Notas iniciais
NARUHINA É CANONNNNNNNNNNNNNN O

Capitulo XII - Desencontros

Respirou profundamente tentando se acalmar. Não era do tipo aristocrático que fazia escândalos ao menor imprevisto que surgia no seu caminho, mas já se encontrava no limite. Não bastasse uma chuva torrencial, que apareceu tão rápido como se dissipou, deixando uma estrada que já era precária, agora intransitável, sua carruagem quebrou um eixo e um de seus cavalos aparentava ter ferido a pata no trajeto até a estalagem.

E então encontrava-se lá, preso no meio do caminho entre Londres e Bedfordshire[1], em uma hospedagem imunda, com as botas sujas de lama sem poder seguir viagem. Olhou o céu acinzentado, as nuvens pesadas começavam a ser formar novamente. Logo cairia outra tempestade.

Suspirou. Faltavam apenas alguns quilômetros para chegar à mansão dos Uchihas. Havia planejado chegar naquela mesma manhã, encontrar Hinata e, voltar para casa antes do final de semana acabar. Tinha muitos assuntos pendentes em sua propriedade e não deveria perder tempo com as imprudências de sua prima, no entanto, era o líder da família e tinha responsabilidade para com ela, mesmo que esta fosse mais teimosa que uma mula.

Algumas gotas se precipitaram e um suspiro exasperado saiu de seus lábios.

— Não parecia que o céu iria desabar sobre nossas cabeças quando sai essa manhã. – sorriu-lhe um homem.

Neji lançou ao recém chegado um olhar indiferente. O homem era tão alto como ele, seus cabelos eram loiros com as têmporas levemente embranquecidas. Aparentava ter uns cinquentas anos, mas ao contrário dos senhores dessa idade, ainda tinha um porte distinto. Seus olhos muito azuis transpareciam bondade e o sorriso de dentes brancos e perfeitos, um carisma especial. Não era um homem simples, constatou o Hyuuga, observando as vestes impecáveis.

— Certamente senhor. – respondeu com um ar cortês.

O homem estreitou seus olhos azuis, observando as feições do moreno. Era mais inteligente do que aparentava.

— Um prazer em conhecê-lo senhor – estendeu a mão. – me chamo Minato. Sorriu lhe.

Neji olhou a mão estendida do homem e logo em seguida o sorriso simpático, analisando até que ponto o lorde poderia ser confiável.

— O prazer é meu, senhor. – apertou finalmente a mão do senhor – Neji, Hyuuga Neji.

O sorriso despreocupado levemente desvaneceu do rosto do Lorde, seus olhos azuis tornaram-se mais desconfiados.

— Hyuuga? – repetiu pensativo, avaliando mais atentamente aquela figura. No primeiro momento que viu aquele homem, algo havia lhe soado familiar. Não resistiu à curiosidade e decidiu descobrir quem era aquele jovem. Notou a expressão decidida, a postura altiva, os longos cabelos castanhos, muito incomum para aquela época. Porém o que mais incomodava o conde, eram os olhos do jovem, aqueles orbes perolados idênticos as da senhorita Hyuuga. Isso o intrigou ainda mais.

Nesse primeiro movimento conseguiu confirma a sua primeira suspeita, eram parentes, no entanto, ficava a dúvida, que grau de parentesco havia entre o senhor Hyuuga e a senhorita Hinata?

Neji arqueou uma sobrancelha indiferente.

— Sim, por acaso o nome da minha família lhe é familiar? – encarou sem nenhuma reserva o conde. Em realidade, aquele homem não lhe era estranho.

— Não. – encolheu os ombros, fazendo-se de desentendido – apenas achei seu sobrenome peculiar.

Seus olhos se encontraram e a tempestade foi esquecida. Em pé diante da estalagem caindo aos pedaços, dois homens trajando roupas elegantes e com modos distintos, se enfrentavam em uma batalha de vontades. O silêncio era mais significativo que mil palavras. Estava claro que nenhum dos dois confiava no outro, e ao mesmo tempo escondiam algo. Calculavam perfeitamente cada jogada daquele jogo discreto que haviam iniciado.

Por fim, Minato fez o primeiro movimento.

— É dessa região, milorde? – indagou, aparentando despreocupação.

— Não senhor – respondeu o Hyuuga após um tempo — vim de visita. E o senhor?

— Tem parentes aqui então – murmurou Minato ainda o encarando – estou indo à casa de alguns amigos encontrar minha esposa.

— Ah! Vejo. Deve conhecer a região então? – questionou Neji polidamente.

— Sim, conheço. Na verdade, vinha muito para essas redondezas quando meu filho era pequeno. Ele gostava muito de ir visitar seu colega de escola, Sasuke-san. Mas diga-me, nunca ouvi o nome da sua família nos arredores, por acaso são parentes de sua mulher?

Neji franziu o cenho surpreso. Aquele lorde era mais inteligente e perspicaz do que havia imaginado. Tinha sido cauteloso a lhe falar sobre sua visita, e ainda sim, ele conseguira lhe arrancar informações enquanto tagarelava alegremente, ao mesmo tempo em que não deixou escapar sequer uma informação útil sobre sua identidade. Deveria tomar cuidado.

O conde sorriu diante do espanto do jovem, e apontou despreocupadamente para o anel dourado que cintilava no dedo anelar esquerdo do Hyuuga. Neji guiou o olhar até onde homem indicava ficando levemente encabulado por seu descuido.

— Presumo que seja casado, ou estou enganado? — os olhos azuis miraram o rosto transtornado de Neji. O moreno contrariado percebeu o quanto aquele senhor se divertia com seu embaraço.

— Está correto em seu julgamento senhor, sou casado. – respondeu recuperando-se logo do embaraço. – diga-me, já que conhece as redondezas, poderia me informar onde se encontra a mansão do Visconde Uchiha?

— Os Uchihas?! – surpreendeu-se Minato.

— Conhece-os? – indagou Neji desconfiado

— Mas é claro, e que grande coincidência. Estava me dirigindo exatamente para lá, antes dessa terrível tempestade resolver se intrometer em meu caminho.

Instalou-se alguns minutos de silêncio após a revelação do destino de ambos os senhores. Neji ponderava sobre essa nova informação, se questionando se realmente aquele homem era apenas um simples senhor ou algo a mais, enquanto Minato calculava o próximo movimento. Para o conde ainda faltava descobrir a resposta da pergunta mais importante. Qual era o grau de relacionamento que Hinata tinha com o tal Hyuuga? Rezava para que não fosse além de parentes distantes, pois do contrário Kushina ficaria arrasada.

— Senhores! – um garoto com pouco mais de dez anos parou ofegante na frente dos homens, com as mãos nos joelhos, falou em um folego só — o moço pediu para dizer prô senhores que as carruagens estão prontas.

— Obrigado jovenzinho – sorriu-lhe Minato, jogando ao pequeno uma libra. O garoto olhou a moeda fascinado e depois o homem alto e loiro como se estivesse diante de sua majestade e depois novamente a moeda, aquela libra era muito mais do que poderia ganhar em um ano.

— Não há de que, senhô – respondeu muito entusiasmado, e se pôs a correr em direção à cozinha do estabelecimento, para mostrar a mãe o que havia ganhado.

Minato se voltou para o jovem Hyuuga e sorriu-lhe.

