Bring Me Back To Life - Concurso Song Of Our Love
1 Capítulo único
Notas iniciais
- Secondhand Serenade
- Sasuke-kun? – Escuto a doce voz da rosada, e bufo.
Até entendo que desde que voltei para a vila, ela não sei da minha mente. Mas, francamente, agora eu escuto a voz dela do nada?!
- Dez anos se passaram, e eu ainda sou ignorada por Uchiha Sasuke. – Escuto a voz dela novamente, e só então me viro.
E lá estava ela, num vestido verde claro que só realçava seus olhos cor de esmeralda.
- Sakura... – Como eu sou idiota. Ouvindo vozes, Sasuke?! Claro, porque talvez alguém esteja te chamando.
- Posso? – Ela indica a grama ao meu lado, e eu concordo com um leve aceno de cabeça.
Então a rosada sentou-se a meu lado e colocou uma mecha de cabeça atrás da orelha.
Os suaves raios de sol do fim de tarde incidiam sobre seu rosto, e não pude deixar de pensar que se anjos existem, devem se parecer com isso.
- Então, o que está fazendo aqui sozinho, embaixo dessa árvore? – Ela pergunta, seus olhos curiosos como os de uma criança.
Não pude evitar de abrir um pequeno sorriso, lembrando de como costumava passar tardes inteiras olhando para o céu e tentando lembrar cada detalhe do rosto que tanto me fascinava.
Os olhos grandes e inocentes, os lábios fartos e avermelhados, as maçãs levemente rosadas...
- Apenas... pensando. – Murmuro em resposta, e ela olha para o céu.
- Logo poderemos ver o pôr do sol. É lindo como a luz alaranjada pode deixar as copas das árvores meio douradas, e os pássaros todos voltam para os seus ninhos. Acho que o anoitecer, assim como a noite, são os momentos mais gostosos do dia. O silêncio, a calma, a beleza tão singela... – Ela volta a me olhar, e as maçãs do seu rosto adquirem um tom avermelhado. – Desculpe, eu perco o controle e falo demais, como sempre.
E eu amo ouvir você falar, florzinha.
- Já me acostumei. – Digo, com um leve sorriso no rosto.
Porque é sempre assim, eu penso uma coisa e digo outra. Talvez por isso ela fique tão decepcionada, sempre achando que a ignoro. Eu deveria... deveria ser diferente, não é? Ao menos agora que acabou, que não há mais vingança a ser cumprida...
O problema com agir indiferente a vida toda, é que você esquece como demonstrar o que sente.
- Bem, eu preciso ir... – Ela diz, levantando-se. – Esta noite tenho plantão no hospital. Tchau, Sasuke-kun.
Não vá, eu preciso apenas te dizer... que eu andei pensando muito em você. Que, na verdade, eu penso em você desde pequeno. Que, desde que retornei à vila, nada que eu faça tira você da minha cabeça.
- Tchau, Sakura. – Ela sorri, e logo depois segue seu caminho. A cada passo que ela dava, sentia um vazio aumentando.
Distância. Maldita distância, já não tive o suficiente de você?
- Baka, vá atrás dela! – Ino aparece pelas minhas costas e me dá um cascudo. Olho-a, surpreso com a atitude.
Normalmente eu esperaria um abraço, um “Sasuke-kun” num tom irritante. Mas, com certeza, não um cascudo.
- O que disse? – Pergunto, de cara emburrada.
- Pare de se comportar como uma criança, você merece uma bela surra e não só um cascudo! – Ela coloca as mãos na cintura, autoritária. – Acha que eu não percebo a forma como olha para ela?
- Não sei do que você está falando, Yamanaka. – Resmungo, desviando o olhar.
- Claro que sabe! Agora, seja um verdadeiro Uchiha e tome uma atitude. Ou vai se comportar como um emo gay para sempre?
Ela me chamou do que?!
~ * ~
Suspiro, olhando para a janela aberta no segundo andar. Já estava ali há mais de 15 minutos, e não fazia nada além de olhar para a maldita janela do quarto da minha rosada.
“Seja um verdadeiro Uchiha e tome uma atitude. Ou vai se comportar como um emo gay para sempre?”.
Faço uma careta, praguejando internamente. Emo gay, ela vai ver!
