Notas iniciais
Agora a história se afasta consideravelmente dos fatos de Two To Go. Algumas cenas e falas, porém, eu decidi manter bem próximas ao original, porque são legais ou têm a ver com a minha fic.

Dawn estava sozinha em casa. Fez o que Tara havia dito, ligara para a polícia, para avisar sobre a morte da amiga.

Os policiais foram até a casa das Summers, e fizeram milhares de perguntas:

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-Qual seu nome? –Um policial negro, com um rosto simpático, perguntou.

-Dawn.

-Dawn... qual o nome da vítima?

-Tara... Tara Maclay.

-Ela é sua irmã?

Dawn balançou a cabeça, negativamente.

-Não...

-Ela morava aqui, com você?

-Não... ela é namorada da Willow.

-Quem é Willow? –O policial perguntou, confuso.

-É a melhor amiga da minha irmã. Ela mora com a gente, desde... –Desde que Buffy havia morrido, no ano anterior. Mas Dawn sabia que o policial nunca compreenderia os mistérios das moradoras daquela casa. — ...desde o ano passado, depois que minha mãe... m-morreu. Tara estava passando uns dias aqui... –Dawn se perdeu em sua fala, deixando mais lágrimas caírem de seus olhos.

-E onde está sua irmã ou essa Willow?

Dawn balançou os ombros; não fazia idéia. O policial entendeu, e perguntou:

-Você o que aconteceu? Se foi um acidente, ou se Tara tinha inimigos?

-Não, Tara não tem inimigos... Todo mundo gosta dela. Mas...

Mais uma vez Dawn começava a chegar perto dos assuntos sobrenaturais.

-Mas, o que?

-Minha irmã. Ela tem muitos inimigos. Pessoas realmente perigosas.

O policial ergueu a sobrancelha, bastante confuso.

-Sabe do nome de algum?

Dawn pensou um pouco. Quais eram os nomes dos nerds...?

-São três caras... Um deles é o Jonathan... Jonathan Levinson. O outro é o Warren... Não consigo lembrar o sobrenome.

-E o terceiro?

A adolescente balançou a cabeça.

-Não sei. Mas o irmão dele se chama Tucker.

O policial olhou para Dawn, com pena da adolescente. A garota era órfã, e havia acabado de encontrar uma pessoa morta em sua própria casa. E, o policial percebeu, a jovem era bastante ligada à moça morta.

-Nós entraremos em contato com você, caso descubram o assassino.

Dawn acenou com a cabeça, mecanicamente.

Os policiais saíram da casa, junto com o legista, que levou o corpo de Tara, envolto num plástico escuro.

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Agora as coisas pareciam frias e estranhas, como se aquela casa não fosse sua. Dawn ainda se sentia estranha. Era como no dia em que sua mãe havia morrido. O chão parecia ter sumido, nada parecia ser real... Tara era a segunda figura materna de Dawn, e era a segunda mãe que ela perdia.

Mas ela sabia que Tara não havia ido embora para sempre. Dawn ainda podia ouvi-la.

Só que naquele momento Tara não estava ali.

Na floresta nos arredores de Sunnydale, Tara estava chocada com a cena que havia presenciado. Willow tinha assassinado Warren. A garota encantadora por quem Tara se apaixonara dois anos antes nunca faria algo assim.

Willow, a sua Willow, agora era uma assassina. Estava irreconhecível, usando uma magia negra extremamente poderosa e perigosa, algo que Tara sabia que consumiria toda a alma de Willow. Não fazia sentido. Alguma coisa estava errada, e Tara não conseguia entender.

Sentiu-se extremamente cansada. Não tinha mais um corpo, mas sua cabeça parecia que ia explodir depois de tantas coisas.

