Notas iniciais
E então minha primeira história! Espero que essa empolgação permaneça até o final,hahaha.


As malas já estavam feitas,pela janela daquela pequena casa de apenas cinco cômodos,de uma cor salmon aconchegante, uma senhora com seus cabelos longos lisos e pretos brilhantes engolia a seco enquanto desamarrotava a farda branca e cintilante do filho a sua frente,tinha os olhos preocupados.O cheiro que exalava daquele lugar era de amêndoas e jasmin,as pessoas conheciam aquelas vidas,daquela pequena família de dois componentes no qual agora o filho iria embora e deixava sua bela mãe de olhos castanho tão sozinha quanto a gatinha que se encontrava em um canto qualquer,a pequena siamesa odiava despedidas.


-Eu sempre falei pra você se tornar médico... — Dizia a mãe forçando um sorriso enquanto fazia um nó quase que perfeito na gravata cor-de-mel do rapaz. — Mas não...Você quis se alistar na aeronáutica.

Olhava ela,com as bolas redondas para o rosto novo do filho.Pelo pouco de luz que entrava pela cortina entre aberta,seu perfil iluminado mesclava preocupação,amor e já um pedaço de saudade.

-Mãe,eu te amo.

Silêncio.

Por um segundo passou naquela cabeça de rapaz recém formado de que a mãe entenderia tudo o que ele tinha que fazer,e que o fato do pai daquela família ter deixado seus entes a anos atrás não a machucava mais profundamente como facas ardentes de veneno.Mas então daquelas pupilas desiguais,tão marrons e tão cheias de proteção e dor brotaram gotas enormes,que caiam sem piedade no rosto sofrido e amoroso de mãe,e enquanto ela pegava entre as mãos o rosto grosso do filho e beijava cada bochecha com tanto ardor,soltou com sua voz mais firme que podia:

-Vá lá, e orgulhe a sua mãe.

O filho que já tinha seus olhos indícios de mais lágrimas sorrio feliz abraçando sua mãe o mais forte que pôde,enquanto pegava sua mala feita e saia decidido pela porta branca.Um carro já o esperava na frente da moradia,com mais dois jovens tão preocupados quanto o que se iria se juntar em breve,tinham no corpo a mesma farda branca e dourada.

-Eu vou voltar. — Sussurrou o filho para a senhora que agora chorava mais do que nunca.

O filho dolorido jogava sua mala atrás do carro e abria a porta do passageiro para o encontro de seus colegas,na frente do lugar uma vizinha solidária vinha consolar a grande mulher que chorava aos prantos para o filho que se ia.O carro saiu com o motor disparando,e internamente o pequeno homem chorava enquanto olhava pelo retrovisor a mãe entrar em casa.Seus amigos calados,tentavam expressar a feição pela dor que ele aparentava possuir.Talvez,pensou ele,que aquela seria a ultima vez que o mesmo poderia ver aquele vestido branco,limpo e cheiroso,com aquele avental que estava alí para todas as horas,aquele sorriso que sempre expressava um \'você é tudo pra mim\' mesmo quando não era necessário e quando seu nariz mexia nervosamente quando algo não tão legal era feito.

-Cara,vou sentir falta dela brigando comigo.. — Quebrou ele o silêncio com os companheiros quando dobraram uma esquina.


Seu colega só sorriu,e o outro loiro amedrontado lhe dava tapinhas amigáveis na costa do filho.Estavam chegando na costa,cuja em seus repousos estavam jatos enormes que iriam abastecer-se futuramente com aqueles jovens que estavam prestes a chegar a parte mais fumegante de seus anos dourados,homens que iriam em direção ao japão,tentativa de proteção a nação que estavam lhe fazendo tão mal naquela Segunda Guerra Mundial.


Proteção.

Era isso que eles falavam,mas aqueles homens sabiam que o futuro deles agora só a Deus pertencia e pediam todos que isso fosse algo bom.


~


- ABI ! VENHA AQUI.

