Notas iniciais
Hey peeople! Nos vemos nas notas finais.

Capítulo 11:

Depois de uma longa discussão sobre a minha roupa ser indecente, e de em que lugar nós iriamos fazer as compras, acabamos chegando as seguintes conclusões:

1 — A minha roupa não é indecente para os padrões mortais nos dias atuais, mas é para os padrões “Deusa-casta-virgem-puritana” como diz Poseidon, o que por acaso, eu sou.

2 — Nós iriamos fazer as compras no primeiro shopping que víssemos.

(...)

Uma vez terminada as compras, nós as colocamos no porta-malas do carro alugado, um conversível vermelho (porque de acordo com Poseidon, esse é o mínimo em que um deus poderia andar).

Os meus cabelos balançavam com o vento. Eu escutava atentamente a musica Californication, que tocava no CD dos Red Hot Chili Peppers enquanto olhava para paisagem do lado de fora da janela. Os prédios autos de Nova York se erguiam em todas as direções.

– Atena, você está muito quieta. – disse Poseidon.

– Talvez seja por que eu não tenho nada para conversar com você. – disse, as minhas palavras saindo mais amargas do que eu calculara.

– Não seja chata! Converse comigo.

– Não, obrigada. A janela está mais interessante.

Poseidon parou o carro no semáforo. E logo depois senti algo quente subindo pela minha perna. Abaixei o olhar, e me deparei com a mão de Poseidon sobre a minha coxa.

– Poseidon! Tire agora a mão da minha perna!

Eu já prestes a estrangula-lo. O semáforo abriu, e o carro voltou a andar.

– A janela continua mais interessante do que eu? – perguntou ele, sua mão ainda sobre a minha perna, um sorriso malicioso brincando em seus lábios.

– Poseidon. Tire a mão da minha perna. Agora.

– E se eu não tirar? O que você vai fazer?

– Isso.

Abri a porta do carro e pulei, cai girando na calçada. Alguns mortais olhavam para a sena, uns com a expressão chocada, outros surpresos, e até mesmo uma mulher, provavelmente feminista, que tinha o olhar como que dizendo “Isso mesmo, garota!”.

Levantei em um pulo, me virando, e correndo, embora essa tarefa não estivesse sendo muito bem sucedida por causa daquele maldito salto.

Parei, usando um muro para me escorar, e assim tirar aquele sapato mais facilmente. Eu queria ter colocado aquele tênis. Pensei, mas antes, Poseidon vai ter que me pegar.

– Atena! – Disse uma voz, que eu reconheci imediatamente como sendo a de Poseidon.

Joguei um dos sapatos na barriga dele, e sai em disparada. Poseidon gritou, não sei se de dor, tamanha força com que lancei o sapato, ou de raiva.

Há tempos eu não corria daquele jeito. E, por mais que eu estivesse sendo perseguida, a sensação de liberdade se espalhava pelo meu ser como o fogo em um posto de gasolina.

Eu ouvia os gritos de Poseidon logo atrás de mim. Atravessei uma rua, deslizei sobre o capô de um carro, em uma típica cena de filme de ação. Aterrissei no chão, logo vendo que estava no Central Park.

Sorri.

Corri o mais rápido que pude, alcançado o meu objetivo: ganhar vantagem. Fui para trás de uma arvore, sem que Poseidon notasse. Quando ele passou ao meu lado, joguei o outro sapato na cabeça dele, e corri na direção oposta.

Poseidon ficou brevemente desnorteado, mas logo começou a correr atrás de mim novamente.

Olho para trás por cima do ombro, para ver se ele estava me alcançando, e não o encontro. De repente, sinto algo se agarrando a minha cintura e me jogando para baixo.

Caio no chão, sentindo um braço em volta da minha cintura. Olhando para a direita, vejo Poseidon, caído ao meu lado. Nossos olhares se encontram, e começamos a rir, ou melhor, a gargalhar.

– Você é rápida! – disse Poseidon entre as gargalhadas. – E que mira é aquela? Sem contar na força do braço.

– É de tanto jogar tênis. – falei, dando de ombros, embora ainda sorrisse.

