Brincando Com o Inimigo

38 Capítulo Trinta e Oito.


Notas iniciais
Seres lindos e maravilhosos que compõem o meu coração! Eu voltei! Bem, não é como se eu não tivesse avisado que seria praticamente impossível eu postar antes do dia 7. Eu gostaria de mandar um beijo ENORME e um sincero O-BRI-GA-DA pela recomendação divastica, Brenda. Sério. No Dia de Natal, na hora do almoço o meu pai me pediu para colocar música, porque meu irmão não tem o melhor gosto e, claro, eu dei uma escapadinha e fui dar uma olhada no Nyah!. Dei um pulo da cadeira e quase gritei. Não podia ter recebido um presente melhor.

Capítulo 38

Apolo abriu a porta e se surpreendeu ao encontrar Poseidon a sua frente.

– Poseidon? O que faz aqui? Não me diga que decidiu que quer sim fazer uma despedida de solteiro. Se for isso, eu arrumo tudo em dez minutos. Dionisio vai adorar isso — Apolo começara a sacar um dracma do bolso quando, franzindo as sobrancelhas, percebeu que havia algo de errado. Afinal, Poseidon não sorria.

Apolo estudou o amigo com mais atenção. Os ombros tensos, como se tivesse recebido uma notícia ruim; os olhos sem qualquer resquício do brilho usual; a expressão? Indecifrável.

– O que aconteceu, Poseidon?

– O pior que poderia acontecer.

Apolo saiu de frente à porta e convidou-o para entrar.

***

Atena se dirigiu até o piano e passou a mão por sua longa cauda preta.

– Afrodite, você se importaria em me deixar sozinha?

A deusa da beleza, com um singelo e sincero sorriso tinha a mais doce das vozes ao responder:

– Mas é claro que não. Entendo que queira ficar sozinha.

Atena deu um sorriso triste e assistiu enquanto a amiga saia da sala, apenas para, logo depois, se sentar ao banco do piano.

***

– Mas, Poseidon, se tudo o que Atena te disse é verdade, então a culpa é sua.

– Eu sei Apolo, eu sei. Entende o porquê de eu ter vindo aqui? Não sei o que fazer. Toda essa maldita confusão por uma coisa tão boba. Uma escolha tão boba. Na hora, eu nem tinha pensado.

– Eu sei, Poseidon. Mas... o que você vai fazer?

– Esperava que você pudesse me dizer.

– Acho que você precisa contar para ela.

– Eu concordo Apolo, mas como vou fazer isso? O casamento é amanhã. Eu nem sei se vou aparecer.

Apolo, para total espanto de Poseidon, sorriu.

– Você é criativo, Poseidon. Saia e reflita. Tenho certeza que vai pensar em alguma coisa.

***

Atena colocou as mãos sobre as teclas, as notas que ela já há tanto tempo conhecia lhe vindo automaticamente à cabeça, assim como as palavras.

(https://www.youtube.com/watch?v=lcOxhH8N3Bo)

(Turn around) (Vire-se)

Every now and then, I get a little bit lonely and (De vez em quando, eu fico um pouquinho solitária e)

you're never coming round (você nunca está voltando)

Atena se lembrava perfeitamente. Vez e outra, ela ficava cansada. Cansada de se trancar em seu refúgio literário. Cansada de formar estratégias. Cansada de criar invenções com o auxílio Hefesto. Cansada de pensar.

Havia dias, em que a única coisa que ela queria era fugir. Fugir da muralha que ela impôs sobre si mesma. E o único modo de fazer isso, era vê-lo. Ela se lembrava perfeitamente de toda as vezes que se sentara em seu trono no Olimpo e encarara o trono dele, na vã esperança de que ele fosse voltar magicamente para lá.

(Turn around) (Vire-se)

Every now and then, I get a little bit tired of (De vez em quando, eu fico um pouco cansada de)

listening to the sound of my tears (ouvir o som das minhas lágrimas)

Para tudo há um extremo. Atena, constantemente, chegava ao seu. A cada provocação, a cada chateação, as memórias lhe vinham a mente e, junto a elas, as lágrimas.

(Turn around) (Vire-se)

Every now and then, I get a little bit nervous that (De vez em quando, eu fico um pouco nervosa que)

the best of all the years have gone by (o melhor de todos os anos se passaram)

A cada ano que se passava, era um ano perdido no tempo. Um ano que poderia ter sido aproveitado de tantas formas, mas que Atena sempre fizera questão (ainda que propositalmente) de corroer pelas dores da vingança.

(Turn around) (Vire-se)

Every now and then, I get a little bit terrified (De vez em quando, eu fico um pouquinho apavorada e)

and then I see the look in your eyes (Então eu vejo o olhar em seus olhos)

Seus olhos. Por tanto tempo, foram apenas eles que ela se permitia ter. O seu único porto seguro.

(Turn around, bright eyes) (Vire-se, olhos brilhantes)

Every now and then, I fall apart (De vez em quando, eu desabo)

(Turn around, bright eyes) (Vire-se, olhos brilhantes)

Every now and then, I fall apart (De vez em quando, eu desabo)

***

Poseidon se escorou na árvore e encarou o reflexo da lua nas águas calmas da lagoa, a musica logo lhe vindo à mente.

(Turn around) (Vire-se)

Every now and then, I get a little bit restless (De vez em quando, eu fico um pouco agitado)

and I dream of something wild (e eu sonho algo selvagem)

Poseidon se lembrava das brigas. Ele se lembrava de todas as vezes em que, tamanha era a sua agitação, a adrenalina que tomava conta de seu corpo, e ele quase estragava tudo.

De todas as vezes em que em meio as discussões ele quase a agarrou, a prensou contra a parede e a beijou com todo o fervor que conseguia.

