Já fazem dois mês que fui embora, desde dia que parti, não liguei pra mais ninguém, fiquei pensando em mandar algumas cartas pra cada pessoa da família. Mas, com os funcionários que Christian tem, ele me acharia com facilidade. Posso dizer que tive sorte desde que cheguei a essa cidade, só encontrei pessoas amigas, ainda continuo hospedada no hotel de Thomas e Betty, eles foram e são uns amores comigo.

Na semana passada, Betty me levou a um escritório do amigo dela, ele era dono de uma editora e em algumas semanas seu editor chefe estaria se aposentando, mostrei a ele o que sabia fazer, claro, meu tempo na SIP, e o que vi na faculdade, me fez tornar uma profissional excepcional. Logo, ele disse que a vaga era minha, expôs minha situação, disse que estava grávida e que logo deveria ter licença, ele apenas sorriu e disse que não teria problema, o emprego seria meu só bastava o editor se aposentar e eu poderia assumir o cargo.

Logo após nossa conversa, me senti renovada, nem acredito que já tinha um emprego, algo que garantisse o sustento do meu filho. Betty me levou no seu ginecologista, mas a agenda dele naquela semana estava lotada, com muita insistência por minha parte e principalmente pela da Betty, conseguimos uma vaga pra essa semana, exatamente pra hoje. Estou tão ansiosa pra ver o pequeno blip, o meu pontinho.

Esses pensamentos me remetem a Christian, o que será que ele está fazendo agora? Será que ele já arrumou uma submissa e está fodendo ela no seu quarto de jogos? Não posso mais pensar nele, tenho que seguir em frente, agora eu tem uma nova vida. Na semana que fugi, eu vi uma noticia que me deixou muito feliz e mais calma, Jack foi preso, isso realmente foi bom sei que agora ele onde ele está não vai mais assediar nenhuma mulher.

Uma batida na porta do quarto me tira dos meus pensamentos, nem percebi que estava sentada na cadeira do quarto de frente pra janela, faltava menos de uma hora pra minha consulta no ginecologista, Betty estava mais ansiosa do que eu, não é pra menos, ela teve 5 filhos.

— Ana, vamos? Falta só uma hora pra sua consulta. – Betty realmente me fazia bem, ela me fazia lembrar Kate. Ohh meu Deus, Kate deve me odiar agora.

— Calma Betty, eu já estou pronta. – Falei sorrindo, realmente me sentia bem aqui nessa casa com eles.

Agora, eu era a única hospede outro dia Thomas disse que eu não precisava mais pagar pelas diárias, que já era uma amiga da família. Fiquei tão feliz com esse comentário, mas não podia deixar que eles fizessem isso pro mim, já tinham feito coisas demais.

Minha barriga já estava aparecendo, Betty todo dia me fazia tirar uma foto, pra poder fazer uma montagem no final ou algo do tipo, eu não entendi, só fazia o que ela dizia. Ela era como uma irmã mais velha, que queria ajudar sua irmã mais nova que estava sofrendo.

Thomas já estava lá em baixo nos esperando, ele iria nos deixar nos hospital e de lá iria trabalhar. Ahh, um dia desses descobri que ele era formado em direito, mas que havia abandonado a carreira, porque não tinha tempo suficiente pra família, só vivia enfurnado no escritório e nos processos que parecia que não tinha fim. Isso me fez lembrar-se de Carrick, o quanto ele era presente na família, mas é claro, ele já era o dono do escritório.

O caminho até o hospital é maravilhoso, eu e Betty fazendo planos do que faríamos quando saíssemos da consulta. Ela me perguntou se eu não queria ir numa loja de bebês e comprar algumas roupinhas. Ela disse que já era bom comprar e ir guardando, porém só deixaria pra comprar as coisas mais pesadas mesmo quando estivesse na minha própria casa. Assim que começar a trabalhar, e receber meu primeiro salário vou atrás de uma casinha pequena, com um pequeno jardim na frente. Expôs essa minha idéia a Betty e Thomas, eles no começo disseram que não tinha necessidade, que poderia ficar lá o que necessitasse, mas detesto dá trabalho e preciso do meu próprio canto.

Sempre sonhei com uma casa nesse estilo, Thomas me garantiu que vai começar a observar as casas pra alugar. Depois de 20 minutos de carro, chegamos ao hospital, o consultório do Dr.Jackson fica no segundo andar, é uma área bem grande com uma sala de visita, sala de exames e o consultório dele. Assim que entramos, percebi que já tinham 2 grávidas, elas estavam com umas barrigas enormes e isso me fez passar a mão na minha, logo, eu estaria como elas, o pensamento me faz sorrir.

