Broken
5 Capítulo 5
— Isso não deveria ter acontecido.
Elisabeta resmungava enquanto vestia sua roupa, às pressas. Ela não havia deixado o Darcy falar nem por um segundo.
— Isso é completamente errado. Em que lugar estava minha cabeça? — Suas palavras saiam rapidamente. — MEU DEUS!
— Elisa eu… — Darcy também se vestia. Elisabeta interrompeu sua fala.
— Não! — O tom de voz era mais alto. — Darcy, isso não poderia ter acontecido. Em nenhum momento, nunca, jamais.
— Elisabeta… — Ele tentava.
— Cala a boca, Darcy. — Gritou. — Nós não estamos juntos.
— Mas podemos…
— Não existe a possibilidade, nunca, jamais. Jamais. — Ela andava de um lado para o outro, nervosa. — E ainda mais na cozinha. O Thomas poderia ter entrado a qualquer momento. — Elisabeta colocava as mãos entre os cabelos.
— Ele não viria, Elisabeta. — conseguiu dizer, se aproximando dela. — Assim que você saiu ele foi correndo para o quarto dizendo que sabia ler sozinho.
— Mesmo assim, Darcy! Isso… Isso não. — Elisabeta já não surtava, como segundos antes. Respirava fundo, frustrada. — Você sabe que isso não.
— Eu não sei de nada. — Darcy estava de frente para ela. Elisabeta olhava para baixo. Ele subiu seu queixo com uma mãos. — Na verdade sei, sei que você nunca assinou nada. Sei que você, quando está em meus braços, suspira. Também sei que tudo que eu sinto você sente também.
Elisabeta olhava profundamente para os olhos de Darcy. Ela tentava decifrar os olhos verdes, descobrir se eram sinceras suas palavras, mas sentia uma incapacidade enorme de acreditar neles. Eles pareciam tão certos antigamente.
— Eu não consigo acreditar em você. — Sussurrou. Darcy respirou frustrado.
— Porque?
— Você me deixou. Você saia pra se encontrar com aquela mulher e… E eu nem sei o que vocês faziam.
— Eram reuniões de negócios, Elisabeta. — Ele falava com calma. Sabia que tinha errado, mas nunca havia pensado em outra.
— Em almoços todos os dias? Em jantares? Em madrugadas? Você nunca estava em casa, Darcy. — Elisabeta tirou as mãos de Darcy do seu rosto.
— Eu me arrependo disso todos os dias, eu estava cego tentando salvar nosso patrimônio.
— E não salvou nosso amor. — disse, soltando a frase de uma vez. — Digo…
— Você está certa. — Ele respondeu, fazendo Elisabeta levantar a sobrancelha. — Eu sei que errei, eu sei que nos deixei de lado e que nada pode mudar o tempo que você esperou por mim e eu não estive aqui. Mas eu te juro que nunca toquei em mulher alguma, nunca quis mulher alguma, nunca sequer passou pela minha cabeça a possibilidade.
— Não sei.
— Você sabe, você não assinou.
Elisabeta sentia um nó se formando em sua garganta, ela queria explodir. E o fez.
— Eu não assinei pois não tive coragem. Eu não tive coragem de jogar fora o nosso começo, os nossos beijos, as nossas noites de amor. Eu não tive coragem de deixar tudo que eu construí com você, tudo que nós passamos até aqui. Eu não tive coragem de assinar algo que faria eu ser obrigada a esquecer tudo que você foi pra mim. É isso, Darcy. É isso que você queria ouvir? É isso que você quer que eu diga? É isso! É só isso.
— Então você ainda me ama. — É uma afirmação. Darcy queria sorrir.
— É óbvio que eu ainda te amo, seu imbecil. — Elisabeta quase cuspiu a palavra. E colocou a mão na boca.
— Você me ama, você me ama. — Darcy, de súbito, tirou Elisabeta do chão, ignorando 90% das palavras ditas anteriormente e focando só na última parte. Ele a rodou.
— Me larga, Darcy. — Ela gritava, batendo nas costas dele.
— Não. Você disse que me ama.
Darcy rodou Elisabeta mais três vezes, enquanto ela reclamava. Então colocou-a no chão, ainda segurando firme sua cintura.
