Broken
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Definitivamente havia algo errado. Eu não estava surpresa, afinal faziam dias que ele havia desaparecido. Finalmente o Sr. Agreste revelou para a mídia que seu filho estava desaparecido, e que segundo ele, somente a polícia e familiares sabiam, pois ele queria evitar escândalos. Bom, eu estava mesmo desconfiada de toda essa situação.
Meu desespero só aumentava a cada segundo passante. Eu peguei a carta de volta, não entendam como se eu fosse uma ladra, mas, eu precisava ter aquilo comigo. E eu não largava, onde quer que fosse. Mais 02 dias de procura, mas nada.
Nino não estava nada bem e estava me ligando bastante. Para falar sobre o Adrien e como ele estava sentindo sua falta. Sua preocupação beirava a minha. Sei que eles eram bastante amigos mas, quem poderia se preocupar mais com Adrien do que eu? Talvez seu pai. Mas, isso não vem ao caso.
A mídia já estava maluca com o caso, várias teorias sobre seus 05 dias de desaparecimento. Sequestrado? Assassinado? Fugiu? Fugiu pra um Circo? Ou fugiu para virar ator pornô? Bom, era cada idéia maluca que meu cérebro já não estava funcionando direito. Será que eu já podia desistir e enlouquecer? Realmente, meu Adrien havia sido sequestrado? Ou até mesmo, estaria morto? As estatísticas normalmente apontam que depois de 48 horas a pessoa tem 30% de chance de estar viva, no caso de sequestro. Meu coração não queria desistir, mas minha razão já estava insanamente desesperada.
Na escola, todos estavam preocupados e amedrontados. Será que algum aluno mais seria sequestrado, ou seria um maníaco? Chloé já não estava mais indo à escola, e Nino estava muito distante. Parecia até um alienado na sala. Tive medo por algumas situações, de eles se Akumatizarem novamente.
Fiquei deitada e pensando sobre Adrien. Eu não tinha vontade de me transformar mais em Ladybug. Do que ia adiantar? Se eu não o havia encontrado ainda. Será que eu era tão inútil assim? Tikki tentava me animar, algumas vezes. Até que cheguei ao limite. Agarrei-me em uma almofada e chorei. Chorei tudo que eu tinha que ter chorado, chorei até meus olhos não abrirem sem aquela ardência das lágrimas. Chorei até minha voz sumir. Chorei até meu peito se preencher de tristeza.
— Marinette… Tikki afagava meu cabelo com suas pequenas mãos.
— Eu… não agüento mais isso… sinto que vou morrer a qualquer momento, de tristeza. Enfiei meu rosto o quanto pude naquele objeto macio e senti o abraço carinhoso de Tikki em minha cabeça.
— Você não pode se dar por vencida Marinette. Vamos encontrá-los! Todos os três.
— Três? Levantei meu rosto para olhá-la. Quem seriam estas três pessoas?
— Adrien, Plagg e o portador do anel. Também estou com o coração na mão pensando nele Marinette. Nós… Somos como gêmeos.
— Gêmeos? Sentei-me para tentar compreender melhor essa situação. Como poderia? Tikki ser gêmea do Kwami de Chat Noir?
— Marinette, sempre que houve uma Ladybug, houve um Chat Noir. Ou seja, sempre que eu apareço, Plagg também aparece.
— Então, é como se vocês se completassem?
— Sim Marinette, apesar de haverem outros Kwamis, eu e Plagg estamos sempre vinculados. Como gêmeos. Eu não posso existir sem ele.
— Não pode? Então, se ele sumir, você some também, Tikki? Eu a segurei delicadamente. Não poderia deixar minha preciosa amiga sumir desta maneira.
— Não literalmente Marinette... Tikki abraçou um de meus dedos. — Por todos estes anos, estamos lutando juntos. E eu… não poderia existir sem ele. Eu não poderia…
— Ah, Tikki… Trouxe-a mais perto de meu rosto. – Eu entendo.
— Eu simplesmente não aguentaria o mundo… sem o Plagg.
Tikki caiu suavemente sobre mim e começou a chorar. Eu a abracei e envolvi meu coração com uma armadura. Eu precisava confortá-la, afinal, só tínhamos uma à outra. Precisava achar Chat Noir. Só ele podia me ajudar nessa situação. De prontidão, coloquei-me in Ladybug e segui pela cidade, à procura do gato.
