Broken Arrow
6 Capítulo Cinco
Notas iniciais
Aqui está mais um capítulo, dessa vez não demorei tanto, viu? haha
Boa leitura para vocês (:
Capítulo Cinco.
Rainha da beleza de apenas 18 anos.
Ela tinha alguns problemas com si mesma.
Ele sempre estava lá para ajudá-la.
Ela sempre pertenceu a outra pessoa.
(She Will Be Loved – Maroon 5)
O Aeroporto de Heathrow, localizado a oeste de Londres e apontado como o terceiro aeroporto mais movimentado do mundo, já começava a se encher àquela hora da manhã de terça-feira.
Pessoas andavam apressadas de um lado para outro, algumas indo em direção ao portão de embarque de seus voos, outras haviam acabado de desembarcar na capital inglesa. Era comum ver muitos turistas andando de um lado para o outro, com olhares meticulosos a todos os cantos e parecendo um tanto perdidos, a procura de seus parentes ou guias.
Embarcando ou desembarcando, sérias ou animadas, silenciosas ou tagarelas, de cabeça baixa ou procurando por algum conhecido, segurando plaquinhas ou simplesmente sentadas à espera de alguém, o aeroporto de Heathrow se encontrava repleto de pessoas naquela manhã.
E Melody era uma delas. Embarcava junto aos cincos garotos que formavam a One Direction no portão de embarque do terminal quatro; um pequeno caos acontecia pelos arredores perto deste, por conta da pequena aglomeração de fãs que se fazia presente. Flashes pipocavam a todo o momento, e, vez ou outra, um deles acenava para o grupo de fãs histéricos, enquanto andavam lentamente entre a escolta dos seguranças.
Melody pode respirar melhor ao sentar em uma das poltronas almofadadas de couro que revestia a primeira classe do avião; ao seu lado estava um Louis extremamente sonolento. Ambos puseram os cintos como lhes era instruído pela aeromoça, algo que Melody já havia pego prática pela quantidade de viagens que já fizera.
Após longos minutos, no qual o avião era preenchido pelo resto dos passageiros, a aeronave finalmente decolou com destino a Paris.
Observou pela janela a chuvosa Londres tonar-se pequena conforme o avião atingia altura. Não sentia mais aquele medo e ansiedade que sentira nas primeiras viagens de avião; aquilo havia se tornado rotina, como toda a sua vida.
Sentiu a cabeça de Louis acomodar a seu ombro e logo o encarou com uma das sobrancelhas arqueadas. O mais velho a fitou com os olhos azuis pequenos e um sorriso sonolento nos lábios, estava tão fofo que Melody decidiu deixa-lo ali.
Olhou para o outro lado do avião no que Louis fechara os olhos e encontrou dois globos verdes, que a fitavam sem timidez.
Rapidamente desviou os olhos de Harry, voltando com os olhos para a janela e observando a paisagem que a mesma lhe proporcionava.
O dia anterior fora no mínimo estranho. Não falara com Harry, tão pouco tivera algum contato físico com o mesmo, muito embora olhares fossem trocados o tempo todo.
Passara quase todo o dia pescando os olhos do garoto recaídos sobre ela, na maioria das vezes não conseguia entender o que eles exibiam.
Ainda achava estranho o modo como Harry lidara com seu segredo; talvez estivesse surpreendida, afinal, esperava do inglês atitudes totalmente contrárias da que ele realmente tomara.
"
— Mas que merda é essa?
O medo a invadiu lentamente, sentiu aquela sensação a matar por dentro. Ela suspirou fechando os olhos com força, querendo desesperadamente despertar daquele pesadelo no qual havia acabado de entrar. Sua garganta fechou, seu corpo enrijeceu e sua voz simplesmente fugiu.
Tomando coragem, Melody abriu os olhos, fitando, com desespero, as íris dilatadas em surpresa e pavor do garoto a sua frente; a expressão descrente parecia congelada no rosto de Harry.
Seus pensamentos iam a mil junto a batidas descompassadas do seu coração; não seria surpresa se o som desesperado do mesmo sobressaísse aquele silêncio que chegava zumbir seus ouvidos.