– Então você admiti que esteve jogando tênis no quarto? – brincou Poseidon, desencadeando mais uma cessão de gargalhadas.

Poseidon se levantou, estendendo a mão para me ajudar.

Hesitei por um breve momento, mas logo depois segurei sua mão. Ele me levantou, e quando o fez, ficamos a centímetros de distancia. Nossas respirações se misturando.

Poseidon soltou a minha mão, que eu nem percebera que ainda estava segurando. Mas quando ele o fez, eu a senti ficar fria, como se o calor tivesse fugido, escapado junto com os dedos dele.

Ele chegou mais perto, sua mão esquerda foi para a minha cintura, enquanto a direita se levantava em direção ao meu rosto. Poseidon tocou a minha bochecha com a ponta dos dedos, colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha, e pousando sua mão ali.

Suas mãos eram calejadas, e emitiam um calor confortável que me fazia estremecer.

Coloquei a minha mão direita sobre o peito dele, sentindo os músculos bem definidos por baixo da camisa, e o coração acelerado.

Subi a minha mão do peito para o pescoço dele, devagar e delicadamente, e logo depois, puxei o pescoço dele para baixo, selando nossos lábios.

Poseidon, parecendo surpreso, mas logo enlaçou a minha cintura completamente com o braço, me abraçando e colando nossos corpos. Passei as duas mãos para nuca dele, o puxando para ainda mais perto, meus dedos brincando com o seu cabelo macio e sedoso.

Ele segurou o meu rosto de maneira mais firme, como se eu pudesse escapar por entre as suas mãos a qualquer momento.

De maneira delicada, ele abriu minha boca usando a sua, pedindo passagem com a língua, e eu concedi. Sua língua explorava a minha boca com voracidade e desejo, eu o puxei para ainda mais perto, deixando inexistente qualquer espaço que pudesse existir entre nós.

A essa altura, eu já explorava a boca dele, e provava da melhor experiência que já acontecera na minha existência.

Quando nos separamos, estávamos ofegantes. Os corpos continuavam colados, assim como as nossas testas. Os meus olhos fechados, e as nossas respirações aceleradas e descompassadas.

Abri os olhos, encarando os de Poseidon, os dele mais verdes do que eu jamais vira.

– Me desculpe, eu não... – começou Poseidon.

– O meu sapato. – falei o interrompendo.

– O que? – perguntou ele, confuso. Soltei-me dele antes de responder.

– Eu joguei meus sapatos em você! E agora?! Como eu vou voltar para o carro?! Aliás, onde está o carro?

– Ah! Você não pareceu preocupada com os seus sapatos quando pulou de um carro em movimento, e saiu correndo pela cidade de Nova York descalça jogando sapatos em mim! – Poseidon praticamente gritava, a irritação audível em sua voz.

– Pelo menos eu não saio por ai beijando todo mundo que vejo pela frente! – a essa altura eu já falava da mesma maneira que ele.

– Ah! Então é agora que você me chama de troglodita aproveitador, por eu ter te beijado, e depois você vai embora toda nervosinha?!

– Não!

– Ah não, por que tirando a parte do beijo, é sempre isso o que você faz!

– E é agora que você diz que eu sou a chata-da-sua-sobrinha-virgem-puritana-sabe-tudo-do-Olimpo, convoca o seu tridente, diz que é um dos Três Grandes e eu tenho que te respeitar, ou então você me joga no Tártaro?!

– Não!

– Não? Então qual é?

– Essa é a parte em que te dou a chave do carro, falo que ele está estacionado perto de onde você pulou, e entrego também a chave do apartamento, e vou à locadora alugar a porra de um filme! E quando eu chegar ao apartamento é bom que você já esteja lá! – dito isso, Poseidon me deu as chaves do carro e do apartamento, virou, e foi embora.

Notas finais
Então? Ficou bom? Respostas sinceras. Eu nunca escrevi uma cena dessas antes. E antes que perguntem. Sim, foi um pouco rápido de mais. Mas, é como eu sempre digo: tudo para o bem maior. Aliás, antes que eu esqueça, a fic está longe de acabar, na verdade, está começando agora.