado; uma vez, outra e mais outra, perdera a conta. Só então deixara a lâmina suja cair sobre os pingos que tingiam o chão esbranquiçado.

O ato que para a grande maioria era uma dor insuportável, para Melody se assemelhava a sensação de tomar um refresco em um dia de verão de intenso calor; de imediato, a refrescava e aliviava por dentro. Em seu exclusivo ponto de vista, a dor física era melhor do que a dor do peito. Tal ato era seu estranho modo de desabafar sem ter exposto suas vergonhas a outros, era a forma de permitir que a patética garota frágil e desprotegida viesse à tona sem que pessoa alguma a descobrisse.

Escorou a cabeça na parede gélida, fechando os olhos; ambas as mãos descansando sobre as coxas, a esquerda manchada pelo sangue que ainda escorria dos machucados superficiais. Sentia os ferimentos arderem e latejarem, degustando da sensação com esquisito prazer.

Geralmente estava sempre a sorrir, se esforçando para acreditarem que era forte, destemida, no entanto, somente ela mesma era ciente da dor que guardava dentro daquele coração em ruínas; apenas Melody realmente sabia o quanto doía.

Um som irrompeu por entre os lábios, um grunhido que desejara ser um riso amargurado.

Veja só a que ponto houvera chego.

Mascarar toda a tristeza acumulada virara uma monótona rotina. Não mais cultivava desejos, sonhos ou razões por quais batalhar; os malditos dias tornaram-se um igual ao outro e o sonho se transformou em lágrimas; as alegrias e realizações, em apenas dores. Afinal, do que adiantava obter tudo o que sempre desejara se não poderia compartilhar devida felicidade com alguém?

Lewis houvera afastado a família junto às pessoas mais importantes de sua vida em uma forma egoísta, com o intuito de acabar com aquela dor que era lembrar ele. Todavia, em geral, não passara de uma mera ilusão; o coração não era como as feridas do pulso, ele nunca parava de sangrar.

Logo, estava a figura desamparada de Melody remoendo toda a dor e percas que escolhera obter, tudo não passara reações das suas decisões. Carregando todo um fardo demasiadamente pesado sobre as costas; tão patética que chegava a parecer uma cômica piada.

Tão fraca que já pensara até em se matar.

E, se contrariando, desejava veemente que houvesse alguém para salvá-la daquele cativeiro que outrora se trancara por si própria; ansiando por sentir algo bom o suficiente para sobrepor àquela maldita dor.

Porém, nunca houvera ninguém para ajudá-la, por simplesmente manter uma distância confortável dos demais que ousavam querer passar por suas muralhas de gelo.

Aquele ato insano não era uma tentativa de suicídio, ela bem sabia, entretanto encontrava-se consciente que, caso fosse longe demais, ela não se importaria em voltar.

Notas finais
E então, o que acharam? Deixem reviews com suas opiniões, eu fico beeem contente em lê-las *-* Beijos. xx