Briga

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Esse capítulo é provavelmente o mais clichê da fic inteira, então como avisado antes, se não gosta, basta não ler. =)

Um dia antes

Eu estava na minha cabine arrumando minhas roupas — a inspeção havia ocorrido pela manhã, e só não peguei punição, pois o chalé de Ares estava pior que o meu — quando ouvi um fuzuê no pátio do acampamento.Passos pra todos os lados e a voz de vários dos campistas ficando cada vez mais alta.

Resolvi não me meter. A confusão já me abordava em todos os momentos possíveis, mesmo quando eu tentava evitar, se eu fosse em direção a ela com certeza sobraria pra mim depois.

Mas foi aí que a voz da Clarisse gritou “Chega!” em um tom extremamente impaciente, nervoso, quase com raiva. Tudo bem, eu podia contar nos dedos de uma mão às vezes em que vi a Clarisse tranquila — normalmente era quando ela estava sozinha com Chris — mas eu nunca tinha escutado sua voz tão brava. Não numa situação não-guerra ao menos. Isso me deixou mais atento.

Andei até a porta, mas não a abri. Encostei a orelha na madeira e tentei prestar atenção ao que ocorria do lado de fora. Depois do grito da Clarisse os campistas que murmuravam, haviam se calado, e o único som que podia ser ouvido era muito baixo pra que ele pudesse identificar: um gemido? Risada? Burburinhos?

Mas então o som ficou relativamente mais alto, como se... como se a pessoa que o produzisse estivesse se aproximando.

Meus sentidos não eram os mais perfeitos, mas de alguma maneira eu podia ouvir os passos da pessoa, bem vagarosos, e tinha certa noção da distancia que a pessoa ficava da minha cabine a cada momento.

Quando faltavam apenas dez passos — nos meus cálculos — para que a pessoa chegasse à porta, eu reconheci o barulho.

A minha garganta fechou-se na hora e eu senti como se uma faca bem afiada e gelada descesse vagarosamente pela minha coluna. Era o som de um choro. E pelo som dos soluços que eram ouvidos de repente, ele tinha a sensação que era... Annabeth.

Abri a porta no mesmo instante e meu coração apertou à visão dela: os olhos completamente inchados, vermelhos e úmidos, e marcas de lágrimas demarcavam suas bochechas. Eu nunca tinha visto Annabeth daquela maneira, nunca.

Porém, antes que eu pudesse me adiantar e abraça-la, ela me alcançou, e pareceu extremamente ridículo o momento em que eu abri os braços para recebê-la, e ela me deu um tapa.

Minha cabeça virou para o lado oposto ao que ela acertara. Não pela força com a qual ela aplicou tal, tampouco pela dor, já que por conta da maldição de Aquiles nenhuma das duas exatamente me acertava, mas pelo choque. Annabeth havia me dado um tapa?

— Mas o q... — Eu comecei a perguntar, mas me desconcentrei conforme fui entrando de volta na minha cabine com alguns tapas que ela me dava. Eu me defendia com os braços mais pelo susto.

— Eu não consigo acreditar que depois de tudo você foi capaz disso. — Ela disse parando em frente a mim com a respiração acelerada e o rosto vermelho, os olhos ainda demonstrando choro.

— Mas do que você está falando?! — Eu dei um passo pra frente, e ela se virou com rapidez, seu cabelo loiro rápido como um chicote, e saiu pela mesma porta que tinha entrado, a passos largos.

Depois de meio segundo parado, estupefato, corri atrás dela e segurei seu braço.

— Hey! Você quer fazer o favor de me explicar o que aconteceu? — Àquela altura eu já estava irritado, e segurava com força o braço dela.

Ela o puxou com força, e eu cambaleei. Eu podia sentir que havia uma quase roda à nossa volta, mas ao mesmo tempo era como se eu não percebesse nada além dela ali.

— Como se você não soubesse. — A voz era fria, gélida, ácida como um veneno, e entrava pelos meus ouvidos e descia pelo meu corpo machucando cada ponto em que encostava.

— Annabeth, por favor, eu não sei do que você está falando! — A raiva já havia passado. O rosto dela estava tão... decepcionado. Triste. Eu só queria entender porquê ela estava daquele jeito.

