Pov. de Grey

Estou trancado nesse escritório há horas, não ouço nenhum pio vindo de fora dessa porta. No fundo acho que queria ouvir a voz da minha Ana, me chamando. Tente me afundar no trabalho pra esquecer tudo que discutimos, pra esquecer essa criança, tem coisas que eu disse a ela e me arrependo muito, principalmente de ter a acusado de que queria dar um golpe. Nunca nessa vida ela seria capaz de fazer isso. As palavras saíram sem querer da minha boca e me arrependo, só não me arrependo com relação a essa criança, sei que não posso ser pai.

Como um homem fodido como eu posso ser pai? Essa criança vai ter um péssimo exemplo por minha parte, claro. Eu sei que Ana seria uma mãe maravilhosa, ela é a pessoa mais bonita que já conheci, não só por fora, mas por dentro também. Essa criança iria receber muito amor por parte dela. Mas, por mim, não. Por isso, não vou desistir desse aborto, é o melhor que se tem a fazer.

Olhando pro relógio, percebo que já são quase 02:00 da manhã, Ana já deve está dormindo, me levanto e vou observar Seattle, como a minha cidade é linda a noite, tranqüila daqui de cima, as luzes são tão lindas. Fico divagando por cerca de 20 minutos, então retorno pra minha cadeira, me sento e deito a cabeça na mesa, estou tão cansado, que dia de merda foi o meu. Logo pego no sono, e sou levado pra um sonho, onde estou caminhando por uma floresta e Ana surge do nada, vestida de branco, está sorrindo, vem até a mim, me dá um leve beijo e fala que me ama, no sonho não posso deixar de sorrir pra essa pequena demonstração de amor. Porém, logo em seguida, Ana se despede de mim, e vai caminhando na direção oposta a mim. Fico observando-a até ela sumir da minha vista por entre as arvores.

Acordo num solavanco, estou muito suado e tremendo, acho que é de medo. Mas minha Ana prometeu que nunca iria embora, isso é meu conforto pra não entrar em desespero. Olho novamente o relógio e já são 03:30hrs. Dormir muito tempo e nem percebi. Levanto-me e vou até a jarra de água, mas percebo que está vazia, tranquilamente refaço meu caminho até a porta e constato o que já tinha percebido antes, a casa está um silencio, caminhando até a cozinha, passo pela sala de jantar e percebo que a mesa do jantar já foi desarrumada. Será que foi Ana ou a Sra. Jones que tirou a mesa? Olhando em direção ao quarto, percebo por debaixo da porta que a luz está acesa, será que Ana ainda está acordada?

Rapidamente, vou até a geladeira, tomo minha a água. Ao sair da cozinha, olho pro meu piano, preciso tocar, tocar me distrai e alivia minhas tensões. Sento no banco e começo a tocar umas das musicas preferidas de Ana, ‘’Marcello’’. Me lembro dela pedindo pra tocá-la, isso me faz sorrir, acho que toquei essa musica umas 3 vezes, então me levanto e vou em direção ao quarto, disposto a conversar com a minha esposa.

Quando abro a porta, me deparo com a cama ainda feita, e a luz da cabeceira ligada.

— Ana, onde você está? – O fato de entrar no quarto e ver a cama feita ainda, me faz lembrar do meu sonho, isso me bate o desespero.

— Querida, cadê você? Está ai no banheiro?

Vou até o banheiro e ela não está lá, vou até o closet e ela também não está lá, porém tem algumas roupas faltando, vou até o armário onde guardo as malas, e tem uma faltando, isso me faz entrar em desespero de vez. Voltando pro quarto, reparo em um brilho vindo da cabeceira da cama do lado de Ana. Indo em direção, reparo que são seus anéis de compromisso, eles estão em baixo de um bilhete, tremendo puxo-o para ler. Leio cada palavra varias vezes, sem acreditar no que estava lendo, no que estava segurando, seu bilhete ainda estava manchando das suas lagrimas. Ao terminar de ler, minhas lagrimas já estão em grande fluxo pelo meu rosto.