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Eu estava no sexto dia, e sei que passei bastante tempo procurando-o. Talvez a tarde inteira. Pouco antes da minha de-transformação, tive um sentimento estranho ao olhar uma foto de Adrien em um outdoor.
Meus sentimentos estavam confusos, eu tinha medo de encontrá-lo. Preferi o procurar perdido, a em algum tipo de cativeiro. Afinal, ninguém tinha ligado para pedir dinheiro do seqüestro e não me ligariam também, era o trabalho da polícia receber tais ligações. E eu tinha que ajudar como possível.
Percorri a menor distância entre mim e aquele lago. Sim, aquele lago onde eu confessei meus sentimentos, apesar de eu já saber os sentimentos dele por mim, naquela vez no dia dos namorados. Eu realmente precisava encontrá-lo, ou encontrar aquele gato imbecil. Se pelo menos eu tivesse que achar somente uma pessoa.
Sentei-me nas raízes daquele salgueiro. E encostei minha cabeça ali, observando o céu azul-roxeado do crepúsculo entre as folhas. Minha de-transformação aconteceu e Tikki deitou-se sobre meu colo.
— Marinette… Estou muito preocupada, se nós não encontrarmos Plagg e o portador do anel, os dois vão se fundir eternamente. Plagg vai ser consumido por todas aquelas Akumas. Os olhos doces de Tikki estavam cheios de tristeza e medo.
— Eu sei Tikki. Já não cabe mais um tico de preocupação no meu coração. Eu já estou quase em meu limite. Eu só tenho mais um dia para achar Chat Noir. E não faço idéia de onde procurá-lo mais. Suspirei e fechei meus olhos deixando minhas mãos caírem sobre a grama úmida.
— Amanhã é o último dia Marinette. Mas com certeza vamos encontrá-los. Tikki beijou-me a bochecha, e eu sorri. Suspirei novamente, deixando aquele cheiro amadeirado inundar minhas narinas.
Aquele cheiro era quase como o perfume do Adrien. Perfume dele, o melhor cheiro do mundo: crítico, amadeirado, que se misturado com seu suor, me deixava viciada em deixar meu rosto em seu pescoço.
Tinha que encontrá-lo. Mas para isso eu precisava de Chat Noir. E só havia mais um dia até que ele se tornasse um inimigo. E um inimigo incontrolável. Meu peito estava apertado e minhas esperanças de achar Adrien só diminuíam.
Voltei para casa, e pela milésima vez, eu li aquelas palavras, sempre me lembrando de seu rosto de dos momentos que ficamos juntos. Estava em minha cama, e não conseguia me aquietar. Meu coração estava palpitando só em pensar em como eu poderia mudar e consertar toda essa situação. Fechei meus olhos e me forcei a dormir, não havia mais nada que eu pudesse fazer nesse dia.
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Sétimo dia. Fui à escola e novamente, todos estavam estranhos. Eu literalmente estava quase entrando em colapso nervoso. Alya estava ali para me ajudar e me apoiar, afinal meu namorado estava desaparecido, certo? Mas o que estava tomando meu coração era o desaparecimento de Chat Noir. Ainda mais naquela forma estranha que ele se encontrava.
Em casa, o clima estava totalmente pesado. Decidi dar uma volta. Notei que não havia muitas pessoas neste dia nas ruas. Não sei como, mas eu já estava ali, em baixo daquele salgueiro novamente. Suspirei e olhei em volta, aconchegando-me nas raízes. Peguei novamente meu poema e o li, em voz alta.
Seus olhos são verdes como a sorte
E eu te olho me perguntando, qual é seu pensamento, seu sonho mais forte?
Sim, eu serei sua namorada, e o nosso amor será verdadeiro
Juntos, pela eternidade deixará meu coração inteiro.
Suspirei e encostei aquele papel em formato de coração sobre meu peito. Tikki aninhou-se em meu pescoço e ficamos ali alguns segundos. Adormeci um pouco, talvez. Tive um sonho bem estranho. Um sonho sobre eu e Chat Noir. Como em um sonho, ele era quase perfeito, por assim dizer. Doce e gentil, e sempre estava ali para me apoiar. Quando acordei, parecia ter levado uma pancada na cabeça. Tentei me levantar, porém senti uma pontada e logo minhas pernas falharam.
