Brincando Com o Inimigo

19 Capítulo Dezenove.


Notas iniciais
Hey Peeople! Vocês só têm mais esse capítulo para dar sugestões de títulos. Eu já recebi alguns, mas pensei que mais alguém pudesse ter pensado em alguma coisa desde o ultimo capítulo, então decidi dar mais uma chance. No próximo já começam as votações.

Poseidon acordou coçando os olhos, mas incrivelmente bem disposto.

Ele se surpreendeu ao olhar para o lado e ver que ainda eram oito da manhã, pois — além de ter esperado Atena até as três da madrugada – depois que entrou em seu quarto e deitou em sua cama, não pôde evitar ficar divagando com a deusa da sabedoria.

O deus não sabia ao certo quanto tempo ficou acordado pensando nela, ou imaginando que a qualquer momento ela fosse abrir, de vagar, a porta do quarto e da forma mais tímida possível, perguntar se poderia entrar.

E o deus a deixaria entrar, claro. E assim que o fizesse, os dois conversariam juntos por toda a noite.

Poseidon sabia que isso não iria acontecer, não com Atena bêbada como, de fato, estava, mas ninguém o impediria de sonhar.

Em algum momento da noite anterior, porém, seus devaneios se tornaram, de fato, sonhos. Era impossível saber quando ele adormeceu, pois seus sonhos retratavam as mesmas coisas de quando ele se encontrava acordado.

Poseidon sorriu ao se lembrar de Atena, quando ouviu uma tosse forçada.

– Titio, eu sei que você adora ficar devaneando, mas temos assuntos pendentes a tratar, esqueceu? – disse Afrodite, com um sorriso estonteante estampado na face.

***

Atena acordou com uma incrível dor de cabeça, olhando para todos os lados a procura de algo.

Ou alguém, disse seu subconsciente.

Ignorando a voz em sua cabeça, Atena se levantou, apenas para se sentir incrivelmente enjoada e se sentar novamente.

Lembranças sem nenhum nexo rodavam por sua memória.

Nada concreto. Nenhuma lembrança ao qual pudesse se agarrar para ter certeza do que ocorrera ontem.

Uma garrafa girando, Afrodite sorrindo, Artemis bebendo, Poseidon sentado no corredor...

Uma imagem do deus sorrindo apareceu em sua cabeça, depois ele frustrado, e até mesmo dele bravo com ela.

– Mas o que raios... – começou a deusa, mas parou ao perceber as vozes no corredor.

Relutante, a deusa se levantou.

Enjoada, Atena correu para o banheiro, colocando dentro da privada até mesmo a alma.

Com isso, ela teve a certeza, ontem ela bebera. E bebera muito mais do que devia.

***

Poseidon assentiu, se levantou e foi até o closet.

Ele havia dormido com as roupas com que se deitou, ou seja, com uma calca jeans e uma camiseta qualquer.

O deus pegou outra calça jeans, dessa vez mais escura, e qualquer blusa verde clara.

Saindo do closet, o deus foi ao banheiro, tomou um banho, escovou os dentes e se vestiu. Ele voltou para o closet, onde calçou o primeiro tênis que viu.

Sinceramente, hoje Poseidon não ligava o mínimo para sua roupa, tinha assuntos mais importantes a resolver.

Voltou para o quarto e viu Afrodite sentada em uma poltrona lixando as unhas.

– Vamos logo?

– Não vai pentear o cabelo?

Poseidon revirou os olhos e respondeu:

– Vamos logo antes que eu desista. – Abriu a porta do quarto, saindo e sendo seguido por Afrodite logo em seguida.

– Você anda passando tempo demais com Atena – ela comentou enquanto estavam no corredor.

– Por que acha isso? – Perguntou o deus, parando em frente a última porta do corredor, porta essa que já lhe causara muitos problemas com Atena, e se virando para olhar Afrodite.

– Você já está até revirando os olhos!

Poseidon sorriu com isso, abrindo a porta e deixando Afrodite entrar primeiro, para logo depois segui-la.

***

Atena deve ter ficado cerca de meia hora vomitando, quando finalmente conseguiu parar, levantou-se, escovou os dentes e tomou um banho frio para acordar de vez.