Uma senhora baixinha,entroncada com vestes pesadas e olhos extremamente pequeninos gritava rapidamente janela a fora.Janela que estava de frente a um extenso campo verde,campo tão brilhoso e bem tratado que dava inveja a qualquer pecuarista que passase por aquelas propriedades,campo que cheirava a arroz e terra molhada,que quando batia aquela luz forte e quente de um sol que estava no seu ápice do dia nas pequenas flores que conseguiam ser formadas criavam um pequeno arco-íris,campos tão extensos que seu horizonte parecia infinito,neles muitas máquinas trabalhavam em seu lugar que não era alagado,e nos que estavam cobertos de água,muitas senhoras parecidas com que a gritava se encurvavam catando grãos brancos de vez em sua vez,com chapéis gigantes e protetores que as livravam das dores que aquele sol tremendo poderia fazer.


E no meio de toda aquele verde uma casa,grande talvez,depende do seu ponto de vista jazia,com suas cores pastéis, e suas três sacadas que davam olhar completo com o domínio de toda aquela região,parecia propriamente feito para uma família de cinco pessoas,mas somente quatro habitavam o lugar,dois japoneses,um americano e uma mistura.


-ABI! — A senhora voltava a gritar — SEU PAI LHE CHAMA!

Do meio do mar verde,um chapéu curioso surgiu diferente de todos aqueles cheios de palha que pertenciam ao lugar,chapéu que conforme sua dona vinha correndo feliz pelos campos salvadores ia revelando um corpo esbelto e bem cuidado de uma moça respeitosamente grande que casava simplesmente maravilhoso com seu vestido florido azul que ia até seus pés descalços.


O chapéu se levantou e de lá apareceu um rosto tão curioso quanto o acessório que usava.Um mesclado de orientalidade nata e ocidentalidade evidente,com seu rosto alongado e bem cuidado,seus olhos levemente puxado para os lados,lembrava uma japonesa que não tinha vindo evidentemente do seu lugar,com seu nariz tão fininho que era difícil ver algum tipo de ar entrar por alí,se não fossem seus cabelos lisos,tão negros e tão enormes que chegavam a sua cintura ninguém diria que aquele ser se travava de uma japonesa de Biei,os olhos eram de um cor de mel inabalável,alternando entre o castanho e o verde,que expressavam e jorravam alegria e compaixão.Os cabelos soltos e chapados deslizavam delicadamente pelo vento que passava pelo seu rosto que corria contra a ventania,ela segurava o chapéu grande que ameassava sair do lugar da onde estava.


- Desculpe Senhora Lon,eu estava ajudando alguma das crianças a... — Falava a figura saltitante enquanto ofegava para a senhora que lhe chamara antes,revelava uma voz forte e decidida,que tão expressava carinho quanto dependência.

-Não importa,venha!Sua mãe também que lhe dar um palavra.


Sairam as duas casa a dentro,onde jazia um lugar rústico e decorado de maneira não muito caprichada,onde alternava para quadros feitos a mão por linhas tão finas quanto fios de cabelo e potes de barro,tudo muito marrom e muito bege.Subiram para o andar de cima rapidamente onde lá tinham quatro portas,cuja a ultima era aberta,revelando a metade de uma lareira acesa,a senhora japonesa deixava o lugar se curvando em respeito enquanto a menina sorria e entrava pela porta já aberta.


Lá um senhor de idade estava sentado em uma poltrona,olhando infinitamente para a lareira acessa com seus olhos ridículamente azuis,mas você não entende como eram azuis,aquele olhar penetrava com toda a certeza,os cabelos já grisalhos estavam bagunçados e o corpo parecia cansado e marcado por trabalhos intensivos quanto mais jovem,estava em forma pode se dizer de passagem.E na cama,uma oriental nata jazia olhando o marido com preocupação vestindo um Irotomesode,tinha os cabelos longos presos em hashis no topo da cabeça,eram certamente tão grandes e bonitos quanto os da filha,o corpo era tão pequeno e alongado que talvez fosse impossível imaginar que dalí já se tinham nascidos duas vidas,e os olhos tão pequenos e puxados quanto o da senhora de agora pouco estavam impacientes,os olhos eram de um preto intenso e vazio,e os lábios pequenos estavam pintados de uma leve tonação vermelha.


- Pai... — Falou a filha entrando no cômodo enquanto tirava o chapéu e depositava em cima de uma cadeira — Mãe...


