Broken Angel
3 A arma
Notas iniciais
Havia uma multidão a sua frente, não demorou muito para ela perceber que nenhum deles estava vivo. Ela estava sentada sobre um trono feito de madeira, seus longos cabelos pretos estavam cortados. Usava uma coroa de pedra que estava posta sobre sua cabeça e vestia um vestido vermelho. O lugar era quente e de mesma cor, mas ninguém ligava, pois já estavam acostumados com todo o mal que ali passaram. Todos a observavam sem nenhuma expressão, eles esperavam por algo. Esperavam que ela dissesse alguma coisa.
– Atenção! – A mulher levantou de seu assento – Temos um fugitivo. Ele ofendeu a todos nós quando saiu de sua verdadeira casa! — Ela deu um passo à frente e ergueu o braço. – Estou mandando um de meus melhores caçadores para encontra-lo e se ele falhar... – A rainha sentou-se, demonstrando tristeza – Bem... Se ele falhar, libertarei todos para caçá-lo. — Seus olhos ficaram amarelos e brilhosos.
– Acha mesmo necessário, minha rainha? – perguntou um homem loiro que se mantinha parado ao lado dela.
– Estamos falando de meu filho, o próximo rei desse lugar! – Gritou ela fitando o rapaz, fazendo com que silêncio dominasse o local – O próximo que me questionar será enviado diretamente à zona de tortura. Isso não é um jogo! -Todos se ajoelharam em frente ao trono demonstrando respeito.
– Vamos encontrá-lo! — Gritou animada.
–x-x-x-
–Atenção alunos! – Disse uma voz rouca e desagradável pelas caixas de som espalhadas por toda a escola – Direcionem- se até o auditório para receberem as calorosas boas vindas realizadas pelo grêmio estudantil, por favor, não ignorem este recado!
Seus passos não emitiam som, mas todos reparavam nele. Scott tentava ignorar ao máximo os olhares estranhos que o cercavam, parecia que todos falavam sobre ele, nunca havia se sentido tão desconfortável como se sentira naquele dia. Antes que o moreno pudesse arrumar seu armário como sempre faz ao ir pra escola, um barulho alto tomou conta de seus ouvidos. Subitamente, em um ataque de impulso, Scott correu com sua mochila preta até o banheiro masculino, se escondendo no primeiro cubículo, e sentando sobre a tampa do vaso sanitário. Sua mão estava no celular, sua perna esquerda tremia freneticamente, ele receava que algo muito ruim houvesse acontecido. A porta estava fechada e seu coração batia bem devagar. Ele olhava para todos os lados, não havia nada para ver, mas aquilo o confortava. Toda a escola estava em puro silêncio e o garoto mexia em seu celular em uma tentativa inútil de procurar sinal. Era possível ouvir alguns gritos vez ou outra. Seu coração acelerando, Scott tentava ignorá-los o máximo possível. Dez minutos se passaram e a agonia tomava conta de todo o seu corpo. Sua mão segurava o celular e a mochila, e assim, quando ele fora checar o aparelho pela décima vez a porta passou a ranger vagarosamente. O rangido apavorava Scott, seus olhos lacrimejavam de pavor e seu coração pulsava com força. Seu corpo tremia e ele permanecia somente parado com a cabeça abaixada, com os braços envolvendo sua perna.
– Tem alguém aqui?
Scott conhecia essa voz. Somente de ouvi-la já o acalmava. Quando o mesmo abriu a tranca da porta do cubículo bem devagar, somente via os sapatos pretos de cadarços vermelhos.
– Quem está ai?
– S-sou eu. -Gaguejou Scott
O garoto correu em direção à porta e a abriu antes que o moreno pudesse.
–Meu Deus – Sussurrou Jackson abraçando forte o menino. – Pensei que quem tivesse gritado fosse você.
–O que está acontecendo? – Scott ainda tentava assimilar tudo aquilo – Por que as pessoas estão gritando?
–Vem cá – Jackson segurou o pulso do garoto e levou até o canto do banheiro – Um cara entrou na escola e começou a atirar em todo mundo, estou apavorado. Eu estava na sala de química, esperando o professor e do nada eu ouvi uns barulhos estranhos e corri até o banheiro feminino que ficava mais perto, mas a agonia era muito grande e resolvi te procurar.
–Me procurar? – disse Scott abrindo o maior bolso de sua mochila. — Por quê?
–É... –Jackson manteve uma longa pausa. — Eu só queria saber se está bem. – Ele abaixou a cabeça.
–Estou bem, sim. – Scott colocou a mão em sua cabeça – você sabe onde esse cara está? – Perguntou num tom sério.
–Eu o vi sem querer na biblioteca. – Ele levantou a cabeça, fazendo a mão de Scott chegar a sua nuca. – Você vai fazer o quê?