Saindo do closet já com um short jeans e uma blusinha vermelha, a deusa secava o cabelo já escovado com a toalha, quando olhou para a cama e se lembrou do porquê de ter levantado de lá.

Arregalando os olhos, Atena correu para a porta, abrindo apenas uma frestinha para ver o que acontecia.

O que ela viu a deixou embasbacada. Poseidon e Afrodite saiam juntos da sala do final do corredor.

***

Para Poseidon, a conversa com Afrodite não fora nada demais.

Ela só o obrigou a fazer o de sempre: contar tudo que se passara em sua relação com Atena na última semana e perguntar com quantas mulheres ele havia dormido.

Afrodite o obrigava a fazer isso toda a semana desde que Atena fez o seu juramento e Poseidon se casou com Anfrite. Mas, depois dos três primeiros anos de casado, Poseidon não aguentou mais os protestos de Anfrite quanto a ele expulsa-la do quarto todas as quartas-feiras de manhã para conversar com a deusa da beleza.

Bem, Poseidon entendeu o lado dela, mas ficou com raiva mesmo assim, e passou a usar a sua “sala particular” do final do corredor para conversar com Afrodite. Afinal, ela era a única deusa que já sabia de tudo o que havia na sala, ela apenas nunca entrara lá.

E, ainda hoje em dia, ela foi a única pessoa além do deus dos mares a já ter entrado lá.

Já para Afrodite, a conversa havia sido FAN-TÁS-TI-CA.

Juntando todos os relatos de Poseidon, com tudo o que ela conseguira arrancar de Atena na noite anterior, mais tudo o que ela sabia que os dois fizeram e não quiseram contar a ela, Afrodite estava quase dando pulinhos de alegria.

Quase não. Ela estava se segurando para não fazê-lo.

Os dois saíram da sala, tiveram acabado cedo essa seção, não chegara a ser uma hora.

***

Atena olhava a sena intrigada.

Ela nunca pudera entrar naquela sala. No primeiro dia, a deusa nem prestara atenção em seus livros tamanha a curiosidade.

E agora via justo Afrodite, a deusa que sempre a ajudara, saindo daquela sala.

Será que os dois têm um caso? A pergunta ecoou em minha mente, fazendo a raiva transbordar dentro de mim.

Mas então a deusa da sabedoria notou, se os dois tivessem um caso, por que Afrodite teria passado tantos séculos insistindo que ela (Atena) e Poseidon devessem ficar juntos?

Não, simplesmente não fazia sentido.

A mente da deusa trabalhava, mas nenhuma hipótese plausível passava pela mente da deusa.

Ela viu Afrodite e Poseidon passarem em frente à sua porta, e eles nem a notaram.

A expressão do deus não demonstrava nada do que ele estava sentindo, enquanto que Afrodite tinha um pequeno sorriso de lado, mas direcionado para o nada.

Quando os perdeu de vista, Atena saiu do quarto e foi até a sala no final do corredor e girou a maçaneta da porta.

Trancada.

– Droga! – Murmurou, batendo o pé no chão.

Suspirando, ela passou a mão no cabelo ainda molhado.

Dando meia volta, a deusa seguiu Afrodite e Poseidon pelo corredor, tomando o cuidado de manter uma distância considerável dos deuses.

Ela os seguiu até a sala de jantar, onde os dois, em silêncio, entraram.

Atena parou a frente da porta. Esperou um pouco, suspirou e, mordendo o lábio, entrou, dando de cara com um Poseidon ainda mais bonito que o comum.

***

POV: Poseidon

Prendi o folego.

Eu pensara que já havia me acostumado a ver Atena, mas quase não resisti ao impulso de beija-la quando ela entrou na sala de jantar.

Ela estava linda, como sempre, mas sua beleza hoje estava além do convencional.

Seus olhos estavam mais brilhantes do que nunca. Seus cabelos, molhados, caiam em ondas perfeitas por suas costas.

E ela mordia os lábios, fazendo com que eu me lembrasse da macieza deles. Da sensação que era beija-los.