No milésimo de segundo seguinte, me encontrava dentro do quarto da Haruno. Olhei ao redor, e tentei imaginá-la ali. Por alguns instantes, pude vê-la saindo do banheiro, enrolada numa toalha.
Sorri levemente, balançando minha cabeça negativamente.
Ino está certa, Sakura. Já é hora de tomar uma atitude, porque... eu não consigo mais viver só observando você.
Escrevendo aqui,
Porque não há nada deixado
Para eu fazer.
Olho para o envelope em minhas mãos, e caminho até a cama. Precisava lê-lo, apenas mais uma vez. Pela milésima vez, na verdade. Não importa, precisava ter certeza que havia expressado tudo, todos esses anos de indiferença... em apenas uma carta.
Carta – on.
“Não tenho certeza do que eu estou fazendo, para ser sincero.
Mas é necessário. Afinal, uma loira escandalosa me chamou de emo gay.
Mas, por favor, saiba que
Eu estou tentando compensar meus erros
Eu não sei o que escrever. Tenho certeza que você se sairia bem melhor, pois sempre soube se expressar bem e usar as palavras certas.
O fato é que eu não sei como me expressar, nem sei usar direito as palavras.
Estou acostumado a sempre dar respostas monossilábicas, agindo de forma indiferente. É muito difícil saber como devo agir ou como devo dizer o que devo dizer.
Mas, entenda que eu estou me esforçando para compensar esses anos todos de palavras não ditas.
Não só as palavras não ditas, também aquelas que disse de forma errada e te magoei.
E você está se movendo
Com memórias culpadas
O mais difícil é saber que você se culpa, de alguma forma. Se culpa por não ter me impedido, se culpa por não ter ido comigo... pare de se culpar, por favor.
Acabo de negar meu sangue Uchiha, com esse “por favor”. Eu realmente não sei como explicar o que quero dizer.
Mas eu estava errado
Por sempre nos testar
Esta estrada quebrada é mais do que posso suportar
Posso começar esclarecendo algo que me incomoda muito.
Aquele dia que você tentou me matar, ou melhor, que eu acabei tentando matar você... Eu não faria aquilo de verdade, entende? Estava tentando provar a mim mesmo que não possuía mais laço algum, que ninguém mais me importava. Só que, no momento que te tiraram da direção daquela lâmina, eu senti um alivio que não sei explicar. Como se tudo tivesse ficado tão leve, e finalmente eu pudesse respirar.
Naquele dia, eu testei você. Pedi para acabar com Karin. Fico feliz que não tenha feito aquilo. A garota que não sai da minha cabeça, jamais faria aquilo.
Eu sempre nos testei, não é? Sempre usei palavras duras com todos, principalmente com você. Queria ver se você desistiria, porque eu sei que seria o melhor para você. Mas não desistiu, nunca desistiu. Cada resposta dura que eu lhe dirigia, você abria um sorriso e saia-se ainda melhor da próxima vez. Isso era como tapas na minha cara, porque por mais que eu tentasse, não conseguia provar para mim mesmo que a garota incrível que eu via era apenas imaginação.
Eu sei que estava errado. Mas não me arrependo de nada. Não me arrependo de não ter te levado para o caminho que eu seguia, cheio de ódio e solidão. Qualquer dor que você sentia em Konoha, rodeada por amigos, é mais aceitável que seguir aquele caminho cheio de escuridão.
Obrigar você a viver o que eu vivia, a sentir o que eu sentia... seria mais do que eu posso suportar.
Portanto esse é o jeito que eu vou te dizer
Que eu vou deixá-la sozinha, se você quiser.
Portanto, eu sei que não tenho o direito de esperar o mesmo afeto que você me dirigia antes.
Sei que você tem todos os motivos possíveis para não me querer mais na sua vida.
E eu sairei dela sem reclamar, se for o que você realmente desejar.
Mas eu já tive o suficiente desta vida sozinho
Mas eu sei também, que eu não quero mais ser um expectador na sua vida. Eu quero parar de tentar imaginar como é poder te tocar, poder te sentir, poder te falar coisas que eu penso e nunca digo. Quero tomar uma atitude e te pedir para ser a pessoa para quem eu voltarei para casa.