Tara viu Buffy, Xander e Anya começarem a andar, para voltar à cidade. Os três estavam transtornados, chocados depois de terem visto a crueldade de Willow. O fantasma da bruxa começou a caminhar junto dos amigos. Eles não sabiam que ela estava ali, mas não faria diferença. Sem forças mentais para falar, os quatro caminhavam em um silêncio pesado, tenso e sufocante. Todos estavam abalados, mesmo Anya, que por mais de 1000 anos havia sido um demônio da vingança, causando sofrimento nos homens infiéis.

Depois de quase 20 minutos de caminhada, finalmente chegaram à rua principal da cidade. Muitas pessoas andavam de um lado para o outro, curtindo a noite. Um grupo particularmente agitado de adolescentes ia na direção do Bronze. Falavam todos ao mesmo tempo, discutindo sobre a banda que se apresentaria naquela noite.

O Expresso Pump ainda estava aberto, apesar de já ser tarde. Nem Tara nem os outros perceberam as vozes felizes que vinham da lanchonete.

Andaram ainda mais um tempo naquele silêncio, quando Buffy disse:

-Dawn! Ela está sozinha em casa... Ela deve ter encontrado o corpo de Tara! Oh, meu Deus!

A caçadora saiu correndo, deixando para trás Xander e Anya se entreolhando. Os dois levaram alguns segundos para compreender o que havia acontecido.

Tara sentiu um aperto no coração, e a sensação de ser puxada para frente, sem que pudesse evitar, tomou conta de si. Alguns instantes depois, ela estava em frente a casa das Summers.

“Acho que estou entendendo... Toda vez que pensei na Willow, eu fui levada até ela. Agora pensei na Dawnie, e fui trazida pra cá. Deve ser isso.”

A conclusão era satisfatória, mas não era o mais importante naquele momento. Balançando a cabeça, Tara atravessou a porta de entrada da casa. Estava tudo quieto.

-Dawnie? –Ela chamou, quase sussurrando. Talvez a irmã de Buffy estivesse dormindo, e Tara não queria acordá-la, se fosse o caso.

Mas não era. Dawn estava sentada no balcão da cozinha. Olhava para o nada, meio distraída.

-Dawn? –Tara chamou.

A mais jovem agiu como se tivesse acordado de um transe.

-Tara? –Ela olhou em volta, inutilmente. Ainda tinha a esperança de ver a amiga, mas nada havia mudado. Só podia ouvir-lhe a voz.

-Sim, Dawn, sou eu... Desculpe por ter deixado você sozinha por tanto tempo... É que eu precisava... precisava ver W-Willow.

-Você está gaguejando... Está tudo bem com a Will?

Tara sentiu um arrepio percorrer seu corpo de fantasma.

-Não. Ela, han... ela não está bem.

Dawn arregalou os olhos.

-Ela... Também atiraram nela?

-Não! Não foi isso, Dawnie... Ela perdeu o c-controle. Dos poderes. Ela... está querendo v-vingar a minha m-morte.

A mais nova levantou-se, e começou a caminhar para a porta da cozinha, que dava para o quintal. A voz de Tara vinha dali.

-Ela não fez nada de errado, fez?

Um som de suspiro foi ouvido, mas Tara não disse nada.

-Tara?

-Warren. Ela o m-matou. –Tara explicou rapidamente o que tinha acontecido, e então começou a chorar. –Por minha causa. W-Willow matou, por causa de m-mim.

-Tara... –A mais jovem estendeu os braços, na direção do fantasma. Mesmo que não pudesse vê-la, Dawn ainda podia ouvir e sentir a amiga, e lhe abraçou, dando todo o conforto que podia, naquele momento. –Vai ficar tudo bem... Shhh...

-Dawn? –Buffy havia acabado de entrar na cozinha. Estava vendo sua irmã falando aparentemente sozinha e abraçando o ar. –Dawn, você está bem?

A adolescente se virou para encarar a irmã.

-Buffy... Tara está aqui. –Dawn disse, apontando na direção da porta.

-Dawnie, Buffy não pode me ouvir. Eu não sei por que, mas só você pode.