Minha cabeça girava e várias imagens de Chat Noir tomaram minha mente. Evillustrator, Dark Cupid, BubbleMan, Gamer, Animan, Volpina. Todas as memórias estavam voltando para minha cabeça. Tikki estava nervosa, e preocupada comigo. Fiquei alguns minutos paralisada, somente recebendo a recarga de recordações. Quando voltei a mim, Eu tinha uma certeza. Adrien e Chat Noir, desaparecidos. Adrien e Chat Noir tinham o mesmo cheiro, altura e voz. Adrien e Chat Noir estranhamente diferentes ao mesmo tempo. E os olhos de Adrien e Chat Noir eram os mesmos. Adrien e Chat Noir eram a mesma pessoa. Definitivamente. (N./A.: Demorou um cadinho né, fia?)
Pude perceber que ao meu redor estava um cheiro forte, nada agradável. Uma neblina escura estava tomando todo o ar ali presente. Olhei para cima e encarei aquela lua azulada. Totalmente gorda.
Levantei-me e peguei de minha bolsa um biscoito, e dei a Tikki, para que se alimentasse. Logo, me tornei Ladybug. Eu precisava investigar aquele barulho, mas tinha que tomar cuidado. Era quase como um grito. Procurei algum local para deixar minha folha de papel, mas não encontrei. Abri meu ioiô, dobrei-a e guardei. Sei que podia me atrapalhar um pouco, mas eu não podia deixá-la jogada lá.
Comecei a seguir aquele som. E enquanto eu dava a volta no lago e me dirigia a um espaço fechado de árvores, eu me sentia cada vez mais tensa. Tratei de enfiar-me entre as árvores e achei uma espécie de buraco, na verdade parecia mais uma caverna. Entrei ali e os grunhidos estavam cada vez mais guturais, meu coração parecia mais um tambor de tão forte e rápido que estava batendo. Apertei minhas mãos e tomei o fio do meu ioiô entre os dedos.
O que vi foi terrível. Chat Noir… Adrien estava em cima, de que posso chamar? Animais mortos? Ou seja lá o que fossem aquelas vísceras. Minha reação foi emitir um som pela boca, um som engasgado. Meu estômago revirou-se e levei a mão até meu rosto, tentando controlar meus sentidos. Mas, ele me viu. Claro que me veria, já que entrei ali fazendo barulho e o interrompi em seu jantar.
Tudo passou em câmera lenta. Seus olhos, que mais pareciam fogo, vindo na minha direção e minhas pernas tremendo tanto que cedi à gravidade. Caí de joelhos no chão. Aquilo não era real. Não poderia ser. Meus olhos encheram-se de lágrimas e deixei meu ioiô cair no chão. Minha mão continuava sobre meu rosto, eu já não podia controlar meus membros. Ele parou bem em frente ao meu rosto e soltou um grito, quase um rugido. Suas expressões eram totalmente animalescas. Eu já não o reconhecia.
— Ch-… Adrien… Tentei tocá-lo, mas fui rejeitada. Ele rosnou de uma forma nada agradável. Minhas pernas estavam dormentes.
Somente grunhidos e uma aproximação, com direito sentir meu cheiro, a fim de me reconhecer. Tentei recobrar minhas forças. Apertei os dedos em volta do fio e o mais rápido que pude, joguei-o em uma raiz sobressalente, esquivando-me do felino. Ele não ficou nada feliz. Rapidamente, senti o vento do movimento de suas garras passando perto do meu rosto, enquanto eu tentava me esquivar das suas investidas. Eu poderia esquivar-me dele com facilidade, entretanto, eu já estava ficando cansada, fisicamente falando.
Sim, apesar de eu ter acabado de tirar um cochilo, aqueles dias tinham sido totalmente esgotantes física e mentalmente, para mim. Meu coração não havia se aquietado com o fato de Chat Noir e Adrien serem a mesma pessoa, mas, não tinha como negar, não mais. Fui arrancada de meus devaneios quando senti meu corpo ser jogado contra uma das laterais. O gosto do sangue em minha boca e a dor em minha perna direita, devido a uma fratura exposta, me deixaram em estado de choque. Não pude conter meu desespero ao vê-lo correndo em minha direção. Mais alguns metros, e estaria morta. Literalmente devorada por aquele animal.
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