Bring Me Back To Reality.
11 Capítulo 11: Voando.
Notas iniciais
Laila gritou, abraçando minha prima e escondendo a face em seus seios. Lágrimas brotaram nos olhos de Helena. Oliver já estava ligando para a polícia. Olhei em volta... Nenhum sinal de bilhete.
– Ele desistiu de escrever cartas? – murmurei.
– Ali. – Helena apontou para um pedaço de papel embaixo do armário.
Fui até lá e peguei. Cordas vocais caíram e dei inúmeros passos para trás.
“Seu amigo está fazendo um ótimo trabalho, não acha?” ouvi alguém sussurrar. Fechei os olhos tremendo e senti os braços de Oliver ao meu redor.
Três batidas na porta ecoaram pela casa.
Por um instante, nenhum de nós quatro nos movemos.
Saí dos braços fortes de Oliver e abri a porta. Deparei-me com Aaron em sua pose de oficial da lei.
– Na cozinha. – eu disse simplesmente, dando espaço para que ele e a perícia entrassem no apartamento da minha prima.
Fechei a porta e apoiei a testa na mesma, esperando que alguém aparecesse e nos enxotasse de lá, assim como fizeram na minha casa.
– Vocês não têm outro lugar para ir? – ouvi Aaron dizer.
– Não. – Oliver respondeu.
– Bem, seu apartamento já foi liberado, mas vamos precisar de um tempo aqui. Creio que as duas possam voltar ao final da tarde.
– Tudo bem, elas ficam em casa até vocês liberarem aqui.
Tentei me acalmar. Eu iria para o psiquiatra no dia seguinte, ele iria me prescrever remédios mais fortes e ficaria tudo bem. Logo esses inúteis da polícia iriam achar o desgraçado do Derek.
Ou será que caberia á eu achá-lo?
– Amore mio? – ouvi Oliver sussurrar no meu ouvido. Me virei ficando cara a cara com ele.
– Nós vamos pra casa?
– Sim, vamos. As garotas vão passar a tarde lá, tudo bem?
– Sim. Você vai me levar à consulta amanhã?
Ele deu um sorriso fraco e acariciou minha bochecha.
– É claro que levo.
Ele levou os lábios à minha testa e pude sentir o cheiro embriagante de seu perfume.
Pude ouvir alguém tossindo.
Olhei e vi Aaron parado na sala junto com a minha prima e a baixinha.
– Vamos? – Lena perguntou.
Fiz que sim. Eu e Oliver recolhemos nossas roupas e às colocamos nas malas. Bem, eu coloquei as minhas na minha mala e Oliver simplesmente jogou as roupas na sua.
Ele pegou as chaves da picape e colocou uma camiseta. Fomos para a sala. Laila estava abraçando Helena, que apoiava o queixo em cima da cabeça turquesa da baixinha.
– Vamos? – perguntei.
Lena assentiu com a cabeça e passou o braço pela cintura de Laila. Saímos e fomos para a rua. Oliver abriu a porta para que eu entrasse e depois para que as outras garotas entrassem. Depois de todas nós estarmos sentadas ele entrou e virou a chave na ignição.
Estava chovendo. O vidro estava embaçado e estava frio. Olhei pelo retrovisor e encontrei com os olhos azuis de Helena. Ela sorriu fraco e me perguntei por um momento como ela lidava com aquilo. Aquele psicopata era seu ex-namorado e agora cunhado e mesmo que os cabelos de Laila fossem tingidos e os olhos fossem castanhos ela lembrava o irmão em alguns traços e ás vezes até na personalidade que ele fingia ter. Por alguns momentos eu não aguentava encarar Laila por muito tempo sem me lembrar de Derek. Como Helena não enlouquecia?
Ela enlouquece. – pensei.
Reprimir tanta dor já deve ter feito-a enlouquecer á muito tempo.
Nós chegamos ao meu apartamento e subimos. Ele estava limpo e arrumado, mas nada me faria esquecer daquela cena. Instintivamente levei meus dedos ao pescoço procurando minha safira. Não a encontrei.
Respirei fundo e fui deixar minha mala no quarto. Os lençóis ainda estavam bagunçados.
Mas o cheiro de sangue havia impregnado todo o lugar.
Fui até a sala.
– Pode fumar se quiser, Ollie. – eu disse.
– Eu não quero. – replicou.
Dei um sorriso fraco e o abracei. Seus dedos se entrelaçaram em meu cabelo e ele beijou o topo da minha cabeça.
– Ei! Seu aniversário é amanhã, não é?! – perguntei-o.
– Sim. Dezenove anos, querida. Estou ficando velho.
– A velhice começa aos vinte e sete, amor. Você ainda tem tempo.
Ele riu.
– Que bom então... – disse.
Virei levemente minha cabeça e me deparei com Laila e Helena sentadas no sofá. Era realmente muito estranho tê-las ali. Era como uma invasão de privacidade. Bem, eu ainda as teria ali até o final da tarde.
– O que querem fazer garotas? – perguntei.
– Algo que não envolva ver/ouvir vocês se pegando. – Laila disse.
– Scusa us. – Oliver disse. Dei um sorriso fraco.
– O quê?
– Desculpe-nos.
– Ei, a sua namorada acha fofo você falando italiano. Eu não entendo droga nenhuma.
– Nossa! Por que ser tão rude?
– Mas eu não fui rude...
Meu namorado se limitou á um suspiro.
...