–Nada. Só quero evitá-lo. – Acalmou-o. – Vamos ficar aqui para sempre? — Jackson levantou os ombros enquanto ouvia passos lentos que vinham pelo corredor.
–Ouviu isso? – Sussurrou Jackson
–Vem comigo – Scott puxou Jackson pela mão.
Os dois se esconderam na cabine para deficientes físicos, pois seria suficientemente maior para os dois. Os passos mantinham-se longe, mas seus corações estavam acelerados. Scott segurava forte a mão do amigo para confortá-lo, e isso de algum modo confortava os dois.
–Sabe... -Jackson soltou a mão do amigo. — Se esse cara entrar aqui... — Abaixou a cabeça novamente.
–Não fale nada – Scott colocou a mão sobre a boca do moreno – Não iremos morrer aqui, e você sabe disso. Temos muito que fazer ainda.
Jackson estava apavorado, mas o que o garoto dizia o acalmava. Sua presença o acalmava. Scott colocou a mão dentro de sua mochila e a porta começou a ranger bem rápido. O homem chutou uma porta, mas não havia ninguém, portanto o loiro prosseguiu para a segunda porta.
–Eu sinto sua respiração — Disse uma voz rouca num tom ameaçador. – Saia! Saia de onde estiver. – ele chutou a terceira porta. Faltava somente uma. — Parece que você não tem para onde fugir. — O homem levantou sua perna direita, preparando-se para chutar a porta. Scott se escondeu atrás de seu parceiro.
–O que você está fazendo? –perguntou Jackson ao franzir as sobrancelhas.
–Tenho um plano... – Explicou enquanto mexia em sua mochila. — Confia em mim?
–Eu... – Jackson fez uma longa pausa. – Confio.
O moreno deu um sorriso leve com o canto da boca.
–Obrig- Mas antes que ele pudesse terminar de agradecer, as portas se abriram com velocidade.
– Ora, ora, ora – O homem deu um passo à frente – Parece que encontrei mais uma lebre! – ele apontou a pistola para a cabeça de Jackson. – Você tem uma última palavra?
–N-na verdade, eu tenho, sim. — Gaguejou ele. O garoto segurou a ponta da arma – Morra!
Scott saiu de trás do amigo e antes que o assassino pudesse reagir, ele puxou o braço do loiro para cima, apontando a arma ao céu e com a mão esquerda, fincou um facão embaixo do peito direto do homem. Ele largou a pistola, se jogou no chão, esbravejando de dor.
–Fique parado! – Scott gritou para o homem. – Vou te ajudar – Ele abaixou-se e retirou a faca dele, ignorando seus gritos. — Você não vai sentir nenhuma dor. — E sem hesitar, nem sequer por um segundo, afundou a lâmina na lateral esquerda do peito do loiro. — Nunca mais sentirá dor.
Jackson não sabia como reagir, o homem estava morto ali na sua frente — E seu amigo que o matara, sem nem sequer hesitar.
–Me ajuda, por favor. – Lágrimas começaram a sair desesperadamente dos olhos de Scott. -Eu lhe imploro, me ajuda. — O moreno abraçou o amigo.
–Calma – Ele acariciou seu cabelo. — Eu vou protegê-lo em toda a minha vida. — Scott colocou as duas mãos sobre o rosto de Jackson.
–Sabe, sei que pode ser meio bobo, mas você é a primeira pessoa que confia em mim. Eu não sei como dizer isso, mas... – O moreno fechou os olhos bem devagar e puxou o rosto de Jackson para perto. Antes que percebessem seus lábios já estavam colados e seus corações batiam como um só. Talvez o que eles estivessem fazendo fosse errado, mas eles não se importavam. Queriam viver cada segundo daquele beijo. Jamais eles haviam sentido algo assim — e não queriam parar. Seu corpo completava o dele, seus lábios moviam-se devagar e seus olhos mantinham-se fechados — já haviam esquecido que havia um cadáver logo ao seu lado.
–x-x-x-
–O que aconteceu? Você está dizendo que meu caçador falhou? – Seus olhos estavam vermelhos de raiva.
–Na verdade, minha Senhora... — O homem estava apavorado com a reação da rainha. -Ele foi morto por um dos nossos.
–Um dos nossos? – A mulher seguiu em direção à multidão – Atenção! Parece que meu caçador falhou, e a partir de hoje, segundo dia de lua cheia, eu, Rebeka Adoriabelle, Rainha de todo esse reino, liberto todos os meus súdito e servos! Aquele que encontrar meu filho e trazê-lo de volta, ganhará a melhor recompensa que alguém do nosso tipo merece!
Todos saíram desesperadamente do grande portão de metal, mas a rainha andava devagar, cada passo seu era intenso.
–O que vai fazer minha rainha? – perguntou um de seus servos.
Ela colocou uma capa vermelha.
–Vou cuidar dos meus problemas...
Fale com o autor