Falou ela novamente chegando perto do casal que agora se olhavam,e pareciam conversar,uma conversa longa e demorada


-O que...Houve? — A jovem podia sentir toda a pressão pelas atitudes adultas e decididas que seus pais apresentavam.


- Abi , nó vamos ter que deixar Biei


O pai levantava de sua poltrona e encarava a filha que parecia ainda não ter absorvido aquela afirmação.

- O quê? — Perguntou a mesclada quando ouviu seu pai pronunciar aquelas palavras confusas que pareciam palavras aleatórias em sua cabeça.


-Filha... — Agora a mãe se levantava da cama e abraçava a menina. — Vamos ter que deixar o japão.

Então ela se deu conta do que estava acontecendo,mas para ela aquilo não poderia,não DEVERIA estar acontecendo,porque realmente tudo aquilo estava fora de cogitação,seu pai tinha lhe dito que aquela guerra horrível não chegaria até alí,e como agora eles sabiam de tudo aquilo?Impossível,eles deveriam estar errados ou...DERAM informação errada.

O pai pôde ver a expressão horrorizada da filha,e com a maior compaixão que conseguiu por em suas palavras continuou:

-Minhas fontes dos Estados Unidos me falaram que o Japão agora esta sendo a mira dele,parece que querem se proteger... — Mas,pensava a menina,ele tinha DITO que nada iria acontecer onde estavam porque o Japão não era o principal alvo dos EUA,ela sabia disso...E ela tinha ficado alegre com tudo aquilo,porque eles iriam FICAR,agora ele vem e desmente? — Não podemos arriscar nossa família Abi,iremos partir o quanto antes daqui.


-Mas,mas pai...E os pastos?E as plantações de arroz?Não podemos deixar tudo aqui...

-ABI! Pare com isso — O pai se estimulava — Você quer comparar a sobrevivência da família com negócios?Nós iremos e se tudo der certo voltaremos para cá...


-NÃO. — Brandou ela decidida,ela não iria sair dalí,deixar todos aqueles anos de produção e sufoco de lado para serem destruídos em horas?Ela não iria embora!Aquele campo estava alí quando ela nasceu junto com aquelas pessoas e ele estaria alí quando ela morresse. — Não vou deixar todas essas pessoas aqui a Deus sabe lá pra que,eu vou ficar.


O pai olhou a esposa que respirava profundamente

-Eu disse que isso ia acontecer — Ele avisou para a mulher — E nós iremos te levar de qualquer jeito. — Virou novamente para a jovem.

-E o Noah? — Perguntou a menina ignorando totalmente o pai sobre a afirmação.- O que ele acha sobre isso?

-Filha,O Noah ainda é uma criança ele não precisa saber disso.

A mãe se pronunciava agora.

Como filha obediente ela permaneceu em silêncio e observou a cena,sua mãe a olhava com carinho e compreensão e seu pai parecia agradecer em pensamento pela família maravilhosa que ele tinha,e que não se arrependia em nada por tudo que acontecia,e ele como pai de família,não deixaria nada acontecer aquela que ele tanto amava.

-Quanto... — Abi começou novamente quebrando o silêncio — Quanto tempo temos...?

O pai respirou fundo

-Cinco dias... — A morena soltou um muchucho de dor — Mas amor,as coisas podem mudar,ainda temos o que pensar até lá,mas se nada mudar iremos permanecer com essa saída.


Em um ato involuntário ela correu aos braços do pai e da mãe e os abraçou tão forte quanto podiam,ela sabia o que viria pelos dias que se sucederiam e ela queria dar ao máximo tudo que podia agora.E tudo que conseguia pensar era em seu pequeno irmãozinho que provavelmente dormia feliz no cômodo ao lado,irmãzinho tão idêntico quanto a mãe que nunca imaginara como era a vida fora dalí,alguém que ela queria ser um exemplo depois de tudo aquilo e queria o tirar dalí sem nenhum arranhão.

Notas finais
Alô !

Obrigada por ler o primeiro capítulo da minha história <3
Vou me empenhar para que saia o melhor possível ok?!

Desculpe também pelos possíveis erros de português,posto mais quando eu reler!

beijos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.