Buffy encarou a irmã, preocupada. Dawn devia estar em choque por conta da morte de Tara.

-Eu sei o que você está pensando, Buffy, mas eu não estou louca, nem inventando. Tara está aqui. Não a vejo, mas consigo ouvi-la e até tocá-la.

A Summers mais velha olhou, ainda incrédula.

-Dawn, eu... eu sei que isso deve ser difícil, mas você tem que compreender: Tara está morta.

-Eu sei. Mas ela está aqui... o fantasma dela está aqui. Ela me contou sobre a Will... Que ela matou o Warren.

Buffy arregalou os olhos.

-Ela... ela está mesmo aqui?

Dawn concordou com a cabeça. Tara se aproximou dela, colocando a mão em seu ombro.

-Dawn, diga à Buffy que eu estou muito preocupada com a Willow. Ela está usando uma magia extremamente poderosa e perigosa.

A mais nova passou a mensagem.

-Tara, me desculpe. Se não fosse por mim, isso jamais teria acontecido. Se eu já tivesse dado conta desses nerds, Warren nunca teria chegado aqui e... –Não teve forças para continuar a frase.

-Buffy, tudo bem. Quero dizer, não está tudo b-bem, mas a culpa não é sua... –Ela esperou que Dawn passasse suas palavras para a caçadora, então continuou. –Mas não é isso que importa. Willow está usando uma magia extremamente poderosa e perigosa. Um dos livros que ela absorveu na Magic Box... Eu... cheguei a ler alguns deles. –Mais uma pausa para que Buffy ouvisse.

-Não pensei que você fosse ler os livros de magia negra...

Tara corou ligeiramente, ainda que ninguém pudesse vê-la.

-Quando percebi que Will estava começando a usar muita magia, eu quis conhecer alguns feitiços, para... para não ser pega de surpresa quando ela começasse a usar magia negra. Foi assim que eu descobri o feitiço de memória que ela jogou em mim, no Halloween ano passado... –Mais uma pausa. –Bom, eu li alguns livros, e tem um que me preocupou demais. Um deles dá poder quase ilimitado para a pessoa.

-A Willow está usando esse?

-Sim. Mesmo morta eu posso sentir que o poder dela cresceu imensamente, e é um poder misturado com muita mágoa. E isso vai causar a morte da alma dela.

-O que... o que você quer dizer com isso?

-Esse feitiço funciona como um processo de queima. Para isso, precisa de um... comburente. Algum sentimento negativo que o ative.

-Que sentimento? – A caçadora perguntou, depois que Dawn repassou as palavras de Tara.

-Pode ser qualquer coisa: medo, inveja, ganância, raiva... Cada um desses sentimentos “queima” de uma forma diferente, com uma velocidade diferente.

-Quando você diz “queima”... o que significa?

-Significa que a luz da alma dela vai sendo transformada em poder. Aos poucos, ela vai perdendo a alma, e ganhando mais poder, só que é um poder corrompido. Mas chega um momento que isso acaba. É terrível...

Dawn, apreensiva, repassou para Buffy, e perguntou.

-E depois ela morre, não é?

-Pior, Dawnie. Toda a alma da pessoa se converte em um poder apocalíptico, que nenhum ser humano tem capacidade de suportar. Isso é bem pior que morrer... porque... a pessoa se torna um... demônio. –Tara concluiu, tremendo.

Com dificuldade, Dawn terminou de contar para Buffy o que Tara havia dito. As duas irmãs entreolharam-se, com medo.

-Tem... tem como evitar isso? –A Summers mais velha perguntou.

-Sim, mas precisamos de alguém com um grande conhecimento de magia. Alguém que possa fazer um feitiço que vai fazer Willow voltar a sentir coisas boas, anulando o efeito desse feitiço comburente. Alguém como...

-Alguém como eu? –Uma voz perguntou.