— Darcy o que… — Darcy calou Elisabeta com um selinho demorado, puxando o lábio dela em seguida, soltando. — Para de me beijar, eu… — Darcy roubou outro selinho de Elisabeta. — Darcy!
— O que foi? — Fez uma cara inocente.
— Você não escutou nada que eu falei. — Afirmou. Elisabeta estava indignada.
— Escutei, mas gostei mais da última parte.
— Você não entendeu, eu… — Ele roubou outro selinho.
— Não vou escutar mais nada. — Darcy colocou as mãos nos ouvidos. Parecia uma criança. — Agora vou ir ver meu filho. Dorme bem, Elisabeta.
Elisabeta franziu a testa, com a intenção de abrir a boca e reclamar. Mas Darcy foi mais rápido.
— Tranque a porta do seu quarto. — Disse, antes de sumir da cozinha.
~
Darcy bateu na porta do quarto do filho.
— Pode entrar, papai.
Quando entrou, Thomas já estava debaixo das cobertas.
— Como sabia que era eu e não sua mãe?
— Ué, você me disse que viria aqui depois de beijar a mamãe, papai. — Ele deu de ombros. Darcy riu.
— Eu não disse que ia beijar sua mãe.
— Mas beijou? — O menino o olhava com os olhos travessos, mas ao mesmo tempo inocentes. Seu filho era uma peça, mas seu tom de voz demonstrava esperança.
— Um pouco. — Sorriu. Darcy pediu espaço na cama para Thomas, ele cedeu. Darcy colocou a cabeça no menino em seu peito.
— Eba. O papai vai voltar pra casa. — O menino já começava a dar pulos deitado na cama.
— Não ainda, Thomas.
— Mas porque se você já está beijando a mamãe? — Ele levantou uma sobrancelha. — Não faz sentido, papai.
— É que a mamãe e o papai ainda não estão juntos.
— Mas vocês já estão beijando. — Ele falava como se fosse óbvio.
— As coisas não são tão simples. — Acariciou o rosto do menino.
— Ai, adultos são muitos chatos! Primeiro é você e mamãe dando beijinhos e morando em casas diferentes e também tem o Lucino que nunca deixa eu ouvir as conversas dele e mamãe e tapa os meus ouvidos.
— Lucino? — Darcy levantou um pouco, encarando seu filho. Nunca ouviu falar de Lucino.
— Sim, papai. O novo amigo da mamãe que vem aqui quase todos os dias. Ele trabalha com a mamãe.
Darcy grudou suas sobrancelhas, em uma expressão curiosa. Quem diabos era o homem que frequentava a casa de Elisabeta? E mais, por qual motivo Elisabeta traria um homem pra trocar conversas em casa? Não gostou do pensamento que lhe ocorreu.
— Como é este homem?
— Qual o motivo da pergunta, papai? — Thomas riu. — Está com ciúmes?
— Thomas! — Darcy exclamou.
— O que? — fez uma expressão inocente, mas riu novamente. — O Lucino é super legal. — Ele olhava para o pai, tentando interpretar as expressões. — Muito legal. — Mordeu o lábio. — Muito, muito, muito legal.
— Você está brincando comigo? — Darcy revirou os olhos.
— Um pouco. — fez uma cara pensativa, rindo. — Mas é serio, papai. O Lucino é legal, por isso eu acho que você deve agir com rapidez.
— Agir com rapidez?
Thomas revirou os olhos, demonstrando impaciência.
— Sim, para conquistar a mamãe de novo. Eu preciso explicar tudo! Você precisa ser rápido!
— Mas quem disse que estou tentando reconquistá-la?
— Papai, você não me engana. Eu já sou grande. Não acredito mais no papai noel.
Darcy, a cada dia que passava, ficava mais impressionado com a perspicácia do filho. Thomas continuou:
— E eu vou te ajudar.
— Me ajudar?
— Sim, papai. A gente pode armar planos para a mamãe te querer de novo. Eu sou um ótimo parceiro. — Empinou o nariz. — Tenho ótimas ideias.
Darcy riu, mas entrou na brincadeira do filho.
— E quais são essas ideias?
— Só vai saber se topar. — desafiou.
Tom ergueu a mão para Darcy, sentando na cama. Darcy apertou a mão do filho.
— Você não tem jeito.
— Tenho papai. E vou dar um jeito em vocês dois. — Riu. — Vamos começar falando de Lucino...
Tom desatou a falar.
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