Brincando Com o Inimigo
13 Capítulo Treze.
Notas iniciais
Não foi difícil encontrar o carro, ele estava estacionado na frente de um hidrante, o que quase me levou a loucura. Porém o que me preocupava não era a localização do carro, e sim encontrar o apartamento.
Me recostei no acento do motorista, suspirando irritada. Como eu iria saber onde é o maldito apartamento?!
Não sabendo ao certo o porquê, comecei a remexer o porta luvas. Óculos de sol, CDs, papel de Trident (irônico), sacolas plásticas... Cada louco com sua mania, pensei sorrindo. Até que achei um papelzinho com números escritos.
– Achei!
Sorrindo, fui para o apartamento, tentando evitar os pensamentos que chegavam rapidamente, congestionando a minha mente. As mãos de Poseidon me tocando gentilmente, nossos corpos colados, os batimentos acelerados do seu coração.
Parei o carro bruscamente, em um semáforo que eu nem vira, quase colidindo com o veículo da frente.
Isso não pode estar acontecendo! Pensei, as lágrimas quase brotando de meus olhos. Não, não está acontecendo.
***
As portas do elevador se abriram, rapidamente, peguei as chaves e abri a porta.
O apartamento não era muito grande, o piso era de madeira, as paredes se intercalavam em padrões de verde e branco.
O primeiro cômodo do lugar era a sala, onde a janela se encontrava aberta, deixando o ambiente mais claro. Dois sofás estavam estrategicamente dispostos ali, um encostado na parede esverdeada, e outro que dava a passagem por trás em aberto, revelando um corredor para dois quartos e um banheiro.
A minha direita, estava uma cozinha, sem fogão, apenas um micro ondas, uma geladeira, a pia, uma mesa no centro, e os armários que guardavam copos e comida.
Segui pelo corredor, adentrando o ultimo quarto e deixando a minha mala lá, afinal, aquele era maior do que o outro. Quando voltei para sala, Poseidon estava largado no sofá da parede, e olhando para a TV desligada.
– Como entrou sem a chave, e sem fazer barulho? – perguntei.
– Perceberia quando eu entrei se tirasse o fone de ouvido. – falou ele, ainda olhando a TV, sua voz soando mais baixa do que o normal, levei a mão a orelha, percebendo que estava com o fone, e o tirei.
– Tá, mas isso não explica como você entrou aqui. Eu estava com a chave.
– É, mas você deixou a porta aberta.
– Que seja. Que filme você alugou?
– Senhor & Senhora Smith. – respondeu ele. Ainda sem me encarar.
– Algum motivo especifico pra você ter alugado justamente esse filme?
– Sim, combina com os últimos acontecimentos. – vi pelo reflexo da TV que ele sorria, embora ele ainda não me olhasse — E, ele é de ação e romance, ação pra mim, e romance pra você. Foi o mais perto que eu cheguei de algo que pudesse agradar a nós dois.
– Faz sentido... – admiti, me sentando no outro sofá, e assim como ele, encarando a TV desligada. – Estou com fome, tem alguma coisa na geladeira?
– Não, mas eu posso matar a sua fome de outro jeito, se você quiser. – ele se virou para mim pela primeira vez desde que chegara, o sorriso malicioso estava eminente em seu rosto.
– Não entendi. – menti, ao que ele soltou um suspiro que misturava frustração e cansaço.
– Esquece... Trouxe lanche. Gosta de McDonald´s?
– Gosto. – respondi animada.
– É uma pena, porque eu trouxe esfiha e quibe*.
– Chato. – falei me levantando e batendo de leve no braço dele, fazendo-o sorrir.
***
Depois de muitas esfihas, copos de Coca Cola derramados, tapas, risos, e xingamentos, o filme acabou.
– Vou tomar um banho antes de dormir. – falei.
– Eu também já vou dormir, só vou lavar a louça antes – disse Poseidon, levantando e deligando a TV.
Fui para o quarto e peguei uma blusa laranja com o desenho de uma coruja, um short de pijama azul claro, e fui para o banho.
***
Quando voltei para o quarto, encontrei Poseidon deitado na cama em que eu iria dormir.
– Poseidon! Saia já da minha cama! – praticamente gritei.
– Na verdade, esse é o meu apartamento, essa é minha cama, aquele é o meu cabideiro, tudo aqui é meu Atena.
– Mas eu já tinha escolhido dormir nessa cama!
– Não seja por isso, eu não me importo de dividi-la com você.
– Eu dividir a cama com você? Pra que? Pra você me agarrar no meio da noite que nem você fez no parque?!
– Na verdade, foi você quem me agarrou no parque.
– Eu?
– Sim, você. Nós nos beijamos, claro, mas foi você quem me puxou, você deu o primeiro passo. Por tanto, foi você quem me agarrou.
Mesmo depois de ter jogar toda a verdade na minha cara, Poseidon continuava calmo, deitado, ocupando metade da cama de casal. Ele me encarava com o rosto sem expressão, embora me olhasse atentamente, como se estivesse esperando pelos meus próximos movimentos.
Manti o meu rosto sem expressão, embora internamente estivesse com um sorriso travesso. Dando de ombros, fui em direção a cama, me deitei ao lado de Poseidon, que me olhava incrédulo.
– Boa noite Poseidon. – falei, me virei, apaguei o abajur e dormi.
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* — Eu nem sei se tem esfiha e quibe lá, deve ter... Mas já notaram que eles sempre comem McDonald´s nas fanfics? Quiz variar um pouquinho.
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