Uma lágrima desceu pela bochecha esquerda dela, e tive que me segurar pra não ir até lá e secá-la. O olhar afiado dela chegou ao meu e eu tive certeza que o olhar da Medusa não poderia ser pior que aquele.

— Por que você não pergunta para a Hardins?

Olhei em volta por um momento, só para ver vários campistas me olhando, e vários também perscrutando o local.

— Quem?! — Eu não tinha a mínima ideia de quem era Hardins.

O olhar cinza dela fez-se vermelho por um momento, como que incendiando.

— Não jogue essa de lerdo pra cima de mim! — Ela não estava gritando, mas seu tom de voz havia subido algumas oitavas.

Eu me aproximei dela em apenas um enorme passo, e segurando seus dois braços com força, não raciocinando muito bem sobre machucá-la, aproximei meu rosto do dela e disse, quase em um sussurro, para que apenas ela pudesse ouvir.

— Apenas me explique. Eu não sei do que você está falando.

Por um momento eu pude ver dúvida nos olhos dela, mas logo sumiu, e ela se aprumou, afastando-se de mim.

— Não devo ter sido a única a ver a cena de ontem, então se sua memória falhou, pergunte a alguém. A essa altura tenho certeza que todos já sabem.

Olhei em volta, buscando por algum voluntário a me dizer o que ocorrera, mas todos pareciam meio que petrificados em seus lugares. Na noite anterior eu não estava me sentindo muito bem, então junto à Annabeth fui dar um mergulho no lago de canoagem — nós dois tínhamos um sentimento especial por aquele local — e logo depois fui me deitar, antes mesmo do jantar, então seja lá o que tenha ocorrido, eu deveria estar no vigésimo sono.

— Annabeth, ontem eu fui me deitar assim que saímos do lago, você viu. — Eu queria entender o que ela estava pensando, mas as coisas simplesmente não faziam sentido.

— Pare de fingir que não sabe do que ‘to falando! — Dessa vez, ela gritou. Eu cheguei a dar um passo pra trás, surpreso, conforme a voz dela ficava mais alta a cada letra e seus olhos voltavam a se encher de lágrimas.

— Eu... — antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa, ela continuou, o grito cada vez mais alto, meio que descontrolada. Eu só tinha visto Annabeth daquele jeito uma, quando estávamos na presença das sereias.

— Eu pensei... pensei que depois de tudo o que enfrentamos, de tudo o que aconteceu, as coisas ficariam bem. Engraçado como eu confiei em você, Percy, confiei tanto. Minha mãe me avisou, mas eu não ouvi, achei que era frescura por causa de Poseidon, mas ela tinha razão, é claro que tinha. Como sou estúpida!

— Annabe... — Eu tentei mais uma vez, mas sem sucesso, novamente.

— Talvez você devesse ter ficado com a Rachel sabe, antes da coisa toda do oráculo. Quem sabe você nunca realmente quis namorar comigo, eu era só um step.

— Mas que diab...

— Mas justo uma filha de Afrodite. Apesar de tudo eu nunca achei que você pudesse ser tão fraco.

— O que Afrodite tem a ver com isso?

— Para de negar que ontem você saiu com Meggie Hardins depois que foi pro seu chalé, eu vi, todo mundo viu! — Duas lágrimas desceram pelas bochechas dela.

Eu paralisei. Ela estava me acusando de... traí-la? Como no mundo isso seria possível? Em nenhum momento desde que começamos a namorar eu sequer olhei pra outra garota, e, mesmo que eu tivesse feito, — o que, novamente, não havia a menor chance de acontecer — como, em meio a minha pateticidade, eu teria convidado uma filha de Afrodite pra sair?

E, novamente, a única coisa que consegui pronunciar foi:

— Quem?!

Annabeth pareceu inflar de raiva, mas por fim ela apenas me deu as costas e correu pro chalé de Atena.

Eu sentia várias pessoas me olhando, mas não conseguia me importar com isso. Apenas virei pro chalé três sem me focar em nada, e segui até lá.

A última coisa que ouvi antes de entrar foi a voz de Annabeth gritando “E está tudo acabado!” e uma porta batendo.

Notas finais
Mas enfim, não resisti em voltar um dia e mostrar a briga, pq, momento confessionário: adoro ceninhas em público.
Enfim, espero que gostem. No próximo as devidas explicações pra tudo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.