Apenas ao imaginar as inúmeras manifestações que Harry poderia ter, fazia um frio lhe percorrer a espinha e o estômago revirar; infelizmente nenhumas das ações que lhe passavam a mente eram boas.
Enquanto encarava seus grandes olhos verdes, Melody tentava descobrir o que passava na mente de Harry. Lentamente assistiu ele voltar a si, tomando controle do corpo outrora congelado pelo choque da situação.
— Me responda. — sua voz soou rouca, exigida. Ela observou os olhos do garoto descerem ao seu pulso, agora coberto, descansado em seu colo.
— O que? — Melody encontrara voz para questionar, mas a mesma soara falha e fraca. Parou. Pigarreou, o fitando. — Do que está falando?
— Não se faça de sonsa Melody. Que porra é essa no seu pulso? — Harry perguntou, sua voz ecoando um tanto alta pelo corredor silencioso do veículo em movimento. Melody arregalou levemente os olhos, passeando com os mesmos por trás do garoto, receosa daquela conversa ser ouvida por algum dos amigos em suas respectivas camas.
Voltou com os olhos tensos aos de Harry, que a encarava impaciente, esperando por alguma resposta.
Melody desejava que o colchão macio junto a beliche que lhe sustentava, abrissem, e ela fosse tragada por uma cratera aberta na estrada a qual o ônibus corria. Não estava acreditando no tamanho do seu azar, ou seja lá o que fosse aquilo.
— Um machucado. — respondeu baixo, desviando os olhos para qualquer ponto atrás de Harry, para não ter de encarar sua expressão.
Sentia-se exposta, Harry estava descobrindo o segredo mais sujo dela. O segredo que a deixava mais inferior até mesmo que dele. Justo Harry, o garoto que amava a aborrecer.
— Isso eu percebi. O que eu quero saber é: como arrumou isso? — voltou a interroga-la Harry, com a voz rude. Melody percebeu certa repulsa ao destaque do garoto na última palavra proferida.
Fechou os olhos novamente, respirando fundo e pedindo mentalmente para que a voz alta de Harry não fosse alta o suficiente para acordar os outros.
Tentou achar uma desculpa boa o suficiente, mas não existia. Por mais convincente que fosse sua desculpa, Harry não era burro para acreditar. Ele vira com os próprios olhos; não havia como voltar atrás.
— Eu caí. — respondeu quase num sussurro. No momento que as palavras saíram por seus lábios sentiu-se a pessoa mais retardada do mundo. Se antes havia alguma hipótese de enrolar Harry, agora definitivamente nem em seus pensamentos conseguiria enrolar o garoto.
— Eu sou idiota? — indagou irônico, com um sorriso sarcástico desenhando seus lábios. Melody sentiu o "sim" chegar à ponta da língua, mas preferiu não atiçar aquela situação. — O que você tem na cabeça Melody?
— E desde quando você se importa? — ela explodiu, sentindo o sangue em suas veias começar a borbulhar de raiva. Harry somente queria esfregar em sua cara o quanto era fraca; definitivamente não acreditaria que ele poderia se importar.
— Pode não parecer, mas eu me importo com você. — Harry pontificou, aumentando alguns décimos o tom de voz.
A risada extremamente irritante e sarcástica de Melody preencheu o corredor, enquanto a morena colocava as pernas para fora da cama, no intuito de descer desta.
— Engraçado, você sempre me provou o contrário e até confirmou isso com suas próprias palavras ontem. — cuspiu irritadiça, tentando controlar o tom da voz. Saltou para fora da beliche, pondo os pés descalços sobre o carpete azul que revestia o chão do corredor do ônibus.
— Eu só quero entender. Isso não é normal. — Melody se voltou para o garoto, podendo vislumbrar o receio e repulsa que seus olhos transbordavam ao fixarem-se no pulso coberto pela manga do largo moletom. Sentiu o rosto ferver, enquanto o sangue corria rápido por sua veia, sentia raiva de Harry; muita raiva. Quem era ele para julgá-la? Mesmo que em seu intimido sentia vergonha de si mesma, Harry não tinha esse direito.