— Pelo visto temos um destino em comum. Se não se incomodar poderia me acompanhar – sugeriu Minato cordialmente.

Neji olhou o caminho por algum tempo pensativo, depois voltou-se para o lorde.

— Seria uma honra.

....

Acomodou desajeitadamente uma grande trouxa amassada de seda, tafetá, musselina e veludo em um velho baú. As mãos trêmulas era a única evidência do temor que Hinata sentia sobre a eminente chegada de Neji.

Era imprescindível partir imediatamente.

— Hina é mesmo necessário partir desse modo, como se fossemos criminosas? Por que não fala diretamente com seu primo, talvez ele compreenda a situação. Não pode julgá-lo sem nem ao menos lhe permitir uma oportunidade de escolha.

As lindas íris peroladas a perfuraram com determinação e antes mesmo que começasse a falar, Haru sabia que Hinata não cederia um milímetro sequer.

— De modo algum Haru, conheço meu primo muito bem. Neji é um homem muito teimoso e orgulho, jamais me entenderia.

— Bom, pelo menos vejo que vocês dois tem algo em comum. A teimosia — bufou a loira, impaciente.

— Não sou teimosa. — protestou a Hyuuga

— Claro que não — ironizou a loira — pois é perfeitamente normal fugir na calada da noite de seu preocupado primo, sem nem ao menos dar-lhe uma chance de saber os motivos de sua repentina mudança de atitude. E o que os outros irão pensar quando descobrirem que estamos de partida.

Soltou de qualquer jeito, sobre a cama, os vestidos que segurava, ao mesmo tempo em que suspirava pesarosamente. Estava muito cansada para discutir, ainda não havia se recuperado do acidente, e acima de tudo, do encontro ilícito com Naruto. O dia nem havia acabado, mas sentia que havia passado meses tal era o cansaço que sentia em seus ossos. E ao invés de descansar antes do jantar, outra má notícia chegou, seu querido primo estava lhe procurando.

As coisas não poderiam ficar piores.

— E quem disse que saberão que estamos partindo?

— Como assim?

— Não vamos avisar a ninguém. Partiremos imediatamente. – informou decidida. – não tenho tempo a perder Haru.

A loira suspirou novamente, desabando desajeitadamente em uma poltrona acolchoada.

— Bom, se é assim que pretender seguir seu caminho, não posso fazer nada – redimiu-se, não muito animada. Não acreditava que aquele comportamento fosse a melhor solução. Fugir nunca lhe pareceu uma boa escolha. Hinata apenas estava retardado os problemas que de uma forma ou de outra desabariam sobre sua cabeça, e com certeza da forma mais desagradável possível.

A Hyuuga suspirou.

— Eu não queria fugir Haru – confessou com pesar, juntando-se a sua amiga. Sentou na beira da cama. – Kami sabe o quanto desejo que tudo fosse diferente. Que eu pudesse desfrutar da vida com tranquilidade, sem precisar esconder a verdade ou fugir. Mas as coisas não são como desejamos – parou de falar olhando para a porta, perdida em seus pensamentos.

— Eu sei Hina-chan – murmurou Haru amuada.

A morena lhe sorriu sem jeito.

— Afinal, por que está com tanta resistência em partir Haru? Você não gostaria de conhecer a França? – questionou, estreitando os olhos, desconfiada diante do rosto corado da amiga.

— Não tente mudar de assunto – murmurou Haru, tentando esconder a face acalorada do olhar avaliador de Hinata.

— Por acaso, você está interessada pelo Sir. Sabaku?! Ah, Estou certa! – exclamou a morena com um brilho nos olhos, observando o rosto escarlate da amiga.

— Na-não sei do que você está falando – gaguejou a loira – como posso me interessar por aquele lorde arrogante e cheio de si. Nem gosto de ruivos – desdenhou.

Hinata soltou uma gargalhada, enquanto desabava na cama de colchões macios e lençóis de linho, provocando uma confusão de sedas e tafetás de diversas cores.

— Não entendo qual é a graça. – resmungou a jovem, muito zangada.

— Eu sim – respondeu a outra entre risos – nunca imaginei que você se engraçaria por um aristocrata.

— Mas eu não me engracei — teimou a loira – e você milady, não tem o direito de zombar de mim, por que não sou eu que tenho encontros clandestinos com um belo e perverso Duque. – sorriu maliciosa, ao ver a reação de Hinata, que parou imediatamente de gargalhar – também não estava escondida aos beijos com ele no jardim.

A Hyuuga corou com a menção do encontro. Não pretendia em momento algum chegar a ser seduzida por Naruto na beira do bosque, sob a luz do dia e principalmente na casa dos amigos do próprio lorde, onde por sinal, era convidada. Mas quando se tratava do loiro nada era previsível e sempre que percebia, ou se encontrava em uma discussão acalorada ou nos braços desse perverso e irresistível homem.

— Você sabe exatamente o que pretendo com tudo isso – murmurou séria.

— Mas isso não lhe impede de se apaixonar – replicou a loira.

— Isso não importa.

— Como não?! Irá sofrer se você se apaixonar por esse homem, caso já não esteja.

— Haru, entenda uma coisa. – falou a Hyuuga muito séria — vou morrer de qualquer maneira. É inevitável o fato de que sofrerei, mais isso não vai durar muito tempo. E também não importa muito, pois só eu passarei por isso. O importante é que ele não se apaixone. E isso, eu estou muito segura de que não irá acontecer. – desabafou com certo aperto no coração, as palavras eram verdadeiras, mas ainda assim, tinhas tolas esperanças.

— Mas Hina-chan, e se acontecer, ou melhor, e se já aconteceu. Ele realmente parece muito interessado. Posso até arriscar que já está apaixonado.

— Não diga tolices Haru. Aquilo não é amor. – zombou a Hyuuga – paixão, desejo, curiosidade, pode até ser, mas não amor.

Um sorriso vago surgiu em seu rosto. Não iria negar, gostaria que fosse amor, mas sabia muito bem que não o era, e que isso nunca aconteceria, não com ela. Havia vivido todo aquele tempo, observado cavaleiros belos cortejarem jovens bonitas enquanto servia como vaso de decoração em muitas festas. E em nenhum momento chamou atenção de ninguém, nenhum belo rapaz a tirou para dançar ou lhe disse que era bonita. Por que somente agora, depois de aceitar seu fim, o acaso iria lhe pôr no caminho o amor? Seria uma brincadeira muito cruel do destino.

Balançou a cabeça abandonando tais pensamentos, não era hora para se martirizar ou se autodepreciar.

— Mas deixa como está, temos muitas coisas para arrumar antes de partir. E quero seguir viagem ainda hoje.

— Sim, senhora. – respondeu a loira, já se levantando do sofá. – mas antes não seria melhor avisar. Apenas dizer que ocorreu um imprevisto e que tem que partir. – pediu Haru, não lhe agradava sair daquela maneira.

— Haru, você sabe..

— Eu sei – interrompeu a jovem – ainda assim. É muita falta de consideração para com Kushina-sama e Sakura-chan, elas foram gentis, nos acolheram em sua casa sem mal nos conhecer e em retribuição partiremos assim, sem dar-lhes uma explicação?

