Broken

3 Capítulo 3


Qualquer pessoa que observasse Darcy agora, com um riso fácil, sem paletó, brincando com seu filho, em volta de inúmeros brinquedos na sala de uma casa, nunca diria que a sua mente poderia ser confundida facilmente com um combate em que dois países levavam seus melhores soldados para o embate.

Sua cabeça ladeava entre razão e emoção, certeza e dúvida. Estava em guerra.

Um lado de seu cérebro queria acreditar que Elisabeta não assinara os papéis do casamento por ainda nutrir parte do sentimento por ele. Mas a outra, e essa era a que mais o agoniava, queria convencer-lhe que ela se mantia tão indiferente à ele que esquecera, tornando aquele papel insignificante.

Porque Elisabeta não colocou seu nome ali? Porque Elisabeta ainda estava ligada a ele judicialmente?

Darcy não havia mais visto aqueles papéis, mas também não procurara o advogado para saber a procedência de seu divórcio.

Agora matutava, inventando um milhão de teorias acerca do motivo real para Elisabeta ainda ser casada com ele.

Sorriu. Não poderia deixar de sorrir e evitar que seu peito vibrasse em constatação. Ele ainda amava Elisabeta. Ele nunca poderia deixar de amá-la. Mas Darcy tinha medo de iludir-se imaginando que ainda havia tempo para o dois.

Ele estava quebrado.

Será que o corte que ele tinha era tão profundo quanto o dela?

Darcy não queria vê-la quebrando, mas a vontade de misturar os seus cacos com o de Elisabeta, até não conseguir mais identificar o que era seu ou dela, o estimulava de uma forma que não queria.

— Papai? — Já era a terceira vez que Thomas passava a mão na frente dos olhos de Darcy, com intuito de acordá-lo de um transe.

— Oi? O que é, meu filho? — Ele perguntou, voltando a atenção ao menino.

— Já faz alguns minutos que você está com uma cara de bobão, papai. — o menino constatou, cobrindo a boca com a mão, enquanto ria. — Parece a cara que mamãe faz as vezes.

— Sua mãe? — Ele perguntou, interessado.

— É, papai. Ela para de falar e fica igual ao senhor. — Ele explica. — Porque você não volta pra casa, papai? — Tom tinha a expressão inocente. — Desde que você mudou para aquela casa pequenina você e a mamãe esquecem de falar. Era mais legal quando eu podia dar beijos na sua bochecha e da mamãe quando eu acordava.

Darcy sentiu um peso maior em suas costas com as palavras de Tom. Tom continuou:

— Volta papai? — Ele encarava Darcy fundo nos olhos, esperançoso.

— As coisas não são tão simples assim, Tom. — Ele pegou o filho e colocou no seu colo, acariciou a bochecha.

— É simples sim, papai! É só você trazer sua mala. — Darcy riu da inocência do menino. — Assim você e mamãe vão parar de fazer as caras engraçadas de bobos. E sabe o que eu mais queria, papai? — Darcy negou com a cabeça. — Eu estou com muita saudade do sorriso da minha mamãe quando você chegava do seu trabalho. Ela ficava mais bonita. — Uma expressão triste surgiu no rosto da criança.

Darcy engoliu ar puro.

— Ela não sorri?

— Não, papai. Ela chega do trabalho e nós vamos jantar, todos os dias. Ela pergunta sobre como foi a escola e eu conto tudo, mas ela não conta mais nada. Eu acho que quando ela falava demais no jantar, ela contava só para o senhor. — Tom coloca a cabeça de lado e leva um dedo a boca, mordendo a unha que nem tinha. — Mamãe me coloca pra dormir e ela vai pro escritório e eu não escuto a porta do quarto dela bater. Eu acho que ela dorme lá, papai. — Tom encara Darcy, cúmplice. — Não conta pra mamãe. Mas um dia eu fui bem de noite procurar ela para dar um beijinho e ela não estava lá, mas estava dormindo em cima da folha na sala dela.

Darcy não conseguiu dizer palavra alguma, só respirou fundo. Ele bagunçou o cabelo do filho.

— É o nosso segredo, campeão. — A voz saíra sussurrada, não conseguia levantá-la, algo parecia entalado em sua garganta.

— Então você vai voltar? — Tom tentou de novo, com um sorriso travesso.

Darcy encarou o filho por alguns instantes, incapaz de formular uma frase para responder algo que ele já não sabia a resposta.

