Brincando Com o Inimigo
35 Capítulo Trinta e Cinco.
Notas iniciais
Capítulo 35
Atena se espreguiçou na cama.
A deusa só conseguira dormir depois de conversar com Poseidon, pois só ele conseguia fazer com que ela se esquece de seus problemas, ainda que por um breve momento.
O casamento seria amanhã de noite, e isso a afligia.
Afrodite dissera para que ela esperasse mais um pouco para contar tudo a Poseidon, mas o casamento já seria amanhã e ela ainda não contara. A deusa da sabedoria tinha plena consciência de que não conseguiria se casar sem contar a ele, da mesma forma que não conseguiria deixar de subir ao altar e dizer “sim”.
Ela se sentou, recostando-se na cabeceira da cama e olhando para frente, pensativa.
Passos no corredor distraíram sua atenção, mas não eram passos comuns. Os passos faziam um barulho inconfundível em contato ao chão. Eram passos de salto alto.
Atena franziu o cenho, confusa. Marrie não costumava usar sapatos de salto alto, sem contar que ela dormira na casa do namorado (para desespero de Poseidon) e não chegaria tão cedo, e as empregadas nunca usavam salto no trabalho por uma questão de conforto.
Então, quem estaria a essa hora da manhã andando pelo palácio de salto alto?
O barulho parou, e Atena decidiu que investigaria isso mais tarde. Já tinha problemas demais para se preocupar em muito pouco tempo.
A deusa tirou as cobertas e colocou as pernas para fora da cama, se levantando e indo até o closet e pegando uma muda de roupa e depois indo em rumo ao banheiro.
***
Afrodite abriu à porta e adentrou o quarto de Poseidon.
Ela se sentou na poltrona ao lado da cama, apoiando os cotovelos nos joelhos e o queixo nas mãos, e observou a serenidade do tio ao dormir.
Uma lágrima escorreu pelo rosto da deusa do amor, e ela levantou uma das mãos para secar a gota grossa e salgada rapidamente.
– Depois de tanto tempo, vocês finalmente... Mas não. Essa história ainda não está acabada. Nem perto disso.
Ela foi até o banheiro, garantindo que nenhum resquício da lágrima ficara em seu rosto, e logo depois voltou para o quarto.
Encontrou Poseidon ainda dormindo, só que na posição invertida em que ela o deixara.
A deusa do amor abriu um sorrisinho mínimo em direção ao deus.
– Poseidon, seu preguiçoso de meia pataca, acorde – Afrodite disse, balançando o ombro do deus dos mares.
– Ah, saia Afrodite.
– Poseidon! Por acaso esqueceu que dia é hoje?!
– É o meu casamento? — ele perguntou, abrindo um sorrisinho.
– Não, isso é só amanhã.
– Então vá embora.
– Poseidon, hoje é a nossa última seção.
Bufando, Poseidon se levantou.
– Sabe Afrodite, eu estava tendo um sonho maravilhoso quando você me acordou.
– Eu sei que sim. Mas para que sonhar se amanhã esse sonho vai se tornar realidade?
Afrodite conseguira. Arrancara o maior sorriso que já vira estampado na face do deus dos mares.
Ele se virou e foi até o banheiro, incrivelmente bem humorado agora.
(...)
Poseidon saiu do banheiro apenas de calça, encontrando Afrodite deitada esparramada em sua cama.
– Você é muito folgada, sabia?
– E você então? Depois de tantos séculos, você continua do mesmo jeito. Nem mesmo para programar a porcaria de um despertador as quartas feiras às oito da manhã, horário e dia em que venho sempre, você não serviu. Agora você vai se casar amanhã, e eu nem vou mais precisar vir aqui.
O deus sorria mais a cada minuto.
– O que foi? – perguntou Afrodite.
– Eu vou me casar AMANHÃ Dite!
***
Atena saiu do banheiro já vestida.
Ela rumou até a penteadeira, quando ouviu um grito, seguido de vários outros gritinhos, vindos do quarto de Poseidon.
Ela franziu as sobrancelhas e foi até a porta do quarto, atravessando o corredor e abrindo a porta do quarto de Poseidon sem ao menos bater.
Fale com o autor