A loira olhou significativamente para sua senhora e sabia naquele momento que Hinata se encontrava em uma batalha de vontades, de um lado seu desespero por escapar de Neji sem deixar rastro, e por outro, a decência de agradecer a hospitalidade de seus anfitriões. Por fim, um lado venceu.

— Está bem, eu irei avisá-la, só por que seria realmente uma descortesia ir embora sem uma justificativa – murmurou um pouco relutante.

Haru sorriu de orelha a orelha, quem sabe Kushina não fazia à teimosa Hyuuga mudar de ideia.

Subiu os degraus de dois em dois, precisava ter uma conversa com Sasuke. Não gostava de admitir, mas não sabia o que fazer. Para sua vergonha, pediria conselhos a seu bom e velho amigo. Sim, ele passaria o resto da sua vida lhe burlando, mas quando se tratava daquela pequena diaba, sua honra e seu orgulho eram jogados na lama. Quando estava com ela o mundo desaparecia, aquele pequeno ser atraia sua atenção como um vagalume era atraído pela chama de uma vela. Depois que a euforia que aquela exuberante mulher o cativava, o encanto se dissipava e surgia em seu lugar um sentimento de depressão e abandono, principalmente a consciência de quão tolo ele poderia ser. E isso o estava pondo nervoso. Naruto tinha medo de todo o sentimento que ela lhe provocava, e por isso passaria por cima do seu orgulho e pediria conselhos.

Entrou no Hall e estacou na porta. Seus olhos azuis observavam uma verdadeira confusão de saias e ternos escuros. Criadas subiam as escadas eufóricas segurando pilhas de toalhas, e logo atrás, quatro jovens carregavam bacias de agua quente. Outras criadas com seus vestidos negros que contrastavam com aventais de um branco anil subiam em seguida, pareciam realmente preocupas enquanto outros criados andavam de um lado para o outro. Todos do recinto ignoravam a sua presença.

Um arrepiou lhe subiu a espinha

Com um movimento rápido agarrou o braço do mordomo.

— O que está acontecendo aqui? – indagou Naruto começando a sentir um suor frio escorrer pelas costas. Algo não estava certo.

— Sua Excelência! – surpreendeu o homem. Sua face estava pálida – não o havia visto Sua Excelência.

— Diga homem o que está acontecendo? – indagou novamente, ficando a cada segundo mais tenso.

O homem se encolheu diante do nobre alto e terrivelmente perigoso. Na maioria das vezes era simpático com todos, e sempre carregando um sorriso encantador, até mesmo com os criados, diferentemente de Sasuke, seu patrão, que era frio e reservado como todos do clã Uchiha. Mas quando Naruto estava irritado podia ser muito mais temível que o Uchiha, não era à toa que o chamavam de raposa demoníaca.

— Perdão Milord, — curvou-se o homem respeitosamente – todo esse alvoroço é devido a Milady Uchiha, ela está passando mal.

— O quê? – interrompeu Naruto –Sakura.

Não houve tempo do pobre homem dizer mais nada, quando deu por si, só pode ver uma forma corpulenta e alta desviar de criados uniformizados e subir como uma bala de canhão as escadarias da mansão.

A porta dos aposentos da condessa estava abertos e duas criadas deram passagem para Naruto entrar. Ao entrar no quarto seu coração quase parou ao ver Sakura desfalecida sobre a cama. Sasuke estava sentado ao lado da esposa segurando sua pequena e fria mão. Ela estava desacordada. Do outro lado da cama sua mãe dava ordens como um general

— Sasuke – murmurou num sopro de voz.

O amigo levantou a cabeça e pela segunda vez seu coração parou. Nunca havia visto Sasuke naquele estado. Ele estava desesperado. Em apenas algumas horas simplesmente toda a vida daquele homem havia desaparecido. E naquele momento soube exatamente o que Sasuke sentia, o vazio, o medo, o frio. Sentira-se assim com Hinata.

— Naruto – chamou sua mãe – por favor, tire Sasuke do quarto – ordenou.

— Madame, não sairei daqui – protestou o homem.

A mulher ruiva colocou as mãos nos quadris, como uma verdadeira matrona.

— Você sairá sim, por bem ou por mal, moleque.

O homem se levantou irritado. Naruto deu um passo para trás, se protegendo da guerra de vontades que iria ocorrer ali. Sasuke era duas vezes maior em altura do que Kushina, mas sua mãe poderia ser um mostro terrível quando queria, mesmo sendo pequena.

— Esta casa é minha, Sakura é minha esposa – grunhiu o Uchiha, sua voz estava carregada de um ódio sombrio. Mas não foi o suficiente para estremecer nem sequer um fio de cabelo de Kushina. A mulher apenas limitou-se a arquear uma sobrancelha fina o desafiando a continuar a contradizê-la. Naruto sabia muito bem o que acontecia quando se ultrapassava os limites de sua mãe.

— Não tente me irrita moleque. Eu o conheço desde quando usava calças curtas. Pode até ter crescido, mais ainda sim é apenas um menino. Então saia daqui e não nos atrapalhe mais, ou eu terei que tirá-lo daqui pelas orelhas como fazia com vocês dois quando eram pequenos.

Os olhos azuis escuros faiscavam de raiva e uma expressão sóbria enrijeceu a bela face da mulher. O recinto tornou-se pesado. Dois demônios brigavam pelo poder.

— Sasuke, acho melhor irmos – sugeriu Naruto temendo que as coisas piorassem.

— Não – limitou-se a dizer Sasuke. Ele conseguia ser bem cabeça dura quando queria.

— Olha aqui seu pivete... – começou Kushina até um movimento imperceptível na cama chamar a atenção de todos.

— Sasuke – murmurou Sakura.

A expressão de Sasuke mudou completamente, de fria, foi para de preocupação em um instante. Sentou-se novamente na cadeira apoderando-se das mãos frias de sua mulher. Olhava atentamente sua esposa procurando um sinal de dor, desejando que se recuperasse logo.

— Sakura.

— Por favor, vá com Naruto – pediu a jovem

— Não, vou ficar aqui. Você não está... – interrompeu-se quando Sakura levantou a mão.

— Vá, por favor. – suspirou.

A contra gosto Sasuke saiu do recinto, muito mal humorado. Naruto o seguiu em silencio ainda muito perturbado com a cena, não sabia o que estava acontecendo, mas ver seu melhor amigo naquele estado o deixava muito nervoso. Sentou observando Sasuke andar de um lado para o outro bagunçando os cabelos negros.

— Poderia me dizer o que aconteceu? – indagou – quando cheguei, a casa estava uma confusão e Sakura na cama.

Só naquele momento que Sasuke se deu conta da presença do amigo.

— Ela estava bem, depois do almoço foi conversar com milady Shion, então começou a passar mal, e desmaiou. – relatou o ocorrido muito tenso, podia-se perceber a tensão dos músculos e a mandíbula apertada. Sasuke se controlava para não quebrar algo ou alguém, tamanha era sua fúria.

— Chamou um médico.

— Mas é claro que chamei, mais aquele maldito ainda não chegou. – voltou a dar voltas – não sei o que aconteceu. Viu como ela estava pálida e se aconteceu alguma coisa com o bebê. – seu rosto foi ficando cada vez mais pálido.