– Bom dia Poseidon, Afrodite. – Disse Atena, dando um beijo na bochecha da amiga que se sentava a minha direita e, ao passar por trás de mim para se sentar em seu lugar, bagunçou o meu cabelo, fazendo com que eu tivesse de reprimir a vontade de suspirar.

Atena se sentou em seu lugar, se servindo de suco de laranja. Ela bebeu um golo de seu suco antes de se voltar em minha direção.

– Poseidon, fizemos mais um piquenique ontem? – Ela perguntou, me fazendo hesitar por um momento. Por que ela estaria perguntando uma coisa dessas?

Olhei para Afrodite, que tinha as sobrancelhas arqueadas e um sorriso malicioso nos lábios. Como se me acusasse por não ter contado isso a ela.

Me virei para Atena, que ainda me encarava em expectativa.

– Não, não fizemos nenhum piquenique ontem. Por que?

– Acordei me sentindo mal, vomitei, isso só acontece quando eu bebo dema...

– Mas você está bem? Já está melhor? Podemos chamar Apolo se...

– Eu estou bem Poseidon, não se preocupe.

Relaxei ao ouvir suas palavras, me sentando na cadeira novamente, que só agora eu notara ter levantado.

– Como eu ia dizendo – continuou Atena – Isso só acontece quando eu bebo demais, e como no último piquenique eu...

– Ah, já entendi. – Afirmei – Não, nós não fizemos nenhum piquenique, mas ontem, quando você voltou do Olimpo as três da manhã, estava completamente bêbada.

– Olimpo? Bêbada? – Os olhos de Atena demonstravam a confusão que se passava em sua mente, fazendo com que eu me sentisse culpado por ter falado com ela daquele modo sarcástico – Eu não me lembro disso! O que aconteceu lá?

– Eu não sei. Você assaltou a minha adega e disse que ia para o Olimpo ver um filme com as outras deusas, inclusive essa doida aqui – apontei para Afrodite, que me fuzilou com o olhar por eu tê-la chamado de doida – e só voltou as três da manhã, completamente bêbada.

– Eu fiz tanto barulho para ter te acordado?

– Uhm? Não eu... Bem eu... Eu fiquei te esperando no corredor.

Desviei os olhos de Atena, só para encontrar uma Afrodite me olhando com um risinho de lado. Com certeza ela iria falar comigo sobre isso.

– Enfim, se quer saber o que aconteceu, pergunte a Afrodite – falei por fim.

– O que aconteceu, Afrodite? – perguntou Atena, se direcionando a outra deusa.

– Exatamente o que Poseidon disse. Nós vimos ao Rei Leão, você estava chorando e bebendo freneticamente.

– Ah, está explicado – disse Atena, como se aquilo respondesse a todas as perguntas do mundo.

– Ao Rei Leão? Me desculpem, mas esse filme não demora NOVE horas – falei.

– Mas nós vimos os três filmes e ainda conversamos – disse Afrodite.

– E quem chora vendo o Rei Leão? Ainda mais o terceiro filme, ele é hilário!

– Disse o homem que cita A Bela e a Fera.

– Hey! esse filme é um clássico! – Exclamei.

– O Rei Leão também! – disse ela.

– Eu sei que vocês dois querem se beijar agora, — disse Afrodite, fazendo a mim e a Atena corarmos até a alma – mas quantos anos vocês têm para discutirem sobre filmes infantis?

– O que me lembra, Afrodite – disse Atena. – O que você está fazendo aqui?

– Ora Atena, eu vim para ajuda-los com os preparativos do casamento.

Notas finais
Este capítulo ficou ENORME! Enfim, ele está CHEIO de pistas sobre a história. E eu adoro ler as hipóteses de vocês. Alguém aqui gosta de A Seleção? Eu comecei ontem e só faltam umas cinquenta paginas para mim acabar. É muito bom! Aliais, se tiver qualquer erro, principalmente na questão de 1°, 2° e 3° pessoa, me avisem. Tiveram muitas mudanças de narração e quando fui revisar arrumei um mundo de erros, mas ainda não sei se deixei passar alguns.