Bring Me Back To Life
10 Capítulo 10.
Notas iniciais
Saí correndo com o meu salto e achei Oliver antes de todo o resto.
– Uma garota. Morta. No Banheiro. — eu disse entre arquejos.
Oliver segurou-me e me levou para fora da boate, onde todos já estavam esperando. Nada de três músicas, pelo visto.
– Sarah! — Helena veio até mim e segurou meus ombros. — O que aconteceu?!
– O assassino. — Oliver respondeu por mim. — Tem uma garota morta no banheiro. Nós precisamos tirar ela daqui.
Não sei se o motivo de me tirar de lá rápido era porque eu parecia estar passando mal ou outra coisa, mas eles me tiraram de lá voando, Derek furando todos os faróis e provavelmente explodindo os radares.
Chegamos em casa por volta das 3:00 am, Oliver me levou carregada até o quarto, tirou as minhas botas, deitou-me na cama, cobriu-me e colocou o relógio para despertar.
–Durma bem, não pense em nada. Pode me ligar a qualquer hora, mesmo que seja por causa de um pesadelo. Eu vou falar com você e se precisar eu venho até aqui, ok? Boa noite, Sarinha. — deu-me o costumeiro beijo na testa e foi embora. Depois disso, só ouvi alguns murmúrios vindos do andar de baixo e caí no sono.
...
Acordei no dia seguinte com Helena dormindo num colchão aos meus pés. ”Oficialmente, 18.” pensei. Tirei o meu vestido e tomei um belo banho, ouvindo Slide do Jake Bugg. Então notei que meus pais não apareciam em casa desde ontem. Eu não fazia ideia de onde eles estavam. “Melhor assim.” pensei.
Sai e coloquei meias-calças pretas, um moletom um pouco grande da The Pretty Reckless com a cruz e a seta apontando pra baixo, shorts, coturnos e um gorro preto. O tempo havia esfriado drasticamente de uma hora para outra.
Lembrei-me de como Oliver havia-me descrito. Eu era assim, tão intensa como o mar? Quando eu me comparara á algo minha ideia sempre fora uma rocha. Parada, imóvel, fria. Agora, o mar, com sua intensidade imprevisível e sua beleza inconfundível? Eu nunca pensara assim.
Helena mexeu-se, resmungou, espreguiçou-se e finalmente acordou. Sempre pensei que as pessoas resmungassem e se espreguiçassem antes de realmente acordarem, não ao contrário. É como um pequeno ritual para acordar: Você resmunga por conta da luz, do barulho e do mundo que se tornou visível e você se espreguiça para tentar exorcizar a preguiça esticando os músculos.
– Bom dia. Já arrumada? — perguntou-me e levantou.
– Sim e daqui a pouco estou indo. Você sabe onde estão meus pais?
– Eles foram passar um tempo no Kansas com os seus avós até eu ir enjaulada de novo.
Eles não querem a convivência com mais uma louca. Já não basta uma. Pensei.
– Ah sim. O que você vai fazer o dia inteiro?
Ela saiu e tirou a camiseta, colocando uma escrita “Nós Aceitamos O Amor Que Achamos Merecer” de As Vantagens de Ser Invisível e depois tirou os shorts, colocando uma calça de couro.
– Vou sair um pouco, dar uma caminhada e passar o dia com o Derek. Nem vou parar aqui direito.
– Ok. Você sabe que horas eu chego mais ou menos, certo?
– Sim.
– Ok, qualquer coisa me ligue.
– Ok, mamãe.
– Tchau, filhinha.
Peguei a minha bolsa.
– Sarah!
Virei e fitei a bela mulher de olhos azuis à minha frente.
– Tome cuidado, por favor.
Concordei com a cabeça, enquanto um arrepio percorria-me a espinha. Ela nunca falara assim comigo. E o jeito como Oliver tinha falado ontem... Balancei a cabeça e sai.
Quando cheguei à escola, Oliver estava me esperando no portão como sempre. Ele deu o sorriso de sempre e passou os braços em volta dos meus ombros.
– Tudo bem, Sarinha?
– Sim.
– Não teve nenhum pesadelo?
– Por incrível que pareça, não. O que aconteceu?
– Nós chamamos a polícia antes de irmos embora e te tiramos de lá por segurança.
– Por quê?
– Por nada Sarinha, não esquenta não.
O sinal bateu. Ele me deu um beijo na testa e seguiu para a sua sala, enquanto eu ia para minha aula de filosofia.
Entrei e percebi que todos me olhavam de um modo estranho. Eu não deveria ligar, mas não me contive.
Cutuquei a gótica na minha frente.
– Amanda, por que todos estão me olhando desse jeito estranho?
Ela se virou, as íris castanho-esverdeadas estavam rodeadas por uma tinta azul, por conta de sua tatuagem de olhos. Dei um pulo na cadeira por conta disso.
– É por causa de você e seu namorado. Eles acham que o Oliver é bom demais para você. – ela deu de ombros.
Espera, namorado?
– Mas o Oliver não é meu namorado!
– Ah! Conta outra! — debochou. — Vocês vivem juntinhos, trocando carinhos, de mãos dadas ou abraçados. Vocês são inegavelmente um casal.
Suspirei irritada e encarei os outros. O professor entrou na sala antes de qualquer ação minha.
– Bom dia. Não sei se algum de vocês sabem, mas os budistas creem que tudo está interligado. O que vocês acham desta crença?
–Que tudo o que você faz hoje terá uma consequência no futuro, como em um dominó. — Amanda disse.
– É boa, mas é uma opinião muito batida e basicamente a definição para o carma. Quero uma nova. Será que encontrarei aqui nesta sala?
Levantei a mão.
–Sim, Sarah.