Fico pensando de que horas ela saiu, se ela deveria está muito longe. Corro até a dependência dos funcionários, gritando por Taylor, ele logo aparece com um cara de sono e ainda vindo do quarto da Sra. Jones. Ao ver me rosto, ele me olho interrogativo.

— Sr. Grey, aconteceu alguma coisa? — Pergunta aflito.

Entrego-lhe o bilhete de Ana.

— Precisamos encontrá-la Taylor, e logo. Preciso que olhe as câmeras de segurança do prédio, se for preciso chame até a guarda nacional, mas quero Anastácia aqui, ela não está em condições de andar por ai, sozinha, por essas ruas perigosas e com o Jack a solta.

De repente, meus pensamentos vão para o bebê, Ana quase não comeu no jantar, ela precisava comer, eu não podia ter brigado com ela, isso não deveria fazer bem pro bebê. Mas, porque eu me importo agora com essa criança. Meu pequeno demônio que algumas pessoas chamam de consciência me diz que é preocupação de pai. Como posso está preocupado com alguém que não quero. Quando percebo, estão Sawyer e Taylor indo em direção a sala de segurança, vou atrás deles.

— Senhor Grey, a que horas o senhor viu a Ana pela ultima vez? — Taylor me pergunta, posso ver nos seus olhos a preocupação.

— Foi depois do jantar, assim que você saiu com a Gail. – Todo o cansaço que sentia antes, se foi, estava muito desesperado pra ter cansaço.

— Isso não é bom, já vimos quase 2 horas de vídeo e nada ainda. – Sawyer esboçava muita preocupação, ele se importava realmente com a Ana.

— Bom, só posso concluir que ela não saiu pelas portas principais, ela só pode ter saído pelas saídas de emergência. – Taylor conclui e se levanta da sua cadeira, afirmando que vai falar com o porteiro do prédio.

Já fazem mais de 10 minutos que ele saiu e nada, cada minuto a minha aflição se aumenta mais e mais, sei que fiz uma grande merda, as palavras da minha Ana me fazem refletir cada vez mais e mais e a pensar no bebê. Minha mãe vai me odiar quando souber toda a verdade, meu pai, eu acho que não vai nem olhar na minha cara. Mais uns cinco minutos, e Taylor entra na sala, me levando de volta a realidade.

— Péssimas noticias, senhor. – Se rosto agora é inexpressivo.

— O que você quer dizer com isso? – Minhas lagrimas caem já sem se preocupar em demonstrar fraqueza pros meus funcionários. Gail que estava na cozinha fazendo um chá, vem até a sala e fica observando Taylor, enquanto ele toma coragem para falar.

— Bom, o porteiro disse que a viu saindo, foi por voltar das 10 horas da noite, ela passou com uma mala pequena e disse que ia levar pra casa de uma amiga que estava organizando um leilão de caridade. Ele disse também que chamou um taxi pra ela e que foi em direção pras ruas de cima. – O que Taylor falou me faz pensar em Kate, aquela chata é a melhor amiga dela, deve ter ido pra lá, mas ainda é muito cedo pra ligar pra casa dela.

— Taylor, quero que você ligue pra Welch e verifique as câmeras da cidade, vejam se vê pra onde esse taxi realmente foi, preciso está prevenido se a Katherine disser que a Ana não está lá. – Falo decidido a encontrar minha esposa e tentar concertar essa merda que fiz.

— Sim senhor. – Ele sai com o Sawyer o seguindo. Sra. Jones fica me olhando, percebo que ela quer me dizer algo, mas apenas volta pra cozinha.

Esperar o dia amanhecer é a pior coisa que existe, meu pensamento só vai pra Ana e o Bebê, que engraçado, agora só consigo pensar neles, o aborto é algo que não passa mais pela minha cabeça, agora me questiono onde ela estava, e as suas palavras ainda estão presentes na minha memória. E se eu não a encontrar, nunca conhecerei meu filho e ele nunca saberá quem eu sou.

Esse fato me faz chorar um pouco mais, nunca pensei ou sonhei em ser pai. Sempre me considerei um grande merda pra exercer essa função, mas agora, agora eu realmente me arrependo. Um bebê seria um fato de demonstrar a sociedade que a Ana é minha, só minha e que está carregando nosso filho, isso faz dela a mulher mais linda do mundo, carregando um filho de um homem como eu.