Respirando fundo mais uma vez, decida a não começar uma briga no meio do corredor onde as camas que os amigos dormiam a cercava.
Se Harry queria deixa-la pior, havia tido êxito.
Se pôs a andar em direção as escadas localizadas no começo do corredor. Contudo, Harry segurou seu braço fino um tanto sem paciência.
— Porra Melody, quer parar de ser infantil? — pediu em tom alto, sem lembrar ou se importar que haviam outras pessoas além dos dois naquele ônibus de turnê.
— Então pare de fingir que se importa. — mandou com a voz atingindo alguns tons mais altos do que a de Harry, o que chegava a ser um quase grito.
Fitaram-se impacientes e irritados. Sobretudo, no fundo daquela troca de olhar que parecia sair faíscas, escondiam-se sentimentos, sentimentos que ambos queriam fingir nunca ter algum dia se quer sentido.
No fundo Melody sentia-se desmoronar. Constatar o óbvio deixava a garota enlouquecer de raiva.
O som da cortina sendo bruscamente aberta na cama do lado direito de onde eles estavam, os despertou, fazendo-os quebrar aquele estranho contato visual.
Viraram-se na direção da cabeça de Louis que aparecia para fora da beliche de baixo, onde dormia antes de ser acordado pela aparente discussão de Harry e Melody.
— Querem fazer o favor de brigarem amanhã, quando todo mundo estiver acordado? — pediu o garoto de feições sonolenta e rosto amaçado. Não parecia contente ou bom humorado, pelo contrário, parecia bastante irritado por ter sido acordado. — Afinal, porque diabos estão brigando?
Harry encarou Melody por alguns segundos e logo fixou os olhos em Louis. A morena sentiu o corpo formigar; Harry provavelmente a deduraria.
Ela segurou o pulso em uma estúpida autoproteção. Sentia medo, medo de Harry espalhar seu obscuro segredo. Porque ele não faria, afinal? Era Harry, e ele definitivamente não tinha consideração com ela.
— Melody... — começou Harry, então sua voz morreu. Voltou a fitar Melody, que encarava os pés descalços sobre o carpete azul. Seus olhos passaram sobre a mão que segurava o pulso encoberto pelo moletom.
— O que tem Melody? — instigou Louis, aparentemente impaciente com a demora de Harry em terminar de formular sua frase.
Melody fechou os olhos, fechando a mão em torno do pulso com um tanto de força, sentindo o machucado latejar em protesto. Entretanto, nem entre a dor, diminuiu o aperto.
Com um pontinho de coragem, subiu seus olhos para Harry que a encarava de um jeito estranho, de uma forma tão calorosa que ela não saberia explicar. Era como se, após longos meses, visse sentimentos naqueles olhos intensamente verdes. Muito embora eles transbordassem tudo o que ela não queria receber; piedade.
Harry sentia pena dela.
— Ela é uma idiota. — Harry afirmou ainda com os olhos sobre ela. Porém, logo se voltou para Louis, sentindo certa irritação tomar conta do peito pela sua aparentemente piedade por Melody. — Ela é uma completa idiota.
"
Harry ainda continha os olhos caídos sobre Melody, sentado ao outro lado do avião.
Sentia uma imensa vontade de contar a Louis, pois o amigo provavelmente ajudaria Melody muito mais do que ele, ao se manter calado.
Mas em sua mente, tentava se convencer que ocultar o segredo da garota era uma forma de não se importar com a mesma. Queria se convencer que nada tinha a ver com o que ela praticava e muito menos queria ser ligado a algo tão envolto aos sentimentos de Melody.
Havia se prendido na crença de que nada do que vinha de Melody era algo que deveria impor expectativas, algo que deveria guardar, principalmente seus sentimentos. Sobretudo, a morena sempre estava a surpreendê-lo.
