Broken Angel
7 Reunião dos gigantes
Notas iniciais
Ele estava ajoelhado na grama, havia um pequeno cálice na sua frente.
–Bellum coepit,O Domine, terram, aquam, aerem et ignem, Hic est filius meus– Gritou o homem levantando a taça aos céus — Que a alma de meu filho não se machuque nesta guerra. Me aguarde minha rainha, estou retornando para você...
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As paredes brancas o incomodava. O piso branco o incomodava. Tudo o incomodava. Uma mulher vestida com um curto e colado vestido branco entrou na grande sala de espera.
–Scott Wills- Disse ela com uma voz aveludada num microfone
O garoto, atordoado, levantou do banco azul e seguiu em direção a enfermeira.
–Ele está bem?- Scott estava desesperado mas tentava não demonstrar.
–Venha comigo- A mulher andou até a sala onde se encontrava Jackson. Um homem alto e loiro estava lá.
–Olá, eu sou o Dr. Killian- Ele estendeu a mão para cumprimentar o jovem- O seu amigo ali tem muita sorte.
–Como assim?- O moreno estava confuso mas respondeu ao cumprimento mesmo assim.
–Aquele líquido estranho que jogaram nele era ácido flourídrico, é muito forte, eu fiquei impressionado pelo fato de ele ter se machucado tão pouco com aquilo-
–Então, ele está bem?- O coração de Scott se acalmou, por um segundo ele montou um grande sorriso no rosto.
–Ele está vivo e respirando, mas... -
–Mas...? — Scott estava confuso, tudo estava acontecendo rápido demais.
–Conseguimos salvar os seus olhos, porém sua visão... Ele está adormecido por hora.
Simples palavras formando uma intensa notícia para o garoto, seu mundo se despedaçou. A ficha estava caindo aos poucos, a reação não foi instantânea mas foi forte para um garoto tão jovem. Scott entrou no pequeno quarto, se aproximou do leito do companheiro.
–Vamos deixá- los a sós, por enquanto- pediu o médico para a enfermeira.
Os dois se retiraram do recinto rapidamente.
Seus olhos estavam cobertos de lágrimas, sua mão esquerda estava apoiada sobre o peito de Jackson. Ele não fazia ideia de como reagir, poderia agradecer por seu coração continuar batendo ou cair aos prantos por seu parceiro não enxergar mais.
–Ele tinha olhos bonitos- Aquela face era familiar, ela vestia uma calça jeans e uma camiseta preta.
–Diretora Montgomery? O que está fazendo aqui?- Scott tirou a mão de cima do paciente.
–Bem, ele não te contou? Eu sou a mãe dele. Temos o mesmo sobrenome- Disse ela sendo o mais direta possível.
–Mas o sobrenome dele é Santiago- A mão dele se apoiou na cama.
–Jackson Santiago Montgomery- Explicou ela
–Entendi- O silêncio dominou o ar, por alguns minutos
–Quem fez isso com ele?- A mulher escondia tudo o que sentia naquele momento.
–Eu não sei dizer direito, não consegui ver seu rosto. Ele só fez uma pergunta e jogou.
–Que pergunta? — Katy encostou levemente a mão no ombro de Scott.
–Por que quer saber? -Perguntou o moreno.
–Eu sou a mãe dele, tenho direito de saber o que aconteceu! — Ela elevou um pouco o tom.
–Ele perguntou, "Cadê a Rebeka?" — Scott coçou a cabeça.
–R-rebeka?- gaguejou a mulher — Espere um segundo.
–Tudo bem — Ela saiu do quarto deixando o casal sozinho.
Horas se passaram e Sra. Montgomery não retornou. A agonia ainda dominava a mente do jovem, ele não sabia como Jackson iriam reagir ao abrir os olhos e nada ver.
–A hora de visitas acabou- Falou um homem forte e alto com um jaleco branco e uma calça tactel embranquecida.