— Calma amigo, tudo vai ficar bem

Ele se virou com tudo, seus olhos estavam ejetados de sangue, na tentativa de conter as lagrimas

— Eu desejo. Mas me desespero só de pensar que possa acontecer alguma coisa com ela. O amor é algo assustador amigo, fico feliz por você não passar por isso. Me doem até os ossos quando penso que posso perdê-la.

Naruto se aquietou, sentindo um estranho desconforto.

— Não posso perdê-la Naruto, Sakura é tudo para mim. Ela é minha ponte para me manter na sanidade. Você entende não é?

Naruto entendia muito bem do que Sasuke estava falando. A família Uchiha tinha um longo histórico de loucura, vários ancestrais de Sasuke foram internados ou mandados a forca por atos perigosos, até mesmo seu pai Fukaku acabou ficando perturbado após a morte de sua mulher e dois anos depois se enforcou em seu próprio escritório. Sasuke sempre temeu esse sangue Uchiha e sabia que um dos grandes problemas de sua família era amar de mais, no entanto, não conseguiu resistir a vivacidade e alegria de Sakura e mesmo tentado lutar, se afastando e mentindo para ela, por fim acabou derrotado.

— Sasuke, quanta vezes devo dizer que Sakura é mais resistente que nós dois. – brincou Naruto tentando amenizar toda aquela dor e aplacar o desespero do amigo.

O moreno olhou

— Ela estava sangrando.

Naruto encostou-se na poltrona, visivelmente assustado.

— Como assim? – murmurou. Não era nenhum médico, mas sangramentos em um estado de gravidez não era um bom sinal.

— Ela está sangrando – desabou em uma poltrona afrouxando o nó da gravata. Estava abatido e cansado. Inclinou-se para frente colocando o rosto entre as mãos – ela continua sangrando e está muito pálida, igual a minha mãe. A imagem da minha mãe não sai da minha cabeça, todo aquele sangue e os olhos opacos dela, sem vida. Naruto, ela pode não resistir. O que vou fazer se perdê-la?

Naruto se inclinou para frente pondo uma mão no ombro do amigo, e com toda a determinação lhe falou:

— Acredite nela, teme. Ela não vai te deixar.

Ficou zonza com a movimentação no corredor. As pessoas passavam por ela sem nem ao menos notá-la. Em um momento quase foi atropelada por uma grande criada que carregava uma pilha de tolhas. Tentou sair da linha de frente dos empregados, se encostando à parede e foi seguindo o caminho da forma mais segura que pode até se choca com uma pessoa.

— Me desculpe, não tinha a intenção...

— Não sabe olhar para onde anda sua idiota – vociferou a jovem, assustado Haru.

A linda garota, de cabelos loiros e olhos azuis violetados, a encarava com muito ódio. Apensar de ser a jovem debutante mais cobiçada da temporada anterior, suas feições naquele momento eram feias, devido a alma diabólica que habitava aquele corpo.

— Me desculpe. – continuou Haru engolindo todas as respostas que Shion merecia ouvir.

— Como se eu me importasse com uma subalterna qualquer. É tão inútil que não consegue viver sem ser notada. Precisa ser tão desnecessariamente irritante. – murmurou olhando a confusão que estava o corredor.

Para Haru, parecia que Shion se divertia com a situação que se encontrava a mansão Uchiha. Não queria manter mais nenhuma conversa com aquela mulher, mas a curiosidade sobre o que estava acontecendo era maior. E sua língua foi mais rápida que sua prudência.

— O que está havendo aqui?

A garota lhe deu um sorriso indiferente e a olhou a pobre Haru como se fosse uma poça de lama no chão.

— E quem você pensa que é para dirigir a palavra a mim, sua vagabunda.

Haru ficou rubra de raiva. Já ia erguendo a mão para dar uma tapa naquela cara bonita, mais parou na metade do caminho, quando a jovem loira começou a rir da queda de uma das criadas da casa. A jovem Akima olhou atônita com a falta de humanidade de Shion, enquanto está segurava a barriga de tanto gargalhar.

— Essas cridas são ridículas – comentou entre o riso.

— Como ousa dizer uma coisa dessas? — bufou Haru respirando com dificuldade, tamanha era o sacrifício que tinha para controlar sua ira.

Shion, apenas olhou para a empregada com seus lindos olhos azuis violetados tão frios como o gelo. Os lábios se contorceram em uma careta nojenta.

— Já disse que você não é ninguém para dirigir a palavra a mim. Você e essa ridícula da condessa Uchiha. Onde já se viu uma burguesa, tão imunda como você se casar com um conde. – os olhos brilhavam de ódio — espero que aquela meretriz perca o bebê. Afinal, foi divertido ver ela passar mal e sangrar – riu com desdém ao ver Haru tampar a boca com as mãos, visivelmente abalada. Afinal, Sakura se encontrava tão bem quando deixou a sala rosada, como ela poderia de uma hora para outra perder o bebê.

— O que? Ficou chocada? – sorriu a loira – já eu, nem um pouco. Poderia ter chamado ajuda quando ela desmaiou e principalmente quando percebi que estava sangrando, mais achei interessante ver a pele dela ficar paliada como um defunto. – observou o movimento dos corredores ainda indiferente com a balburdia da casa — quem sabe Sasuke-kun ficaria livre. É uma pena um homem tão bonito e rico casado com uma escória, meretriz como aquela.

Haru não soube o que dizer e muito menos o que fazer. Olhava cada vez mais assustada e chocada para a beleza loira de olhos azuis violetados a sua frente. A moça estava vestida com o mais belo vestido, de corpete baixo, branco com apenas algumas pregas na cor lavanda que desciam do corpete até a barra do vestido. Era simplesmente linda, mais ao mesmo tempo exalava um odor fétido, suas palavras eram ferinas e cruéis.

Sentiu um arrepio na espinha e um frio tomar conta de seu corpo. E pela primeira vez sentiu medo, um medo tão mortal que fizeram suas pernas tremerem e sua voz não sair da garganta. Segurando as mãos para que não tremessem tanto, Haru fugiu daquele lugar, daquele monstro em pele de anjo, para um ambiente que estivesse a salvo.

Entrou na primeira porta que encontrou e encostou a cabeça na madeira fria. Suas mãos suavam enquanto o coração batia acelerado. Era inacreditável que tanta maldade pudesse existir em um único ser humano. E ainda mais inacreditável que ninguém a notasse. Naquele momento ela viu o ninguém mais conseguir enxergar, a monstruosidade que era lady Shion.

Mal seu coração normalizou as suas batias, Haru sentiu os pelos de sua nuca erriçaram e notou uma sombra enorme se projetar na parede. Virou-se preparando-se para gritar, mas uma mão enorme abafou o grito que saiu de sua garganta. Empurrou o homem com uma força que não sabia que possuía.

— Quer me matar do coração – vociferou apertando o peito que arfava descontrolado.

— Não pretendia te assustar – respondeu em um tom calmo – mas se gritasse poderia causar mais comoção do que já está acontecendo.

A loira estreitou os olhos azuis, muito irritada.

— Mesmo assim, não precisava me dar um susto de morte – resmungou para Gaara que começou a rir – não acho graça.

— Mas eu acho – sorriu-lhe constrangendo a jovem Akima – Não querendo ser intrometido, mas poderia saber o que está incomodando a milady? – perguntou sem mais nenhum traço de humor na face, para pesar de Haru, ela o achava tão bonito sorrindo.

