Brincando Com o Inimigo
26 Capítulo Vinte e Seis.
Notas iniciais
Capítulo 26
Poseidon e Atena acabaram optando por fazer um novo convite.
Eles chegaram ao consenso de que a festa já seria grandiosa de mais — graças a Poseidon, mas nenhum dos dois quiseram comentar sobre isso — e por tanto os convites deveriam ser mais simples, o que nenhum dos prontos, de fato, era.
Além disso, havia o pequeno problema de que nenhum daqueles convites combinavam com eles. A formatação, a cor do papel, a grafia, o modo como as informações estavam disposta... Nada daquilo combinava com eles.
Eles, com a ajuda de Isabelle e Syde — que, pelo jeito, sabia um pouco sobre construção de convites pela vivência diária na gráfica — fizeram um novo convite.
Ele era simples, porém marcante. A grafia que eles usaram era cursiva e clássica, ela era discreta e por esse motivo chamava a atenção. O papel não era branco, como na maior parte dos convites de casamento, e sim meio escurecido, dando um ar rustico a folha. Eles optaram por colocar poucos detalhes, sendo o único deles duas linhas que acompanhavam o corte nas extremidades do papel, duas na parte superior esquerda, e duas na parte inferior direita.
Os quatro já estavam acabando de formatar o convite, faltando apenas dispor o nome dos dois no final do convite.
– Ok, — disse Isabelle — escrevão os nomes nesse papel, assim não haverá risco de digitarmos os nomes errados.
E assim, os deuses os fizeram.
– Muito bom — disse Isabelle — Atena e Poseidon — ela digitou.
– Ei! Por que o nome dela vem primeiro?! — perguntou o deus.
– Porque ela é a mulher — argumentou Syde.
– Quem liga? Poseidon e Atena fica muito melhor do que Atena e Poseidon!
– Discordo!
– Atena, a sua opinião não conta.
– Poseidon! Como a minha opinião não conta?! Eu sou a noiva!
– A sua opinião não conta, porque você sempre vai discordar do que eu disser.
– Eu não faço isso!
– Faz sim, e por isso você não vai concordar que Poseidon e Atena é melhor que Atena e Poseidon.
– Mas Poseidon, é a regra, o nome da mulher sempre vem primeiro. E, ainda que nós não fossemos por essa lógica, no alfabeto a letra "A" vem antes de "P", por isso o meu nome deveria vir primeiro.
– Mas, sonoramente falando, Poseidon e Atena fica bem melhor.
– Eu concordo com ele — disse Isabelle — Sem contar, que na mitologia grega, sempre foi "Poseidon e Atena" disputaram a cidade de Atenas. "Poseidon e Atena" criaram juntos o cavalo e a carruagem. "Poseidon e Atena" fizeram o sei lá o que... Enfim, sempre foi retratado primeiro o nome de Poseidon, e depois o de Atena. Seria interessante se colocássemos o nome dele primeiro.
– Mas isso aconteceu porque na época a sociedade era machista e as mulheres não eram vista como seres iguais...
– Atena, ninguém está a fim de ouvir o seu discurso feminista hoje — disse Poseidon.
Atena cruzou os braços e apoiou as costas na cadeira, bufando de raiva.
– Isabelle — disse Syde — coloque logo Poseidon e Atena e mande isso para a impressão e acabamento antes que esses dois comessem a discutir de novo.
Isabelle sorriu e piscou para Syde. Os dois deuses notaram a cumplicidade daqueles dois, e se perguntaram o que eles estariam tramando.
– Então — disse Isabelle — eu e Syde tínhamos combinado de ir até o TMT, um bar e restaurante aqui perto. Vocês topam ir com a gente?
– Bem... — começou Atena.
– Ah, nem vem Rainha da Bizarrice! — interrompeu Syde — Eu sei muto bem que você só sai de casa arrastada, e aqui o que não falta é gente para te carregar. A começar pelo gostosão aqui.
Nessa hora, Syde apontou para Poseidon, que sorria de lado com a ideia de carregar Atena até um bar. Já a deusa estava mais vermelha que um pimentão.
– Agora, levante essa bunda dura e gostosa dessa cadeira, e vá meche-la no lugar certo, que é a pista de dança.
Atena se levantou, foi até o amigo e disse:
– Um dia, você me paga.
– Pago hoje mesmo, uma bebida para você.
– Syde — disse Poseidon — se você e Isabelle conseguirem faze-la dançar comigo, eu pago três rodadas de bebida para cada um.
– Poseidon! De que lado você está?!
– Normalmente eu gosto de ficar por cima, mas dependendo da pessoa, eu não tenho problema nenhum em ficar por baixo.
Syde e Isabelle começaram a rir e empurrar uma Atena incrédula para fora da gráfica. Quando os quatro passaram pela porta, Syde beliscou o bumbum do homem que ele piscara mais cedo, o que desencadeou mais risadas.
Dessa vez, Atena, deixando a incredulidade de lado, riu também, seguindo com os novos amigo até o TMT, que não era muito longe dali.
(...)
Ao chegarem no bar, eles logo trataram de arrumar uma mesa.
O lugar não estava muito cheio devido ao horário. Apenas algumas mesas perto do palco estavam ocupadas, e as luzes da pista de dança ainda nem estavam ligadas.
– Vamos sentar em um lugar mais afastado, isso aqui vai ficar uma loucura daqui a uma hora. Nem vamos conseguir andar direito. — disse Isabelle.
– Eu não conhecia esse lugar — disse o deus.