Via toda a imagem que houvera criado de Melody ao longo dos últimos meses, desmoronar; todos os pontos negativos que impusera sobre sua impressão de Melody simplesmente derretiam-se a sua frente. Agora ela parecia incrivelmente frágil.
Por mais que negasse a si mesmo, sabia em seu intimo, que nunca mais a veria como antes.
No fundo, Melody era apenas uma garota problemática, que necessitava urgentemente de ajuda.
——
A Torre Eiffel se erguia majestosa, perdendo seu topo entre as nuvens carregadas que se mesclavam com outras mais brancas e escondiam o azul claro do céu.
O vento úmido e forte brincava com os cabelos castanhos de Melody e esvoaçava a cortina verde que emoldurava o amplo vidro fumê que dividia o luxuoso quarto de hotel da grande sacada que continha neste; o fino pano do casaco cinza batia levemente contra suas costas, fazendo-a estremecer por conta do vento frio batendo contra os locais da pele desprotegida.
A garota observou pela sacada a cidade de Paris se estender elegante aos seus olhos; de onde estava podia avistar os maiores pontos turísticos da famosa cidade onde acabara de se hospedar. Acenou brevemente para a aglomeração de fãs que erguiam cartazes, tiravam fotos e gritavam seu nome na calçada abaixo.
Um raio majestoso cortou o céu escuro, o vento tornando-se mais violento. Melody suspirou um tanto tristonha, não queria ter de passar o dia dentro do quarto de hotel, enquanto ao lado de fora, Paris transbordava diversão. Era pouco mais de meio dia, mesmo que o céu escuro desse a impressão de passar das quatro da tarde, e Melody tinha a tarde toda a sua frente, sem compromissos.
Um clarão iluminou as nuvens antes do trovão soar soberano sobre a cidade movimentada. Com um último aceno a pequena multidão, Melody decidiu voltar ao quarto e pensar no que iria fazer; definitivamente, ficar trancada naquele quarto, imersa na nostalgia que aqueles dias chuvosos traziam, não estava em seus planos.
Sentou sobre a cama impecavelmente feita e jogou o tronco sobre a mesma, sentindo as costas afundarem levemente no colchão macio. O barulho do vento esvoaçando as cortinas junto ao cheiro gostoso que emana das roupas de cama limpas lhe dava uma preguiça imensa.
Decidida a não ficar dormindo durante o único dia que teria de folga em Paris, tomou impulso com as pernas, pondo-se de pé segundos depois.
Pegou a bolsa preta sobre o criado-mudo bege e rumou para fora do quarto, optando por bater na porta do quarto que Liam, Niall e Zayn dividiam, por ser o maior da cobertura fechada para toda a equipe da turnê. Não ousaria bater na porta do quarto que Louis dividia com Harry e correr o risco de dar de cara com o mesmo; queria ficar longe de Harry o máximo que pudesse.
Ergueu a mão direita e enquanto chocava os nós dos seus dedos três vezes contra a madeira da porta, agradeceu mentalmente por ser a única garota e não ter de dividir seu quarto com ninguém. Passou alguns segundos e ninguém atendeu a porta. Bateu mais três vezes, dessa vez com um pouco mais de força. Mais algum tempo e nada. Tentando pela última vez, a garota chocou mais três vezes os nós dos dedos na porta, sentindo uma leve ardência pela força inserida.
Demorou pouco mais de dez segundos para um Zayn de cabelos despenteados, rosto amaçado e uma expressão nada complacente abrir a porta.
— Hey amor. — Melody o saldou, abrindo o sorriso mais cálido que conseguia, esperando veemente que Zayn não voasse em seu pescoço como sua expressão parecia demonstrar.
— Eu espero que, seja lá o que você quer, seja grave o suficiente para ter me acordado. — ele afirmou intimador. Então abriu um pouco mais a porta, dando espaço para a garota entrar.
O quarto o dobro do dela, mas com toda a mesma sofisticação e luxo. Também continha uma cama de casal ao meio do cômodo, onde um Liam tão sonolento quanto Zayn, encarava-a com apenas um dos olhos abertos. Contudo, diferente do quarto de Melody, uma espaçosa cama de solteiro vinha logo ao lado da cama de casal; Niall, esparramado nesta, a encarava com olhos pequenos.
