Acordei muito mais tarde que o normal. Já passavam de 15h. Obviamente, acordei com os gritos de minha capitã, que já temia por broncas do comandante, por deixar a cidade sem defensor.

Me levantei – bem depressa –, peguei minha zanpakutou e fui andando em direção ao senkai. Novamente, em direção a ele, eu me esbarrava com aquele hollow que andava pelos caminhos do seireitei. Com feição triste, e de aspecto não muito amigável, a capitã do 9º esquadrão ia andando pelos mesmos lados que eu. Não conseguia segurar minha repulsa, então nem cheguei a cumprimentá-la.

Era 17h, e eu já estava em Kawaguchi. Já tinha feito uma rápida ronda, só pra conferir se tinha algo fora do normal nos arredores, e então voltei para a pousada. Minha cabeça não parava. Não eram muitas as coisas a se pensar, mas em algumas passei horas refletindo. A minha nova capitã... A mesma que já havia salvado a minha vida. De fato, muita coincidência. Mas a imagem que tinha dela desde a primeira vez que a vi difere muito do que ela realmente é hoje. Talvez o poder tenha mudado-a, não sei. Mesmo sem o poder de capitã, talvez sempre fosse assim, e só porque me salvou, na minha cabeça eu a tinha como heroína. Ainda tem minha eterna gratidão, e respeito de subordinado, mas pelo jeito mimado, e modo como usava seus poderes de capitã, não tinha mais minha admiração. Meu Deus, eu nem sabia mais no que estava pensando... Talvez as tantas horas de sono não tivessem sido o bastante.Não tinha nada contra Yuki, mas minha completa indignação em relação à nova capitã do 9º esquadrão, a tal de Yuu, fez com que pelo menos em pensamento, eu descontasse tudo em todos.

Sempre acreditei – ainda acredito – que a soul society, os shinigamis, são o lado bom, a justiça, enquanto o Hueco Mundo, e os hollows, era o lado negro, a crueldade e tudo que há de ruim, e pessoas dizendo que isso é um pensamento limitado, só me fazem crer que são idiotas. Não faz sentido dar uma posição tão importante como a de capitão do 9º esquadrão da soul society, para um arrancar. O Comandante deveria estar pensando em algo bem além, mas ainda assim, não me conformo com o fato de um hollow passar dos portões do sereitei, e continuar vivo.

Já eram quase 21h, passei muito tempo pensando nisso, por fim, resolvi dormir.

Acordei, como de costume bem cedo. Levantei-me, logo saindo da pousada, e fui para o centro. Lá, apesar do barulho, e de toda a confusão de centro de cidade, era onde eu costumava ficar nas rondas. Eu ficava no alto de um prédio, que acho que é cheio de escritórios dentro. Dava pra ver tudo que acontecia, e o que não dava para se ver daqui, era possível de se sentir por reiatsu.

Já eram 14h, e até agora nada. A grande calma e monotonia desta cidade às vezes me geravam repulsa. Podia aparecer pelo menos um hollow, para eu ter o que fazer. Próximo das 15h e meia, finalmente apareceu um. Deveria ter algo perto de uns 3 metros de altura, e podia se confundir com um minotauro. Como eu já imaginava, a força do mesmo era insignificante; não durou mais que 2 minutos.

Mais um dia de ronda acabava ali. Monótono e entediante como todos os outros foram. Já estava cansado daquele trabalho, que poderia ser feito muito bem por um shinigami mais novo, que estivesse em treinamento. E de fato, o melhor a acontecer seria isso. Estava decidido; Hoje iria enviar um pedido para a capitã, pedindo um substituto, para que eu pudesse voltar para o sereitei.

Cheguei em casa, e a primeira coisa que pensei foi isso. Na verdade, pensei e parei por aí mesmo. Escrever não era comigo. Iria falar frente a frente com Yuki.

Saquei minha zanpakutou, e abri o portal, e como de costume logo saí no Rukongai. Sem delongas fui para o portão mais próximo, o portão do sul.

