Notas iniciais
Ei!Estou amando todos os comentários positivios,vocês não tem noção!Espero que gostem do novo capítulo.Enjoy and Enjoy.

Não entrei em pânico como das outras vezes. A escola ficaria em reforma por um bom tempo e eu não me importava para o que os outros pensavam sobre mim ou a minha vida. O problema era a lista de nomes que eu gostaria de saber aonde o Anjo, ou melhor, Demônio da Morte havia arranjado. E por que ele escolheu justo eu para atormentar? Que maldição de doença!

– Eu não ligo Ollie. Eu não ligo para o que os outros vão pensar, nunca liguei e não é agora que vou começar a ligar.

– Eu sei que você não liga, amore mio, mas eu não vou me aguentar se começarem a falar mal de você.

– Que falem, só faltava eu ser chamada de vadia, já que sempre me chamaram de outras coisas. Agora eu não tenho mais nada. Eu jogo minhas mãos para o alto.

– Eu sei, mas não significa que isso me impeça de ficar irritado.

Massageei seus ombros. Seus músculos relaxaram na hora.

– Isso ajuda?

– Sim, muito. Mas eu quero outra coisa agora. — ele se levantou agilmente e me agarrou pela cintura, me beijando e passando a mão pelos meus cabelos. Então ele me deitou na cama e ficamos assim por horas.

Dormi na casa dele naquela noite, meu trauma foi tanto que eu não iria conseguir passar pelo menos aquela noite sem ele.

Naquela noite, eu tive um sonho.

Eu estava na minha casa, estava tocando na guitarra uma das minhas músicas. Meus cabelos estavam maiores, quase batendo na cintura e eu usava um chapéu-coco. Havia um desenho estranho na parede do meu quarto, no lugar da poesia que Oliver me dera. Eram olhos azuis. Meus olhos azuis. Mas algo estava escrito em uma das minhas íris. Algo quase ilegível. Precisei pegar uma lupa para poder ler o que era.

“Olhos azuis, olhos azuis. Por que tão cheios de morte?” — Anjo da Morte.

Deixei cair a lupa, quebrando-se. Algo em mim cresceu, um pressentimento. E não era um dos bons.

Desci correndo as escadas com as minhas botas de saltos. Adquirira esta habilidade de todas as vezes que eu estive atrasada nos últimos três anos. Fui até o banheiro. Nada. Até a cozinha. Nada. Então me ocorreu ir até o quarto dos meus pais.

Helena estava enforcada no ventilador de teto. Enforcada com uma das cordas de aço do meu violão. Seus olhos azuis estavam abertos e... Cheios de morte.

Acordei de súbito com Oliver ainda me abraçando pela cintura e dormindo tranquilamente, como se a pessoa á quem ele estava abraçado não estivesse enlouquecendo. Tentei voltar a dormir.

No dia seguinte, quando acordei sentindo um peso no peito, Oliver estava me olhando dormir. Ele sorriu quando o olhei.

– Bom dia, bella raggaza. Sembri Bella Addormentata.

– O que?

– Você parece com a Bela Adormecida.

Dei um sorriso fraco e o abracei.

Ele se levantou e foi até o banheiro. Aproveitei para tirar o pijama e colocar minha camiseta do Rage Against The Machine, shorts de couro, meias 7/8, cinta-liga e minhas botas.

Quando ele voltou eu já havia feito a cama por ele porque (1) ele não iria fazer e (2) eu não tinha nada para fazer.

Ele deu um sorriso fraco.

– Obrigado, mas não precisava. Vem, vamos fazer o café.

Fizemos ovos mexidos com bacon (minha comida de café da manhã preferida) e tomamos leite com um achocolatado barato, já que não sabíamos fazer café.

Ouvimos seu Led Zeppelin IV em vinil enquanto limpávamos a casa. Enquanto eu varria e dançava ao som de Whole Lotta Love Oliver lavava a louça e vez ou outra tacava água em mim. Dei-lhe uma vassourada fraca.

Fomos lavar a caminhonete, depois que eu o fiz prometer que não me molharia com a mangueira. Achei cinquenta dólares perdidos num dos vãos do banco de trás. Ele ficou tão feliz com o meu achado que me pegou pela cintura e me beijou, ou simplesmente queria me beijar e o fez.

Depois eu comecei a mandar mensagens de texto para Helena, mas ela não respondia. Tudo bem, ela deve estar com o Derek. Mas eu tinha o pressentimento que não.

