Notas iniciais
Os capítulos estão saindo rápido. Rezem pra ser sempre assim hahaha. E boa leitura :)

Meu celular vibrava freneticamente debaixo da minha coxa esquerda. Levantei-me e vi que ainda estava com a mesma roupa da noite anterior. Merda. Puxei meu celular e observei as mensagens que tinham: 193 mensagens do grupo nomeado putaria no WhatsApp, onde estavam meus cinco amigos. Setenta por cento das mensagens eram “Marie sumiu ontem.” “Cadê a Marie?” “Alguém tem notícias da gatinha?”. Simplesmente digitei um “tô viva”, enviei e fui entediada tirar aquele cheiro forte de Marlboro do meu cabelo.

Depois de tomar um longo banho, me espantei ao ir até a sala e encontrar Sam sentado no sofá bebendo um copo de refrigerante e assistindo TV.

— Mãe! – chamei. – Desde quando nossa casa virou abrigo de adolescentes alcoólatras? Ai! – protestei quando Sammuel jogou uma almofada em mim.

— Desde que você me obrigou a quase adotar um. – minha mãe afagou a cabeça de Sam, que soltou uma risadinha.

— Ok, eu tô com fome. – suspirei.

— Tem sopa na geladeira. – minha mãe disse alegremente. Eu e Sam nos olhamos, fazendo uma careta de nojo e soltamos e uníssono: “McDonalds”.

— Como você chegou em casa? – perguntou Sammy enquanto andávamos a caminho do McDonalds da esquina.

— Com as pernas. – eu ri. Sam bufou em resposta. – Eu fui com uma guria que eu conheci ontem. Todo mundo estava meio bêbado e fiquei com preguiça de me despedir, você e o Lu já tinham ido embora e ela estava conversando comigo e...

— Quem é? Eu conheço? Como ela é?

— É uma guria, ué. – eu ri. Então, ao abrir a porta da lanchonete, a avistei debruçada desleixadamente no balcão. Apertei mais forte a mão de Sam, que já estava na minha. Arqueei as sobrancelhas e sorri. – É ela.

Sammy assentiu com uma expressão engraçada, ao mesmo tempo em que dizia “vai sentar que eu faço nosso pedido”.

Sentei-me em uma mesa próxima ao balcão, para poder ficar observando Sam enquanto ele pedia nosso lanche. Para poder observar Annie enquanto ela batucava impaciente no balcão, esperando ser atendida. A atendente entregou um pacotinho a guria, que se virou e depositou seus olhos em mim. Sorri e acenei de leve para Annie, que sorriu e veio caminhando na minha direção.

— Seria muito idiota dizer que eu estava pensando em você? – foi o que Annie disse ao chegar perto de mim.

— Sério? – eu gargalhei; alto demais, inclusive.

— É que lembrei que você mora aqui perto e pensei o quão engraçado seria te encontrar por aqui hoje... de novo.

— Engraçado. – repeti, deixando um sorriso maior tomar conta de meu rosto. – Senta aí... Se você não tiver algo mais importante pra fazer agora, claro.

— Não, não... – ela uniu rapidamente as sobrancelhas de um jeito engraçado, piscando rápido e sorrindo logo depois e sentou-se na cadeira que tinha na minha frente, com seus cabelos dançando ao redor de seu rosto.

— Gatinha, — Sam apareceu do nada ao meu lado, me fazendo pular ao som de sua voz – o Lu me ligou e eu acho que tenho que ir. Acho que a mãe dele descobriu. – ele me olhou com uma expressão tensa.

— Me liga depois, ‘ta bom?

Sammuel sorriu um pouquinho para Annie e saiu correndo, após deixar meu refrigerante pequeno e minha porção de batata média bem na minha frente.

— Aconteceu alguma coisa?

— Acho que a mãe do namorado dele descobriu algo e...

— Caralho. – ficamos um minuto em silêncio, enquanto eu depositava algumas batatinhas na boca, mastigava e engolia. – Quando vi vocês dois na porta da lanchonete de mãos dadas, achei que ele fosse seu namorado. – ela sorriu.