Os minutos gastados até a hora da minha consulta foi entre lendo uma revista de fofoca e conversando com Betty, que foi me contando sobre seus partos e o quanto o dr. Jackson era lindo, legal e solteiro. Senti como se ela quisesse me empurrar pra ele, já que era meio que amigos. Na hora de entrar na sala do médico, pedi que Betty viesse comigo, ela não hesitou.

Ao entrar, me deparo com o homem lindo sentado na cadeira, com uma camisa social apertada e um jaleco que o deixava sexy, tratei de tirar esses pensamentos da minha cabeça, só pode ser esses malditos hormônios. Bem que a Betty me disse que o desejo sexual fica a flor da pele. Mas que esse médico era um gostoso isso era, nunca na face da terra que o Christian iria deixar o Dr. Jackson me atender.

Quando ele levanta a cabeça, reparo nos seus olhos verdes, que só faz combinar com seu cabelo preto, fica salivando. Eu definitivamente preciso me controlar. Ele se levanta e vem em minha direção.

— Olá, eu sou o Dr. Jackson e você deve ser a Sra. Anastásia Steele? – Quando ele termina, dá um sorriso de 100.000 megawatts, acho que iluminou até a minha alma.

— Sim, sou eu mesma. – é a única coisa que consigo dizer, como sou idiota. Recomponho-me logo e ele me leva até a cadeira de frente a sua mesa.

— Bom, Ana, pelo o que eu vi aqui na sua ficha que você preencheu quando marcou a consulta é que está grávida e provavelmente entre 12 e 15 semanas, certo?

— Sim, eu tinha feito uma consulta anteriormente, a cerca de 2 meses e estava tudo bem, porém eu me mudei recentemente e minha amiga aqui, me indicou você.

— Ótimo, então vamos lá. Eu vou começar a medindo a sua pressão. – Ele começa a medir a minha pressão, seu olhar parece preocupado, e isso já me deixa aflita.

— Ana, isso não é bom. Você está com a pressão alta, agora mesmo ela está medindo 15 por 9 e isso pra você nesse estado não é bom. – Seu comentário me deixa nervosa. Eu acho que ele percebe e sorri um pouco.

— Mais calma, vamos controlá-la agora. – Ele olha pra Betty e ela só balança a cabeça e aperta meu ombro.

— Vamos ver o seu bebê, agora? – Meu sorriso aparece e confirmo com a cabeça – Então, você pode trocar de roupa naquele banheiro lá – ele me mostra uma porta no final da sala – você vai encontrar uma roupa especial, agora pode ir que vou está esperando você ali naquela sala. – Ele me mostra outra porta que dá na sala de exames ao lado da sua sala.

Betty me olha e diz que vai esperar por mim aqui. Enquanto me troco no banheiro vou pensando sobre o que ele me disse sobre minha pressão, isso me faz lembrar as dicas da Dra. Greene pra não ter aborrecimentos. Agora aqui em Memphis, longe de tudo tenho fé que conseguirei.

Ao sair do banheiro, eu vou caminhando até a sala de exames com Betty ao meu lado, meu Deus, eu realmente tenho que agradecer por ter ela ao meu lado. Ao chega lá, já vejo o Dr. Jackson sentado de frente ao aparelho me esperando. Ele me ajuda a deitar e levanta um pouco a blusa do uniforme hospitalar.

— Pronta Ana?- Confirmo com a cabeça. — Bom, vou colocar gel na sua barriga e você vai sentir um geladinho. – Ele disse sorrindo mais uma vez.

— Tudo bem. – Disse olhando pra Betty, que estava ao meu lado segurando minhas mãos.

Ele parecia bem competente, estava concentradissimo no monitor, logo, ele começa a sorrir de novo.

— Ana, quando você foi a essa médica, antes de se mudar, o que foi que ela te disse exatamente?

— Bom, que eu estava grávida de 8 semanas, mais ou menos. Por quê? Tem algo de errado com meu bebê? – Perguntei aflita.

— Não, está tudo bem com seus bebês. – Espera ai, eu escutei direito?

— O que o senhor disse? – Perguntei incrédula.

— Primeiro, não me chame de senhor que não sou um velho. E segundo, eu disse que está tudo bem com seus bebês, você está grávida de gêmeos, Ana. – Estava tão chocada que nem consegui esboçar nada, nenhuma palavra saiu. Já Betty, estava eufórica, ela dava mini-pulinhos e disse que agora mais do que nunca tínhamos que começar a montar o enxoval.