Oliver havia levado Helena e Laila para casa e eu resolvi ficar em casa sozinha. Porém Oliver estava comigo pelo telefone.
– Você está chegando? – perguntei.
– Estou passando em frente à praia. Estou quase chegando.
– É realmente necessário ficarmos conversando por todo o trajeto? Eu estou bem.
– Ah, é extremamente necessário. Não queria te deixar sozinha pra começo de conversa então pelo menos ficarei falando com você até chegar aí. Quero ter certeza que você está bem.
– Considero isso fofo ou doentio?
– Na nossa situação? Considere uma precaução.
– Tudo bem. Quer me ouvir cozinhando?
– Você vai cozinhar?! – ele não parecia acreditar.
– Pipoca, querido. Você sabe que eu não sei cozinhar. Por que acha que estou morando com você?
– Ah meu Deus, que interesseira! Graças a Deus fui emancipado!
– Eu já teria roubado todo o seu dinheiro.
– Que bom que investi meu dinheiro nesse apartamento. Ah, tente não explodir a casa quando for fazer pipoca.
– Você não confia em mim?
– Em você eu confio. Em você mais o fogão? Não tenho certeza.
Eu havia saído do banho há pouco tempo. Estava de lingerie e com preguiça de colocar qualquer coisa por cima. Fui até a cozinha e comecei a procurar uma pipoca de microondas.
– Engraçadinho. Vou usar o microondas.
– Isso não me deixa mais relaxado.
– Conviva com isso.
Achei ter escutado o rangido da porta, mas como não ouvi mais nada apenas dei de ombros e continuei abrindo os armários.
– Oliver, você ainda está aí?
Senti uma respiração no meu pescoço.
– Sim, estou. – ele sussurrou em meu ouvido. Seus dedos cálidos percorreram minha cintura e meus quadris. Larguei o celular no balcão.
– Como não te ouvi chegar? – perguntei extasiada.
– Creio que você estava ocupada demais procurando... – ele esticou um braço e pegou um pacote de pipoca no armário. – isso.
– Não vale. Você colocou no armário mais alto!
– Pensei que seria divertido te observar procurar, mas aí você resolve fazer isso apenas de lingerie e isso se torna um pouco mais interessante. Principalmente quando você se inclina...
– Caramba Ollie! Você só pensa nisso?!
– Não. Na verdade, estava pensando numa coisa já faz um tempo...
– O quê?
– Está na hora de você aprender a dirigir. Você vai fazer dezenove anos e ainda não tem carteira, Sarah!
– Você vai me ensinar?
– Posso te ensinar agora se quiser.
– Duvido que vá me deixar tocar no volante da picape.
– Ei, ei! Eu confio em você bella raggazza. – beijou meu rosto. – Quer tentar?
– Ok, vamos. Mas vou colocar algo primeiro.
– É uma pena... Mas vai, coloque algo logo.
Fui até o quarto procurando algo para vestir. A primeira coisa que achei foi uma camisa social cinza de Oliver. Decidi que seria aquilo mesmo. Coloquei uma calça de couro e calcei qualquer sapato e voltei para a sala.
Oliver me viu e levantou uma sobrancelha.
– A minha camisa?
– Algum problema?
– Problema nenhum. Mas você vai ficar com cheiro de homem.
Puxei a gola de sua camisa e aspirei o cheiro de seu perfume. Era o melhor cheiro que eu já sentira.
– Não me importo de ficar com o seu cheiro.
Ele deu um sorriso fraco e me entregou minha jaqueta de couro. Pegou as chaves da picape e parou por um instante.
– Quer saber, acho que deveríamos ir para a casa dos meus avós agora. Você pega a picape na estrada. É melhor e mais calmo e eles querem te ver. O que acha?
– Tudo bem. Vamos dormir lá? Não temos aula amanhã?
– Não. Reunião dos professores ou algo do tipo amanhã. Podemos dormir lá.
– Tudo bem. Vu pegar nossas malas. Nem chegamos a desfazê-las mesmo...
Retornei ao quarto e peguei nossas malas. Resolvi pegar In Utero do Nirvana para ouvirmos na estrada também. Me ajudaria a relaxar.
Voltei à sala. Oliver se apressou em pegar nossas malas. Descemos e meu namorado abriu a porta do passageiro para que eu entrasse. Coloquei o cd e Oliver deu a partida.
Quando chegamos ao início da estrada Oliver parou o carro para que eu dirigisse. Precisa confessar: estava nervosa. Minhas mãos suavam e eu estava tremendo.
Afivelei bem o cinto. Implorei para que Oliver fizesse o mesmo e ele riu.
– Ok, dê a partida. – me orientou. – Mude a marcha e vá tirando o pé lentamente da embreagem. Vá pressionando o acelerador... – começamos a andar. Arregalei os olhos e arquejei assustada. – Se acalme amore mio. Mude para a terceira marcha e afunde um pouco mais o pé no acelerador.
– Eu não tenho certeza Oliver...
– A estrada é reta querida, você não vai capotar. – então ele envolveu minha mão no volante e me senti mais segura instantaneamente.
Mudei para a última marcha e fomos realmente rápido, usando todo o motor da picape. Oliver havia me assegurado que eu não afogaria o motor.
Então senti um arrepio me subindo pelo estômago. Parecido com o que Oliver me proporcionava, só que diferente. Adrenalina. Devia ser isso. Foi quando entendi a excitação que todos têm por dirigir rápido.
Eu me sentia voar.
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