Broken Arrow
6 Capítulo Cinco.
Notas iniciais
Nobody... No, nobody is gonna rain on my parade.
Arianne's POV
Eu caí… Eu caí no meio de uma apresentação. Eu caí no meio de uma apresentação no nada. Eu apenas caí. Caí.
Isso era tudo que passava em minha mente enquanto eu tentava me arrumar para a apresentação pelo qual eu ia me apresentar. Mas o que isso importa? Eu caí.
Eu NUNCA caio. Não quando eu estou me preparando pra saltar, em um rink perfeito, sem nenhum problema. Eu, definitivamente, não caio do nada. Entretanto, eu caí e isso me assusta, pois tudo aquilo pode estar começando de novo... E eu não quero aquilo de novo.
- Seu cabelo está pronto – a voz de Helga invadiu minha cabeça – e acho que a pequena Milady gostaria de saber que seu pai, Duquesa Diana e seu irmão Victor estão aí.
- Meu pai conseguiu vir – abri um sorriso, esqueci-me da dor que eu sentia em minha perna por causa do tombo, me esqueci de tudo, meu pai veio me ver e isso é o que importa.
Posso parecer meio infantil dizendo isso, mas a única pessoa com que eu me importo no mundo é o meu pai que, talvez, seja o único homem que preste no universo. Mesmo que eu adore Helga e ela seja a coisa mais próxima de uma figura materna para mim, ela não é minha mãe e nunca será, ela pode desistir de mim quando ela quiser, ela é paga para cuidar de mim, mesmo com o laço que criamos, ela só veio até mim por causa do dinheiro. Meu pai não, ele me aceitou em vez de me colocar em um orfanato e agora ele não podia mais voltar, ele sempre esteve comigo, ou sempre tentava estar. Enfim, eu amo o meu pai.
- E já disse para não me chamar de Milady – acrescentei logo depois – você sabe muito bem que eu não sou e nunca serei uma – suspirei cansada, era tão difícil para ela entender isso – e aquele traste do Victor não é o meu irmão.
Levantei-me para trocar de collant e fui terminar a minha maquiagem. Helga não tocou mais no assunto, ficara em silêncio o tempo todo, fazendo com que eu ficasse com a consciência pesada, não deveria ter sido tão grossa com ela.
- Venha cá, Helguinha – fui em sua direção para abraçá-la – me deseje boa sorte – pedi e a abracei, recebendo um forte abraço de volta.
- Boa sorte, pequena senhora – ela disse com um sorriso depois de soltar-se do abraço.
Acenei pra ela antes de sair do “camarim” improvisado, na verdade, aquilo não era exatamente um camarim e sim um quartinho onde eu podia me trocar em paz sem maiores incômodos. Segui em direção a minha treinadora, Roslyn Jones, ela era alguns centímetros mais baixa que eu e tinha traços bem delicados, porém, apesar de parecer ter saído de um livro de um conto de fadas, no qual ela seria uma princesa, ela era um verdadeiro general de guerra, sua voz era tão potente que eu tinha minhas dúvidas de se ela realmente é humana.
- Stark, você sabe que agora não tem mais nada para fazer a não ser mostrar o que você tanto treinou – ela disse seriamente, com a mesma posição autoritária de sempre, ela chegava a ser assustadora até – mantenha-se calma e focada que você não errará, não quero ouvir desculpas de que não treinou o suficiente caso não consiga pegar algum lugar no pódio – um amor de pessoa ela, não? – agora posicione-se, sei que você pode pegar o primeiro lugar se você ficar concentrada.
E claro, se não aparecer nenhum monstro no meio da apresentação, caso isso não aconteça, eu realmente consigo o primeiro lugar. Fui até a entrada para o rink e esperei que o meu nome fosse chamado, o que não demorou para acontecer, acabei descobrindo que seria a última a se apresentar, menos mal, caso algo desse errado talvez não tenha tanto prejuízo... Eu acho.
- Vocês terão três minutos para repassar a coreografia – a voz de um dos juízes declarou, sempre era assim, agora vão chamar as patinadoras na ordem de apresentação – Sarah Adams – à americana entrou apresentando um sorriso mais falso que o da Rainha para a multidão de plebeus — Audrey Desperoux –agora é a francesa que se acha a Audrey Hepburn, mas não chega nem perto de ser uma bonequinha de luxo — Natasha Nikolaivna – tenho quase certeza de que a russa tem bigode – e Arianne Tallhart.
E como sempre, eu por último. E sem comentários maldosos, pois isso só serve para as adversárias.
Enquanto esperávamos o sinal de um dos juízes que o poderíamos começar a passar a coreografia, nós dávamos voltas no rink para acostumar com as dimensões dele, que no meu caso, era um pouco maior do que no qual eu treinava.
- Começaremos a cronometrar... Agora.
Bom, eu nunca repassava minha coreografia, apenas treinava os saltos, podia ver algumas das patinadoras treinando os footworks. Estava preparando para saltar quando a americana passou em minha frente, fazendo com que eu tivesse que parar e recomeçar a entrada para o salto novamente.