Ao sair do hospital, já havia amanhecido, Scott estava exausto, as ruas estavam cheias e tudo que o moreno desejava era ir para casa.
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O quarto era estreito, nas paredes estava escrito com uma tinta avermelhada repetidas vezes: "12, 5, 8, 12". Katy estava sentada no pequeno chão de madeira, com uma bola de cristal à sua frente. Ela fechou os olhos e colocou as duas mãos sobre o cristal.
–Eu poderia fazer um feitiço, um ritual ou alguma oração, mas estou aqui, fazendo o pedido sincero de uma mãe desesperada. Eu, Katy Santiago Montgomery, Rainha dos céus, imploro, cuidem do meu querido filho e sucessor, se ergam contra seus inimigos e o tragam ele de volta o mais rápido possível. Que assim seja — Os olhos da mulher estavam cheios de lágrimas e ela tremia freneticamente.
Uma fraca luz branca formou um círculo sobre o chão no outro lado da sala e um som agudo infestou os ouvidos da Sra. Montgomery.
–Minha rainha? — A face de um homem alto começou a surgir no ar, fazendo o som sumir- Você me chamou?
–Chamei, meu filho precisa de você, precisa da sua proteção. Eu quero tirar ele dessa guerra, mas não sei como- A mulher andou em direção ao rapaz- Ele está entrando em uma briga que ele não é capaz de sair.
–Vossa majestade, está escrito nas estrelas tudo o que quer saber. — Duas asas brancas apareceram atrás do mancebo- Se queres a proteção de sua cria, Terás que unir- se a pessoa certa. Só tem um detalhe, está briga não é somente entre os seres inferiores e os sacerdotes, Porque o inimigo principal está mais perto do que pensa. Tome cuidado, pois suas escolhas vão afetar a todos- O anjo reverenciou- se para sua superior.
–Você tem razão, mas como fazer a escolha certa? — Perguntou Katy.
–Se pudéssemos saber a resposta para essa pergunta este não seria o mundo real — Ele montou um pequeno sorriso.
–Cuide do meu filho, por favor.
–Serei a luz em sua cabeça, serei a visão em seus olhos, eu o protegerei o mais rápido possível. — Um ventou forte bateu sobre as paredes e em um piscar de olhos o alado sumiu, deixando somente o barulho de suas asas batendo contra o ar.
A cabeça de Katy estava confusa, várias perguntas passavam em sua mente.
–Acho que terei que chamar outra pessoa hoje- falou para si mesma.
Horas se passaram e o sol já estava se preparando para adormecer, as estrelas tomavam conta do céu e a escuridão dominava o grande campo, tornando o lugar bonito e verde em um campo escuro e aterrorizador. Katy vestia um vestido branco e trazia consigo uma caixa de madeira com uma fechadura de metal. A mulher andou até o centro do terreno e colocou a caixa na grama.
–Aqui- sussurrou enquanto abriu a caixa.
Tudo que havia dentro da caixa era uma pena preta e branca, um cristal bruto, uma fita vermelha, alguns ossos de animal e um pequeno caderno. A loira pegou a pena e o cristal e amarrou os dois com a fita vermelha, cavou um pequeno buraco no chão com a mão e colocou dentro do buraco a pena com o cristal e os ossos.
–venit super, Infernus, Regina, Te invoco, Qui dominantur eorum quae est malitia eorum,Chord–A mulher leu as palavras do caderno e fechou o buraco.
O vermelho tomou conta da sua mente e foi possível ouvir vários passos batendo sobre as folhas largadas no chão.
–Ora, Ora, Ora. Você libertou bastante energia com essa invocação. Quer chamar mais gente?- O vestido vermelho sangue de Rebeka surgiu entre as árvores- Por que você me chamou?
–O que você quer com meu filho?! — Katy elevou a voz
–Com o Jackson? não quero nada- A rainha andou em direção à dama.