Era de noite, tudo estava bem calmo, ventava forte, mas o céu estava limpo, e podia-se ver as estrelas. Entrei no 3º esquadrão, e logo me deparei com o tenente Kira.

- Aiko-Kun, o que faz aqui? Deveria estar em Kawaguchi. – Kira já me cumprimentava deste modo, pelo o que eu fiz no baile.

- É por isso que vim aqui. Quero voltar pro Sereitei e deixar a região com alguém que realmente queira, e precise do cargo de defensor da cidade. Yuki está nos aposentos de capitão?

- Está sim, está vendo uns papeis do 3º esquadrão. Vou ver se você pode entrar.

Kira subiu as escadas, bateu na porta e entrou no cômodo onde estava Yuki. Logo ele voltou, abrindo a porta e dizendo que eu podia entrar.

Passei por ele, e pude ver a capitã sentada na sua cadeira, atrás de sua escrivaninha, cheia de papéis.

- Sente-se Aiko, fique a vontade. – disse ela, apontando com os olhos a cadeira a sua frente.

Me sentei, e então Kira fechou a porta e nos deixou a sós, então ela começou.

- Bem, por que você quer essa mudança?

- Aquela cidade nem deveria ter um guardião. São muito poucos hollows que aparecem lá, e quando aparecem, são fraquíssimos. Colocar um shinigami em treinamento lá seria bem melhor.

- Bom, posso ver isso com o soul taichou-dono, mas quando voltar pro seireitei pretende fazer o que?

- Treinar mais. Qualquer coisa que precisar aqui no esquadrão, pode me chamar.

- Sim. Tem outra coisa que quero falar com você. Até onde sei você não tem shikai, sua reiatsu é de nível médio, então não vejo por que o posto de 5º em comando.

- Tenho minha shikai mais do que bem treinada, também possuo a bankai, taichou. Não sinto a mínima necessidade de usá-las, muito menos de me gabar delas. Mas não me importo com patentes, pode passar o 5º posto para outro.

Quando terminei a frase, ela estava meio chocada. Um 5º em comando com shikai e bankai era demais.

- O-Ok Aiko. Irei encaminhar o pedido pro comandante. Creio que ele não vá negar, então já pode se instalar aqui no 3º esquadrão.

- Arigatou.

Saí do quarto, e fui para meus aposentos. Não deveria ter dito pra ela que tinha bankai. Quando todos achavam que eu não tinha nada, era ótimo... Se ela resolve espalhar isso, aposto que todos irão pegar no meu pé. Só queria sair daquela maldita vida monótona e entediante, e voltar ao treinamento, aprimorar minhas técnicas.

Logo que voltei aos meus aposentos, já era de noite, então me recolhi.

Ao acordar, já sem a preocupação de fazer rotas, e etc, tomei um café tranqüilo no 3º esquadrão, e fui para o campo de treinamento.

De começo, treinei com um cara chamado Sasaki Eiji. Bem forte até, parecia bem decidido, apesar de também muito cauteloso. Não foi preciso que eu fizesse nem esforço para derrotá-lo, apesar de ele ser duas patentes acima de mim.

Terminei a luta desarmando, e o derrubando. Estendi minha mão a ele, e o levantei; Cumprimentamos-nos novamente, e então me sentei para descansar, e ele foi procurar um novo adversário.

Já era visível que o nível da maioria era menor que o meu, se até o 3º em comando perdeu facilmente pra mim. Queria lutar com Kira; o poder da shikai dele me despertava curiosidade, precisava ver como me sairia contra ele. Infelizmente, o mesmo estava tratando de uma papelada do esquadrão. Já pensando que teria de terminar meu treinamento de hoje por aqui, até por que não estava com paciência para procurar lutadores em outros esquadrões, fui me levantando, e guardando minha espada; até que se aproxima alguém que valeria a pena treinar. Minha capitã, Yuki.

- Oe Aiko-kun, já terminou o seu treinamento? – Ela dizia com um certo tom estranho, como se dissesse: “Não te liberei da ronda para vagabundar aqui nos treinamentos!”