— Eu estou bem – sorriu, procurando sentar-se em um poltrona.

— Não me parece – interveio Gaara.

Haru mexeu-se incomoda na poltrona, evitando a todo custo enfrentar o olhar impenetrável de Gaara que parecia ter o poder de ler sua alma. Mas, após alguns minutos de silêncio e a insistência do ruivo em manter sua pergunta no ar, Haru se rebelou.

— O que você quer? Já disse que estou bem.

— Mais eu insisto em duvidar — rebateu Gaara calmamente, enfurecendo ainda mais a jovem Akima.

— Por que o senhor é tão teimoso? Já não basta aquela nossa pequena discussão na opera, não ficou por satisfeito em receber uma bofetada, ainda quer mais? – presentou o Sir com um sorriso irônico.

Gaara nada disse, apenas limitou-se a continuar a olhá-la. Como Haru odiava aquele comportamento reservado de Sabaku. Preferiria um homem que falasse pelos cotovelos, que não medisse as palavras e principalmente que não fosse observador, pois diante de Gaara sentia-se exposta, frágil, e não gostava dessa fragilidade.

— Você quer saber a verdade? – indagou irritada – pois bem, eu estou muito assustada com lady Shion, ou se pode chamá-la de lady. Aquela mulher é um mostro. – comentou sentindo um arrepio percorrer sua espinha.

— Não acredito nisso. Shion é uma jovem mimada e um pouco egoísta mais não consigo vê-la como um monstro sem coração.

Haru o encarou incrédula, realmente ninguém conseguia nota como aquela jovem tinha um coração negro, se realmente tinha um.

— Ela é um monstro, se pudesse ouvir o que disse de milady Sakura...

— Senhorita Akima, não julgue as pessoas com um olhar tão preconceituoso. Compreendo que não gosta de aristocratas, mas ninguém merece ser julgado sem ao menos ter o direito de se defender. Ofende lady Shion por sua posição e não por suas ações.

A loira o olhou incrédula, ofendida e furiosa.

— Eu não sou superficial ao ponto de ofender ou caluniar alguém apenas por que não gosto. Ela é má, eu a vi e ouvi.

Gaara balançou a cabeça incrédulo, não conseguia acreditar em Haru. Shion era uma jovem mimada, mais não essa pessoa cruel que Haru afirmava que era.

— Então é assim. – murmurou sorrindo cinicamente – é claro, pessoas de sua classe se defendem. Como alguém como você poderia acreditar em uma pessoa como eu..

— Não é assim. Você, senhorita é que não avalia os aristocratas como pessoas, mas sim, por suas posições.

— Chega. Já é o bastante para mim. – interrompeu Haru se levantando e já com a maçaneta na porta disse; – é uma tolice acreditar em lordes como você, todos no final são iguais. Mentirosos e egoístas.

Virou-se para partir mais foi impedida por uma mão grande e forte.

— Por que você é tão avessa a aristocracia?

— E não deveria ser – ela olhou com raiva aquele belo rosto.

— Fizeram alguma coisa contra você?

A pergunta a surpreendeu e um frio percorreu sua espinha. Todo o sofrimento que havia superado retornou forte e marcante nas linhas delicadas. Moveu seu braço com força na tentativa de se desvencilhar das mãos de Gaara. Odiava os aristocratas, odiava aquele homem ruivo, por que, depois de tanto tempo, de ter superado aquela decepção, ele tinha que evocá-la, fazê-la sofrer novamente.

Hinata estava certa, a melhor coisa que poderia fazer era partir, sumir dessa atmosfera de luxo e orgulho, pois não faziam parte desse mundo, nunca fariam. No final das contas, só serviriam de brinquedos nas mãos de homens poderosos, que nasceram com o privilégio nas mãos e com a convicta certeza de que mereciam tudo no mundo e poderiam usar qualquer um a seu bel-prazer. Gaara com certeza não era diferente dos outros ou daquele por quem se apaixonou perdidamente um dia, e muito menos de Shion. Todos eram iguais.

— Isso não é da sua conta – respondeu friamente, livrando-se da mão que a aprisionava e deixando no recinto mal iluminado um homem supresso e frustrado.

— Quem foi o bastardo que lhe fez mal? – perguntou para uma porta escura, os olhos verdes escuro de ódio.

Hinata teve se sobressaltou quando a porta se abriu repentinamente e uma loira entrou como um furacão na habitação. Seus olhos azuis enfrentaram com determinação os olhos perolas de Hinata, e em seguida disse:

— Partiremos imediatamente.

A Hyuuga piscou uma, duas, três vezes, tentando digerir o significado daquelas duas palavras. Enquanto Haru colocava com decisão o restante dos vestidos no baú de Hinata.

— Acho que preciso de uma explicação. Agora pouco você saiu daqui dizendo que iria informar a condessa de nossa partida. E depois você retorna querendo matar alguém se pudesse.

A loira estacou no meio do caminho entre o guarda-roupa e cama, segurando uma camisola fina nas mãos. Apertou-a com força tentando se acalmar antes de começar a falar.

— Não cheguei a falar com a Madame, parece que Milady Uchiha passou mal e a casa inteira está um caos.

— Oh?! Mais Sakura-san está bem? – preocupou-se Hinata.

— Não sei, não tive tempo de verificar.

— Então é melhor ir ver como ela está. – prontificou-se Hinata se dirigindo a porta, muito preocupada.

— Não. – impediu a loira – melhor não. Eles estão preocupados e você precisa partir.

— Haru, o que aconteceu?

A jovem desviou o olhar.

— Digamos que não quero mais ficar aqui. Vamos deixar uma mensagem para a condessa e partir. Também se resolvermos falar com ela agora, só iremos atrapalhar.

A morena olhou desconfiada, mas cedeu.

— Por hora vou fazer sua vontade, só por que preciso realmente escapar de Neji, mas você não irá escapar de mim. Quero saber a verdade.

A loira balançou a cabeça e voltou-se para o trabalho. Uma hora depois as jovens estavam prontas para partir. Hinata escreveu um bilhete para Kushina e entregou ao mordomo quando pediu a este que chamasse um carro de aluguel.

A casa não estava mais em uma cacofonia, mas sim, em um silêncio fúnebre. A família se encontrava em uma sala próxima ao quarto da condessa Uchiha e a baronesa e sua filha recolhidas em seus aposentos.

— A madame está bem? – perguntou Hinata ao mordomo, depois que este recebeu a carta.

— Ainda se encontra desacordada madame, o médico está com ela.

Hinata sentiu um pesar no coração, não gostaria de abandonar a casa daquela forma, mais não poderia ficar mais nenhum minuto sequer. Já passava das quatro da tarde e Neji poderia chegar a qualquer momento.

— Eu realmente desejo do fundo do coração que milady Uchiha se recupere.

— Obrigado Milady. – agradeceu o homem emocionado, afinal, queria muito bem sua patroa.

— Devo avisar madame Namikaze sobre sua partida milady? – indagou o mordomo.

— Por favor não, ela está bastante preocupada e eu devo partir imediatamente. Por isso não quero incomodá-la. Ela irá entender. – sorriu lhe timidamente.