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Willow caiu no chão, arfando. Ela havia acabado de sugar todo o poder de Rack, o negociante de magia negra que Amy havia lhe apresentado. Agora ela sentia seu poder aumentando cada vez mais... Levaria um tempo para se acostumar com tudo aquilo.

Mas ela se sentia bem. Nunca antes na vida havia se sentido tão poderosa, tão... superior. Queria que Tara estivesse ali, para poder contemplar aquele poder imenso que havia conseguido.

Só que, por culpa de Warren, Tara não estava ali. Estava fora do alcance de Willow. Tinha ido embora para sempre, e jamais voltaria... Osíris havia dito que Tara nunca poderia voltar.

-Eu sou a bruxa mais poderosa que já existiu na Terra. Os elementos se dobram à minha vontade; a minha vontade é a lei da natureza! Eu não posso trazer Tara de volta à vida, não é? Então matarei todos que a tiraram de perto de mim... –Uma lágrima escorreu caiu, rolando pela bochecha de Willow. –Eu devo isso a você, Tara. Você que foi a coisa mais importante da minha vida. A única pessoa que amei de verdade. Se não fosse por você, eu não teria conquistado todo esse poder que eu tenho agora... Você me ensinou muitas coisas, me ajudou nos momentos difíceis, me fez melhorar na magia... em tudo. Você foi a única coisa na minha vida que eu quis ter sempre ao meu lado, mas agora você foi embora... E não tem volta. –Willow olhou para cima, mais uma lágrima caiu. Era a última. A bruxa sabia que não voltaria a chorar mais. –Mas eu vou me vingar... vou vingar você. Eles vão me pagar. Um por um. E quando não tiver mais ninguém sobrando, eu vou até você... Espere por mim, Tara. Logo estarei com você.

Willow levantou-se, limpando as vestes. Seu corpo tremia levemente, por causa de todo o poder mágico que irradiava da ruiva.

Ela começou a andar. Estava bem próxima do lugar que buscava: a cadeia.

Sentia as auras de Jonathan e Andrew. Criaturas medíocres. Não mereciam estar vivos quando Tara estava morta. Ela valia pelo menos uns cem de cada um dos dois, somados.

Depois de uma curta caminhada, ela estava em frente ao prédio da polícia. Duas viaturas estavam estacionadas perto da entrada. Através da porta de vidro do prédio, Willow podia ver os policiais conversando, levando presos ou simplesmente devorando donuts e assistindo televisão.

-Idiotas... –murmurou, enquanto focava sua atenção em seus alvos.

As celas ficavam no andar de cima. A dos dois nerds estava bem próxima da rua. Willow, usando seus poderes, começou a tirar os tijolos da parede, abrindo um buraco que dava direto ao corredor entre as celas. Em poucos instantes havia um buraco grande o suficiente para que ela passasse. A bruxa então voou, pairando no ar, exatamente onde antes estava a parede.

-Jonathan! Andrew! –Ela berrou furiosa.

Olhando para a cela, ela só teve tempo de perceber um cabelo loiro de mulher, desaparecendo, deixando a cela vazia.

-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAANYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

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-Giles! –Buffy, Dawn e Tara exclamaram em uníssono.

O inglês entrou na cozinha, abraçando Buffy e Dawn. Ele olhou em volta, tentando enxergar Tara, mas não obteve sucesso.

-Ela está perto do fogão, Giles. –Dawn disse.

Giles se virou na direção indicada por Dawn, e deu um sorriso breve, acenando.

-As bruxas do coven do Conselho detectaram que um grande poder estava surgindo aqui em Sunnydale... Eu nunca poderia pensar que era Willow. –O Sentinela disse. –Liguei para Xander, para que ele avisasse vocês... e aí ele me contou sobre sua morte, Tara. Soube na hora que Willow não teria condições de lidar com isso... Peguei o primeiro avião para cá.

As três jovens suspiraram apreensivas.

-Giles... Você tem alguma idéia de como deter a Will? Ela está... descontrolada.

