Nunca me dei bem com ninguém. Desde minha tenra infância, em Kawaguchi, na província de Saitama, fui muito sozinho, sem interesses comuns ás crianças da minha idade, e pra falar a verdade, até hoje não sei o motivo de tal comportamento.

Quando tinha seis anos, minha mãe faleceu, e eu estava presente no momento. O sentimento que passava por dentro de mim na hora era indescritível. Minha mãe se contorcia, e gritava clamando por Deus. Parecia que algo a agarrava, e quebrava seus ossos, e feria seus órgãos internos. Depois daquele dia, eu decidi ser a melhor pessoa possível, mas tudo mudou quando meu pai morreu se suicidando, depois de meses de depressão e tristeza.

Então, pouco antes de completar meus oito anos, fui enviado pra um orfanato, e com certeza absoluta, eu digo que lá ninguém poderia ser feliz. Eu deveria sair de lá com 18 anos, e ensino médio e um curso técnico completos, mas aos 15 anos fugi daquele terrível lugar. Ao sair de lá, depois de algumas dificuldades as quais tento apagar da minha mente, consegui me estabilizar, trabalhando, estudando, e pagava um quarto em uma pensão. A vida parecia melhor e prazerosa, logo eu saí daquela imunda pensão, e consegui comprar minha primeira casa, graças a inúmeras promoções que recebi na empresa de engenharia em que trabalhava, na qual comecei apenas como mero estagiário. Aos 40 anos de vida, além de casa própria, emprego, um belo carro, tinha algo que por anos e anos da minha vida não me interessei: amigos.

Amigos os quais me defendiam a qualquer custo, assim como eu fazia com eles, e isso aflorou em mim um extremo senso de justiça, que ia muito além do mero sentimento de valorizar a amizade.

A vida ia muito bem. Bem demais. No auge dos meus 42 anos, sentia que tudo que conhecia estava por acabar. Os mesmos sentimentos que senti nos últimos momentos de minha mãe começavam a vir a mim de novo, por motivos que naquela época eu desconhecia. Sempre, uma energia me perseguia, uma energia que me deixava com medo, medo que nunca tive durante minha juventude sofrida. Depois de alguns meses temendo o que poderia me acontecer, eis que chegou o dia. Parecia que a mesma maldição que levou minha mãe, agora me alcançava, mas dessa vez eu a podia ver. Era a mistura de um monstro terrível com uma forma humana. Tinha cabelos negros os quais nunca vi igual; punhos maiores que minha cabeça, e um olhar que parecia desprezar o que eu era. Eu tinha vontade de correr. Vontade de matá-lo. Vontade de gritar. Mas nada conseguia, eu parecia estar paralisado. Ele parecia não estar nem se preocupando com o que iria acontecer no momento, apenas foi se aproximando de mim, com os punhos preparados para me aniquilar. Quando faltava cerca de 5 metros para o meu fim, abre-se uma porta ao meu lado, do nada. Dela se abre, e saiu uma borboleta negra, que eu não sei se me fez desesperar-me ou aliviar-me; e logo depois, uma jovem de cabelos alvos, e olhos um pouco avermelhados, vestida com um kimono negro, e um símbolo que parecia ser de casa ou instituição real no braço apareceu em minha frente. Ela desembainhou uma kataná, e o monstro não durou 10 minutos contra ela. Ao final de tudo, ela, com um olhar carinhoso que me lembrava minha mãe, se ajoelhou perto de onde eu permanecia caído, e ao me ajudar a levantar, disse:

“Se um dia você pensou não estar seguro, tenha certeza de que agora a ameaça acabou. Caso um dia morra e chegue á Soul Society, procure por mim, Fujiwara Yuki.”

Ela se foi, abrindo com sua kataná o mesmo portão que usou pra chegar até mim. Depois do ocorrido, segui minha vida normalmente, e por uma ironia do destino – ou seja lá o que for — , eu sobrevivi á um ataque de um monstro, mas não á um câncer. Depois de morto, um homem com as mesmas características de Yuki apareceu, e com a bainha de sua kataná na minha testa, fui para um plano superior, o qual Yuki tinha me dito antes como Soul Society.

Depois de alguns anos em um local chamado de Rukongai, me encorajei a fazer o teste pra ser o que era aquela mulher que salvou minha vida, e por incrível que pareça, fui parar em um esquadrão que tinha como líder, Fujiwara Yuki.

Não sei se escrevi muito, mas de certa forma, este sou – ou melhor – Este fui eu.

Fujimoto Aiko

Notas finais
Ficou um pouco menor do que eu imaginava, mas acho que pelo menos já da pra saber como vai ser os próximos caps
Esperando reviews @_@