Broken
1 Capítulo Único
Dedico cada palavra que escrevo ao mais profundo do meu coração e a você que se foi
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O ar que sai dos meus pulmões é pesado, uma pressão constante que parece quebrar minhas costelas a cada inspiração. Eu não consigo acertar. Sempre que sinto que estou finalmente encontrando o equilíbrio, dou um passo em falso. Outro erro. Outro tropeço. Sou um ser em pedaços, uma colagem malfeita de fragmentos que insiste em ocupar um espaço neste mundo.
Se o meu coração fosse um objeto, hoje ele seria um espelho quebrado.
Os pedaços estão espalhados pelo chão da minha mente. E a parte que mais dói reconstruir é, sem dúvida, o fragmento que você levou consigo quando o fim chegou. Na época, eu estava mergulhado demais na minha própria escuridão para notar o quanto estava de magoando.
Fecho os olhos e consigo nos ver na cozinha, meses atrás. O som da chuva lá fora era o único ruído entre nós. Você me olhava com aquela expressão de quem buscava uma fresta para entrar.
— Onde você está? — você perguntou, a voz baixa, quase um sussurro. — Faz três dias que você olha para o nada. Fala comigo.
— Estou aqui, — eu menti, sem desviar os olhos da xícara de café fria. — Só estou cansado.
— Não, você não está aqui. Você se trancou de novo, — sua voz tremeu. — Eu não me importo se o que tem aí dentro é triste, eu só quero estar lá com você.
Eu não respondi. Eu tinha medo de mim, medo de que minha angústia fosse contagiosa. Me escondi no silêncio para te proteger do meu caos, sem saber que o silêncio era, na verdade, a arma que mais te feria.
Agora que o silêncio se tornou definitivo, percebo a ironia: eu tentava proteger um eu que nem existia mais. Eu tinha pavor de que você não gostasse da minha versão cinza, da parte que não sabe sorrir. Mas, ao esconder minha tristeza, acabei escondendo tudo. E perdi você. Meu primeiro amor.
O mundo perdeu o contraste. A rotina, que antes era o meu porto seguro, agora é um labirinto vazio. Eu costumava passar as madrugadas em claro, revisitando nossas conversas, rindo das piadas bobas até o sol aparecer na janela. Agora, as madrugadas são apenas relógios que não param.
Sem o nós, sou uma bússola que perdeu o norte. Os pedaços de quem eu era antes não se encaixam mais na moldura de quem sou agora.
— Você vai ficar bem? — foi a última coisa que você me perguntou antes de fechar a porta.
Eu queria ter dito: Não, eu vou desmoronar. Por favor, segura a minha mão porque eu não sei como me comunicar quando dói. Em vez disso, eu apenas assenti.
Você me deu os melhores dias da minha vida em um intervalo tão curto que parece um sonho lúcido. Esse sentimento ainda habita cada célula minha, como uma marca de nascença que não posso remover. Dói. Dói lembrar da sua voz, do jeito que você me entendia sem que eu precisasse terminar a frase.
Sinto muito por ter sido negligente. Sinto muito por sumir quando o peso ficava grande demais. Se eu pudesse voltar ao início, eu teria segurado sua mão com tanta força que o medo não teria espaço para entrar. Eu teria escolhido a vulnerabilidade em vez do isolamento.
Mas sou um quebra-cabeça cujas peças foram perdidas em um campo aberto. Sou o vazio que habito, a tristeza que me fez desaparecer de vista.
Eu sou... apenas o que restou do meu coração quebrado.
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