(Turn around) (Vire-se)

Every now and then, I get a little bit helpless and (De vez em quando, eu fico um pouquinho desamparado e)

I'm lying like a child in your arms (Estou deitado como uma criança em seus braços)

Todas aquelas vezes em que, frustrado, depois de uma briga com Anfitrite ou uma discussão com Zeus a única coisa que ele queria, que ele precisava, era o apoio e o amparo dela. Mas ele sempre soube que nunca poderia ter.

Todas as vezes em que, apenas para tentar ficar mais próximo do mundo dela, principalmente depois de um momento difícil, ele se refugiara no mundo escrito. No mundo pelo qual ela era apaixonada, e pelo qual ele se apaixonou também.

(Turn around) (Vire-se)

Every now and then, I get a little bit angry and I (De vez em quando, eu fico um pouco irritado e eu)

know I've got to get out and cry (sei que tenho que sair e chorar)

Aqueles dias nas festas olimpianas, em que a única coisa que ele queria era se sentar junto a ela e conversar, quem sabe até mesmo dançar algumas músicas, mas ele nunca pôde fazer isso.

Ele sempre a via de longe, lendo um livro ou conversando com alguém, e ele se perguntava o que poderia ser, de qual assunto se tratava. Os piores momentos, sem dúvidas, eram os de quando alguém conseguia tira-la para dançar, e ele se perguntava se algum dia teria esse privilégio. Nesses momentos, ele sentia vontade de sair dali, até mesmo de chorar.

(Turn around) (Vire-se)

Every now and then, I get a little bit terrified but (De vez em quando, eu fico um pouquinho apavorado, mas)

then I see the look in your eyes (Então eu vejo o olhar em seus olhos)

Os olhos... A única coisa que ele poderia ter dela como uma forma de consolo. A única coisa que a ele transmitia sensações de bem estar e segurança, ainda que de longe. Ainda que ela não soubesse.

(Turn around, bright eyes) (Vire-se, olhos brilhantes)

Every now and then, I fall apart (De vez em quando, eu desabo)

(Turn around, bright eyes) (Vire-se, olhos brilhantes)

Every now and then, I fall apart (De vez em quando, eu desabo)

***

Atena deslizava as mãos nas teclas com a precisão de um escritor ao digitar em um teclado. A voz, limpa e polida, não se deixando embargar pela vontade de chorar.

And I need you now tonight (E eu preciso de você agora)

and I need you more than ever (e eu preciso de você mais do que nunca)

And if you only hold me tight (E se você apenas me segurar apertado)

we'll be holding on forever (nós estaremos segurando para sempre)

And we'll only be making it right (E nós estaremos apenas fazendo o certo)

'cause we'll never be wrong together (porque nós nunca vamos estar errados juntos)

We can take it to the end of the line (Nós podemos levá-la ao fim da linha)

Your love is like a shadow on me all of the time (Seu amor é como uma sombra em mim o tempo todo)

(all of the time) (todo o tempo)

I don't know what to do and I'm always in the dark (Eu não sei o que fazer e estou sempre no escuro)

We're living in a powder keg and giving off sparks (Estamos vivendo em um barril de pólvora e soltando faíscas)

***

Poseidon, olhando à lua e se lembrando, cantava. Cantava para descobrir o que iria fazer.

I really need you tonight (Eu realmente preciso de você hoje à noite)

Forever's gonna start tonight (O sempre vai começar hoje à noite)

Forever's gonna start tonight (O sempre vai começar hoje à noite)

***

Atena parou de tocar, e encarou, fixamente, as teclas do piano.

Alheia em pensamentos, a deusa se assustou ao ouvir três batidas à porta.

– Oi?

A porta foi entreaberta, e apenas a cabeça de Afrodite a atravessou.

– Hora de dormir, não acha? Amanhã é o seu casamento. Você precisa estar linda na festa e na cerimônia, e isso não inclui olheiras. E precisa estar bem descansada para depois do casamento, se é que me entende. – Afrodite deu uma piscadinha e retirou a cabeça, fechando a porta.

Atena abriu um sorrisinho e encarou a porta fechada.

– Só você mesmo em Dite... – ela sussurrou.

Atena olhou a sua volta, até que seus olhos pousaram sobre o desenho que tanto encantara a ela e a Afrodite.

– Dite!

– Oi? – A cabecinha voltou instantaneamente para dentro, comprovando a suspeita de Atena de que Afrodite nem saíra de detrás da porta. A deusa da sabedoria deu um risinho antes de falar:

– Nada. Eu só tive uma ideia, e acho que você pode me ajudar. Isso, claro, se Poseidon for ao casamento.

***

Poseidon se sentou e apoiou as costas contra o tronco da árvore.

Ele encarou de novo o reflexo da lua, e isso lhe lembrou o filme d’O Rei Leão. O deus sorriu com a lembrança do filme, ou melhor, da lembrança com Atena que o filme lhe proporcionou.

Poseidon pegou uma pedra e a fez quicar três vezes, até que ela afundasse bem no meio do reflexo.

O deus encarou enquanto a água se agitava em torno de onde a pedra havia quicado, isso estranhamente lhe dando a ideia mais simples e genial possível.

Ele pegou um bloquinho e um lápis e começou a escrever.

Notas finais
Gente, eu sempre gostei dessa musica, aí ela passou hoje no programa da Fátima Bernardes, e eu pensei "cara, ela combina com o capítulo." E essa foi a pontinha de criatividade que me faltava para fazer o capítulo andar logo. Mas, caramba, eu não coloquei nem metade da musica. Se eu fosse colocar demoraria pelo menos mais uma hora para postar, porque dá muito trabalho editar toda a letra para ficar nesse formato.