— Então, o que te faz atrapalhar meu precioso sono? — questionou Zayn, jogando-se sobre a cama a qual dividia com Liam e cobrindo-se até o pescoço com o grosso edredom branco, tomando-o de Liam.
Melody caminhou até a cama de Niall, divertindo-se ao assistir a disputa dos amigos pelo edredom, que era comprido o suficiente para os dois, mas ambos não pareciam constatar isso.
A garota deixou a bolsa cair ao chão, aos pés da cama, e deitou ao lado de Niall, recebendo do mesmo um estalado beijo na bochecha.
Logo Liam e Zayn entraram em um acordo e dividiram igualmente o edredom, sobrando até espaço para mais um se cobrir no meio dos dois. Viraram então na direção da cama de Niall e encararam Melody, esperando uma explicação da visita repentina.
— Então, vim chamar vocês para uma emocionante volta por Paris. — a morena propôs, desenhando um sorriso caloroso nos lábios. Pensou quais eram a probabilidade de chegar a porta antes de Zayn lhe alcançar, quando visualizou suas feições fecharem-se em uma cara amedrontadora.
— Você me acordou mesmo só para nos chamar para sair? Se você notou, está chovendo. — Zayn indagou, apontando para o vidro fechado ao qual dava para a sacada; viam-se os pingos grossos, de uma chuva de vento, acertarem o vidro vez ou outra.
— Você é de açúcar? E nem está chovendo tanto assim. — protestou Melody, revirando os olhos. Ajeitou o corpo na cama, sentindo o braço de Niall abraçar sua cintura. — Ah, qual foi. Estamos em Paris, Paris. E ainda por cima, em um dia de folga. Você quer mesmo passar seu dia de folga dormindo?
— Sim. — Zayn respondeu sem nem mesmo parar para pensar, remexendo-se na cama. Puxou o edredom um pouco para si, logo sentindo Liam puxar de volta, em resposta; logo estavam envoltos na mesma batalha de antes.
— Vamos lá, são... — a garota deu uma pausa, levando os olhos para o delicado relógio posto em seu pulso. — Meio dia e meia. Eu conheço o melhor restaurante de Paris, podemos almoçar lá e depois ir há alguns pontos turísticos.
Melody virou o rosto levemente na direção de Niall. Visualizou um sorriso crescer nos lábios do irlandês a menção de comer alguma coisa, sabia que já tinha o comprado.
— Eu estou dentro. — Niall afirmou animado, sentando-se na cama. Bastava somente Liam e Zayn, agora.
Revirando os olhos, Melody assistia a briga extremamente infantil dos amigos, esperando-a ter um fim.
Não demorou muito para Liam soltar um grunhido e levantar da cama, desistindo do confronto. Zayn era irritantemente competitivo e não desistiria tão facilmente.
— Eu vou. — o castanho informou, lançando um olhar irritado a Zayn e dirigindo-se ao banheiro a passos pesados, a fim de se arrumar para um passeio em Paris. Pensou em Danielle e o quanto gostaria de visitar aquela cidade extremamente romântica com a namorada. Sentiu saudade; com toda certeza ligaria para a garota quando estivessem de saída.
Melody observou Zayn fechar os olhos, com o intuito de voltar a dormir. Ao seu lado, Niall levantava-se para ir se arrumar. Um sorriso perverso brincou nos lábios de Melody, ela não deixaria Zayn em paz tão facilmente. Mesmo que soubesse que correria um sério risco de sair com alguns hematomas.
Preguiçosamente, a garota levantou-se da cama de Niall, arrastando-se até a espaçosa cama de casal e se jogando sobre o moreno, que gritou uma palavra nada educada, logo depois a tirando de cima de si e jogando-a para o lado, onde antes, Liam estava deitado.
— Vamos também Zayn, por favor. — pediu, chacoalhando o moreno deitado ao seu lado. Zayn abriu apenas um dos olhos, estando explícito neste que se Melody não parasse, ela estaria enrascada. — Vamos, deixa de ser chato Malik.