Contudo, não conseguiu pensar por mais nenhum segundo, a porta de entrada abriu de súbito. Mas quando a viu, não teve certeza se preferia a situação anterior, ou se era melhor sentir a sensação estranha que se apoderou dele. Nas duas ele parecia sem saída.

Elisabeta estava molhada.

Seus cabelos úmidos e despenteados pingavam um pouco sobre o vestido vermelho bem desenhado. O traje, já colado em seu corpo, ressaltavam ainda mais as suas formas. Seu peito subia e descia por conta da respiração rápida. Ela ofegava, e ele se surpreendera. Não se lembrava mais daquele som tão reconhecível e agradável aos seus ouvidos.

Ela parecia selvagem.

— Nossa, mamãe. O que aconteceu? — Thomas perguntou, com os olhos pequenos arregalados.

— A chuva. — Elisabeta disse de maneira óbvia, sorrindo para o pequeno. — Não vou te abraçar agora pra não te molhar. — Ela ainda estava um pouco ofegante.

Darcy apurou os ouvidos. Estava tão entretido com seu filho que não percebeu o pequeno barulho que vinha do lado de fora.

— Eu sou muito tolinho. Nem sabia que estava chovendo, mamãe. — Thomas falou. O menino se aproximou da mãe. — Mas eu quero dar um beijinho na sua bochecha, sem encostar no molhado.

Elisabeta sorriu e viu o filho se aproximar dela. Ela se agachou para ele dar um estalinho em seu rosto.

— Como eu posso ter uma bebê tão doce como você? — Elisabeta fez careta, apertando o nariz de Thomas.

— No fundo você é de chocolate também. — Elisabeta franziu o cenho. Tom percebeu. — Chocolate é doce, mamãe.

— Acho que você herdou a falta de humor do seu pai. — Elisabeta constatou, olhando para Darcy, que sorriu com aquela conclusão fora de contexto.

— Ei. — Ele reclamou, encarando Elisabeta sem muita expressão.

Elisabeta se levantou no mesmo instante que Darcy também se levantava do chão em que estava sentado. Ela se aproximou, jogando a bolsa no sofá.

— Ele se comportou?

— Acordou tarde, mas comeu tudo que você deixou e não teve mais febre, e nem tosse.

— Eu já estou fortão como o papai. — Thomas se intrometeu, fazendo os dois sorrirem.

Darcy voltou a encarar Elisabeta. Ela percebeu que ele tinha um olhar diferente, a olhava profundamente como quando a conheceu. Era a primeira vez em meses que se sentia queimar com o olhar de Darcy.

— O que foi? — Elisabeta perguntou.

— Não posso te olhar? — Darcy rebateu.

Ela não soube responder e ele continuou encarando-a. Ele queria perguntar. Por Deus, ele queria perguntar o motivo pelo qual ela não assinara os papéis do divórcio, mas não encontrava palavras para formular uma frase coerente com Elisabeta molhada na sua frente.

Ele poderia notar, agora, que a folha em branco que encontrou e a conversa interrompida com o filho o deixara com mais esperanças do que pôde constatar anteriormente. Aquilo o assustou.

E o renovou. Elisabeta corara.

— Por que você está vermelha?

Ele perguntou e seu objetivo foi alcançado. Elisabeta ficou ainda mais vermelha.

— O que deu em você, Darcy? — Confusa, ela perguntou com um tom de voz nervoso.

— Nada. — disse simplesmente, sem desviar o olhar.

— Vocês estão doidos? — Thomas perguntou, fazendo os dois perceberem que o menino ainda estava ali parado. — Eu disse que vocês esquecem de falar quando estão juntos. — Ele riu com a mão sobre a boca.

— Hã? — Elisa franziu a testa.

— Coisa minha e do papai, mamãe. — Thomas piscou para o pai, que retribuiu.

Elisabeta abriu a boca em surpresa. Era um complô?

Darcy não conseguiu evitar o riso baixo, mas logo se conteve. Não era hora de irritar Elisabeta. Ele limpou a garganta, antes de começar a falar:

— Bom… — Darcy disse. — Já que sua mãe já chegou, é melhor eu ir, antes que a chuva caía mais forte.

— Não, papai! A mamãe se encharcou todinha. Você não pode ficar molhado também. — Tom falava de maneira assustada. — E se você ficar doente igual a mim? — Ele colocou a mão no queixo, em uma expressão pensativa. — Dorme aqui.

Elisabeta deu um passo pra trás com o pedido do menino. Tom tinha um rosto preocupado e já puxava a calça do pai em insistência.

— Por favor, papai. Por favor!

