Notas iniciais
U.U Hey Peeople! Essa é a minha primeira fic, e eu realmente espero que vocês gostem.

Em vista de sua reputação de "facilmente irritável", Athena não costumava ser interrompida em seus momentos de paz. Que dirá na biblioteca, seu tão amado refúgio. Provavelmente por isso, a deusa se vira tamanhamente assustada com o estrondo da porta, que ricocheteava e repercutia pelas extensas prateleiras.

Suspirando, já levianamente irritada por ter tido sua atenção tomada, voltou seus olhos de tempestade para um atônito Hermes. A raiz úmida dos cabelos castanhos claros do deus, juntamente com suas bochechas coradas, não deixavam à deusa outra conclusão senão a de que ele estivera correndo.

A partir daí, obviamente, não foi difícil para ela deduzir que se tratava de algo importante.

— O que houve, irmão? — perguntou Athena, a curiosidade se sobressaindo ao breve sentimento de raiva que sentira por ser interrompida em sua paz.

— Zeus convocou a todos para uma reunião de emergência — respondeu Hermes. — Ainda tenho que chamar alguns outros deuses.

— Ah — disse Athena, com a mente repleta de ideias sobre a pauta do conselho. — Não sabe me adiantar o tema que será tratado, por acaso?

Hermes arqueou os lábios em escárnio, uma lembrança de riso passando por suas narinas.

— Você é engraçada, maninha. Se alguém fosse saber, seria o braço direito de Zeus. No caso, você. Eu sou apenas o cara que passa os recados.

Athena assentiu. Não adiantaria discutir. Hermes estava certo, afinal.

— Está bem. Obrigada por avisar. Vou para a Sala dos Tronos logo que terminar aqui.

Ela levantou o seu volume de Sherlock Holmes para ilustrar sua fala, seu marca páginas mostrando que não mais do que vinte páginas a separavam do término do livro que a deusa por tantas vezes já lera.

— Não sei se vai dar tempo — observou seu irmão — mas se quiser arriscar...

Um sorriso desafiador brincou nos lábios da deusa.

— Já me viu chegar atrasada para algum compromisso, por acaso? E, ainda que eu me atrasasse, o que Zeus faria? Me' atiraria para fora do Olimpo? — a expressão de Hermes se contraiu diante do apontamento de Athena. Ambos sabiam que aquilo jamais aconteceria. — Agora é melhor se apressar, ou não vai conseguir chamar os outros a tempo.

Hermes saiu, fechando a porta atrás de si com mais delicadeza do que quando entrara. Talvez tivesse percebido o tom de irritação na voz da deusa.

Athena apenas balançou a cabeça algumas vezes, para então retomar sua leitura.

***

O barulho dos baixos saltos da loira ecoava em seus ouvidos, fornecendo a ela um efeito calmante enquanto adentrava a Sala dos Tronos.

A esmagadora maioria dos deuses já se encontrava ali, inclusive Hermes, que a olhava com uma sobrancelha arqueada, como quem diz "eu te avisei".

Athena direcionou a ele um breve sorriso de lado e uma piscadela de seus belos olhos cinza tempestade, apesar de ter engolido em seco quando lhe deu as costas e se viu longe da visão do irmão.

Pode-se dizer que ela estava um pouco atrasada, apesar de não fazer mais do que quinze minutos que Hermes a estivera chamando na biblioteca.

Uma vez sentada em seu trono, ela se pôs a avaliar os deuses ali presentes. Todos já se encontravam dispostos em seus lugares, com exceção de seu pai, Zeus, e seu tio, Poseidon.

Mais aliviada, uma vez que obviamente o conselho ainda não havia começado, dada a ausência de Zeus, ela se colocou a pensar — a princípio — no porquê de seu pai ter convocado uma reunião tão urgente mas não estar presente.

E, depois, no motivo de tão particularmente aqueles dois, que viviam brigando, não terem chegado.

Como que para atiçar ainda mais a curiosidade da deusa, ambos irromperam juntos pela porta, deixando a ela mais do que claro que eles estiveram conversando.

Que ato milagroso. Conversaram e o teto sequer veio abaixo dessa vez, pensou irônica. Nem mesmo gritos e xingamentos.

Olhando ao redor e percebendo que não fora a única a ficar surpresa com a entrada conjunta, ajeitou-se no trono e, quando estava prestes a voltar-se para seu pai já sentado, seus olhos se detiveram em seu tio.

Ela não queria admitir a si mesma que o verde dos olhos dele lhe chamou a atenção novamente então, mais uma vez, permitiu-se escorregar os olhos por suas feições angulares a procura de algo que justificasse tamanha atração.

E, por fim, encontrou. As manchas arroxeadas sob seus olhos, indicando uma explícita falta de sono; a barba, sempre tão bem cuidada, por fazer; a expressão, tão costumeiramente relaxada, dominada por uma preocupação iminente.

Athena não pôde refrear seus pensamentos analíticos antes que eles somassem essas características do deus ao fato de ele ter entrado junto a seu pai. Muito menos a conexão que isso teria com o Conselho de emergência em que estavam presentes. Definitivamente, turbulências estavam a caminho.

Um problema que envolvia diretamente Poseidon.

Recompondo sua carapaça de indiferença, Athena voltou sua atenção para a realidade.