Giles balançou a cabeça negativamente.

-Não. O coven me deu algumas instruções e explicações. Inclusive me disseram que a projeção... o fantasma... de Tara deveria estar por perto. Disseram que essa não era a sua hora de morrer, Tara... –O ex-bibliotecário deu um meio sorriso, olhando na direção onde a bruxa estava.- Também disseram que haveria um médium entre as pessoas próximas de você. Pensei que seria alguém da família Maclay...

-Mas sou eu, não é? –Dawn perguntou.

-Sim. É você.

Buffy se aproximou de Giles.

-O que a gente faz agora, Giles?

-Não sei. Mesmo com todas as informações que tenho, eu não sei como agir. Mas, pelo que ouvi Dawn falando, Tara tem algum plano?

-Sim... Giles, você chegou a ler o livro sobre os rituais...

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-Onde está o Andrew? –Jonathan perguntou, ainda tremendo de medo.

Anya, com sua cara de demônio da vingança, respondeu:

-Vai ser mais seguro se vocês fugirem separados. Pelo menos as chances dela encontrar os dois diminui... Ou você tem a chance de viver um pouco mais.

-Por que a Willow está atrás da gente?

-Warren matou a namorada dela.

-Mas foi o Warren; não fui eu. Eu nem trabalho mais com o Warren...

-Não importa. Willow está descontrolada, e quer pegar você e o Andrew. Portanto –Anya encarou Jonathan –trate de fugir. Eu não salvo homens, eu os puno por tratarem mal as mulheres. Eu deveria estar do lado da Willow, inclusive, mas não é a coisa certa a se fazer nesse momento. Xander percebeu que Willow viria atrás de você e de seu amigo, e como eu posso me teleportar, tive que salvá-los. Considere hoje como seu dia de sorte.

-Dia de sorte? Eu fui traído pelos meus parceiros no crime, fui preso e agora tem uma... Fênix Negra descontrolada atrás de mim. Alguém avisa pra ela que eu prefiro a Jean Grey boazinha?

Anya girou os olhos, não entendendo nada do que Jonathan dizia.

-Vai fugir logo, ou não?

Sem dizer nada, Jonathan saiu correndo. Anya suspirou, e voltou a desaparecer no ar.

Assim que ela surgiu atrás do balcão da Magic Box, uma mão agarrou seu pescoço.

Willow estava ali.

-Como você se atreve a salvar aqueles dois vermes? –A voz da bruxa estava calma, e seus olhos, frios. –Você, Anyanka! Demônio da vingança. Devia estar do meu lado, me ajudando a me vingar pela morte da Tara...

-Você não quer minha ajuda. –A loira disse, tentando fugir do controle de Willow. –Eu posso sentir que você quer vingança... Seria meu dever ajudá-la. Mas também sinto que você quer ser a própria vingadora. Nesse caso, eu não tenho utilidade nenhuma, Willow.

A bruxa soltou Anya, que respirou aliviada. Willow disse, sem emoção.

-Está certa. Eu não quero que você traga a vingança. Eu vingarei Tara.

- A vingança não é a solução. Não para isso. –Ela olhou para a outra mulher. O rosto da ruiva estava tomado por cicatrizes horrendas. E os olhos, que antes eram verdes, agora estavam completamente negros. Não só a íris, mas todo o olho.- Mesmo que você mate todos que causaram mal à Tara... Ela não voltará. Willow, eu sei que você está sofrendo, mas entenda...

-Sabe que eu estou sofrendo... Desde quando você tem empatia com as pessoas, Anyanka? –A ruiva lançou mais um olhar gélido. –Você não pode ter idéia de como me sinto.

-Eu também estou triste por ela. Tara era a única pessoa que me tratava como um ser humano... Você, Buffy, Xander, Giles e Dawn sempre fizeram questão de me lembrar que eu era um demônio e que eu não estava ajustada à sua sociedade. Mas Tara, não. Conversava comigo, como... Como uma amiga. Eu perdi a única amiga que tive enquanto humana.