Olho pro relógio, e já são 06:30 da manhã, essa hora a Kate já deve está acordada, vou até me escritório, deixei meu celular lá, rezo a cada passo pra que ela me diga que a Ana está lá e está bem. Será que ela já se alimentou? Agora que está grávida, ela precisa fazer todas as refeições do dia e algumas extras, vou pegar no pé dela todo instante, isso me faz rir um pouco. Meu telefone está na minha mesa, logo disco o numero de Kate, ela atende depois do 4 toque.

— Christian? O que foi? – Pergunta preocupada com a voz sonolenta ainda, mas não demonstra raiva, isso já me assusta se Ana estivesse lá, Kate já teria me engolido vivo nessa primeira frase.

— Kate, a Ana está ai com você?

— Não, porque ela estaria? O que foi que você fez com ela? – Já me pergunta com o tom de voz alterado. Ao fundo, percebo que o Elliot está perguntando a ela o que está acontecendo.

— Nós brigamos, e ela saiu de casa ontem à noite. Não sei onde ela está? – Quando termino de falar, Taylor bate a minha porta. – Kate, eu preciso desligar, adeus e obrigada, qualquer noticia eu te ligo. – Desligo, antes que ela comece a falar.

Balançando a cabeça pra confirmar que Taylor pode entrar, ela se aproxima e sua cara não é das melhores.

— Senhor, nós verificamos as câmeras que conseguimos acesso. A senhora Grey logo que saiu daqui foi em direção a um banco, ficou cerca de 10 minutos e depois saiu, mas a partir daí não conseguimos ver pra onde ele foi, porém já temos a placa do veiculo. – Taylor fala como se tivesse certeza que iríamos encontrar a minha Ana, já não tenho mais lagrimas pra chorar.

— Por favor, ache ela, preciso dela aqui. – Falo, mas parece que minhas esperanças estão se esvaindo.

— Senhor, também nós verificamos o que ela foi fazer no banco, ela mexeu na sua conta pessoal, tirou cerca de 5000 dólares, mas não há nenhum registro dela ter comprado uma passagem de avião pra casa da mãe dela na Geórgia ou de ter entrado em algum hotel da cidade. Tentamos rastreiar o celular dela, porém não tem sinal, o que é muito estranho, talvez tenha jogado na água. – Fico surpreso com a eficiência dos meus funcionários.

— Obrigado, vamos sair em 30 minutos, preciso ir até o hospital ver o Ray e perguntar se ele sabe sobre a Ana. – Digo na esperança de que ele vai me ajudar.

Cerca de 40 minutos depois, estou entrando no hospital, Taylor realmente é muito rápido na direção, o transito de sábado de manhã também ajuda, não é 08:00hrs ainda. Vou caminhando lentamente pelos corredores até chegar a porta do quarto do meu sogro, tomo fôlego e bato na sua porta, sei que ele já está acordado, um ex-soldado nunca perde seus hábitos adquiridos no quartel.

— Entre – Ray falou com sua voz grossa e forte.

Entrei devagar e pude ver que se rosto se iluminou, acho que pensou que Ana estava comigo, sua menina sempre faz seu rosto se partir em um sorriso de 1000 megawatts. Ao perceber que ela não estava, ele logo fica sério.

— Christian, onde está a Ana? – Pergunta um pouco preocupado.

— Ray, como você está? – Pergunto pra disfarçar a situação, preciso primeiro ganhar confiança, antes de soltar a bomba, prometi cuidar da filha dele e não cumpri com minha promessa.

— Eu estou bem, mas você está com uma cara diferente, onde está a Ana? – Ele retorna a perguntar, tomo mais algumas respirações e crio coragem pra contar, pelo menos uma parte da história, sei que ele está se recuperando de um acidente e não quero piorar sua situação.

—Olha Ray, peço que me desculpe por tudo, mas é sobre a Ana que vim falar com você. – Ele já demonstra apreensão na sua fisionomia. – Ontem a noite, eu e Ana brigamos muito feio, e ela saiu de casa, não sei pra onde ela foi, já liguei pra Kate e nada. – Falo já chorando, me quebrei na frente do meu próprio sogro.

