Brett And The Avengers
1 Capítulo 1 - Brett
Notas iniciais
Ele o odiava.
Fazia algum tempo. Um ano, talvez dois. Mas Brett tinha um ódio que queimava por Kurt Hummel. O motivo era simples, ou talvez nem tanto. Há dois anos, Kurt sentava-se ao lado de Brett em uma aula de inglês. A professora cantava uma música que há muito tempo já desaparecera da mente de Brett, assim como o comentário que ele fez a Kurt sobre aquilo. Brett estava chapado, não era nenhum segredo.
Antes de vir para a aula tinha passado por seus companheiros reunidos em um beco e não pode se livrar de lá. Era assim que Brett os denominava em sua mente, companheiros. Não, não eram amigos. Eles gostavam de ver Brett usar qualquer coisa que eles levassem e depois riam de suas palavras. Algumas vezes até repetiam-na para ele no colégio como uma piada interna. Mas Brett não achava a menor graça. Tentava tudo o que podia para acabar com seu vício, porém os seus companheiros o arrastavam para a desgraça.
Claro que Brett não tinha amigos, os seus companheiros eram tudo o que ele tinha, e seu pai em casa só servia para voltar bêbado a noite. Brett era sozinho. Em um dia comum, voltava para a sua casa e colocava um Hot Pocket para esquentar no micro-ondas e o devorava com poucas mordidas enquanto lia seus livros. É realmente, seus livros eram seus amigos. Eles o levavam a uma realidade paralela onde o mundo era melhor. Ou talvez nem fosse melhor (como no caso do livro que estava lendo recentemente 'Jogos Vorazes'), mas era mais emocionante, as coisas mudavam. Mas não na casa de Brett, lá as coisas não mudavam.
Depois de seu Hot Pocket, Brett ia ver algo na televisão, e quando estava quase adormecendo, seu pai chegava em casa, bêbado, destruído. Entao Brett se levantava geralmente ao som de Pink Floyd ou Green Day, se arrumava e ia para o colégio, não antes de acordar seu pai, molhando sua cara com algum copo d'água.
Brett até hoje não havia esquecido do comentário de Kurt.
—Você tem cheiro de desabrigado, Brett.
Claro, poderia ser um comentário sem muitas más-intenções, mas aquilo atingiu Brett, porque ao resto da classe de inglês a única coisa em que ele pensou foi “Eu sou um desabrigado”. Pois era o que ele realmente era. Um desabrigado. Não tinha um lar, não pertencia a lugar nenhum. Mas Brett sabia que existia um lugar ao qual ele poderia ser um membro. Fazer parte.
O New Directions.
Mas estava claro, ele só precisava saber cantar. Só cantar. E ele não sabia, não tinha a menor idéia de como cantar. Ás vezes, Brett cantarolava uma música enquanto estava chapado, mas não. Com tanta sujeira em seu pulmão e tanta solidão (ele nunca realmente falava com ninguém) sua voz era um desastre. Então ele fez o que precisava. Para quem não sabe cantar e precisa saber, o único jeito são aulas de canto. Porém o único membro do clube do coral que Brett conhecia era Kurt Hummel. Sua única chance. Brett tinha um primo, que costumava brincar com ele na infância, que era gay, portanto não era preconceituoso.
Então um dia qualquer, pois Brett não mais tinha a capacidade de distinguir os dias como todos eram sempre iguais., Brett foi até Kurt que estava em seu armário no Mckinley. Kurt deu uma rapida olhada para Brett, pensando que este iria embora, porém Brett continuou parado olhando para Kurt. As palavras que Brett havia planejado usar para convencer o garoto Hummel tinham sumido de sua mente. O que ele conseguiu puxar desesperadamente dos cantos mais não usados de sua mente tinham se tornado nisso:
—Ei, você é... quer ensinar e... pra cantar.
Kurt olhou para Brett tentando decifrar o que havia escutado e então disse:
—Escute Brett, eu até gostaria de deixar você entrar no clube do coral, se é isso que você me pediu, mas isso não é uma decisão que cabe a mim. E Will Schuester não está aceitando novos membros pois esse ano é o último para muitos do New Directions e planejamos ganhar as Nacionais finalmente.
Brett assentiu com um fogo de raiva crescendo por dentro e saiu dali. Esta noite, não teve fome suficiente para comer seu Hot Pocket rapidamente e mastigava lentamente pensando no que fizera errado.
Mas começou a se alegrar com algo que vinha pensando, talvez no ano que vem, pudesse entrar para o clube do coral e conseguir seu tão desejado lar. Nos dias que se passavam, Brett tentava ser mais sociável, mas não. Nada que ele fizesse dava sucesso, nenhum amigo. “Realmente teria que esperar o ano seguinte”, foi o que pensou enquanto colocava seus livros no armário, mas então ouviu algo que o deixou pasmo. Vinha do auditório, e foi pra lá que ele foi. Olhou pela janela e foi aí que realmente incendiou-se sua mente e seu coração. Sugar Motta e o clube do coral, cantando uma música da banda Fun. Claro, isso seria normal se ele não soubesse que Sugar Motta era uma terrível cantora. Ele a ouvira cantarolar uma vez nos corredores. Sugar Motta havia sido aceita e ele, Brett, não. Sugar Motta, a garota rica que poderia ter tudo, ganhou também um lar. E Brett continuava atolado na merda.
Foi quando ele percebeu. Kurt Hummel não o queria no Clube do Coral porque ele não era diferente dos outros. Não queria se misturar com ele. O mesmo para Rachel Berry e Sugar Motta, Sam Evans e Noah Puckerman. Todos eles estavam a partir de hoje e para sempre encravados no reino de ódio de Brett.
O ano passou e alguns se formaram. Brett tentou novamente entrar para o Clube do Coral, e outra tentativa frustrada se deu por conta de Will Schuester e claro, Kurt Hummel também estava ali, para apreciar a sua desgraça. Mas Brittany não. Brittany dançava ao som da música que Brett havia composto para sua audição. E Brett gostou.
Brett conhecia Brittany mais precisamente pelo seu gato. Seu gato muitas vezes era encontrado no lugar onde os companheiros de Brett ficavam. Ele provavelmente fugia de casa e depois voltava, como vários gatos fazem. "Não" pensou Brett. "Irei me vingar de todos do Clube do Coral, mas não de Brittany Pierce."
Brett mal sabia que estava próximo de chegar o dia em que finalmente poderia se vingar de Kurt Hummel e do New Directions, de uma vez por todas.
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