- Se você achar alguém do meu nível continuarei o treinamento. Mas o Sasaki não durou 5 minutos. – Respondi, sem perder tempo.

- Será que eu sou do seu nível? – Ela respondeu, já sacando a zanpakutou, e retirando o manto de capitão, para poder se movimentar melhor.

Não respondi, retirei minha zanpakutou, e então ela compreendeu que já podia vir. Ela avançou com seu shunpo, que sem shikai e bankai era até fácil de se acompanhar, e deu um forte golpe contra minha espada. Parecia que ela lutava dando golpes violentos, mas ainda assim mantinha sua defesa sem nenhuma abertura. Defendi seu primeiro golpe, que foi mais forte, contando com a investida do shunpo. Ela deu o segundo, e então já levantei a espada dela e me esquivei para trás da mesma, golpeando-a com a mesma violência. Obviamente ela defendeu, levantando a sua espada e defendendo com uma só mão, e com a outra, lançou um kidou.

- Hadou 4 – Byakurai!

O raio saiu, e tive que recuar. O dano parecia ser bem destrutivo, ainda mais naquela distância. Logo que recuei, ela avançou novamente, com outro ataque violento. Realmente a tática dela era pressionar até a morte o oponente. Tentei outro movimento, e um golpe, ela se afastou e abaixou a guarda. Estranhei.

- Aiko. Quero ver sua shikai. – Dizia ela, em tom autoritário.

- Pra quê? Está boa a luta sem shikais. – Tentei dar um bom motivo pra não usar minha shikai, mas parece que não foi o suficiente.

Ela avançou novamente, e com um golpe bruto, disse perto de mim.

- É uma ordem, Aiko. Shikai.

Recuei com o shunpo, e com a cabeça fiz um gesto de que concordava. Realmente não tinha jeito. Segurava minha zanpakutou com a mão direita; coloquei a mão esquerda na outra ponta da espada, que estava bastante afiada.

- Itami o fainaraizu, Karasuko Jundo!

(Finalize por meio da dor, Karasuko Jundo!)

Realmente havia muito tempo que eu não liberava a shikai. Mal me lembrava de seu incrível brilho branco, puro, e de suas duas lâminas, espadas duplas.

- Realmente, não esperava tanto de você Aiko. – Dizia ela sorrindo, parecendo satisfeita – Aqui vai a minha.

- Migaki, Itami no Toreiru!

(Brilhe, Rastro de dor!)

A shikai dela também era de espadas duplas. As espadas dela eram de cavalaria, mas ainda assim, nosso duelo seria uma luta de velocidade, e isso até me animava.

Avancei contra ela, e dei um golpe com a espada esquerda, e com a direita já defendi o golpe da mão esquerda dela. Ela então desistiu da idéia de uma espada pra ataque, e outra pra defesa, então passou a me atacar com as duas, e nos meus golpes, se esquivava. A luta ia bem, mas parecia que a shikai dela não se resumia só a isso. A minha shikai não tinha muita utilidade nessa luta com ela; A minha habilidade se baseava em perfurações, e nesse treino o objetivo era desarmar o oponente. Ela pronunciou: “Migaki” (Brilhe), e um estranho brilho de suas espadas apareceu, e então sua velocidade aumentou. Pouco, mas o suficiente. Ela com cada espada derrubou uma espada minha.

Peguei-as de volta, e retirei da shikai, e a guardei. Ela fez o mesmo, se aproximando de mim.

- Nada mal. Realmente, eu não esperava tudo isso de você. Ainda pretendo lutar com você, bankai contra bankai. Ok? – Ela dizia baixo, parecia saber que eu não pretendia que os outros soubessem de minha bankai.

- Quem sabe um dia, taitchou. – Respondi, com certo tom de ironia.

O treino acabou por ali, e então fomos para o esquadrão, para um descanso.

Para uma capitã, ela também me impressionou. Esperava mais.

Fujimoto Aiko — Diário

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.