Eu sei
Eu não mereço te dizer que te amo
Não há nada neste mundo que eu levaria acima de você
Se ainda não for o suficiente, eu arrisco parecer ridículo e admito logo que não mereço dizer nada disso a você.
Não tenho o direito de arriscar te magoar novamente, com essa simples carta que pode libertar lembranças e sentimentos negativos.
A única razão de eu ainda continuar escrevendo-a, é que não sei outra forma de te dizer que não há nada no mundo que seja mais importante para mim... do que você.
Estou morto por dentro
Traga-me de volta à vida
E acho que, agora que já disse mais do que imaginei um dia conseguir expressar, digo logo que você foi a minha salvação. Foi aquela que preencheu a minha existência solitária com um sentimento chamado amor, um sentimento que eu já não conhecia mais.
Vou deixar esta nota para você ler
Então você não vai esquecer que tudo que eu preciso é você
É você!
A ultima coisa que eu preciso dizer, porque é a única coisa que penso nos últimos meses... é que tudo que eu preciso é você. Preciso de você para reconstruir minha vida, preciso da única pessoa que sempre foi um ponto de luz – mesmo quando só havia escuridão, preciso da única pessoa que já tive vontade de tocar, de sentir.
Certo, já é o meu limite. Me sinto ridículo em te escrever uma carta, um covarde, um idiota. Mas acho que não há adjetivos mais justos, pois eu fugi de você esse tempo todo.
Então, se você estiver chorando agora, provavelmente eu não saberei se isso é bom ou ruim.
Mas, basta você pressionar essa carta contra o seu peito, que eu saberei exatamente o que fazer.
— Uchiha Sasuke.”
Coloquei o pedaço de papel sobre a mesa dela, pouco antes de escutar um barulho no andar inferior.
- Mas o que...? – Murmurei, confuso.
Ela deveria estar de plantão no hospital!
Me escondi na lateral da sacada, do lado de fora do seu quarto.
Pouco depois, a Haruno entrou no quarto e foi retirando o uniforme ninja. Quando entrou no banheiro, estava apenas de roupas intimas.
Não pude evitar, um rubor invadiu minhas fazes.
Ela me mataria, se soubesse disso.
Cerca de 15 minutos depois, que mais pareciam horas, ela saiu do banheiro. Enrolada numa toalha, foi até o guarda-roupa e pegou seu pijama. Um shorts vermelho e uma regata branca.
Virei o rosto, pouco antes de ela deixar a toalha cair no chão, aos seus pés.
Instantes depois, ela estava se dirigindo até a sacada.
Ah, não.
Entretanto, parou na metade do caminho.
Curiosa, observava a folha de papel que estava sobre a mesa.
- Mas que diabos...? – Sussurrou para si mesma, e sorri ao lembrar-me como ela não costumava ser delicada, nem com os gestos, nem com as palavras. Era uma das coisas que mais gostava nela.
Pegando a carta, ela se dirigiu até a cama e sentou-se sobre ela.
No inicio, sua expressão era confusa. Mas, a medida que seus olhos avançavam pelas linhas escritas no papel, sua expressão foi se modificando.
Primeiro, veio a surpresa. Logo após, um abatimento que beirava a tristeza. E então, vieram as lágrimas. Um aperto dominou meu peito, e tive que me controlar para não correr e abraça-la.
Assim que terminou a carta, ela olhou para a janela e para os lados, procurando por algo. Procurando por mim.
Esse é o jeito que eu vou te dizer
Que eu vou deixá-la sozinha, se você quiser.
Meu coração acelerou, e o ritmo só aumentava a cada instante que aquela carta permanecia longe do seu peito.
- Sabe, Sasuke-kun... – Ela começou, limpando as lágrimas. – Eu te esperei por tanto tempo, que quando decidi que precisava te esquecer, já não lembrava como era minha vida sem querer você.
Mas eu já tive o suficiente desta vida sozinho
- E eu ficava a noite toda imaginando se você estaria bem, me perguntava se você se sentia sozinho, se ainda lembrava de mim... Tudo que eu podia fazer era abraçar o travesseiro e torcer para que você pudesse sentir. É bobo, é infantil. Mas era o único consolo que eu tinha.
Eu não mereço te dizer que te amo
Não há nada neste mundo que eu levaria acima de você
Ela fez uma pausa e abraçou os próprios ombros. Ainda permanecia parada, no meio do quarto, com a maldita carta longe do seu peito.
