Notas iniciais
MA OE! kkk estão gostando da história?Espero que sim,porque,digamos que conforme cada capítulo as coisas vão ficando...interessantes.Leia e confira.

Tentei fazer uma cara não muito ruim, mas não consegui conter o choque.

–Por que essa volta repentina?

Ele suspirou cansado, bagunçando os cabelos loiros.

–Não sei, mas culpa não é.

–Eles não explicaram nada?

–Não. Enfim, deixa isso pra lá. Pode pegar o trabalho.

Fui vasculhando a mochila dele, procurando a pasta. Achei mais uma coisa desagradável.

–Cara, você também fuma?!

Ele me fitou triste.

–Não, mas nunca é tarde para alimentar novos vícios...

–Você não está pensando em fumar isso não é?

–Sei lá cara. Deixa isso aí, por hora eu não abro o maço.

–Não. Você vai jogar isso fora!

–Ah, por favor! Não seja tão dramática!

–Sou sim! Eu não vou deixar você fazer churrasco dos seus pulmões!

Ele deu uma risada fraca.

–Está bem sua chata! Olha. — ele pegou o maço e tacou-o no lixo. — Pronto, nada de cigarros e pulmões tostados.

–Você fica brincando, mas eu estou cuidando de você, ok?

–Ok, obrigado. Mas eu não preciso de babá.

–É sério Oliver! Se você morrer eu só vou ao seu funeral se tiver pizza!

–Nossa! Muito obrigado pela consideração senhorita Jackman, muito obrigado!

–Disponha querido. — dei um sorriso provocativo.

Os amigos dele começaram á gritá-lo, chamando-o para se juntar á eles.

–Eu vou lá, ok? Te vejo depois.

Ele pegou a mochila e se juntou aos garotos. No final eu nem peguei o trabalho.

Resolvi ir ao banheiro, eu não ia muito lá. Na verdade eu nem tinha visto o outro espelho que colocaram depois que eu quebrei o último, e nem fazia tanta questão disso.

Entrei, e lá estava. Eu, refletida no espelho, a coisa que eu mais detestava. Ver-me diante do espelho era a coisa mais difícil que eu tinha de fazer pela manhã. Meu reflexo mostrava o quanto doentia eu era. A pele pálida com olheiras profundas, os olhos azuis clamando por um fim. Clamando pela morte. Eu estava me afogando na depressão por tempo demais para voltar, meus pulmões já estavam repletos da água cor de ébano. Não havia mais esperanças para mim. Era como se eu não pudesse fazer nada além de me desintegrar no espaço e no tempo, como um monte de areia ao vento.

Fiquei me fitando por sei lá quanto tempo, até que um grupo de garotas entraram.

–Garota, você esta doida? Vai ficar se olhando ai no espelho?

Sai do transe com aquelas palavras. Eu devia aparentar um estado catatônico.

–Vai se ferrar.

–O que?! — uma delas deu um gritinho fino e dolorido, que me deixou com dor de ouvido.

–Você me ouviu, idiota.

–Escuta aqui estranha, a idiota aqui é você!

–E ainda não tem argumentos. Vou até sair.

Fui empurrando-as e sai do banheiro. Eu não queria ficar lá mesmo.

Sentei no banco do pátio e enterrei os fones nos ouvidos. Peguei meu livro e adeus pátio. Olá, acampamento meio-sangue!

Senti alguém me cutucando na parte em que Percy e Ares lutam na praia. Virei e vi o Oliver. Não sei por que, mas acabei me assustando e dei um pulo.

–Garoto! Você não sabe aparecer mesmo pela frente como uma pessoa normal?!

–Eu apareci, mas parece que Percy Jackson e Metallica são mais interessantes do que eu.

–Mas são mesmo.

–Olha Sarinha, você esta muito brincalhona ultimamente. Vem, vamos conversar sobre essa sua rebeldia.

–Não, obrigada. Cadê seus amigos?

–Com as namoradas/vadias do mês.

–Ah, quer dizer que vocês têm vadias do mês?

–Sim. Esse mês você é a minha.

–O que?!

–Brincadeira Sarinha, eu não faço isso. Tenho coisa melhor pra fazer do que ficar iludindo os outros.

–Tipo dormir?

–Tipo isso.

–Ah sim. Se você estiver me enganando e me usando você vai sentir o salto da minha bota aonde dói, entendeu?

As pupilas dele se dilataram novamente. Era tão divertido assustá-lo.

–Esta bem. Não esquenta, eu não estou te enganando. — seu olhar se revezava entre os meus olhos e a minha bota.