– Eles não fazem publicidade, porque se fizessem, não caberiam todas as pessoas aqui dentro. — todos riram do que Syde disse, passando pelo bar e pela pista de dança, indo até a mesa mais afastada do salão — De todo modo, eles têm um público fiel.
Todos se sentaram na mesa redonda, posta para quatro pessoas.
Isabelle se sentou na cadeira ao lado de Syde, de frente para Atena. Ambas tinham as cadeiras mais próximas da janela, que estava encoberta por uma cortina de veludo vermelha.
Poseidon se sentou ao lado de Atena, colocando — de novo — a mão sobre a coxa da deusa.
Ela o fuzilou com o olhar, ao que ele fingiu não perceber. Ela falaria alguma coisa — lei-se gritaria — mas não o fez para manter as aparências e não chamar a atenção.
– Então, o que tem de bom aqui?
– Uhm... As oferecidas costumam chegar por volta das dez, e elas normalmente ficam perto do palco. Já a minha área, que são os homens, costumam ficar bem ali, perto do bar. Isabelle nunca sai de lá.
– Syde! — exclamou a moça.
– Você sabe que é a verdade. Já o povo que vem só para curtir, como nós, ficam na pista de dança. Os gays, como eu, normalmente ficam lá também, ou ali, perto da porta. Agora, se você quiser dar uns pegas mais sérios, ou uma rapidinha, atrás daquela ultima cortina tem uma porta. Lá é um deposito. Eu já usei, e dá para o gasto.
Isabelle soltou um risinho, enquanto Poseidon assentia e sorria também.
– Syde! — disse Atena, mais uma vez vermelha — Ele queria saber o que tem para comer!
– Justamente! Foi o que eu acabei de explicar! Afinal, não queremos enganos ou nenhum acidente.
Essa foi a gota d'água. Atena colocou a cabeça entre as mãos, suspirando com vergonha.
Poseidon ria alto, assim com Isabelle.
– Atena, por que você não me apresentou esse cara antes?! — perguntou Poseidon, se referindo a Syde.
– Para evitar esse momento.
Com o passar do tempo, o lugar ficou realmente lotado. A musica que tocava era uma balada sem letra, e varias pessoas dançavam e bebiam descontroladamente.
– Eu vou no bar — disse (gritou) Isabelle — tem um carinha lá que eu estou de olho já faz uma semana.
E com isso, ela saiu.
– E eu vou junto — disse Syde — vou pagar a minha divida com Atena.
E, piscando, ele saiu também, deixando os dois deuses sozinhos na mesa.
– Há quanto tempo você os conhece?
– Eu disse. O Syde faz mais ou menos dois anos, e a Isabelle eu conheci hoje, embora ele já tenha me falado muito sobre ela.
– Você nunca pensou em torna-lo imortal? Em contar a verdade e mante-lo por perto para sempre.
– Já. Já pensei, mas... Olhe para ele. Ele leva uma vida tão normal, está habituado ao mundo como o vê, e gosta de viver nele assim. A imortalidade é algo tão complexo... E, por mais que no inicio pareça legal, depois de algum tempo você percebe que está preso a uma monotonia, e é quase impossível de quebra-la, porque você já viu de praticamente tudo.
– Não vai sentir falta dele?
Atena abaixou a cabeça, um pequeno sorriso triste em seus lábios.
– Vou. Vou sentir muita falta dele, mas é o ciclo natural das coisas. As pessoas morrem, e até nós, deuses, temos de conviver com isso. Sem contar, que se eu o torna-se imortal, não seria colocar a minha felicidade acima da dele? Não, eu prefiro deixar tudo como está.
– Você é pessoa mais incrível que eu já conheci, sabia?
A deusa levantou a cabeça, encarando as esmeraldas dos olhos do deus, quando a voz de Syde vinda dos altos falantes chamou a atenção dos dois.
Os dois olharam para o palco, e encontraram Syde segurando o microfone enquanto Isabelle conversava alguma coisa com o DJ.
– E essa musica vai para todos aqueles casais apaixonado. E para aqueles que não estão apaixonados, dançarem mesmo assim, porque do contrário, cabeças vão rolar nessa pista porque eu quero as minhas bebidas! E vocês sabem de quem eu estou falando.
Nesse momento, um holofote iluminou a Poseidon e Atena. O deus se levantou, estendendo uma mão à deusa.
– Aceita dançar comigo?
Ela abriu um sorrisinho, segurando na mão dele.
– Me lembre de matar aqueles dois.
– Me lembre de pagar três rodadas de bebidas para eles.
Os dois riram.
Poseidon levou Atena até o meio da pista de dança, ficando frente a frente com ela.
Uma musica lenta, antiga, começou a tocar. O deus passou um braço pela cintura dela, enquanto segurava a sua mão com a outra.
Atena colocou a outra mão no ombro do deus, e apoiou a cabeça no peito dele.
O deus a trouxe para mais perto, escondendo o rosto em seu pescoço.
Ambos mantinha os olhos fechados, dançando, colados, curtindo o momento.
Ele começou a passear com as mãos pelas costas da deusa, fazendo-a estremecer e chegar com o rosto mais próximo do pescoço do deus. A respiração dela fazia cocegas no pescoço do dele, e ele sorriu co isso.
– Você sabe porque fechamos os olhos quando beijamos alguém? — ele perguntou, a olhando nos olhos.
– Não — respondeu a deusa.
– É porque sonhamos de olhos fechados, e tudo o que sonhamos é perfeito.
E, com essas palavras, ele selou seus lábios.
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