Meia hora depois um coche de aluguel encostou em frente à mansão Uchiha, em seguida alguns criados apareceram carregando pesados baús para dentro do veículo.

— Olha o que temos aqui. – murmurou Yakito, olhando pela janela o movimento no pátio da mansão.

Ao ouvir a voz de sua mãe, Shion levantou desajeitadamente da poltrona onde se encontrava, deixando o livro aborrecido que lia cair no chão, para ver o que se passava lá em baixo.

— O que ocorre mamãe?

— Parece que alguém está de partida, querida. – murmurou a mulher, observando atentamente uma jovem mulher em um lindo vestido azul turquesa subir a carruagem.

— Hinata! – exclamou Shion com euforia – ela está partindo, mamãe. Isso significa..

— Que o terreno ficará livre para nós. – sorriu-lhe.

A jovem retribuiu o sorriso perverso, já planejando o próximo passo.

Abriu os olhos, sonolento. O sol estava alto no céu e o grande relógio sob a lareira marcava dez horas. Percebeu que tinha dormido em uma poltrona muito desconfortável. Isso não lhe surpreendeu, não era dado a frescura. Podia dormir em qualquer lugar. E nesse caso não tinha sido diferente, havia passado a noite toda ao lado do amigo, procurando acalmá-lo ao mesmo tempo em que escondia seu desespero. Kushina como um general, não permitiu a entrada de ninguém, mesmo que Sasuke gritasse ou xingasse enraivecido, jogando móveis nas paredes como se estes fossem meros pedaços de papeis. No entanto, sua raiva de nada valeu e seus direitos como marido e dono da casa não foram respeitados. Mais como todos sabiam, ninguém podia com a pimenta sangrenta do clã Uzumaki.

Somente, depois de algumas horas e após a chegada do médico do vilarejo, foi que permitiu tranquilizar-se. Sakura e o bebê estavam fora de perigo, apesar do susto. Entretanto, o médico havia recomendado repouso absoluto e que a viscondessa não recebesse nenhuma notícia ou presenciasse uma situação que a deixasse nervosa. Por esse motivo acabou dormindo ali mesmo, de maneira desconfortável com as mesmas roupas amassadas do dia anterior. Ninguém se incomodou em chamá-lo e nesse primeiro momento agradeceu imensamente por isso, mas não por muito tempo.

Levantou um pouco confuso devido o sono, cambaleante seguiu para seu quarto, trocou de roupa e desceu tão rápido como pode fazê-lo.

A noite angustiante que havia passado com Sasuke, lhe trouxera uma nova luz sobre seu dilema. Observar a dor de seu amigo e senti-la ao mesmo tempo, o forçou a perceber, ou melhor, a aceitar os sentimentos que tanto insistia em ignorar desde que conhecera Hinata. Mentia para si mesmo dizendo que era só desejo, capricho de seu orgulho ferido. Que seu interesse era fruto do comportamento atípico dela e essa inconstância era combustível para sua alma de competidor, ou seja, era penas o desejo de conquistar, de vencer.

Mais a verdade, era que a amava

Amava seu sorriso, seus olhos incomuns que pareciam duas enormes luas cheias no céu. O jeito que corava quando estava envergonhada. A maneira como empinava o nariz e erguia a fina sobrancelha esquerda nos momentos de raiva, enfrentando-o como se fosse uma gigante. Seu jeito as vezes inocente, as vezes sedutor. Sua boca pequena e carnuda, que o provocava, o insultava e fazia querer beijá-la todo o momento. Sua alegria, gentileza e bondade. O seu amor pela vida.

A amava por ser ela, e essa descoberta o libertou e ao mesmo tempo o aprisionou. Porque aceitar o amor exigia aceitar também a insegurança e o medo. O medo de perdê-la. Por esse motivo, estava tão impaciente naquela manhã, precisava ter a certeza de que ela estaria ali do seu lado, para brigar, enfurecer, rir, e amar

Impaciente como sempre, não desejava perder muito tempo e naquela mesma manhã a pediria para ser sua esposa, sem mais jogos, ou desculpas. Sabia que ela havia expressado a sua falta de interesse no seu título, mais isso não o desanimava, sempre foi uma pessoa determinada, nunca desistia de seus sonhos e definitivamente Hinata era o seu sonho mais precioso.

Abriu a aporta com um amplo sorrio no rosto, crente que iria encontrar sua linda Hinata com aquele rosto de anjo, que em seguida ao vê-lo, coraria como um pimentão. Mas quando seus lindos olhos azuis se acostumaram o com a luz do recinto o seu sorriso foi morrendo aos poucos.

Na sala se encontrava seu pai, Sasuke, Kushina, a baronesa e um homem que nunca tinha visto antes, em pé, de costas para ele. Era alto, de ombros largos e cabelos negros que caiam na altura da cintura. O homem misterioso voltou sua atenção para Naruto no momento que sua presença foi notada. E Naruto sentiu um arrepio na espinha ao se deparar com os olhos incrivelmente parecidos com os de Hinata. E ao encarar aquelas luas, algo dentro dele se despedaçou. Procurou Hinata, mais ela não estava no aposento.

— Parece que interrompo algo? – indagou, com uma voz de troça. Kushina olhou aflita para ele. O estomago deu um nó.

— Creio que sim milorde. — respondeu a baronesa Yakito. — o cavaleiro, Hyuuga veio atrás de sua estimada lady Hinata.

Ao ouvir as palavras “estimada” e “lady Hinata” Seu olhos voltaram imediatamente para aquele homem. A semelhança entre ele e Hinata era muito grande. Ignorando a dor incomoda no estômago avançou pela sala, presenteando a todos com um dos seus sorrisos mais irresistíveis.

­— Então, devemos desejar uma boa estadia ao convidado e não uma reunião fúnebre — brincou.

— Desculpe milorde — interrompeu Neji, com o seu ar muito sério – infelizmente não tenho nenhuma intenção de prolongar minha visita. Vim com uma única intenção, que é de levar Hina para casa.

As pessoas presentes na sala se entreolharam, enquanto uma carranca zangada se formava no rosto de Naruto. Não gostava da maneira como aquele fulano se dirigia a sua Hinata. Adentrou um pouco mais na sala, ainda fixando seus olhos avaliadores no tal sujeito.

— Acredito que Milady Hyuuga é bem crescida para saber onde e quando deseja ir – enfatizou o tratamento formal do nome de Hinata. Queria de alguma forma deixar claro que Hinata, não poderia ser chamada de “Hina” por ele, na verdade, ela não deveria ser chamada assim por ninguém, além dele.

Neji estreitou os olhos por um breve momento. Somente quando Minato revelou seu destino foi se dar conta de que aquele homem loiro, era nada mais e nada menos do que o conde Namikaze, justamente a pessoa a quem procurava. Não poderia acreditar no tipo de classe que sua desmiolada prima andava se relacionando, afinal, os Namikaze não eram lá um modelo de virtude para a sociedade vitoriana. E ao ver a versão mais nova do conde, alto e furioso, não foi difícil saber de que se tratava de Naruto, o duque mais perverso e libertino da Inglaterra. Definitivamente tinha que tirar sua prima daquela casa, antes que sua reputação fosse destruída, isso se aquele sujeito já não a tivesse arruinado.