– Ollie, acho que eu quero ir pra casa ver a Helena. — eu disse quando estávamos terminando de lavar a caminhonete.

– Tudo bem, eu te levo lá.

– E sujar de merda de pombo a caminhonete pela qual eu dei meu suor pra lavar?! Nem pensar! Eu vou a pé, se você quiser você me acompanha. Sua casa não é nem tão longe da minha assim.

– Tudo bem, já que eu sei que não adianta discutir.

– Nem um pouco. — eu disse em sua orelha, pontuando as palavras sensualmente. Deixei minha esponja no balde e entrei na casa.

Bebi incontáveis copos de água, que nunca me pareciam suficiente. Como lavar uma droga de caminhonete poderia ser tão cansativo?

– Cansada? — Oliver perguntou enquanto eu bebia mais um copo de água.

– Sim. Agora entendi de onde vêm tantos músculos. — comentei sem vergonha alguma.

Ele deu uma risada gostosa e esperou pacientemente eu beber mais três copos para depois beber dois copos de água.

– Vou trocar essa roupa molhada e nós vamos buscar sua prima, ok? — ele disse e me roubou um beijo. Depois saiu e eu fiquei sozinha na sala.

Senti seu perfume antes de tudo (que era quase onipresente), depois ouvi seus passos, depois o fitei e apreciei-o de camisa polo preta e calças jeans e depois ouvi sua voz suave dizendo:

– Vamos, bella raggaza?

– Vamos, mio bello raggazo.

Ele deu um sorriso torto e me lembrou de pegar meu pijama antes de me acompanhar porta á fora.

Andamos na rua de mãos dadas e parecíamos chamar bastante atenção. As garotas fitavam Oliver quase babando e sem nem ao menos mostrar respeito por mim. Os homens comigo eram a mesma coisa.

– Essas pessoas não tem respeito por um casal? — Oliver sussurrou no meu ouvido.

– O mundo está perdido mesmo, Ollie. — sussurrei de volta.

Oliver parecia ansioso, suas mãos suavam e a que não estava segurando a minha estava cerrada.

– Está com vontade de fumar? — perguntei.

– Sim. Mas não se preocupe, eu não vou fumar. Eu já joguei todos os meus maços de Black Devil fora, é um começo. Eu não quero fumar nunca mais.

Dei um selinho nele.

– Você está se saindo muito bem. Estou orgulhosa de você.

– Obrigado, amore mio. Muito obrigado. — ele me deu um selinho.

Mais 15 minutos caminhando e chegamos em casa. A sensação ruim me invadiu e me consumiu, mas eu precisava me controlar. Não havia acontecido nada, foi apenas um sonho, apenas isso.

Entrei em casa com as mãos suando. Não havia um único vestígio de Helena. Está tudo bem, Sarah, ela só saiu com o Derek.

Subimos no meu quarto, minha caixa de e-mail estava aberta.

– Mas que merda...?

Um novo e-mail havia chegado. Abri ele e quando li entrei em pânico. Entrar em pânico estava se tornando habitual, mas não reduzia a angustia e o medo.

“Sua bela prima está bem comigo. Peguei-a emprestado por um tempo, mas talvez eu não a devolva. Estamos no lugar onde somos associados, no lugar onde estamos interligados. Onde tudo começou. Tchau, só passei para falar que ela está indignada com quem eu sou.” — Anjo da Morte.

– Onde tudo começou?

– A escola? — Oliver sugeriu.

–Mas a escola está em ruínas praticamente!

– Shh, se acalme.

– Eu não posso me acalmar, Oliver! Ele pegou a Helena! Ele pode pegar você também!

– Ele não vai me pegar, Sarinha.

– Vai sim! — comecei a chorar e o abracei. — Eu não posso perder vocês dois.

– Shh, você não vai me perder. Você nunca vai me perder, ok? Nunca.

– Mas e...

– Shh. — colocou o indicador em meus lábios. — Você não vai me perder. Nunca. Vem, deite-se e tente dormir.

– Não, Oliver. Os meus sonhos são horríveis.

– Pense em algo bom e você não terá pesadelos.

– Tá. — me deitei na cama e ele se deitou também, acariciando meu cabelo e meu rosto. Pensei em nós no campo, foram cinco dias felizes. Pensei nesses cinco dias e logo adormeci.

Não sonhei com nada. Um sono sem sonhos, eu ansiava por isso e finalmente consegui. Oliver dormira também com o braço envolto em minha cintura. Dei um sorriso fraco e fechei os olhos de novo, esperando a hora que ele acordasse.