— Como assim vocês brigaram? Casais brigam a toda hora, qual foi o motivo dessa briga? – Meu sogro me perguntou sério. Percebo que suas pupilas estão dilatadas, acho que agora vou apanhar dele e sei que é merecido.

— Ontem, a Ana me contou que estava grávida e acabamos brigando, não estava no meu plano ser pai. Agora percebo a grande besteira que fiz, vim aqui na esperança dela está aqui ou de você saber onde ela poderia está. – Percebo que o semblante dele já muda.

— Eu não sei onde ela está, mas é sua obrigação procurar pela minha filha. Como você pode brigar com ela, Christian, não sabe resolver isso na base do dialogo? Se não queria filhos, porque não se protegeu. Olha, eu não quero saber o que você vai fazer, mas dê um jeito de acha-la, ou eu mesmo vou quebrar a sua cara. Minha filha está grávida e andando sozinha por ai. – Ray estava praticamente gritando comigo, me senti um adolescente que tinha feito algo de errado e estava levando a bronca do seu pai.

— Eu prometo que vou achá-la, mas eu preciso de uma direção. – Estava com medo dele.

— TRATE DE CORRER ATRAS, EU DEI MINHA FILHA PRA VOCÊ CUIDAR E OLHE O QUE FEZ. – Ele gritou tão alto que fez com que a enfermeira viesse ao quarto, logo ela aplicou um calmante nele e pude ver que estava chorando. Abaixei minha cabeça e sai do quarto pra não fazer as coisas ficarem piores do já estavam.

Indo em direção ao carro, me lembrei de que Ana poderia ter ido pra casa dos meus pais, é pra lá que vou agora. Quando entro no carro, Taylor me avisa que Welch achou o motorista e que já está interrogando ele. Avisou que quero ir pra casa dos meus pais, lá é ultimo lugar que ela poderia ir. Não conhece muita gente na cidade.

O caminho todo até a casa dos meus pais foi observando Taylor falando com o Welch, assim que o carro para na garagem da casa, T. me passa a informação que fez com que o meu coração se partisse, senti que minha Ana estava escorregando pelos meus dedos.

— Senhor, as informações não são boas, o motorista do taxi, afirmou que viu a senhora Grey, porém que ela foi num caixa eletrônico e de lá, ele a deixou perto de um hotel do outro lado da cidade.

— Obrigado, parece que a Ana realmente não quer ser encontrada como ela mesma disse no bilhete. – Digo amargurado.

— Não precisa agradecer, é o nosso serviço proteger vocês, mas peço permissão pra falar livremente. – Posso ver a preocupação nos olhos dele.

— Diga logo homem.

— Não sei o real motivo dessa briga, mas acho que o senhor deve fazer o possível e o impossível assim que ela voltar pra se desculpar. Sei que ela te ama e que vai perdoar.

— Eu espero que sim, espero que ela volte logo. – Assim que falo, percebo que a porta de entrada da casa está aberta e que minha mãe está olhando pra mim.

Vou caminhando lentamente em direção a ela, seu rosto angelical, me transmite segurança, sinto meus olhos se encherem de lagrimas e assim que chego à porta corro pra abraçá-la e nos seus braços minhas lagrimas rolam livremente.

— Querido, o que aconteceu? Olhe pra mim. Seu irmão me ligou mais cedo e me disse que você telefonou para a Kate e que está procurando por Ana. – Sua voz doce, invade meus ouvidos como musica.

— Mamãe, eu briguei com a Ana e ela sumiu, já procurei em todos os lugares, minha ultima esperança era aqui, mas já vejo que ela não está.

— Vamos entrar, não podemos ficar aqui. Seu pai está na sala esperando também por você. Vamos ajudá-lo a achar ela.

Com isso, minha mãe me puxa pra dentro e fecha a porta atrás de nós me levando pra sala, sei que vou ter que contar toda a verdade pro meus pais, nada de edição da história, mas sim a mais pura verdade. Estou indo pra forca aqui.

Notas finais
Boa Noite, espero que gostem.