— Perdão pela palavra – comentou calmamente. Neji era um posso de controle e comedimento — mais Sua Excelência não tem o mínimo direito de decidir o que é melhor para Hinata. Eu sou a família dela, e Hina é minha responsabilidade. E ela não deveria ter fugido de casa.

— Fugir de casa? — indagou Kushina bastante surpresa, interrompendo a briga dos machos alfas — não imaginei que estivesse fugindo. Hinata disse que estava de férias.

As coisas ficavam cada vez mais estranhas, pensou Naruto, olhando para a cara surpresa de sua mãe. Voltou a atenção para seu pai em busca de apoio, ele sempre sabia de tudo antes mesmo de acontecer, mas este também se mostrava bastante surpreso com essa nova revelação. Por que Hinata estava fugindo? Quem era aquele homem que falava com tamanha autoridade, como se fosse seu dono?

— Temo que sim, milady. – respondeu Neji, calmamente — Venho procurando por ela há semanas.

— Mas se é assim, por que não chamou as autoridades? — indagou a baronesa, bebericando calmamente um chá inglês. Não queria demostrar, mas estava se deleitando com o desenrolar de toda a situação. A chegada inesperada de Neji e a partida de Hinata formavam o quadro perfeito para o seu plano. O melhor de tudo era que não precisaria fazer muita coisa.

— Permitir que a fuga de Hinata torna-se publica, seria consentir que manchassem sua reputação e o nome da minha família. E isso é algo que nunca deixaria acontecer. Mas agora eu realmente gostaria de me encontrar com hina e partir imediatamente. Meu filho está doente em casa...

— Oh kami! Isso é uma lastima — exaltou-se a baronesa interrompendo a fala de Neji, sua expressão assustada redirecionou a atenção da sala — como essa jovem pode partir assim, deixando pessoas preocupadas e uma pobre criança doente.

Neji se virou para mulher e maneou a cabeça em concordância.

— Sim madame. Hinata nunca foi uma jovem insensata, mas nesses tempos para cá mudou completamente. Estou preocupado e também com meu filho, ele precisa de mim e de sua mãe..

Em um rompante Iruka abriu a porta dupla da sala de estar, chamando atenção dos presentes e interrompendo novamente o discurso de Neji.

— Madame — anunciou com uma expressão dramática no rosto e uma postura altiva — procurei pela casa toda. Mas nem sinal de milady Hyuuga. Segundo o mordomo, ela partiu ontem à tarde, enquanto a senhora Uchiha se encontrava enferma.

— Como assim? — expressou Neji, Naruto e Kushina ao mesmo tempo.

— Por que ninguém nos avisou?

O homem encolheu os ombros envergonhado.

— Ela disse que não queria incomodar, pediu desculpas por partir desta forma e desejou melhoras para madame.

Neji bufou irritado, passando a mão nos longos cabelos olhou a paisagem bucólica que a grande janela do outro lado da sala emoldurava, mais o lorde não se fixava na beleza exótica do lugar, mais sim, procurava controlar o desejo cada vez maior de estrangular o fino pesco de sua prima.

— Ela fugiu de novo.

— Não acredito nisso — retorquiu Kushina, alarmada. Como podia Hinata escapar bem de baixo de seu nariz.

— Mas claro que sim. De algum modo ela soube que eu estava a caminho e fugiu antes. Aquela garota e muito inconsequente, mais quando a encontrar colocarei juízo naquela cabecinha por bem ou por mal.

Naruto lhe agarrou pelo lenço do pescoço e o sacudiu furioso.

— Não ouse tratar Hinata dessa maneira — rosnou Naruto, irritado. Ainda não conseguia assimilar a notícia da partida de Hinata.

— Quem é você para se meter em assuntos familiares – replicou Neji. Seus olhos perolados nublados de raiva — Não se intrometa em assuntos particulares?

Com um forte empurrão afastou Naruto de seu regaço e imediatamente se precipitou sobre seu oponente, com a cabeça baixa e os punhos fechados atacou o loiro. Sorrindo, Naruto se afastou, evitando tranquilamente o golpe experiente de Neji, mais não conseguindo evitar o segundo. Por mais que o Hyuuga tivsse usado a força quando atacou, não conseguiu nada, Naruto era ágil e forte e com reflexos rápidos como o raio conseguiu amenizar o segundo golpe. E menos mal que fosse rápido, porque Neji era surpreendentemente ligeiro e preciso e logo o duque percebeu que se tratava de um cavaleiro que praticava arte da luta. Mas Naruto também não era um dândi afeminado, gostava de lutar e praticar exercícios, e desviava com facilidade dos golpes de Neji e quando parecia seguro que ia acertar dava um murro certeiro no oponente.

Em um momento Neji se virou para a esquerda e girou o punho de cima para baixo, acertando a mandíbula de Naruto, este cambaleou e deu dois passos para trás afim de se estabilizar. O Hyuuga aproveito essa distração e o agarrou pelo regaço empurrando para a parede. Seus olhos flamejavam de raiva, principalmente quando pensava que aquele tipo de homem estivesse envolvido com sua querida prima. Se a tivesse desonrado seria um homem morto.

— Nunca mais se atreva a se aproximar de Hinata.

— E com que direito você tem de ordenar quem se aproxima ou não de Hinata.

— Mas é claro que eu tenho direito, ela me pertence.

Aquela constatação sussurrada enfureceu-o mais do que devia. Avançou em direção a Neji e com movimentos rápidos se desembaraçou das mãos que lhe sacudir e acertou um murro certeiro no estômago de seu adversário.

O lorde se dobrou como um boneco de trapo e caiu para trás. Por sorte, seus amigos reagiram imediatamente e agarraram o Hyuuga antes que batesse a cabeça contra o chão.

O grito das mulheres no recinto despertou a atenção de Naruto que olhou a rosto assustado de sua mãe e em seguida suas mãos manchadas de sangue.

A cena se desenrolou como um filme mudo, Kushina foi ao seu encontro com uma expressão apavorada, enquanto seu pai e Sasuke verificavam como se encontrava o Hyuuga. A baronesa apenas assistia a cena, com sua habitual expressão impassível.

Não sabia o que havia acontecido com ele. Não era alguém dito como violento. Tirando seus dias audazes em Cambridge onde bebia demais e aceitava qualquer luta por diversão. Mais até então, só tinha lutado uma vez por causa de uma mulher e seu adversário era seu melhor amigo e irmão Sasuke.

Recuperado, Neji partiu imediatamente recusando os pedidos de Kushina para que ficasse e cuidasse das feridas, alegando que não poderia perder o rastro de Hinata, e principalmente não suportando a humilhação de ter sido derrotado por aquele canalha do Uzumaki.

Naruto tentou seguir o desgraçado, mais foi impedido por seus pais. Em meio a essa confusão a baronesa suspirou e se aproximou de Naruto que estava sentado a um canto, muito carrancudo e irritado. Ele não conseguia controlar sua ansiedade, queria ir atrás de Hinata, fazer algo, arrastá-la de volta se fosse preciso, sacudi-la e fazer ela confessar que aquele canalha estava mentido. Por que no fundo não queria aceitar o que suspeitava. Não poderia ser verdade.

E vendo aquela indecisão, no rosto do jovem a baronesa deu a cartada final.

