Brinquedo Torto
2 Trouble
Notas iniciais
Espero que gostem!
Onde diabos eu estava com a cabeça quando resolvi vir para esse lugar?
A musica alta me incomodava, os lasers utilizados de efeito em meio à penumbra acabaram por me dar uma dor de cabeça a qual nem mesmo depois das duas garrafas de vodca e da dose de tequila eu conseguia ignorar. A loira a minha frente estava mais bêbada que eu e dizia coisas maliciosas e sem sentido numa falha tentativa de fazer com que eu mostrasse algum interesse em leva-la, digamos que, a um lugar mais reservado.
Atualmente a ideia de vir ao Space Club me pareceu a ideia mais idiota que já tive, pois mesmo ali e estando no estado em que eu me encontrava depois de tanto beber, meus pensamentos ainda me traiam e voltavam à cena a qual eu tanto tentava esquecer.
Levantei daquele banco próximo ao bar e segui para fora da boate. Olhei para meu amado carro, eu não estava em condições de dirigi-lo então pedi para o segurança da casa noturna que ficasse de olho nele. Voltaria para casa a pé já que não havia como fugir do problema eu pensaria em como resolve-lo e afinal não seria uma caminhada tão longa, meu apartamento não era tão distante do local. Passei a caminhar sem pressa pensando em como contornaria a situação.
Karin era substituível, mas meu melhor amigo não.
Eu não poderia perdoa-lo facilmente ele tinha me humilhado, não publicamente, mas mesmo assim tinha me humilhado.
E esta aí outra questão: o publico, mais precisamente a imprensa. O que seria de minha imagem se descobrisse que minha namorada havia me traído com a pessoa de minha maior confiança? Já conseguia até enxergar meu nome nas manchetes dos sites e revistas de fofoca, além de poder imaginar as piadinhas de meu irmão que seriam alguma coisa do tipo “ se você pensar em se jogar de um prédio, lembre-se: Você tem chifres, não asas...”
Não. Em hipótese alguma essa história viria a publico.
Eu precisava pensar em algo convincente para quando tivesse que falar de meu termino com Karin e teria que dar um jeito de silenciar o Naruto, eu... Mas o que diabos?
Minha linha de raciocínio foi interrompida quando tropecei em um vira-lata inútil que estava deitado no meio da calçada. Chutei o cão que no mesmo momento se levantou e começou a rosnar para mim. Hey! Ele não parecia tão grande enquanto estava deitado e por que diabos tantos dentes afiados?
– Calmo cãozinho – consegui murmurar enquanto tentava me manter de pé.
Não consegui identificar a raça, mas ele tinha grande porte –bota grande nisso – chegando até se parecer com um mastim. Ou será que ele era um mastim? Ele passou a se aproximar lenta e perigosamente de mim com os dentes a mostra, enquanto eu recuava cuidadosamente prestando atenção em seus movimentos até que após uns poucos segundos assim dei as costas a ele e comecei a correr o mais rápido que podia.
Ele estava em meu encalço e eu mais tropicava do que corria, virei em uma esquina entrando em um bairro residencial e quando não mais aguentava correr pulei uma mureta com certa dificuldade o que permitiu que o cão conseguisse tirar um pedaço da perna de minha calça.
Joguei-me no gramado que havia e tomei a liberdade de descansar um pouco. A mureta era da altura certa para que o cachorro não conseguisse pula-la então estaria seguro ali.
Com a respiração ofegante passei a observar o céu que começava a se despedir da alvorada colorindo-se com os tons de laranja e amarelo, a neblina se dissipando ao som dos latidos do cão que foram diminuindo até que aparentemente ele se cansou e parou.
Deitado ali sentindo o orvalho que havia na grama meus problemas pareceram se atenuar então comecei a sentir o cansaço da correria e da noite em claro enquanto fechava meus olhos e era envolto pela escuridão.
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