Ela sabia que não era ideal Darcy ir embora com a chuva que ela só sentia aumentar desde que saiu do jornal, mas não havia cogitado a possibilidade de ficar sob o mesmo teto que Darcy novamente.

— Meu filho… — Darcy intercalava o olhar entre Elisabeta e Thomas. Por um momento, hesitou ao parar em Elisa, que tinha os olhos mais abertos que o normal. Ela parecia assustada. — Não posso dormir aqui com você.

— Mas porque, papai? Você sempre dormiu aqui. A mamãe não vai reclamar de você ficar do lado dela. — O rosto do menino demonstrava ingenuidade. Sem querer, Elisabeta pigarreou impaciente com a opção dada por Thomas.

— Eu não posso e… — Darcy começou. Mas foi interrompido.

— Fica. — Ela disse de maneira direta, antes de olhar para o lado para fugir do olhar de Darcy.

— O que? — Darcy perguntou, queria confirmar que seus ouvidos não estavam loucos.

— Fica… Digo, dorme aqui. Lá fora está chovendo bem forte mesmo, não é adequado sair agora.

Darcy não respondeu. Ele voltou a encarar ela de forma profunda, como a segundos atrás.

— E… — Elisabeta mordeu o lábio. — Temos muitos quartos de hóspedes. — deu de ombros, fingindo indiferença.

— Temos… Claro! — Darcy apertou os lábios para não sorrir.

— Eba! — Thomas pulava na sala, correndo em volta dos pais. — O papai vai dormir aqui de novo!

Os olhos do menino pareciam dois diamantes brilhantes com a euforia.

— Você vai ler pra eu dormir o conto que você lia toda noite pra mim, não é papai? — Tom tinha a voz empolgada.

— Claro, Thomas. — Sorria para o menino. Elisabeta encarava os dois, era realmente bonita a relação que Darcy tinha com o filho. Em algo eles haviam acertado.

— Eu vou procurar o livro papai, faz tanto tempo que não sei o lugar que deixei.

Thomas ria, mas logo saiu correndo aos pulos escada assim.

— Não é pra ir embora. — Avisou antes de sumir da vista dos pais.

O silêncio foi constrangedor.

Mas isso não se deu somente pela falta de palavras, os olhares que Darcy continuou lançando em direção a Elisabeta já estava fazendo sua paciência chegar ao limite.

— Agora pode me dizer. — Elisabeta começou.

— Dizer o que? — Darcy perguntou, desentendido.

— O motivo de me olhar dessa forma desde que eu cheguei, Darcy. Não se faça de bobo. Você não é. — Pontuou, com rugas se formando em sua testa.

— Só estou pensando.

— Em? — levantou a sobrancelha.

— Em como você fica bonita molhada. — Ele disse de uma vez.

Elisabeta arregalou os olhos com a incompreensão dessas palavras.

— Ai, Darcy! Eu estou falando sério.

— Eu também.

— Você só pode estar de brincadeira! — Ela ria sem humor. Ele sabia que em Elisabeta já não existia paciência.

— Não estou. — deu de ombros.

Elisa respirou fundo, tentando pensar coerentemente enquanto a raiva parecia se apoderar de seu corpo.

— Darcy, eu estou sendo razoável. Irei deixá-lo dormir aqui pela chuva que cai lá fora. — disse. — Mas não aceitarei suas brincadeiras.

Em um movimento rápido, Darcy puxou Elisabeta pela cintura, colando todo o seu corpo seco no corpo molhado de Elisabeta. O corpo úmido o fez aquecer.

Elisabeta, instantemente, começou a respirar mais rápido.

— Darcy…

Darcy a apertou mais o braço em volta da cintura de Elisabeta. Ele levou a boca bem próximo ao ouvido da sua ex mulher.

— Agora acredita que não estou brincando? — Sua voz era sensual. — Acredita que estou completamente louco pelo que descobri?

Sem pedir permissão, Darcy chupou devagar o lóbulo da orelha de Elisabeta, que sentiu seu corpo formigar de maneira dolorida. Há quanto tempo não sentia a proximidade de Darcy no seu corpo? Não bastou muito para ela ficar tonta. Ela não conseguia responder.

— Me diz, Elisabeta.

Ele continuava a sussurrar, mordiscando sua orelha e roçando os lábios vez ou outra em sua orelha.

— Me fala. Porque ainda está ligada a mim?

Darcy desceu mais os beijos, encontrando o pescoço de Elisa. Abocanhou a pele descoberta, arrastando sua língua devagar por toda a extensão.