Minha situação de inércia é logo acabada, quando escuto os batimentos cardíacos dos meus filhos, não consigo me segurar e começo a chorar, mais e mais. Minha amiga me acompanha e somos só lagrimas e sorrisos.

— Bom, Ana, eu vejo que está tudo bem com os seus bebês, ainda não dá pra saber o sexo, talvez mês que vem ou então no 5° mês de gestação. Você quer alguma copia das fotos? – Ele me pergunta.

— Sim, por favor, 2 fotos, se possível – digo, tentando controlar minhas emoções.

— Claro, vou imprimir, enquanto isso você pode ir se limpando e trocar de roupa que vou está lhe esperando na minha mesa. – Logo após isso, ele saiu.

Olhei pra Betty e ela sorria pra mim, logo me abraçou.

— Ohh Ana, meu parabéns minha amiga, você vai ser muito feliz agora com seus filhos. Nem acredito que você está grávida de gêmeos. Nós vamos logo que sairmos daqui comprar algumas coisas e não se preocupe com dinheiro, sei que você tem pouco, mas como tia dessas crianças, eu vou dá de presente. – Quando ia dizer alguma coisa, ela me interrompe – Não aceito não como resposta. – Isso me faz sorrir.

Logo após me trocar, volto pra sala do médico, meu sorriso está tão grande, capaz de rasgar minha boca. Ao sentar, Dr. Jackson vai logo me falando.

— Bom Ana, aqui está as suas fotos e já marquei sua próxima consulta, você precisa fazer esses exames e me trazer na próxima vez que vinher. Outra coisa aqui está às vitaminas que consegui pra você – disse sorrindo pra mim- e aqui a receita, provavelmente elas não vão durar até o próximo mês, então você já tem a receita. Com relação a sua pressão, você vai precisar tomar esse remédio aqui, todo dia de manhã, em jejum, 20 minutos antes do café da manhã. – Ele falou olhando pra Betty.

— Pode deixar isso comigo Jackson, vou fazer essa moçinha tomar todos os remédios e se cuidar direitinho, você vai ver. – Só conseguia rir.

— Ei, eu vou me cuidar direitinho, prometo. – sorri fraco pro médico.

— Eu espero Ana, pressão alta na gravidez é coisa séria e você que está de gêmeos precisa de atenção dobrada. Qualquer coisa que sentir não hesite em me ligar. A Betty tem meu numero que eu sei, vivia me importunando de noite achando que estava em trabalho de parto antecipado. – Disse com um sorriso e olhando pra Betty.

— Eu sei, eu vou me cuidar.

— Bom, então te vejo mês que vem. Foi um grande prazer conhecer a senhorita. – Ele disse, pegando minha mão e a beijando, chega suspirei com o cavalheirismo. Ele ainda me ajudou a levantar e disse pra evitar esforço, estresse e evitar comer comida com excesso de sal. Antes de sair, ele ainda beijou de novo a minha mão e voltou pro seu consultório, fechando a porta.

Fui caminhando com Betty pelos corredores do hospital sem dizer nada, estava tão chocada com a noticia dos gêmeos e com o médico bonitão que não tinha palavras, quem me tirou do transe foi a Betty.

— Acho que ele gostou de você?- Disse sorrindo.

— Não seja boba, ele só estava sendo educado, e outra não quero me envolver com ninguém. Eu ainda amo o meu marido, por mais que suas ações ainda estejam me machucando profundamente, acho que vou passar uns bons tempos sem me envolver com nenhum homem. – falei olhando nos olhos dela.

— Na época que vinha ai, ele não beijava a minha mão e nem me acompanhava até a porta, só estou falando porque achei diferente. – Betty exibia um sorriso malicioso.

— Ownn pare com isso, sei aonde quer chegar. Não quero ninguém.

— Tudo bem, você tem razão, e se ainda ama seu marido, acho que deve ficar sozinha mesmo, pra não enganar ninguém. Mas, fique sabendo que esse médico ai quer ser o primeiro da fila quando você estiver pronta pra voltar a ter um relacionamento. – ela falou um pouco séria.

Apenas sorri pra ela, como ela tinha tanta convicção nisso. Assim, que chegamos do lado de fora, Betty me arrastou pra um taxi que vinha passando e mandou seguir para o shopping. Já sabia que iríamos passar horas lá. Ela me fazia lembrar realmente da Kate, adorava fazer compras. Eu detestava, mas pelos meus filhos até me animo.