— Me deixa dormir porra. — resmungou, pondo o edredom no rosto, controlando-se para não empurrar Melody da cama. Se ela não fosse garota, levaria uns belos tabefes. Bem, não que já não houvesse batido nela, mas fora apenas em brincadeiras.
— Então tudo bem, mas também não vou te levar no pub mais animado de Paris, mais tarde. Então você ficara dormindo, sem francesas. Sem diversão, somente dormindo. — Melody soube que estava no caminho certo, quando assistiu Zayn tirar lentamente o edredom do rosto. Ele a encarou por alguns segundos, e fazendo a gargalhada da garota ecoar pelo quarto, o garoto pulou da cama, indo se arrumar junto aos outros.
Sabia que Melody conhecia os melhores pontos de Paris, seja turístico, seja festivo, por já ter visitado várias vezes a cidade, enquanto para ele era somente a segunda vez na cidade. Então nunca perderia uma noite em Paris, com francesas, no pub mais badalado da cidade. Nem que para isso houvesse de ter que abrir mão da sua preciosa tarde de sono.
Melody pensou em chamar Louis e Harry, que dividiam o quarto ao lado. Mas decididamente não queria passar o dia na presença de Harry. Sentia que algo havia mudado entre os dois e a tensão que agora os cercava, ficaria visível demais para os amigos.
Ela não queria por em risco seu segredo.
——
Os franceses que andavam apressados pelas calçadas molhadas, começavam a fecharem seus guarda-chuvas; a chuva finalmente cessara.
O vento continuava a soprar úmido e frio; nas calhas a água da chuva ainda corria, grossos pingos caiam dos cantos dos toldos das lojas e casas que preenchiam Paris. Os passos rápidos contra o pavimento molhado faziam a água respingar levemente para os lados.
Animada com a trégua da chuva, Melody arrastava Niall, Liam e Zayn para fora do restaurante de comidas típicas do país, onde haviam almoçado.
— Vamos as comprar. — exclamou Melody extremamente eufórica. Estava tão animada que nem dera importância as caretas que tomaram conta das feições dos amigos.
A tarde passou rápida. Os garotos logo se animaram com o passeio, afinal, não é todo o dia que tinham o privilégio de fazer um tour por Paris, uma das cidades mais belas do mundo, e com uma guia tão apta ao cargo como Melody.
O tempo todo entravam e saiam de lojas de todos os tipos e gostos. Andaram de bicicleta, apostando corrida e rindo do pequeno tombo que Niall tomara ao se desequilibrar no que tentava se gabar conseguir pedalar sem ter as mãos no guidão.
Tentavam não chamar muita atenção, contudo, vez ou outra eram abordados por pequenos grupos de fãs tão excitados quanto Melody em uma tarde de compra. Quando acontecia de serem parados, davam total atenção aos fãs e estes logo continuavam seus trajetos um tanto histéricos e completamente satisfeitos, com algumas fotos e autógrafos em suas agendas.
Melody parou enfrente a Torre Eiffel, que se erguia deslumbrante em seus 324 metros e perdia seu topo entre as nuvens escuras. As sacolas de diversas cores, marcas e logotipos, estavam jogadas aos seus pés, junto ao tênis de Zayn e casacos dos três amigos.
Respirou fundo o ar gélido do fim de tarde e abriu um pequeno sorriso ao observar Liam e Zayn correrem pelo Campo de Marte como duas crianças, absortos em uma brincadeira que somente os dois entendiam.
Ergueu a câmera pendurada no pescoço e bateu algumas fotos dos dois garotos. Sentia uma calmaria em seu interior e surpreendeu-se com o quanto se divertira naquela tarde; chegara a esquecer até dos problemas, medos e inseguranças que a cercavam. Sentiu falta de Louis, e o motivo pelo qual não o chamara tomou conta de sua mente.
Suspirou, sentindo o peso dos problemas começar a marcar território.