— O Sam? – eu ri – Não, de jeito nenhum. Ele é meio que um irmão pra mim. Bem que eu queria que meu namorado fosse tão fantástico quanto esse garoto...

— Então você tem namorado. – eu arregalei os olhos e assenti, enquanto bebericava minha Coca-Cola. Ela abaixou o olhar e bebeu um pouco do seu milk shake de morango. – Você gosta dele.

— Não. – eu ri, franzindo o cenho. Quando ela perguntou por qual motivo eu estava com ele, respondi: — Eu não sei ao certo. Eu nunca senti nada parecido com aquelas coisas de filme de você precisar estar ao lado de alguém e ser capaz de fazer algo pela pessoa, sabe? Vontade de tê-la com você todo tempo e tudo isso. Acho que acabei ficando com Joey na esperança de sentir isso, sabe? E mesmo depois de cinco meses, eu não consigo sentir nada. Mas ainda tenho esperanças...

— Se você só ficar com ele, nunca vai sentir isso. Digo, se você sabe que ele não é o certo, de que adianta continuar com ele. E outra, um relacionamento nunca dá certo se você não gostar de verdade da pessoa.

— Ele é um babaca. – soltei. – Trata meus amigos mal, me trata mal e age como se ele fosse a única pessoa no mundo. Mas apesar de ser um imbecil, ele gosta de mim. – suspirei pesadamente e me peguei fazendo uma caretinha. Annie olhava pra mim, prestando atenção.

— O que adianta se você não gosta dele, gatinha? – um arrepio correu pela minha coluna quando ela pronunciou gatinha.

— Vou pensar nisso. – fitei meu pacotinho de batatas e reparei que eu tinha acabado de comer.

— Então... Eu posso ir te deixar em casa de novo?

— Sim. Mas dessa vez, você não precisa ir embora tão cedo. – eu sorri. Annie se levantou e estendeu o braço pra mim, como homens de filmes antigos chamam as damas para dançar. Eu ri baixinho e agarrei seu braço, e saímos de braços dados até minha casa.

Abri a porta, encontrando minha mãe cantando alto e dançando Twist and Shout agarrada com meu dachshund, que latiu para mim em forma de protesto. Eu gargalhei ao ver a cena, sentindo Annie rir junto comigo. Soltei seu braço e me uni a minha mãe e meu cachorro, cantando e dançando junto a eles. Eu podia ver em minha visão periférica Annie parada no meio da sala, de braços cruzados e gargalhando. Eu sentia que ia me arrepender daquilo, mas eu não ligava.

Ao fim da canção, beijei a bochecha de minha mãe e apresentei-a a Annie.

— Bom gosto musical. – disse ela, apertando a mão de minha mãe.

— Na verdade, o Ipod é dela. – minha mãe falou, e eu sorri e ergui os braços em forma de apresentação, fazendo Annie rir. Eu gostava do som da sua gargalhada.

— Sério? – eu assenti em resposta a guria.

— Vem cá, vou te mostrar uma coisa. – peguei sua mão e levei-a até meu quarto, com a intenção de mostrar-lhe meu disco Abbey Road surrado. Enquanto eu o procurava em minha prateleira de livros, ouvi Annie pegar meu violão que estava jogado ao lado de minha cama, começando a tocar And I Love Her e prendendo completamente minha atenção. Sentei-me em sua frente e fiquei observando-a atentamente. Quando ela terminou, eu sorri, enquanto ela tirava uma mecha de meu cabelo preto do meu rosto e depositava atrás da minha orelha esquerda. Eu estava completamente hipnotizada por seus olhos, quando o celular de alguém vibrou, fazendo-me dar um pulinho.

— Minha mãe. – Annie suspirou. – Acho que vou pra casa. Acho que a gente se vê depois?

— Ahn... me dá seu número.

Annie olhou para meu criado mudo, onde tinha uma canetinha preta, puxou meu braço e anotou seu número ali. Por um segundo, me senti num filme de romance barato. Sorri e corei quando ela piscou pra mim e me estendeu sua mão. Acompanhei-a até a entrada, ficando de ponta de pés para abraçá-la desajeitadamente e acenei quando a guria se foi, sentindo um vazio imediato quando ela sumiu de vista.

Notas finais
E aí? Merece reviews?