–Acho bom mesmo... — dei um olhar maléfico, e o sinal bateu. — Tchau, te vejo mais tarde. — dei um beijo na bochecha dele e sai, provavelmente deixando-o confuso.

...

Sai para o intervalo, ainda confusa e assustadoramente estressada por conta de uma fórmula de química, quando Oliver me parou na porta do refeitório que na verdade se chamava “Centro de Nutrição” e que só servia comidas naturais e vegetarianas. A Jordan High School era um ótimo exemplo de escola alternativa em San Diego.

–Oi Sarinha.

–Oi Oliver.

–Tudo bem com você? Você está parecendo meio estressada.

–Fórmulas de química são uma merda.

–Uma merda bem grande e estressante.

–Tirou as palavras da minha boca.

–Você não vai comer?

Olhei para as bandejas das outras pessoas, cheias de vegetais e hambúrgueres de soja. Aquilo não parecia muito atrativo.

–Não e você?

–Não. É verde demais pro meu gosto.

–Gordo.

Ele se olhou e depois me olhou bem nos meus olhos com uma cara de “é sério isso?” e não, não era sério. Oliver tinha o porte físico de um deus grego, ou apenas de um lutador.

–Acho que eu não estou tão gordo não...

–Não, não está.

–Então, quer ficar andando? Meus amigos estão, você sabe, com as vadias do mês.

–Tudo bem, desde que você não me trate como uma vadia do mês.

–Deus! Quantas vezes eu tenho que dizer que eu não faço isso?!

–Nenhuma. Eu só gosto de te irritar.

–E consegue. Muito.

–Você não vai me bater, não é?

–Ah que lindo! Agora além de cafajeste eu bato em mulheres! O que mais eu sou pra você, Sarah?! — ele disse isso um pouco alto demais, fazendo todos voltarem sua atenção para nós.

–Um escandaloso.

Ele olhou em volta, percebendo o olhar de todo o pátio.

–Ah... Desculpa.

–Não foi nada.

Ficamos andando em silêncio e aquele silêncio não era constrangedor, era um silêncio bom, reconfortante até.

Oliver quebrou o gelo.

–Sarinha, é...-ele parecia um pouco envergonhado. — Você... Você tem namorado?

–Oliver Vendetta, olhe bem pra mim. — ele me obedeceu. — Você acha que algum cara iria gostar de sair com uma garota que se veste de preto e de blusa de mangas compridas em pleno verão?

–Deveria, você é legal e bonita.

–Obrigada, mas a maioria das pessoas não repara isso.

–Espera, então você é bi?

–Perdão?

–Você disse “pessoas” e não “garotos”.

Aquilo me surpreendeu, eu nunca havia parado pra pensar nisso. Tentei pensar em alguma garota pela qual eu poderia sentir alguma coisa, nem que fosse apenas atração e a única que me lembrei foi Chloe Maureen, a única amiga que eu já tive e eu acabei estragando tudo dizendo que estava apaixonada por ela.

–Não sei. Talvez... E você?

–Se eu sou bi? Não.

–Não loiro, se você gosta de alguém no momento.

–Ah, não, eu acho que não... Eu estou um pouquinho confuso. E provavelmente a garota não gostará de mim...

–Por qual razão...?

–Sarah Jackman, olhe bem para mim. -o obedeci com um sorriso fraco por ele ter roubado minha piada. -Você acha que alguma garota iria gostar de um cara burro que repetiu o terceiro ano e que dorme a maior parte do tempo?

–As líderes de torcida gostam.

–Mas eu não estou interessado em uma líder de torcida.

–Então, quem seria a donzela que está sendo alvo do seu interesse?

–Você não a conhece, ela é minha colega de trabalho.

–E você fica dando em cima dela no horário de trabalho, senhor Vendetta?

–Não, senhorita Jackman.

–Bom mesmo.

–Ei! Virou minha chefe agora?

–Sim. E se ficar dando em cima dessa garota vou descontar do seu salário.

–Engraçadinha.

Uma das líderes de torcida derrubou o meu livro no chão e Oliver não conseguiu se conter.

–Ei! O Madison Número 5! — ele gritou, fazendo a garota se virar. O grupo das líderes de torcidas tinham inúmeras Madisons. — Pega o livro dela.

–Por que eu faria isso?

–Pra mostrar á todos como você é um bom exemplo de educação e não uma vadia fútil.

Madison Número 5 pareceu ofendida e todos os curiosos que estavam nos olhando soltaram em uníssono “uuuuuhhh”.

