Brincando Com o Inimigo
34 Capítulo Trinta e Quatro.
Notas iniciais
Capítulo 34
Atena, mais uma vez, se remexeu na cama.
A deusa, inquieta, não conseguia dormir. Mas também, quem conseguiria? Dali a duas noites, ela iria se casar.
Ela olhou para o lado, procurando o relógio na mesa de cabeceira da cama.
Uma e meia da manhã.
– Não são duas noites para o casamento, é apenas uma — a deusa pensou alto.
Atena se levantou, colocou os pés nas pantufas, e foi até a cozinha.
A deusa andou pelos já tão familiares corredores, desceu as escadas com as quais já estava tão acostumada, e andou pelos tapetes vermelhos que encobriam o chão de mármore, até que chegou à cozinha.
– O que faz acordado a essa hora? — perguntou Atena.
Poseidon, que se encontrava sentado de costas para a porta, se virou e sorriu.
– Provavelmente o mesmo que você — ele respondeu.
Atena franziu o cenho, tombou a cabeça para o lado e se escorou no batente da porta.
– Você também teve um sonho em que esquilos te perseguiam pelo Central Park, até que começou a tocar Radio Ga Ga do Queen e os esquilos começaram a gritar que precisavam aniquilar a raça humana e começaram a dança?
Poseidon riu e girou em seu banco, colocando os cotovelos para trás e apoiando-os em cima da mesa.
– Não, eu não tive nenhum sonho assim, mas posso garantir que você também não.
Atena sorriu, foi até Poseidon e virou o bando do deus de costas para ela novamente. Ela colocou as mãos nos ombros dele, e ali começou a massagear.
– Como pode garantir que eu não tive um sonho desses? — ela perguntou, muito concentrada em sua massagem para perceber os olhos semicerrados do deus.
– É bem simples. Você sempre fala enquanto está sonhando, principalmente quando está nervosa ou com medo. Ou se esqueceu das duas vezes em que teve pesadelos e eu fui te "salvar"? Se estivesse mesmo tendo esse sonho, ou gritaria de medo por causa dos esquilos — com isso Atena revirou os olhos — , ou teria cantado um trecho da música que tocou no sonho. Isso sem contar que, se você ao menos tivesse dormido, o seu cabelo não estaria tão arrumado.
Atena quase gargalhou.
– Depois de me dizer todo esse "maravilhoso e complexo" discurso sobre a minha vida enquanto durmo, você vira e simplesmente diz que sabe que não tive esse sonho porque o meu cabelo está arrumado demais para que eu ao menos tivesse dormido?
– Basicamente, sim.
Atena sorriu novamente, parou com a massagem e abaixou a cabeça, apenas para depositar um beijinho na bochecha de Poseidon.
O deus sorriu e virou o banco novamente, olhando um pouco para cima e olhando nos olhos de Atena.
– As três últimas semanas passaram rápido, não acha? — disse ele.
Atena assentiu, pensativa.
– Sim. Principalmente depois que terminamos de organizar as coisas para o casamento.
Poseidon deu sorrisinho fraco e falou:
– Estou doido de curiosidade para ver o seu vestido. Ainda não acredito que não me deixou vê-lo.
Atena desviou o olhar, mirando os olhos por cima da cabeça do deus, em um ponto fixo e distante da parede logo atrás dele.
– É só por isso que você não conseguiu dormir? Por causa do casamento e do vestido? — perguntou ela.
– Na verdade não.
– Nem eu.
Ela se virou e puxou o banco ao lado dele, se sentando e apoiando a cabeça na mão, o cotovelo apoiado na mesa. Seu olhar foi dirigido ao pé do banco dele, mas Poseidon teve a sensação de que ela nem percebera isso.
Não era de hoje que ele notara que ela estava distraída, principalmente depois da última visita de Afrodite.
Se bem que a palavra não era bem distraída. Atena estava mais distante.
Poseidon não podia ter certeza dos problemas que afligiam Atena, mas tinha plena consciência dos seus próprios problemas.
Afrodite iria até o castelo amanhã. O deus tinha esperança de que nunca mais precisaria vê-la em uma quarta feira de manhã.
– Soube que Afrodite despachou Ares — disse o deus.
Atena assentiu, olhando fixamente para o copo da água que o deus bebera. O copo estava pela metade, e a deusa o pegou, bebendo um gole.
– Não conte a ninguém, mas Afrodite está gravida de Hefesto.
– Sério?
– Uhum. Ela me contou ontem a noite quando saímos com Syde e Isabelle. Lembra que ela não queria beber? Pois então...
– E como sabe que o filho é de Hefesto e não de Ares?
– Ah, ela é deusa das relações sexuais. Deve ser muito boa de conta nesses casos.
Poseidon abriu um leve sorriso, roubando o copo da água da mão de Atena.
– Mas por que ela terminou com Ares? Não é como se ela não tivesse engravidado de vários outros mortais enquanto estava com ele, e ele nunca se importou.
– É justamente por causa disso. Quando ela ficou gravida de Hefesto, Ares não se irritou. Afrodite percebeu que era uma espécie de "brinquedinho" para Ares. Que ele não se importava com ela de verdade. Já Hefesto não. Hefesto sempre ficava bravo com Afrodite quando ela engravidava de outro homem e, quando ela engravidou dele, ele ficou tão feliz que quase não entrou em nenhuma das forjas por praticamente uma semana.
– Quer dizer que ela precisou ficar gravida de Hefesto para perceber que ele se importa com ela de verdade, enquanto Ares não está nem ai com ela, com tanto que eles pudessem transar?
– Basicamente, sim.
– Interessante...
– Poseidon, você tem que me prometer que não vai contar isso para ninguém. Eu só te contei porque Afrodite me disse que podia.
– É claro que eu não vou contar — disse ele se levantando.
– É bom mesmo...
Ele sorriu e foi para trás dela, colocando seu cabelo sobre um ombro só e beijando seu pescoço.
– Você acha mesmo que eu contaria isso para alguém, e correria o risco de você não se casar mais comigo? — ele perguntou, os lábios roçando a orelha da deusa.
Atena estremeceu e se virou, ficando com o rosto a poucos centímetros do rosto do deus.
– Não me provoque a essa hora da noite.
– E por que não?
– Porque eu vou esperar até o casamente.
Poseidon revirou os olhos e deu selinho na deusa, se afastando logo depois.
– Boa noite — disse ele.
– Boa noite — respondeu a deusa.
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