–Se você não quer nada. Por quê você mandou um dos seus jogar um ácido letal no meu filho?! — Ela estava irritada com tanta mentira.
–Eu não mandei ninguém- Ela mantinha a calma
–Por quê ele perguntou sobre você?
–Perguntou sobre mim?
–Falta só você dizer que não-
Antes que o anjo pudesse terminar de falar, passos rápido começaram a ser ouvidos pelas duas.
–Ouviu isso? — Perguntou Rebeka.
–Ouvi.
–Eu falei que você iria acabar chamando alguém, vadia- Lembrou a rainha do mundo inferior.
–Vocês me acharam, parabéns- Sua pele apareceu levemente no meio de uma pequena moita.
–Diana? O que diabos está fazendo aqui?- Perguntou Katy.
–Eu senti um negócio forte enquanto dormia e algo me dizia pra vir pra cá- Explicou Sra. Bianchi.
–Ótimo, você chamou uma bruxa. Uma bruxa que, por acaso, deseja minha morte- Disse Rebeka com um puro tom de irônia.
–Você foi seguida? — Perguntou Katy.
–Na verdade, acho que fui- Ela deu um sorriso desengonçado.
–Maldita! Não sabe andar sem ser percebida?- Gritou Rebeka.
–Desculpa, eu não sabia que eu estava indo à uma reunião entre a rainha dos céus e a rainha do inferno. — Respondeu com ignorância- Não sou vidente, sou quase vidente.
–Claro — Disse Katy. Diana se aproximou das rainhas.
–Vamos esperar o nosso próximo convidado- As três sentaram sobre a grama, uma ao lado da outra.
–Que cena engraçada- Disse a bruxa criando um sorriso no canto direito da boca.
–O quê?- Perguntou Sra Montgomery.
–Um anjo, Um demônio e uma bruxa sentadas uma ao lado da outra- Explicou.
–Que cena sexy, três mulheres lindas sentadas. Estão me esperando? — Um voz grossa e rouca apareceu em seus ouvidos.
–Quem está aí? — Perguntou as três ao mesmo tempo levantando da grama.
–Não façam drama, eu sou aquele que vocês mais amam- Um homem alto e loiro vestindo uma jaqueta de couro surgiu entre as macieiras.
–Nicolas... — Sussurrou Rebeka.
–Nicolas?- Diana estava confusa, nunca havia ouvido falar sobre esse homem, mas algo nele a assustava.
–Parece que a bruxinha esqueceu de estudar com a mamãe- Brincou a rainha infernal- Existe a rainha do céu, do inferno e o rei do purgatório.
–Rei do purgatório? tá brincando.
–Eu vim aqui para explicar algumas coisas- disse Nicolas- Parem com essas guerrinhs entre as tinker bell de chifrinho e as humanas metidas a mágico de Oz.
–Como é que é? — Perguntou Diana.
–Vocês não entenderam? Vocês não são nada comparadas a mim. São totalmente desprotegidas- O homem andou em direção as garotas e falou bem devagar- Eu entrei na escola de um de seus filhos e os dois quase morreram e joguei ácido em um deles e ele nem sequer se defendeu. Que tipo de mães vocês são? não treinam o próprio filho.
–Foi você? — Perguntou Katy assustada com as revelações.
Nicolas riu bem devagar.
–Por que estão impressionadas? — Perguntou Diana- O purgatório não é um lugar bom. Por que ele seria?
–Bem, ele simplesmente jogou ácido no próprio filho- explicou Rebeka.
–Espera. Jackson é o resultado do acasalamento de um anjo e um "purgatoriano"?
–Exato- respondeu Katy.
–Só tenho uma coisa a dizer para vocês três...cupio bello.
O homem sumiu entre o mato, deixando as três sozinhas no campo.
–Que filho da-
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Seus olhos, agora brancos, se abriram lentamente, ele não conseguia enxergar nada. Seu coração disparou. Ele estava assustado.
–Socorro! alguém me ajuda!
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