Ele acordou 20 minutos depois enquanto eu o observava dormir. Ele sorriu, olhando no fundo dos meus olhos e eu sorri de volta. Meu celular tocou com Poison Heart do Ramones. Atendi e coloquei no viva-voz a pedido de Oliver.

– Sarah! Socorro! Socorro! — era a voz de Helena, sufocada e tossindo e então, desligou.

Entrei em pânico de novo e gritei por Helena. Retornei a chorar. Oliver desceu correndo e voltou com um copo de água para mim. Tomei ainda chorando. Helena precisava de mim, ela estava em perigo, provavelmente sendo torturada e eu não fazia ideia de onde ela estava.

– Amor, venha para o campo comigo, por favor. Nós pensamos em algo por lá, mas não vamos ficar aqui.

Concordei ainda chorando e bebendo água para me acalmar. Eu precisava de uma rota de escape agora, para poder pensar em algo coerente para salvar Helena.

Antes de sequer arrumarmos as malas, ligamos para Derek e Laila, avisando que Helena fora sequestrada. Derek ficou em choque e disse que onde quer que o assassino estivesse ele rasgaria a garganta dele. Laila começou a chorar e disse que torturaria o assassino com todas as armas de tortura conhecidas. Ambos ficaram abalados e depois de uma breve despedida desligaram.

Comecei a arrumar a minha mala com a ajuda de Oliver. Ele disse que lá estava bastante frio, então era para eu levar vários suéteres e meias. Levei dois gorros também, botas e meus coturnos e a minha jaqueta de couro.

Fui para a casa de Oliver e esperei que ele fizesse as próprias malas. Fomos até a caminhonete e fomos embora. All We Know Is Falling da Paramore seria nossa trilha sonora para o campo. Fomos quietos por todo o caminho.

Chegando lá conheci os avós de Oliver. Eram senhores simpáticos e o avô de Oliver possuía os mesmos olhos dourados do neto. A Sra. Fedrizzi disse que eu era bonita e educada e o Sr. Fedrizzi disse que Oliver escolhera bem. Mas os elogios não podiam mudar meu humor melancólico.

Fui deixada num quarto de visitas e Oliver em outro. Eu estava de volta à paisagem linda com o pôr do sol mais lindo do mundo. Mas nem mesmo a bela imagem poderia me trazer calma. Minha prima, uma das pessoas mais importantes para mim estava nas mãos de um serial killer e poderia estar morta naquele mesmo momento, enquanto eu apreciava melancolicamente a bela vista. A culpa me corroeu e o desespero de voltar para casa me bateu. Mas Oliver estava certo, aquela era nossa rota de escape do mundo e nós precisávamos pensar com clareza. Em São Diego nós apenas iríamos ficar rodeados de morte.

Jantamos comida italiana que Oliver preparara. Ele era um ótimo cozinheiro, até seus avós concordavam. Depois entrei em uma conversa vergonhosa sobre meu relacionamento com Oliver com a Sra.Fedrizzi.

Oliver preparara a caminhonete para vermos o céu estrelado de outubro novamente, mas eu não conseguia reviver a lembrança daquele momento feliz. Porque muita coisa acontecera desde aquele dia. E aqueles momentos me pareciam errados enquanto Helena estava em algum lugar com um assassino. Ou então morta em algum lugar de São Diego. Ou até fora de São Diego. Respirei fundo e tentei apreciar o céu. Oliver não falava nada e eu agradeci silenciosamente por isso. Pois eu não queria falar nada naquela hora, só queria ver o céu e tentar esquecer de tudo.

Fiz uma poesia mentalmente.

Eu fora deixada no fundo do lago

No centro do labirinto

No âmago da agonia e do desespero

E voltar era impossível.

E todas as coisas parecem monótonas.

E todas as coisas parecem erradas.

E todas as coisas não tem o menor sentido.

Sem você aqui, comigo para dividi-las.

E antes que eu lhe perca de novo

Eu só espero que você saiba.

Que eu te amo por tantas vezes tentar me livrar do meu labirinto.

E amo a pessoa ao meu lado por fazer isso sempre.

E mesmo que não consigam agora.

Eu agradeço.

E amo.

Essa Rota de Escape.

E essa última esperança

De você estar aqui ainda.

Notas finais
E aí?Gostaram?Quem é o assassino?Tchau,beijão.