Bring Me To Life
5 Lithium
Notas iniciais
A vida é algo realmente incrível. Eu passei os últimos seis anos sem qualquer noticias de Draco, mas, de repente, ele estava por toda a parte, trazendo lembranças desnecessárias.
Mas, desta vez, eu não faria o papel ridículo de chorar, como fiz na ponte.
– Com licença – eu murmurei, dando uma última olhada para a senhora Malfoy que me olhava confusa, parecendo buscar algo em sua mente, e então saí, mas não fui longe.
Pela segunda vez em menos de um dia, Draco parou a minha frente, bloqueando a passagem.
– Você não me deixou terminar ontem – ele disse, mantendo uma distancia segura.
Olhei o meu redor, vendo pouca movimentação.
– Draco, qualquer coisa que precisava terminar entre nós, acabou há seis anos – eu disse, querendo me ver longe dali.
Rony estava errado. Draco não deveria ser tratado como nada na minha vida. Eu passei toda a infância achando que ele era um herói, para então achar que ele era um metido e arrogante, depois que ele poderia ser melhor do que isso para só então descobrir que eu havia desperdiçado o melhor de mim.
– Você está ficando na casa dos Weasley, não é? Eu falei com Blás e ele me disse sobre o que está havendo.
– Isso não é nada que te diga respeito! – falei, querendo sair dali. Eu só queria ficar longe dele.
– Eu sei que não, mas eu pensei que nunca mais veria você. Pensei que nunca mais teria a chance de arrumar tudo.
– Arrumar? – o interrompi nervosa – Não está nada bagunçado para que você tenha que arrumar – falei e então abaixei minha voz que havia subido um pouco – Volte para o seu filho e a sua esposa!
Eu desviei dele, voltando a seguir caminho, quando Draco segurou minha mão e eu detestei as lembranças que aquilo me trouxe.
Flashback on
– Ele me detesta você sabe disso não sabe? – perguntei a Draco, quando o pai dele passou por nós dois, que estávamos deitados no jardim. O olhar que ele me dirigiu indicava claramente a sua mais do que simples aversão a mim.
– Não importa se ele detesta, sou eu quem te ama – ele disse, se inclinando sobre mim e me beijando.
Sorri e senti quando Draco segurou a palma de minha mão aberta e deixou algo cair sobre ela. Quando olhei, sorri. Um anel com o brasão dos Malfoy estava sobre ela.
– Você já tem um lugar na família.
Flashback off
Flashback on
Era a nossa... O quê? Quarta briga na semana? E isso porque ainda estávamos em uma segunda-feira.
Eu estava em frente à porta de casa. Draco tinha um olhar furioso dirigido a mim.
– Você não percebe que é isso o que está acabando com o nosso relacionamento?
– Meus amigos não fazem nada, Malfoy. Ao contrário dos seus, que vivem por aí aprontando. Um deles quase me matou você se lembra?
– Meu Deus, você tinha o que? Dez anos? – ele disse e passou a mão nos cabelos, bagunçando os fios – E tem aquele Ronald que te olha como se fosse dele.
– Ao menos Rony não estava por aí trocando beijos com a Parkinson.
Eu sabia que estava jogando sujo. Ele não falava com Pansy desde que começamos o namoro, mas eu ainda me lembrava da visão horrível dos dois andando para cima e para baixo.
– E o que me prova que você não fez e faz o mesmo com um dos seus amigos? – ele disse, com um tom tão acusatório que me deu nojo.
Eu me enfureci.
– Quer saber? – tirei o anel que estava pendurado em minha correntinha e joguei com força no peito de Draco – Eu não quero ser parte da sua família.
Draco pegou o anel e então olhou fixamente para ele. Eu vi o quanto aquilo havia o decepcionado.
Não havia mais tempo para arrependimentos. Eu não devia ter feito aquilo.
Ele me olhou e então se inclinou, colocando o anel em cima da cadeira de balanço que ficava na varanda, antes de dar a volta e sair dali.
Flashback off
Ambos estávamos errados e coisas demais haviam acontecido para que arrependimentos fossem tolerados.
– Eu não quero obrigá-la a conversar comigo, Hermione – ele disse – Mas eu preciso que você saiba de algo. Ontem, quando vi você na ponte, achei que fosse um truque da minha mente pelo que eu estava prestes a fazer, mas depois...
– Você tem um filho Draco, não existe nenhum motivo para o que você iria fazer – eu disse, me lembrando do que Narcisa disse. E ainda tinha a esposa... A esposa que Draco se referira na ponte.
– Você não entende – ele disse, balançando a cabeça – Você não faz ideia do que está acontecendo agora, Hermione.
– E eu não quero entender – eu disse, engolindo a seco. E então, erguendo a cabeça, eu o fitei profundamente – Essa não é a minha família.
Se ele lembrava-se do peso daquelas palavras, não demonstrou.
– Eu achei que tivesse recebendo uma segunda chance – seus olhos seguiram para a minha mão que ele segurava – Uma chance pra fazer tudo certo, mas não há maneira de concertar isso quando eu não sei ainda onde errei.
– Não se preocupe – eu disse, sentindo que eu não aguentaria muito tempo até que as lágrimas começassem a cair – Você não errou sozinho aqui.
Os olhos de Draco brilharam e ele molhou os lábios. Eu sentia tanta saudade... Tanta falta e vontade de beijar ele outra vez... Eu queria com todas as minhas forças que eu tivesse novamente Draco comigo.
– Dez minutos. Dê-me dez minutos e depois disso eu nunca mais te procuro Hermione. Eu só quero um tempo para me explicar.
Dez minutos com Draco... Dez minutos no passado...
Um passado mal-acabado e mal resolvido.
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