Livre de seu mundo de devaneios, a deusa percebeu que passara certo tempo encarando fixamente o seu tio que, por sua vez, percebera.

Ele arqueou sugestivamente uma sobrancelha tão negra quanto os cabelos que lhe cobriam a cabeça, e Athena quase pôde ouvir sua voz perguntando "apreciando a melhor vista da sala?"

Irritada apenas de imaginar, dirigiu a ele um olhar severo e se voltou para seu pai, não sem antes ver de relance o deus dos mares abrir um sorriso de lado e imitá-la.

— Eu, Zeus, deus dos deuses, dou início ao Conselho Olimpiano número 393 764 527.

De início, Athena prestara atenção no que seu pai dizia, mas como uma aluna entediada de colégio, seus pensamentos começaram a fugir-lhe a razão ao perceber que o assunto que despertava seu interesse ainda tardaria a chegar.

Inconscientemente, se pegou olhando para frente, e encontrou os olhos absurdamente verdes de Poseidon pousados sobre si.

Surpresa, ela franziu a testa, ao que ele prontamente percebeu e devolveu com um sorriso de lado seguido de uma piscadela que seu irmão, Apolo, classificaria como "marota". Athena revirou os olhos, mas continuou a encará-lo, apenas para receber um sorriso aberto da parte dele, que exibia seus dentes branquíssimos.

O que raios está acontecendo aqui?! Athena se perguntou, bufando. Que insolente!

— E agora, o assunto principal da noite — disse Zeus, despertando a atenção da filha (que se viu muitíssimo grata, por motivos diversos). — Como muitos de vocês já sabem, minha esposa, Hera, deusa do casamento, concedeu a meu irmão, Poseidon, um dos Três Grandes, o divórcio.

Oi?! Como assim ele se divorciou? a deusa se viu surpresa, diante do que para ela era uma chocante notícia. Olhando ao redor, no entanto, percebeu que fora a única em choque. Aparentemente, os outros já sabiam. Acho que preciso sair um pouco mais da biblioteca...

— E — continuou Zeus — na condição de um dos Três Grades, e por ter um vasto reino para governar, Poseidon não poderá se ver livre de uma cônjuge que o ajude devendo, por tanto, se casar o quanto antes.

A deusa voltou seu olhar para o deus dos mares a sua frente. Este, cujos lábios entreabertos deixavam escapar um suspiro, e as mãos escondiam suas esmeraldas verdes.

Mal saiu de uma furada e já vai ser obrigado a entrar em outra, Athena se flagrou pensando.

— Para que isso não tarde a se cumprir — retomou Zeus — eu, de bom grado, escolherei uma dama para esposar meu irmão.

— Que história é essa, Zeus?! — bradou Poseidon se levantando, incrédulo, e com uma pitada de bravura na voz.

Aparentemente, isso não estava no combinado...

— Isso mesmo, irmão — reafirmou Zeus.

— Quem você pensa que é para decidir com quem eu vou me casar?!

— Ora, se eu não o fizer você procrastinará o tanto quanto possível para achar alguém. E tenho certeza que, se encontrar alguém com paciência o suficiente para te aturar, será alguma desclassificada. Sem contar que de nada adiantará eu deixar que você escolha sua nova esposa, se depois você se arrependerá e passará milênios implorando à Hera o divórcio, como ocorreu com Anfitrite — argumentou Zeus.

Apesar de todas as discussões que Athena já tivera com Poseidon no decorrer de tantos milênios, ela tinha certeza que jamais o vira tão irritado.

E ela entendia o tio. Afinal, se as escolhas e a liberdade dela fossem colocadas em jogo e deixadas na mão de alguém que ela não confia e, ainda por cima, diante de todo o conselho...

— Com todas as pautas tendo sido abordadas — disse Zeus — eu dou o Conselho de hoje como encerrado, com abertura para retomadas futuras no que diz respeito ao casamento de Poseidon.

Os deuses começaram a se por de pé. Alguns se colocaram para fora pela porta, e outros apenas se teleportavam. Athena não pode deixar de reparar que, quando Poseidon aparatou*, a costumeira névoa verde que deixava para trás estava menos brilhante que o normal.

Esperando a sala esvaziar, a deusa se perguntava o porquê de convocar um Conselho para comunicar que um deus seria obrigado a se casar. Afinal, não era tão incomum assim. Não fora o que ocorrera com Afrodite e Hefesto, por exemplo?

Provavelmente Zeus queria aparecer, ou mesmo humilhar o irmão em "praça pública". Ou, o mais provável, ambos os motivos.

Logo que os outros deuses se encontraram distantes, Athena se dirigiu até Zeus. Ela precisava ter uma conversa em particular com o pai, afinal.

— Papai? — disse ela, chamando-lhe a atenção.

— Sim, querida.

— Eu preciso de um favor seu.

— É claro. Manda bala. — disse ele.

Athena franziu o cenho. Seu pai usava umas gírias tão estranhas às vezes.

— Bem, eu... Eu quero me casar com Poseidon.

1 — O termo "Aparatar" é do universo de HP? Sim. Eu apenas a encaixei aqui. Considerem um easter egg.

Notas finais
E então, o que acharam? *Revisado 04/02/2017