–Acho que quer dizer em como as coisas estão interligadas. Pense na areia e no mar de uma praia ou mesmo num casal. Você não consegue pensar em um sem pensar em outro. Você pensa no planeta Terra e na água, você pensa nas Torres Gêmeas, mas não pensa em apenas uma sendo atacada, você pensa em ambas. Acho que é como se tudo estivesse realmente interligado.
–Meus parabéns, Sarah! Foi uma ótima opinião! Bem, agora eu quero que vocês copiem...
Desliguei-me do presente e fui á um mundo paralelo. Pensei em outras coisas que estavam terrivelmente interligadas. Helena e a clínica. Eu e um psiquiatra, se você realmente me conhecer. Oliver e os cigarros. Aquilo tudo estava interligado, ou então associado. Talvez sejam ambas, ou talvez não seja nenhuma das duas coisas, mas resolvi abandonar meu lago de consciência paralela e voltei ao presente, à matéria.
Alisei minha safira com os dedos e dei um sorriso singelo. Aquele realmente fora o melhor presente que eu havia recebido.
...
Quando o intervalo chegou, já havia infinitos murmúrios sobre eu e Oliver. Aquilo estava me irritando. E muito.
– Ei, Sarinha! — Oliver me abraçou.
– Ei, grandalhão. Já sabe da notícia?
– Não, qual?
– Estamos namorando, segundo á todos do nosso querido colégio.
Ele começou a gargalhar feito um louco.
– É sério isso?!
– Sim. — sorri.
– As pessoas realmente não tem nada para fazer, embora eu considere esta opinião delas um elogio.
– Por quê?
– Sarah, namorar você é o que qualquer garoto dessa escola quer.
Corei um pouco, talvez muito. Ele parecia estar sendo sincero, mas... O que ele quis dizer com isso?
– É verdade?
– Sim. É um elogio para mim, pensarem que eu sou seu namorado, mesmo que você não queira nada.
– Não quero mesmo. — mentira. — Pra mim você é como um irmão mais velho. — dupla mentira.
Ele sorriu e me deu um beijo provocador no canto dos lábios.
– Venha, bella raggaza. Vamos andando.
Comemos juntos, de mãos dadas para provocar e ver até aonde as pessoas iam. Todos nos olharam. Todos murmuraram. Todos davam risadinhas. E então, Amanda chegou perto de nós:
– Parabéns! Vocês são lindos juntos. — eu e Oliver nos entreolhamos, eu mordi o lábio para conter o riso e acabei fazendo isso de um jeito sexy.
Olhamos para ela.
– Obrigado, Amanda. Nós estamos muito felizes juntos mesmo. -ele pegou nossas mãos e deu um beijo na minha.
Amanda sorriu e foi embora. Senti Oliver se aproximando do meu pescoço. Ele sussurrou no meu ouvido:
– Me diga como não rolar de tanto rir agora.
– Morda o interior das bochechas, morda a língua.
– Tenho uma ideia melhor. — então ele virou o meu rosto e me deu um selinho.
– Isso foi muito melhor. — deu um sorriso torto, eu podia sentir todos aqueles olhos nos observando e os murmúrios eram terríveis.
Então eu percebi que os murmúrios não vinham dos outros, e sim de dentro da minha cabeça.
“Sarah, Sarah... Gostando de alguém mesmo estando irremediavelmente perdida? Espero que não esteja contando com ele para te apoiar quando eu começar á sussurrar. Você não quer infectar o garoto com a loucura, não é?”
Apertei a mão de Oliver bem forte, cerrei os olhos para impedir que lágrimas caíssem.
– O que foi bella raggaza? — Oliver sussurrou no meu ouvido.
– Su-sussurros...
Ele passou o braço em volta dos meus ombros, ainda sem soltar minha mão. Ele foi até a secretaria e disse que eu estava passando mal e precisava ir embora. Eles o deixaram ir comigo, graças a Deus.
Chegando em casa, ele me pegou no colo e me deitou na cama. Nenhum sinal da Helena.
– Shh, está tudo bem, Sarah. Eu estou aqui. Olhe para mim. -obedeci-o. — Eu estou aqui, vai ficar tudo bem, ok?
Assenti.
– Oliver, deita aqui comigo.
– Tem certeza, Sarinha?
Assenti novamente, as lágrimas rolando.
Ele se deitou e passou o braço em volta da minha cintura. Recostei a cabeça em seu peito e senti o peito indo para cima e para baixo junto com a respiração.
– Shh ,está tudo bem, ok? Está tudo bem.
Para cima, para baixo. Para cima, para baixo.
E entre lágrimas e a respiração minha e de Oliver se misturando, eu adormeci.
No sonho, eu usava um vestido longo e negro, o corpete ajustando-se perfeitamente às minhas curvas. A cauda do vestido era imensa e pesada, o que atrapalhava um pouco a minha locomoção. Eu andava pelo colégio, era de noite e não havia ninguém. Eu tinha um castiçal com uma vela. A escola era tremendamente velha, na verdade fora construída numa mansão do século XVII, então de noite ela era assustadora. De repente eu senti algo batendo no meu pescoço. Apareci de novo, amarrada pelos pulsos ao teto de uma sala desativada. Alguém sussurrou: ”Ninguém te salvará agora, Sarah.” E eu acordei berrando.
Oliver me acalmou enquanto acariciava meus cabelos.
– Oliver, me diz uma coisa.
– Qualquer coisa. — disse suavemente.
– Por que vocês me tiraram às pressas da balada?
– Isso eu não posso responder.
– Oliver!
Olhei-o nervosa.
Ele suspirou.
– Descobriram uma semelhança entre as vítimas do assassino. Estão chamando-o de Anjo da Morte.
– Qual é a semelhança?
Ele me olhou com dor nos olhos.
–Esquizofrenia.
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