Bring me a dream
1 Prólogo
Notas iniciais
Alisson era uma jovem lindíssima. No alto de seus 17 anos ela estava radiante. Hoje era o dia de sua formatura. Sua mãe encomendara seu vestido do baile, e a costureira estava agora dando os arremates finais.
- Não haverá garota mais linda que você nesta festa, Alisson.
- Só espero que Glenn Gordon concorde com você.
- Seu namorado?
- Eu queria que fosse. Infelizmente, metade das garotas da escola quer a mesma coisa que eu. — Alisson sorriu.
- Está apaixonada por ele?
- Oh, não! Somos apenas amigos, mas gostaria muito que ele me notasse e se importasse comigo.
-Não se preocupe. Você está tão linda que é impossível ele não te notar.
-Deus te ouça!
Alisson passou batom cor de rosa, blush rosado, sombra azul nas pálpebras e delineador negro. Seu cabelo loiro platinado foi escovado e enrolado em um belo coque com aplique no alto da cabeça. O perfume "J'Adore" e o colar de ouro da mãe completaram o look inocente clássico. Faltava apenas o acessório floral em seu punho.
Sua mãe trouxe o casaco de peles, pois aquela seria uma noite fria. Seu pai trouxe a máquina fotográfica. Alisson posava feliz e orgulhosa. Depois de todo aquele preparativo faltava apenas seu acompanhante. Ele já deveria estar chegando.
As horas se passaram e Alisson sentou-se no sofá da sala. Sua mãe insistiu que se alimentasse, mas ela não queria estragar a maquiagem. Seu pai se ofereceu para levá-la à festa, mas ela recusou. Pediu que ligassem para a casa do acompanhante atrasado, o que fizeram, e foram informados que ele saíra de casa à noitinha, para pegar Alisson em casa. Não sabiam dar outras informações. Não sabiam por que ele estava atrasado.
Alisson ficou apreensiva, mas isso não podia ser, afinal ela era uma sensitiva. Se alguma coisa ruim tivesse acontecido, ela teria uma premonição. E ela não tivera nenhuma, certo? Talvez o simples motivo que o fizera não aparecer é que ele mudara de idéia. Com certeza era isso. Ele arranjara uma outra acompanhante, e por isso resolvera lhe dar o bolo.
- Querida, você deveria ir ao baile com outra pessoa. — A mãe lhe falou.
- Não, mamãe. Agora eu não tenho mais nenhuma vontade de ir a esta festa.
- Eu lhe digo, Alisson, quando eu ver este garoto, ele vai ouvir poucas e boas. Ninguém trata assim uma filha minha. — Seu pai reclamou.
- Pai, por favor! Já é ruim demais saber que um garoto não se importa com a gente. Eu não preciso que você me embarace ainda mais.
- Mas, minha filha ...
O telefone tocou interrompendo a conversa. A mãe atendeu. Sua expressão foi assumindo uma máscara de preocupação e horror. Alisson levantou-se no mesmo instante. O pai aproximou-se. A mãe desligou o telefone e tentou se controlar. Olhou para a filha e engoliu em seco.
- Fale logo, mamãe, o que foi que aconteceu?
- Seu amigo Glenn Gordon ... sofreu um acidente de carro. Avisaram há pouco a família dele.
- Vamos ao hospital, mamãe! — Alisson afoita procurou o casaco de peles.
A mãe trocou um olhar com o marido e foi até a filha segurando-a nos braços.
- Alisson ... ele morreu. Sinto muito!
- Não! Não pode ser! Eu não tive nenhum aviso, nenhuma premonição. Isso não pode ser! Isso ... não pode acontecer comigo... — Alisson desatou a chorar, no que foi confortada pelos pais.
Ela continuou chorando de olhos fechados, enquanto se agarrava ao ombro da mãe.
- Alisson, Alisson, acorde! — Seu marido a sacudiu, fazendo com que despertasse bruscamente.
Não mais estava com seus pais na cidadezinha da sua juventude, chorando pelo namoradinho morto. Agora estava na sua cama de casal com seu marido Joe, enquanto suas três filhas dormiam no quarto ao lado. Fora tudo um sonho, ou melhor, uma lembrança viva do passado. Bastava apenas entender por que sonhara com isso, tantos anos depois.
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