Brincando Com o Inimigo
22 Capítulo Vinte e Dois.
Notas iniciais
POV: Narradora.
O cheiro dos morangos silvestres era suave e inebriante, muito diferente dos aromas aos quais Poseidon era acostumado.
O deus já havia se habituado ao perfume das mulheres com quem ele ficava. As, como ele costumava chamar, “Mulheres de Uma Noite e Nada Mais”. Estas costumavam usar perfumes cítricos, fortes e enjoativos.
E, talvez, fosse por isso que aquele novo perfume o encantara tanto.
Ele era mais suave, convidativo, doce. A vontade de Poseidon era de passar levemente seu nariz por entre a pele exposta do pescoço de Atena, mas o deus temia que, se o fizesse, ela acordaria.
A deusa dormia tranquilamente por entre seus braços. As costas estavam escoradas no peito e tórax do deus, de modo que qualquer movimento que ele fizesse poderia acorda-la.
Seus cachos estavam esparramados pelo lado de Poseidon da cama, tanto que ele acordara com o farfalhar dos cabelos dela contra seu rosto, causando-lhe pequenas cocegas no nariz.
Se alguém tivesse dito à Poseidon uma semana atrás, ou mesmo se esse pensamento tivesse vagueado pela mente do deus, ele, sem sombra de dúvida, riria. Mas, lá estava ele, admitindo para si mesmo que acordar com Atena ao seu lado tinha sido uma das melhores sensações que ele já tivera na eternidade.
Claro, ouve a vez em que eles dormiram juntos no apartamento de Nova Iorque, mas aquela ocasião tivera sido diferente.
Naquela ocasião eles dormiram na mesma cama por orgulho, ego, apenas para provar um ao outro que não se rebaixariam diante do inimigo, na vã tentativa de mostrar ao outro que era superior a ele. Daquela vez, eles nem mesmo acordaram juntos.
Enquanto que agora eles dormiram na mesma cama porque queriam, tendo plena noção do que faziam, e desejando aquilo.
Poseidon começou a passear com sua mão pelo emaranhado de cachos loiros de Atena, da mesma forma que ele fizera ontem a noite até que ela voltasse a adormecer.
Ele passeou com os dedos pelo rosto de Atena, notando as feições delicadas e angelicais que ela tinha. As maçãs do rosto alinhadas, sobrancelhas delicadas, formato perfeito dos olhos, lábios carnudos, suaves e avermelhados, provavelmente de tanto ela os morder.
Poseidon se lembrou da macieza dos lábios dela, e da tentação que era não toca-los.
Ele passou seus dedos de forma delicada pelo seu pescoço, sentindo a textura macia e suave da pele dela sob a sua.
O deus viu a deusa abrir um leve sorriso e se virar, de forma delicada, em sua direção. Ela abriu um grande e, ao mesmo tempo delicado, sorriso para ele.
– Você não foi embora. – Seus olhos brilhavam, e seu sorriso se intensificava mais a cada instante.
– Não, não fui. Não poderia te deixar aqui do jeito que você estava. – Poseidon disse enquanto tirava uma mecha loira de frente do rosto da deusa.
– Obrigada.
O deus abriu um fraco sorriso antes de responder:
– Sempre que precisar.
Atena se aninhou sobre o peito do deus, repousando sua cabeça sobre o seu coração, que pulsava fortemente contra seu ouvido. Ela colocou o braço direito sobre a cintura dele, o abraçando.
Poseidon, primeiramente, ficou surpreso com o gesto da deusa. Ela nunca se aproximara dele dessa forma.
Porém, com o passar dos segundos e, ao ver que ela não tinha começado a pular e surtar por perceber o que fez, ele relaxou, aproveitando do toque da deusa contra si.
– Que horas são? – ela perguntou, sonolenta, com os olhos fechados.
– Umas nove. – ele respondeu, voltando a afagar o cabelo dela.
– Eu não quero levantar.
– Mas é claro que não quer. Você é uma preguiçosa.
– Eu não sou preguiçosa.
– Então porque não quer levantar da cama?
– Porque já faz duas noites que eu vou dormir depois da meia noite, por sua causa, e acordo antes das nove da manhã, também por sua causa. – Ela bocejou contra a camisa do deus.
– Eu não me lembro de ter te obrigado a dormir tarde, e nem de ter feito você acordar cedo.
Atena se levantou, apoiando seus cotovelos no peito do seus, lugar onde antes estivera sua cabeça, e cruzando ali seus braços um em cima do outro, e encarando Poseidon cara a cara.
– Não? Eu fiquei bêbada porque você me deixou levar as bebidas para o palácio – com isso ele levantou uma sobrancelha – e tive de acordar cedo ontem porque ouvi vozes no corredor e tive de ir tomar café da manhã.
– O que o fato de você ter bebido leva a culpa a minha pessoa?!
– Você deveria ter me impedido.
– E desde quando você ouve o que eu falo?
– Eu não ouço o que você fala, realmente. Mas, você, infelizmente, é mais forte do que eu. Por que não usou isso?
– Eu não iria te machucar!
– Não disse para me machucar, disse que você poderia ter me carregado e me trancado no quarto.
– Para você passar uma semana sem falar comigo?!
– Pelo menos eu não teria ficado completamente bêbada.
– Vou fingir que entendo às mulheres enquanto você termina de falar o porque de estar dormindo tarde e acordando cedo.
Atena revirou os olhos (como se a explicação ela tivesse sido completamente plausível) e continuou:
– E ontem eu fui dormir tarde porque estava preocupada com você e acordei cedo porque você me acordou.
Poseidon sorriu de lado, e Atena corou notando o que tinha acabado de falar.
– Então, quer dizer, que você estava preocupada comigo?
– Eu... Bem, sim. Você havia desaparecido depois da discussão no café da manhã, eu o procurara no castelo inteiro várias vezes e não tive nem pista de você. Então, sim. Quando você ainda não tinha chegado a altas horas da noite, eu fiquei preocupada com você.
A culpa se abateu sobre Poseidon. Ela estivera tão preocupada com ele por todo o dia, e tudo o que ele fazia era se encontrar com putas e fazer o máximo para se esquecer dela.
Poseidon avançou para frente, colocando sua mão esquerda no rosto de Atena, e depositando um beijo na bochecha dela, que pareceu surpresa com o gesto.
– Me desculpe – Poseidon pediu – Prometo que não vou fazer isso novamente.
Atena assentiu, abaixando a cabeça, envergonhada.
– Eu vou ao meu quarto tomar um banho, ok? – O deus já se levantava, deixando uma Atena cabisbaixa sentada na cama.
– Poseidon. – Atena o chamava, levantando a cabeça quando o deus se virou.
– Sim?
– Você volta depois?
– Voltar?
– Sim, voltar para ficar aqui, comigo.
Ele abriu um tímido sorriso antes de responder:
– Sempre que você quiser.
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