— Mas quem diria que ela era casada. – comentou em um tom surpreso. Falando em voz alta para que todos ouvissem.

Todas as pessoas olharam para ela.

A mulher deu de ombros.

— Sabia que esse nome não era estranho. A família Hyuuga e bem tradicional e conservadora, além de antiga. Apesar de não ser tão importante, eles mantem muito vivo os costumes bárbaros dos seus ancestrais. Era muito comum o casamento entre parentes longínquos, para manter o nome e as características do clã. – parou aparentemente pensativa, criando um suspense sinistro na sala – bom, eu achei que não fosse esse o caso, afinal ela não aparentava ser uma mulher casa, mas pelo visto me enganei, e pelo que entendi está fugindo do marido.

Kushina se levantou indignada.

— Como ousa fazer essa acusação? – suspeitava dessa hipótese apresentava pela Baronesa desde o início da chegada de Neji, mas tentava acreditar que não fosse verdade.

— Não é uma acusação – rebateu a Baronesa – ela nos enganou, a todos nós, se passando por alguém que não é. E se fosse inocente não teria fugido assim.

Todos ficaram em silêncio. Não tinham o que dizer. Minato com sua sagacidade, havia tirado as mesmas conclusões. Ainda queria acreditar em um parentesco longínquo, em um primo preocupado ou até mesmo um irmão, mais desconfiava que os Hyuuga fossem mesmo uma família muito tradicional, e pelo que parecia o era. Olhou para seu filho. Naruto era uma máscara de frieza

O loiro se levantou sem dizer nada, saindo da sala com uma expressão de pedra. Kushina olhou seu filho com o coração partido. Uma parte dele havia morrido naquele dia. Seu coração havia sido arrancado e levado junto com Hinata. E nesse momento amaldiçoou o momento em que trouxe aquela víbora para sua casa.

A Baronesa sorriu discretamente.

Mais sua felicidade só foi completa ao anoitecer, quando em meio ao jantar. O sexto Duque Uzumaki declarou que pedira a mão de Shion em casamento e está com muito bom grado havia aceitado.

Uma semana após o ocorrido, Kushina descia, muito mal-humorada, as escadas de um hotel nas redondezas de Bath[2]. Não suportou toda a situação e por isso precisou sair de sua casa para um lugar com ar fresco.

Tudo a enervava, a baronesa, sua filha, o seu filho, tudo. Quando olhava para o seu teimoso filho sabia que este estava sofrendo. Havia tentado falar-lhe, botar juízo naquela cabeleira loira teimosa, mais ele não a ouvia, era um típico Uzumaki, rufião, teimoso, irritante, arrogante e cabeça-dura.

Como se arrependia por ter incentivado o romance entre seu filho e Hinata. Mas como poderia ter imaginado que ela era uma embusteira. Enganara a todos. E inclusive ela. E isso não teria perdão. Ela era uma Uzumaki e nunca voltava atrás, e aquela mulher sofreria o dobro do que seu filho estava sofrendo agora.

Colocou as luvas de ceda creme a ajeitou o chapéu. Respirou fundo e saiu do hotel onde se hospedara. Estava descendo as ruas para visitar uma amiga doente, quando a viu. A reconheceria em qualquer lugar não importasse como. A mulher do outro lado da rua também a avistou e um lindo sorriso surgiu iluminado seu rosto de pele tão clara como porcelana, e com alegria se aproximou da condessa, como se nada tivesse ocorrido. Como se nenhuma tempestade tivesse destruído suas vidas e arrastado seu filho para o inferno.

— Boa tarte milady. Como está? Sakura se encontra bem? – perguntou animada com um encantador sorriso no rosto – me perdoe por ter partido assim tão repentinamente, mais precisava resolver algumas coi...- a palavras ficaram no ar, enquanto o som de um tapa ecoava pela rua quase deserta e a dor e a vermelhidão apareciam no rosto de Hinata.

Seus olhos se dilataram formando duas grandes luas no céu, refletindo um rosto belo e frio.

Kushina se mantinha altiva e respirava compassadamente, quando falou:

— Nunca mais se aproxime de mim e de minha família, sua vadia.

— O que? – murmurou Hinata assustada, sentindo medo e vergonha.

Kushina sorriu desdenhosa, parecia realmente um demônio

— Admiro realmente seu talento de atriz, me enganou perfeitamente. Eu acreditei que você fosse alguém gentil e honesta, mas não passa de uma vadia sem escrúpulos que gosta de manipular a vidas das pessoas. Foi divertido brincar conosco, como meu filho?

— Do que está falando? – murmurou Hinata, confusa.

— Não se aproxime de Naruto. – ameaçou Kusinha agarrando os cabelos de Hinata afim de lhe conferir dor, queria que ela sentisse o que seu filho sentia, o que ela mesma sentia. – se chegar perto, saberá o que é dor.

Sem saber o que estava aconteceu Hinata balançou a cabeça afirmativamente, apavorada.

Kushina a soltou jogando-a no chão.

Assustada e tremula Hinata olhou a mulher com determinação. E com uma foz muito firme lhe disse:

— Não se preocupe. Parto hoje para França, nunca mais me verá

Kushina apenas sorriu, um sorriso que não chegou aos olhos

— Poderia ir para o inferno, que eu não me importaria. — E deu as costas e partiu deixando uma Hinata assustada e ferida para trás.

[1] Bedfordshire é um condado em Inglaterra.

[2] Bath é uma cidade do sudoeste de Inglaterra, localizada no Condado de Somerset. É muito conhecida pelos seus banhos termais que provém de três nascentes (ou captações de água).

Notas finais
Olá, tem alguém ai ????? Bom, não sei se tem alguém ai, mais tudo bem, vou continuar a falar/escrever. Naruhina Canon *.*. Sei que estou tipo, alguns meses atrasada, mais eu sempre soube desde o naruto clássico que daria NaruHina, e titio Kishimoto não me decepcionou. Eu deixei minha fic muitos meses abandonadas, mas por que entrei em uma crise criativa terrivel, nao sada. Mais, deixando essas coisas tristes de lado. Eu desejo que NÃO me matem por esse capitulo, tenho certeza que ninguém esperava por isso. sou má, eu sei. Mais esse capitulo é importante para o para chegar no final da história. Por favor não chorem, (se tiver alguém ai ainda) por que ainda tem muita coisa para acontecer. ESPERO QUE TENHAM GOSTADO DESSE CAPITULO IMENSO DE GRANDE KKKK (COMO SEMPRE ACABO ME EMPOLGANDO =.=) Desculpe pelos possíveis e inevitáveis erros de ortografia, não sou formada em letras, sou apenas alguém que gosta de compartilhas histórias. E wuero agradecer a todos os review, as pessoas que me mandaram mp puxando minha orelha e perguntando sobre meu bem estar, muito obrigado. Também agradecer as recomendações, de: japaah_ab, Josei narucasahia, Tamashii_Akira, Hizumaki, Thaaty, naninhanaruhina, Hinauzumaki, BelaHyuuga, DayHinata, hinadiva, CherryBomb. Obrigado também aos meus leitores fantasmas, eu sei que vocês estão ai, kkkk Kissos no kokoro, e até a próxima Ps: Nossa, dois anos sem atualizar T_T... não mereço perdão.... se eu tiver um comentário será muito .....
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