Faltava alguns segundos para o treino acabar e eu estava me preparando para fazer Axel – um dos saltos mais difíceis e que incontáveis vezes enquanto tentava aprendê-lo – porém não fora muito difícil, eu fiz a entrada certa então não teria grande problemas com resto.
Doce engano.
Antes de chegar ao chão e poder finalizar o salto, senti uma fisgada na parte de trás da minha perna, no caso, na batata da perna – um nome muito estranho para o local, mas não vamos julgar – fazendo com que eu finalizasse errado e quase levasse outro tombo.
- O tempo acabou – a voz do mesmo juiz pronunciou-se pelos alto falantes.
Olhei para o lugar e vi que tinha gostas vermelhas no gelo. Não precisava ser Sherlock Holmes para saber que aquele sangue era meu; olhei para parte onde crescia uma dor latente apenas para notar que havia um corte, de certa profundidade, naquela parte... E que minha meia calça havia rasgado.
- Está tudo bem? – a coach estava com o cenho franzido parecendo preocupada quando cheguei onde ela estava.
- Uhum – murmurei, passando por ela e seguindo em frente sentindo a raiva crescendo a cada passo.
Parei e observei as pessoas na arquibancada em volta, logo achando Helga, fiz um sinal para que ela descesse e pela cara que eu devia estar fazendo ela não demoraria muito para chegar aqui.
Como previsto, lá estava ela, um pouco ofegante e com uma expressão curiosa com um misto de preocupação.
- Você vai sair daqui com o meu pai e os outros – sussurrei lentamente para que ela não pudesse entender – vocês não irão para o apartamento, vão para um restaurante e você apenas dirá que eu não quero a presença deles aqui.
- O que aconteceu? – ela perguntou fazendo eu bufar – você estava tão animada com a vinda do seu pai e...
- Você vai lá e repetir tudo que eu lhe disse – meu tom era autoritário e um tanto ameaçador, em situações normais eu não usaria esse com tom com a Helga, mas não estávamos em uma situação normal – agora – rosnei e pude vê-la correndo em direção da onde meu pai deveria estar sentado.
Fiz meu caminho para onde minhas coisas estavam, que não era muito longe dali, sentindo pontadas de dor crescentes a cada passo que eu dava. Aliás, aconselho a nunca andarem machucadas com patins, a situação só piora.
A pior parte foi, definitivamente, tirar a meia calça, que por mais que eu tentasse, o tecido sempre encostava no ferimento. Depois de limpar o ferimento, fiz um curativo com o que eu tinha em minha bolsa e costurei a parte danificada da meia calça, a vesti de novo com cuidado e fui até minha bolsa, de onde eu tirei uma adaga que eu costumava a carregar comigo sempre.
Uma menina prevenida vale por três avoadas e relapsas.
Voltei para onde estava a minha treinadora que apenas me lançou um olhar ameaçador e perguntou onde eu estava apenas a ignorei enquanto calçava meus patins. Olhei ao meu redor vendo que a francesa já se preparava para se apresentar, mas não estava preocupada com o seu desempenho, não mais.
A russa estava terminando sua coreografia e não havia encontrado nada. NADA. Nenhum monstro ou algo do tipo, e logo seria minha vez de me apresentar, na verdade, eu teria que me apresentar agora e não achei nada naquele lugar que causasse esse fucking corte na minha perna!
- Arianne Tallhart – a voz de outro juiz pronunciou-se.
Agora era tarde de mais, me levantei e fui pro rink, o lugar onde eu estaria mais vulnerável e exposta, qualquer um podia me atacar facilmente. Posicionei onde eu começaria a coreografia, no meio, minha respiração estava pesada e eu estava a beira de um colapso, olhei para o lugar onde meu pai deveria estar e não o encontrei, aquilo me deixou levemente aliviada e um pouco abandonada.
“Você que quis que fosse assim” uma voizinha lá no fundo disse. Ótimo momento para ter surtos de consciência agora. “Não, eu não quis, eu não tive escolha, ok?” rebati pra mim mesma.
POR QUE A MÚSICA NÃO COMEÇA LOGO? ESTOU CANSADA DE FICAR SORRINDO ENQUANTO MEU EU INTERIOR ESTÁ SURTANDO!
Olhei para a janela ao alto que havia lá, o céu estava sem nuvens e isso fazia com que raios de luz da lua entrassem, respirei fundo e isso pareceu me acalmar. Papai gostava da lua, ele até fez um observatório, acho que esse é o nome, onde morávamos para observar o céu de noite, fechei os olhos e me lembrei dos momentos em que passávamos lá comendo smores e escutando Beatles.
Meu momento de relembrar esses momentos acabou porque logo o começo de Don’t Rain On My Parade começou e isso significava que minha apresentação começara. Abri o meu sorriso mais genuíno e bonito para a plateia, ninguém iria me atrapalhar naquele momento. Ninguém.
Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo... Porque, bem, eu não sei muito bem como me sinto em relação a esse capítulo, acho que não ficou do jeito que eu queria - e eu o mudei umas 1000 vezes - enfim, espero que gostem.
Sei que é meio chato, mas sempre pedirei pra comentarem, isso me deixa feliz.
E FELIZ 2013 PESSOAS!
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