A loira se abaixou e pegou meu belo livrinho do chão, dando-o na minha mão e dizendo em um tom quase inaudível:

–Desculpa.

–O que?Acho que não ouvi. Fale mais alto. Você é educada,não é? — provoquei.

–Desculpa! — ela disse mais alto e saiu com as outras 15 Madisons e Jenifers.

–Você gosta de chamar atenção, não é loiro?

–Eu só gosto de ensinar ás pessoas o que é ter boa educação, Sarinha. — ele passou o braço em volta dos meus ombros e saímos andando e conversando.

...

No dia seguinte acordei com o meu celular tocando. Era Oliver.

–Sarah Jackman, você sabe que horas são?!

Não precisava saber, eu tinha certeza que estava atrasada.

–Merda! Não acredito que a minha mãe não me acordou!

–Anda logo garota! Faltam dez minutos para o sinal bater!

Desliguei na hora e fui me arrumar. Coloquei a primeira roupa que vi: um shorts um pouco acima da metade da coxa, uma camiseta do Slayer que cobria o shorts e meus coturnos. Nada de blusa, nada de pele coberta. Essa deveria ser a primeira vez em anos que saía assim.

Arrumei meu cabelo e fui sem nem ao menos tomar café. Fui correndo e por um milagre divino cheguei restando três minutos para o sinal bater.

Quando Oliver me viu quase babou.

–Sarah! Vo-você...

–Pare de me olhar como se quisesse transar comigo!

–Ok, mas... Que milagre aconteceu?!

–O milagre de estar atrasada, caro Oliver...

–Apoio você sair mais vezes assim.

–Obrigada...

Todos me olhavam, fiquei envergonhada.

–Como você fica fofa envergonhada, Sarinha. — Oliver passou o braço em volta dos meus ombros, fazendo com que eu tivesse que olhar para cima para poder vê-lo. Ele era bem alto.

–Obrigada, mas eu devo estar parecendo à bandeira da China.

–Tá não.

Ele parecia preocupado.

–Oliver, o que foi?

Ele suspirou.

–Eu não consigo esconder nada de você, não é? — ele me olhou, eu continuava vidrada nele. — Meus pais... Eles chegaram ontem. Estão lá em casa. Até agora não aconteceu nada, mas eu não me sinto confortável com eles lá. Vim pra cá antes mesmo da escola abrir. Eu... -ele suspirou e passou a mão pelos cabelos- Eu comprei um maço de cigarros e digamos que eu já fumei metade dele.

–Não... Oliver, não!

–Desculpa, eu só... Eu não aguentei, sabe?

–Oliver, você me disse que não fumaria!

–Eu sei! Mas eu não aguentei! Por favor, não me olhe assim!

–Me dê o maço.

–Sarah...

–Oliver, me dê o maço!

Ele me entregou relutante, e eu o atirei certeiramente no caminhão de lixo que passava.

–Boa mira... — Oliver parecia triste.

–Obrigada. Oliver olhe pra mim. — ele me olhou. — Você tem que me prometer que nunca mais vai chegar perto de um maço de cigarros, entendeu? Prometa pra mim!

–Sarah...

–Prometa Oliver!

–Eu prometo! Eu juro!

–Tá. Obrigada.

–Sarah?

–O que?

–Por que você se preocupa comigo?

–Por que você é o primeiro amigo que eu tenho em cinco anos. E eu não posso me dar o luxo de te perder, entendeu?

Ele sorriu.

–Obrigado.

–Pelo que?

–Por me fazer me sentir importante. Você é provavelmente a única amiga de verdade que eu tenho.

–E os seus amigos?

–Você está vendo eles ao menos se preocuparem comigo?

Olhei para os amigos dele. Estavam rindo e conversando e Oliver deveria estar lá, rindo e conversando também, mas estava aqui comigo porque assim como eu, mesmo rodeado de pessoas, ele se sentia dolorosamente sozinho.

O abracei.

–Nós vamos nos ajudar, tá bom? — falei.

–Tá bom.

Era um abraço apertado, ele me puxava para cima. Era a coisa mais reconfortante que eu já senti. Não me sentia assim nem quando abraçava meu pai.

O sinal bateu e entramos. O primeiro período seria de educação física e o teríamos juntos. Não jogamos, apenas ficamos na arquibancada conversando.

Notas finais
Gostaram?Comentários?Por favor,comentem se estão gostando,isso me motiva muito. Até o próximo capítulo. Bye,bye.