Bring Me To Life
3 A Voz
Notas iniciais
P.O.V. Nico di Angelo
Eu não sabia se levantava e saia correndo para pedir desculpas, ou se saia correndo de volta para o chalé de Hades ou se me levantava e saia normal como se nada tivesse acontecido.
Mas eu tirei a ideia de pedir desculpas na hora porque, primeiro; eu nem sabia quem ela era ou seu nome, segundo; e se ela batesse a porta na minha cara? Ficasse assustada comigo? E terceiro; não tenho terceiro, mas o primeiro e o segundo já estão bem convincentes, não?
Fiquei com a última opção e fui direto para o chalé de Hades, fiquei um bom tempo no chuveiro, sai já era noite. Não tive vontade de ir para a fogueira.
Então só me deitei na minha cama de lado para a parede.
Meus olhos começaram a pesar e caí num sono, não profundo, mas leve porque fui acordado logo em seguida com uma voz no meu ouvido:
– Nico. — A voz não era que eu conheceria na hora. Ela era masculina, estava óbvio, era grave.
Acordei disparado. Ah... era só mais um fantasma.
– Não tô afim de falar com mortos. — disse eu me virando de volta.
– Nico. Nico. Nico.- repetiu.
– Que foi, caramba?! — gritei me virando. — Mason Green? — Arregalei os olhos.
– Sim. Nico, quero que você faça um favor por mim.
– Cara, você tá morto. Não posso fazer nada.
– Você pode falar com gente viva. — ele chegou ao ponto.
– E?
– E... esse é o favor que eu quero que você faça. Conhece Nina Green?
– Hã... — essa foi minha inteligentíssima resposta para Mason Green.
– Claro que não. Ninguém conhece Nina. Só a Gardner mesmo.
– Ela é o que sua?- perguntei.
– Irmã. Não é óbvio? Mason GREEN, Nina GREEN. Bom, você já viu uma filha de Deméter, baixinha, catorze anos, cabelos castanhos, olhos azuis, pele clara...
– Droga, sim. — murmurei.
– O que foi?
– Bem... — Me sentei na minha cama. — Hoje... bem... eu ou ela, meio que nos esbarramos... Ela parecia assustada.
– O.K. — Mason disse levantando as duas sobrancelhas. — Então, ela continua de luto por causa de mim.
– Muito assustada. — comentei. — Cara, ela saiu correndo e bateu a porta do chalé.
– Continuando, esse é o favor. Quero que você faça ela esquecer o sofrimento-
– Pera, Green. É um sofrimento ficar na mesma sala do que eu.
– Então. Di Angelo, tipo, vire amigo dela coisa assim. Você perdeu a irmã, sabe como é. Tipo, faça uma terapia com ela. Faça ela conhecer pessoas do Acampamento.
– Falou com a pessoa errada.- Me deitei.
– Quem mais eu conversaria?
– Sei lá, Hazel?
– Ela é do outro Acampamento. E se não fizer isso vou te assombrar pelo resto da sua vida.
Pensei um pouco e me virei para encarar Mason Green.
– Qual é mesmo o nome dela? — perguntei exausto.
– Nina Green. — falou animado.
– Falo com ela amanhã então. — Bufei.
Mason Green sumiu um tempo depois.
Fechei os meus olhos. O bom daquela noite foi que eu não tive nenhum pesadelo, nem sonho. Normalmente semideuses têm pesadelos e sonhos que significam alguma coisa. Eu especialmente tenho sempre um pesadelo, nunca um sonho. Obrigado, Hades!
Mason não ia me assombrar, mas aquele nome sim. Cada vez voltava para a minha mente; Nina Green.
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