Elisabeta sentiu seu centro umedecer imediatamente, completamente absorta nas sensações que ela tanto tinha saudade. Ela não conseguiu controlar um grunhido baixo que escapou de sua garganta.

— Eu sei que você não assinou.

Um frio rápido invadiu o corpo de Elisabeta como uma corrente elétrica. Era medo e prazer.

— Eu não… — Ela tentou dizer, mas logo foi calada pela boca de Darcy, que descansou em sua da sua, a impedindo de falar.

— Não fala nada. Eu posso sentir o motivo. — Ele sorriu sensualmente em cima da boca de Elisabeta, que estava levemente aberta.

A respiração dos dois já se misturavam.

— Darcy… Eu não… Eu não… — Elisabeta tentava dizer que não queria, mas sua boca não queria completar a frase.

— Não consegue dizer que não me quer? — Darcy roçou seus lábios nos lábios de Elisabeta, sentindo a textura inconfundível que tanto amava. Como deixou de sentir aquilo por tanto tempo? — Eu vou te beijar agora, Elisabeta. Se você não me disser que não, eu vou te beijar.

Elisabeta tentou encontrar, inutilmente, as forças que lhe foram levadas assim que seu corpo se chocou com o de Darcy. Ele, que a segurava forte pela cintura, tinha uma das mãos livres.

Mas elas não permaneceram assim por muito tempo. Ele tratou de levantar a perna de Elisabeta de uma vez, segurando-a forte pela coxa.

A única coisa que Darcy ouviu de Elisabeta, foi um gemido manhoso que saiu de sua boca sem impedimento algum. Era aquilo que ele precisava para continuar.

Darcy invadiu a boca de Elisabeta com a sua língua de maneira explosiva, forte, voraz. Ele a tomou como possessão, de uma maneira muito conhecida por ambos.

A beijou com vontade, com força. Sua línguas começaram a dançar em um ritmo quente, em um gosto novo de saudade, mas era o melhor gosto que já haviam provado na vida. E eles sabiam.

Darcy não demorou nem mais meio segundo para deitar Elisabeta sobre o sofá da sala, esfregando seu corpo no dela assim que se acomodou em cima dela. Ele não conseguia controlar, então rapidamente abriu as pernas de Elisabeta para se posicionar no meio dela.

Eles se conheciam, não havia pudor ao se tocarem.

Elisabeta, que já não raciocinava da forma que deveria, transformou os beijos em mordidas assim que desceu sua boca para o encontro do queixo de Darcy. Ela passou os beijos pelo rosto de Darcy, pelo pescoço, demorando um pouco mais ali, mas finalmente chegou ao lugar que queria, a clavícula.

Darcy sempre achou estranha a tara que Elisabeta tinha por aquela parte do seu corpo, mas não poderia deixar de se animar quando percebeu a saudade que ela demonstrava. Elisabeta, apesar da posição difícil, tentou chupar, lamber e morder o local. Com certeza, alguma marca havia deixado, mas ele não se importava.

Ela se aninhou mais a ele, já que sentia a roupa dele completamente molhada. Mas, ainda assim, apertou as pernas em volta do quadril de Darcy, sentindo toda a extensão de Darcy já dura em sua intimidade. Não conseguiu manter-se quieta, queria senti-lo. Ela começou a fazer movimentos circulares com o quadril.

Darcy grunhiu sentindo Elisabeta tão entregue a ele, depois de tanto tempo. Ele fora um tolo ao deixar aquele corpo inquieto fugir de suas mãos.

Darcy levou suas duas mãos as nádegas de Elisabeta, segurando-a com força, fazendo-a abrir mais as pernas, apertando aquela parte contra ele. A sentiu mais e soube que ela sentiu o mesmo, já que sua respiração se tornou mais irregular.

Ele estava com saudade daquela boca quente e, abandonando uma das mãos do local anterior. Segurou o rosto de Elisabeta novamente, pedindo mais um beijo.

Ela cedeu sem pestanejar, e o movimento de línguas tornou-se intenso novamente. Era maravilhoso beijar Elisabeta.

Com o beijo, ele voltou a explorar o corpo de Elisa. Sua mão se apoderou de forma possessiva de um dos seios dela, apertando de forma demorada. Ele tentava prolongar o prazer dos dois ao máximo que conseguia.

Seus planos se tornariam reais se não houvesse mais uma pessoa naquela casa.

— Mamãe, papai! Eu achei o meu livrinho! — Thomas gritava, surgindo na sala, atrás do sofá.