Anya encarou o chão, a vista embaçando por causa das lágrimas que se formavam. Era a primeira vez que dizia algo assim, e isso fez com que ela se sentisse subitamente emocionada. Nunca havia percebido aquelas coisas que havia dito para Willow, mas tudo era a mais pura verdade.

-Mais um motivo para você não atrapalhar meus planos, Anyanka! Se você está sentindo a perda dela... mesmo que seja uma perda muito menor que a minha... você deveria não se intrometer!

Willow estendeu as mãos, mais uma vez, na direção do pescoço de Anya. A demônio tentou fugir, mas foi impedida por um feitiço.

-O que você vai fazer?-Anya perguntou, enquanto Willow lentamente avançava, a mão estendida, pronta para se fechar em torno do pescoço da gerente da Magic Box.

-Vou... usar sua ajuda, Anyanka, para concluir minha vingança.

Elas ouviram um estalo, e o poder mágico de Anya começou a ser transferido para Willow. Num processo lento, Anya ia perdendo suas forças, enquanto Willow parecia brilhar, cada vez mais intensamente. A loira tentava fugir, mas o feitiço imobilizador que Willow havia conjurado era forte demais.

Anya sentiu que começava a desfalecer. Sua vista estava se turvando e seu corpo ficava cada vez mais pesado. Ela estava quase desmaiando quando ouviu um chute despedaçar a porta da Magic Box.

-Willow! –Buffy berrou. –Isso já foi longe demais.

-Buffy. Já estava na hora de você aparecer.

A caçadora andou na direção de sua amiga, devagar.

-Will, me escuta. Eu sei que você está sofrendo...

-Engraçado, agora todos decidiram ser empáticos, não é?

-Você perdeu alguém que você amava muito. Eu... eu sei como é.

-Oh, claro. –A voz de Willow era sarcástica. –Você que jurou amor eterno para o Angel, agora vive se enroscando com o Spike... É você realmente sabe o que é amar de verdade alguém e perder essa pessoa. Não, Buffy! Você não sabe.

-QUER PARAR DE AGIR COMO UMA IDIOTA? Tara está morta, eu sei. Mas não é o fim do mundo! SUPERE!

Os olhos de Willow mudaram de preto para vermelho, e brilharam.

-Você se arrependerá por isso, Buffy Anne Summers!

A bruxa lançou um raio na direção da outra mulher, que foi jogada para trás, batendo violentamente contra uma estante cheia de vidros, que desabou. Alguns segundos depois, a caçadora estava de pé. Buffy pegou um pedaço de madeira que antes compunha a estante e jogou na direção de Willow. Mas o ataque de Buffy foi inútil: a ruiva repeliu-o com um campo de força mágico.

A loira correu na direção de sua amiga, e pulou para dar um chute. Willow simplesmente ergueu a mão, lançando um feitiço, e Buffy voou pelos ares, caindo no chão mais uma vez.

O nariz da caçadora sangrava, e seu braço esquerdo provavelmente estava quebrado. Buffy levantou-se, com dificuldade. Estava acabada.

-Buffy... preciso te dizer... Eu compreendo agora. Essa coisa de Caçadora não é sobre a violência.

Willow se aproximou da loira, erguendo a mão.

-É sobre o poder.

Mais um raio luminoso e mágico atingiu Buffy, que caiu no chão, inconsciente. A bruxa examinou a situação, e disse, satisfeita:

-E não há ninguém no mundo com o poder para me deter agora.

Um raio esverdeado atingiu Willow, pelas costas.

-Eu gostaria de testar essa teoria. –Disse alguém na parte de cima da Magic Box.

Notas finais
Giles pertence a Joss Whedon/ Mutant Enemy e toda aquela coisa. Eu não tenho nenhum direito sobre ele.