Broken Arrow

2 Capítulo Um.


Notas iniciais
Ok, mais um capítulo hoje, já que eu andei dando muita mancada com vocês por fazê-los esperar tanto, infelizmente eu tive que me afastar para me focar em outras coisas (vestibular, culpem ele) mas estou de volta.

“Let me intruduce myself, let me show you who I am”

Vinte anos depois…

Arianne’s POV.

Acordei com os insistentes raios de sol saindo da minha janela e invadindo o meu quarto, o que me deixou muito irritada. Odeio ser acordada desse jeito, argh.


– Grrrr – rosnei enterrando o meu rosto no travesseiro – por que sol, POR QUE?


Escutei o “click” da minha porta se abrindo e passos abafados pelo meu tapete. Aposto que é a Helga — minha governanta, babá e única amiga que eu tenho.

Sim, isso soou um pouco solitário, mas é a mais pura verdade. Helga é a única pessoa que me conhece realmente, ela é a minha companheira, sempre está por perto nos momentos que preciso, seja para dar algum remédio ou apenas ver um filme. Helga é a única que me conhece e não sente medo.


– Garota Arianne – ela me chamou com aquele sotaque alemão carregado que a muito já me acostumei – está na hora de acordar, querida.


Eu tirei meu rosto do travesseiro preguiçosamente para encará-la, Helga deveria ter 37 anos, bem afeiçoada, um pouco gordinha, tinha cabelos ruivos sempre presos em um coque impecável, usava seu uniforme e carregava uma bandeja de prata com o meu café da manhã.


– Helguita eu não quero ir – me sentei e ela colocou a bandeja em meu colo e vi que só tinha coisas que eu gostava, panquecas com mirtilo, suco de laranja, morangos, torradas com geléia de amora preta e um vaso com uma rosa de inverno azul, minha favorita – aliás, nem precisava disso tudo, do jeito que o meu estômago está não conseguirei comer.

– Menina Arianne, você tem que comer – ela disse com aquele tom de mãe, quer dizer, eu imagino que seja um tom de mãe – como você conseguirá patinar se não comer nada?


Dei-me por vencida, afinal Helguita fez tudo com amor e carinho e eu não sou uma bitch mimada, portanto comi de tudo um pouco – afinal tinha muita coisa ali. Helga pareceu bem satisfeita e saiu de lá carregando a bandeja.

Aliás, que falta de educação a minha, meu nome é Arainne Tallhart, tenho 19 anos, sou filha do Duque e também empresário Nathaniel Tallhart, mãe desconhecida e bastarda legitima. Sim, é meio estranho você conhecer seu pai não fazer a mínima idéia de quem é sua mãe, mas como eu não sou nem de longe normal, ignoramos esse detalhe.

Infelizmente, ou felizmente para alguns afortunados, eu sou filha de um mortal com uma deusa, ou “meio-sangue”, termo usado para os que são que nem eu. Irei contar a história não-romântica de como eu aconteci.

Meu pai foi em uma viagem pro USA para conhecer as empresas de lá e se familiarizar com os empregados, conheceu uma deusa, resolveram dar uma “fugidinha”, depois de nove meses eu nasci, minha mãe tinha coisas mais importantes pra fazer do que cuidar de mim, me deixou pro meu jovem pai me criar, voltamos pra Inglaterra e fim.

Muito romântica a história, né? Praticamente Shakespeare que escreveu. E a má sorte foi tanta que eu nasci em solo americano – puff, americanos idiotas e arrogantes — e claro, sou DUPLAMENTE bastarda. Porque não basta ser filha ilegítima de um duque, tem que ser de uma deusa também.

Por um lado, minha infância foi menos complicada que de alguns semi-deuses se for pensar na questão de monstros, afinal na Terra da Rainha não se encontram MUITOS monstros, porém pra que eles quando a família de seu pai é da aristocracia inglesa? Desnecessário dizer que foi um escândalo e eu sou ignorada pelos mais velhos e os mais novos mais metidinhos a sangue azul.