- Eu percebi, depois de muitos anos, que a minha dor não castigava apenas a mim. As pessoas ao meu redor sentiam-se mal por mim, e eu só piorava as coisas para o Naruto... Ai eu decidi que já era hora de deixar você ir, que já era hora de amar quem merecia ser amado... Percebi que o Naruto sempre esteve ao meu lado, e que ele agia comigo... como eu agia com você. Se doía tanto em mim, poderia doer tanto nele? – Ela parou por alguns instantes, colocando uma mecha do cabelo rosado atrás da orelha. Seus lindos olhos verdes brilhavam sob a escassa luz da noite, pois a luz do quarto permanecia desligada. – Mas eram conclusões óbvias, que não mudavam a realidade. Não importava o quanto eu tentasse, não importava o quanto eu dizia a mim mesma que amava o Naruto. Não passava de tentativas em vão de me convencer que eu ainda faria qualquer coisa por você.
Estou morto por dentro
Traga-me de volta à vida
Ela coloca a carta perto do peito, e meus olhos se arregalam levemente.
No instante seguinte, estava em frente a ela, abraçando-a possessivamente.
Nunca é tarde demais para lhe mostrar quem eu sou
Eu sei que você quer me amar
Eu sei que você entende que eu poderia ser sua página perdida
- Pensei que nunca colocaria a carta sobre o peito. – Sussurrei, meu rosto contra a curva do seu pescoço. Senti o cheiro de cerejas me invadir, e a sensação de vazio não se fazia mais presente.
Pela primeira vez na vida, eu tenha a certeza de onde estou e do que eu quero. Eu me sinto completo.
- Pensei que nunca me abraçaria dessa forma. – Ela responde com voz chorosa. Afastei-a apenas o suficiente para erguer seu queixo com uma das mãos e faze-la olhar em meus olhos.
- Nunca mais sairei do seu lado, minha flor. – As lágrimas transbordavam dos olhos cor de esmeralda, mas um sorriso me informou que eram lágrimas de felicidade. Não pude conter um sorriso, que logo foi substituído por uma expressão séria.
Os orbes verdes tronaram-se confusos, e o sorriso sumiu dos seus delicados lábios.
Com uma mão, segurei a cintura delicada e eliminei toda e qualquer distancia que ainda se mantinha entre nós. Com a outra, segurei sua nuca.
Ela corou levemente, olhando-me nos olhos.
Traga-me de volta a vida
Traga-me de volta a vida
Traga-me de volta a vida
Traga-me de volta a vida
Como que em câmera lenta, cada momento parecia ser uma eternidade. Uma eternidade que eu passava com ela. Lentamente, meus lábios tocaram os dela, num suave roçar que logo foi ganhando urgência.
Sakura envolveu minha nuca com as delicadas mãos, como se me pedisse mais.
Esse é o jeito que eu vou te dizer
Que eu vou deixá-la sozinha, se você quiser.
Mas eu já tive o suficiente desta vida sozinho
Lentamente, a conduzi até a cama, sem interromper o beijo por nem um segundo sequer.
Quando seu delicado corpo deitou-se sobre o colchão, nos separamos, ambos ofegantes.
Sobre ela, apoiava meu peso entre um braço e uma perna. Ela me olhava nos olhos, e eu a correspondia da mesma forma.
- Você tem certeza, Sakura? – Perguntei, ainda temendo uma hesitação. – Nunca mais farei nada que possa te magoar.
Eu não mereço te dizer que te amo
Não há nada neste mundo que eu levaria acima de você
- Você é a única certeza que eu sempre tive, Sasuke-kun. – Ela sussurra. Antes que eu percebe-se, um meio-sorriso se formou em meus lábios. A rosada correspondeu com outro sorriso, aquele sorriso doce e verdadeiro.
Aquele sorriso que ela só mostrava para mim.
Estou morto por dentro
Traga-me de volta à vida
Notas finais
Espero que tenham gostado :3
Poderiam, por favor, me avaliar no concurso? Ah, e deem uma olhadinha nos ones de lá, não vão se arrepender!
Link para o concurso: http://fanfiction.com.br/historia/397413/Concurso_The_Sound_Of_Our_Love_-_Oneshot/
Kissus~
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