Incrível como toda vez era assim. Quanto se divertia, os problemas sempre estavam lá, como uma cobra pronta para dar o bote em sua primeira deixa.
Balançou a cabeça, tentando afastar aquela nostalgia que começava a lhe rondar. Algo inútil, pois não havia como afastar tudo que a cercava, seus problemas, medos e fraquezas estavam impregnados nela, como marcas profundas; eram marcados em suas cicatrizes que agora Harry tinha conhecimento. Chegava a ser irônico. Queria se ver livre de Harry e somente o via mais próximo dela.
Um clarão iluminou as nuvens antes do estrondo ensurdecedor do trovão soar sobre a cidade. Uma única gota bateu sobre a costa da mão esquerda, Melody a estudou calmamente antes de dar uma atenção especial para as pulseiras que lhe encobriam o pulso. A cicatriz estava cicatrizando-se, mas a vontade de abri-la novamente pulsava em sua nuca. Fechou os olhos com força se negando a sucumbir aos sentimentos e atos erradios, mas ela sabia que era como andar em uma linha tênue. O primeiro baque faria a cair facilmente.
Seu campo de visão foi foscado por um corpanzil timidamente malhado, trajando uma blusa polo verde com a gola devidamente dobrada, calça bege alguns números maiores e um supra footwear branco. Niall estava de costas para ela, parado somente alguns poucos passos a sua frente; observava maravilhado a torre, com as mãos dentro do bolso das calças enquanto o vento brincava com seus pequenos fios loiros do cabelo.
Abriu um pequeno sorriso, deixando os pensamentos ruins de lado ao dar poucos passos à frente e envolver seus braços a cintura do irlandês, abraçando-o por trás.
O cheiro de roupa limpa, misturado com o perfume que emanava a pele clara de Niall a entorpeceu, deixando-a com uma sensação boa de estar acolhida.
— Acho melhor irmos, está começando a chover. — a voz calma de Niall cortou o silêncio aconchegante, ao sentir as gotas finas começarem a cair em uma fina garoa. O loiro girou entre os braços da garota, ficando a sua frente.
— Homem açúcar. — implicou Melody, abrindo um sorriso debochado. Niall revirou os olhos, passando as mãos sobre os braços cobertos pelo cardigan da morena.
— Não podemos ficar doentes, Paul arrancaria nossos rins. — o irlandês lembrou, fazendo uma careta de medo ao imaginar a cena. Melody riu, considerando o argumento do garoto. Realmente não podiam dar ao luxo de pegar um resfriado, mas aquela chuvinha estava tão gostosa.
— Só mais um pouquinho, por favor. — pediu dengosa, com direito a um pequeno biquinho e olhos pidões. Niall não sabia resistir ao poder que Melody exercia sobre ele; era como uma virose sem cura.
— Mais cinco minutinhos. — informou, dando-se por vencido. Um sorriso cresceu nos lábios da garota, que se afastou poucos passos, observando o sorriso que o garoto retribuía.
Melody ergueu a câmera e, sem avisar Niall, tirou uma foto. E em sua opinião, fora a melhor que tirara durante o dia.
Niall estava espontâneo. O sorriso que desenhava seus lábios rosados era sincero e seu olhar era caloroso. Atrás os pés de metal da torre junto ao verdíssimo campo davam uma paisagem de tirar o fôlego.
Ele aproximou, ficando ao lado da garota para visualizar a foto. Alguns pingos caíram sobre a tela e foram rapidamente limpados pelo polegar de Melody.
— Ficou lindo. — comentou a garota, abrindo um sorriso sincero a Niall. Deixou a câmera cair novamente, parando sobre sua barriga.
Virou para Niall e o abraçou, afundando seu rosto na curva do pescoço e ombro do garoto, inalando o perfume gostoso que continha dali.
Sentiu o loiro a apertar entre seus braços e varreu toda aquela sensação ruim do corpo, sentindo apenas o contato de seus corpos.
Aquele abraço fora o que mais precisara durante aquela semana conturbada. Niall sempre a acalmava.
Notas finais
Beijões fofas. xx
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