E para os curiosos: Príncipe Harry é um fofo, engraçado, garanhão e fora dos padrões de como um príncipe deve se comportar, porém não sei dizer se ele beija bem, pois nunca tive um caso amoroso com ele ou algo do gênero. Ele, para mim, é apenas uma ótima companhia para assistir esportes.

Mas voltando a minha história, descobri que era uma semi-deusa quando eu tinha catorze anos, quando fui competir pela Inglaterra no campeonato de Figure Skating na Califórnia. E foi aquela coisa de sempre: atacada por monstros, tive sorte de ter um sátiro por perto e fui até o Acampamento Meio Sangue – lugar de onde eu carrego péssimas lembranças.

Só isso. That’s all folks. Claps. The End. Puff. Acabou minha história.

Ah, claro, antes disso, em minha infância, já teve alguns acontecimentos desagradáveis e estranhos, ataques estranhos e TDAH e dislexia – o que fez meu pai contratar e demitir VÁRIOS professores particulares.

Quando eu tinha oito para nove anos meu pai me colocou em uma aula de “Defesa Pessoal”, só que elas foram no mínimo foras do comum. Aprendi a manusear várias armas – nenhuma de fogo, era “perigoso de mais” para uma garotinha – e descobrir levar jeito pra coisa, pelo menos combate corporal e algumas armas — nada de espada e lança – mas meu pai, para não levantar suspeitas, me colocou na patinação – depois de vários esportes darem errado – e eis que virei patinadora, motivo pelo qual eu fui para o USA.

Levantei da minha cama e fui tomar meu banho. Depois das necessidades feitas, fui até o meu closet peguei uma roupa qualquer, me vesti, arrumei meus cabelos em um rabo alto de cavalo. Peguei minha mala onde estavam os meus collants de treino e de apresentação, meia e, lógico, patins.

Deixei as coisas na sala e fui até a cozinha para pegar minha garrafa d’água e infelizmente me deparei com o meu stepbrother Charles Bernadotte, filho da Condessa Mary que foi obrigada a se casar com o meu lindo pai por causa desses laços entre família e blábláblá.


– Olá maninha – Charles exclamou com um sorriso malicioso no rosto – animada para a volta aos Estados Unidos?


Charles é a pior coisa que eu não pedi aos deuses que já me aconteceu, em lutar com exército de Cronos novamente ou passar um dia com Charles, a primeira opção é a melhor.

E isso não foi eu sendo dramática ou exagerada.


– Não tão animada quanto você, imagino – respondi seca – espero que você não vá para a cadeia dessa vez.

– Espero que você não morra dessa vez – ele levantou o copo de whisky puro que tomava.

– Eu já não posso dizer o mesmo ao seus respeito – a vontade que eu tinha era de socá-lo, porém tinha que me manter calma; “calma como águas paradas” era o que meu “Professor” de Defesa me dizia.



Apenas revirei os olhos antes de sair de lá — não antes de pegar minha garrafinha de água e afanar uma torrada de amoras da mesa — peguei a chave do meu carro, fui até o elevador e apertei o botão da garagem. Cheguei lá, joguei a mala no carro e abaixei a capota do carro – afinal, se estava fazendo aquele sol todo teria que aproveitar pelo menos um pouco.

Entrei no carro e liguei o rádio, fiquei feliz ao escutar os primeiros acordes de Beautiful Day do U2 começar a tocar, aumentei o volume e quando estava me preparando para dar uma de Bono Vox, fui interrompida por um som de trompas de guerra vindo do meu iPhone — coisa que eu não aconselho a carregar com vocês por aí, semi-deuses — e vi uma mensagem de texto.


"Filha,

Passarei para te pegar para almoçarmos naquele restaurante que você gosta por volta das 14h. Somente nós dois.

Boa sorte starshine.

Xx

N.T."


Não pude deixar de sorrir com essa mensagem do meu pai. Talvez hoje seja mesmo um lindo dia e eu só esteja nervosa de mais, afinal, como já dizia Helga: as coisas sempre dão certo no final, se não deu certo é porque ainda não é o final ainda. E com esse pensamento saí da garagem do prédio.


Notas finais
Terei que parar por aqui, mas amanhã coloco os outros capítulos.