Notas iniciais
Eu estou reescrevendo todos os capítulos, no começo não terá grandes mudanças, apenas alguns detalhes adicionais que eu achei necessidade de colocar. E a mudança de alguns nomes.

I don’t know why I’m doing this either.



Artemis caminhava tranquilamente pela floresta em procura de um lugar quieto para pensar em paz, eram raros os momentos em que ficava sozinha. Não que não gostasse de suas Caçadoras por perto, mas gostava dos momentos em que ficava sozinha.

Ela olhou para o alto e sentiu os poucos raios solares que as copas das árvores deixavam passar banhar seu corpo, escutou o som dos pássaros e esquilos brincando ao redor e o som calmo das águas de um riacho que não ficava muito longe dali. Poderia passar a eternidade daquele jeito que não se importaria. Somente ela e os animais ao redor, mas ela tinha deveres a cumprir e não poderia largar suas Caçadoras.

Foi tirada da sua reflexão por um farfalhar das folhas, pegou seu arco e o armou por precaução, mas tudo que viu foi um Akita Inu, de pelo tão branco quanto a neve, vindo em sua direção.

- Oh, olá lindinho – ela exclamou guardando o arco – de onde você veio coisa fofa? – ela foi até o cachorro que sentou na terra e abanou o rabo – AI COMO VOCÊ É LINDO!

- SNOW! – a voz de homem sondou pela floresta – SNOW, CADÊ VOCÊ? – o cachorro olhou na direção da onde a voz vinha e latiu em resposta.

- Então o seu nome é Snow – ela sussurou para o cachorro que latiu em resposta confirmando.

- Snow, aí está você – o homem exclamou sorridente – e pelo visto achou uma bela companhia ao invés de coelhos.

Artemis amaldiçoou a si mesma por decidir sair por aí com a aparência de uma mulher de vinte e dois anos. Ela encarou o homem que sorria encantadoramente pra ela, ele era alto, tinha um bom porte físico – nem muito forte e nem muito magro – cabelos negros como a noite e a pele alva com as bochechas levemente avermelhadas, Artemis pegou-se observando os lábios do moreno, traço bonito nem muito fino ou carnudo; e pela segunda vez no dia amaldiçoou-se novamente.

A deusa teve uma sensação de déjà vu e lembrou-se da vez que encontra Órion. “Isso não pode estar acontecendo, não de novo”, pensou.

- Como é o seu nome? – ela foi tirada de seu devaneio pelo rapaz, que agora estava agachado acariciando o seu cão.

- Só se você disser o seu primeiro – é claro que a deusa não iria ser fácil assim.

- Nathaniel Tallhart – ele respondeu fazendo uma reverência – agora está na hora de você me dizer o seu...

- Você não é daqui – Artemis franziu o cenho.

- Não, sou da Inglaterra – ele levantou-se – você ainda não me disse o seu nome.

- Ar – ela parou, não poderia revelar seu verdadeiro nome – Arianne.

Nathaniel ergueu a sobrancelha desconfiado, mas apenas ofereceu a mão e com um sorriso simpático disse polidamente:

- Arianne — ele repetiu com uma sonoridade estranha, porém, que ela gostara — prazer em conhecê-la Arianne – ele beijou as costas da mão da deusa que sentiu uma corrente elétrica percorrer o corpo pelo contato dos lábios dele.

“De novo não, por favor, de novo não”, suplicou, para quem não saberia dizer, apenas suplicou e esperava que alguém a ouvisse.

- O que faz aqui? – ela afastou sua mão.

- Estava caçando, porém o Snow acabou se afastando e vim procurá-lo – só naquele momento que Artemis reparou na arma que Nathaniel carregava – não se preocupe, não vou te matar – ela limitou-se a sorrir ironicamente – e o que uma jovem dama faz aqui sozinha?

“Boa pergunta”, ela tentava pensar o mais rápido o possível, porém o modo em que aquele mortal a encarava a incomodava profundamente.

- Estava dando uma volta – não era uma boa explicação, isso tinha que admitir – moro pelas redondezas.

Eles se encararam, Artemis olhou no fundo dos olhos daquele mortal que a encarava de volta com tamanha intensidade, aqueles olhos eram tão escuros, tão misteriosos, tão... Sedutor. Uma voizinha dentro dela dizia que isso não ia dar certo e que ela deveria ir embora o mais rápido possível, mas tinha uma grande parte dela que queria ficar ali perto dele, o encarando somente.

Não sabia dizer quanto tempo passou, mas foi tirada novamente de seus pensamentos profundos e vontades “proibidas” pela voz aveludada do rapaz.

- É melhor irmos – ele desviou o olhar para o céu – irá chover daqui a pouco.

- Como você sabe?

- Eu moro em um país que dar para contar nos dedos os dias que faz sol – ele sorriu de lado – confie em mim, irá chover.

Aquele “confie em mim” mexeu com ela tanto quanto Hades mexe Los Angeles com seus terremotos quando está com raiva.

- Não acho que vá chover, afinal o dia est... – ela foi interrompida por grossos pingos d’água que caiam no céu com uma grande intensidade e velocidade.

“Valeu pai”, pensou ironicamente e logo depois disso escutou o estrondo de um trovão.

- Melhor sairmos daqui antes que piore – ela encarou Nathaniel com o rosto molhado mas ainda sim com aquele sorriso no rosto, ela fez menção de negar mas foi interrompida – acho que você não tem muita escolha, tem um chalé aqui perto – ele apostou para uma direção qualquer – podemos esperar até a chuva diminuir e você poderá se ver livre de mim.

Ela sabia que se fosse poderia correr o risco de não querer se ver livre dele, mas a chuva cada segundo que passava ficava mais forte e constante.

- Vamos? – ele estava alguns passos a frente de Artemis em direção ao caminho ao chalé oferecendo-lhe a mão.

Artemis soltou um pesado suspiro e foi em direção ao mortal, agora não tinha mais volta.

“Espero não me arrepender disso depois”, pensou antes de pegar em sua mão e segui-lo até o chalé.

Eles correram de mão dadas pelo bosque com a chuva caindo em seus corpos e aumentando a medida que mais se afastavam até chegarem em uma cabana rústica consideravelmente grande enquanto Snow corria na frente latindo achando tudo aquilo divertido, Artemis deixou escapar um sorriso, aquilo era bom.

Eles entraram na cabana, estavam encharcados, a deusa olhou para os seus pés descalços e sujos de lama sujando o chão limpo do lugar.


- O proprietário não vai gostar – pensou em voz alta.

- Ele não vai se importa – Nathaniel riu como se toda aquela situação fosse muito divertida, que de fato era.

- Como você sabe, Nathaniel? – rebateu com certo tom de falso desprezo na voz pronunciar o nome dele.

- Porque eu sou o dono – ele sorriu simplório – e me chame de Nate – ele abriu um sorriso, o mais lindo que a deusa da caçada já vira.

- E você pode continuar me chamando de Arianne somente.

- Arianne — ele repetiu novemente, era música para os ouvidos dela — eu gosto como seu nome soa — ele sorriu docemente — irei preparar um chá, espero que goste de frutas cítricas.


“Eu adoro”, ela pensou o observando se afastar. Não importava o que acontecesse, ela nunca iria se arrepender de ter o conhecido.


Notas finais
Como já disse, algumas mudanças, não muitas, mais alguns detalhes que eu senti necessidade de acrescentar.