Notas iniciais
Olá, pessoas! Eu sei que clima totalmente triste cobriu nosso país esse fim de semana e não tem como ser indiferente a isso. Queria estar aqui com um capítulo feliz para amenizar um pouquinho, mas seguimos um cronograma que coincidiu com um dos capítulos mais tristes da história toda. Então peguem seus lencinhos. Muito obrigada a todas que estão acompanhando a história e principalmente quem confia em mim nos rumos que dei a ela, mesmo sendo o que muitos não queriam, Como já disse em alguns lugares, sou fã de finais felizes, então apenas confiem em mim. Boa leitura!! Até as notas finais.. Bjs*

“Sacrifício”

#POVOliver

Cada passo que eu dava ao subir os degraus eram como marteladas direto em meu cérebro. Meus ombros estavam caídos e meus olhos doíam, era quase reconfortante estar finalmente em casa. Ênfase no quase.

Não queria lidar com os problemas que me esperavam aqui, mas tinha que voltar em algum momento. Até meus pais já estavam ficando preocupados.

― Não, por favor, não! ― Thea estava na porta do seu quarto, como se soubesse que eu estava chegando e tivesse preparado a armadilha. ― Nada de Oliver 1.0 de novo!

― Me deixe em paz, Thea! ― Passei por ela para meu quarto, jogando a pasta executiva e o terno no chão e me lançando sobre o colchão. Talvez algumas horas de sono funcionassem.

― Você está bêbado? ― Fui seguido por ela. ― Com quem você estava, Ollie?

― Não estou bêbado.

― Pois abre a boca, quero sentir seu hálito! ― exigiu segurando meu queixo, mas peguei sua mão e afastei do meu rosto com facilidade.

― Não estou bêbado e não estava com ninguém. ― Deitei a cabeça no travesseiro e fechei os olhos. ― Acabei dormindo na empresa.

― Numa sexta à noite? Sozinho? ― Mesmo com os olhos fechados, conseguia imaginar direitinho a carinha impertinente que ela fazia.

― Eu tinha alguns balancetes financeiros para avaliar para uma reunião na segunda, quando terminei já era madrugada, fiquei por lá mesmo. Satisfeita ou quer ligar para os seguranças do prédio e confirmar?

― Não seja um babaca.

― Então que tal me deixar dormir? Mamãe trocou meu sofá pelo mais chique e desconfortável do prédio inteiro. ― Abracei o travesseiro e me virei de costas para ela.

― Ollie! ― Sua voz cresceu uma oitava, e ela me puxou pelo ombro para girar de volta em sua direção. Esperei encontrar crítica, mas havia compaixão, quase pena no fundo de seus olhos verdes. ― Pare de fazer isso consigo.

― Tentar dormir algumas horas? ― Ergui minha sobrancelha, me fazendo de desentendido, e ela franziu o nariz, chateada.

― Não, fingir que está tudo bem enquanto anda com essa caixinha no… Puta merda! ― exclamou de queixo caído ao enfiar a mão sem aviso no meu bolso da calça e ver o anel. O anel de noivado que esteve a dois minutos de estar no anelar de Felicity e agora eu agradecia por não chegado lá, tudo seria dez vezes mais complicado agora se algum pedido tivesse sido feito naquela noite. ― Você vendeu um andar inteiro do prédio pra comprar essa maravilha? Deus sabe como sou a extravagante das joias, mas esse diamante é gigante até para mim!

― Me dá isso aqui! ― Fechei a caixa preta e guardei no criado mudo, fechando a gaveta com um barulho alto.

― Por que esse anel ainda não está no dedo da Felicity? Ou melhor, por que você não está lá com Felicity? ― Bufei e voltei a lhe dar as costas. ― É sábado, não deveriam estar grudados e sendo o casal mais chiclete como sempre?

― Speedy, pare de falar como se não soubesse. ― Eu já estava perdendo completamente a paciência para todas as insinuações, ao mesmo tempo que não tinha mais forças nem pra revidar as provocações.

― Você não foi vê-los depois que tiveram alta do hospital, mano, e isso já faz dois dias. Não pretende voltar ao próprio apartamento nunca mais? ― Suspirei, sentando com as costas na cabeceira. Íamos ter essa conversa então, e se eu pudesse escolher, preferia que Diggle fosse meu confidente, mas Thea não se daria por vencida.

― Não é meu apartamento, é dela. Felicity está bem assistida pela mãe e pelo namorado.

― Você é o namorado.

― Thea, não me torture mais com essa história ― quase implorei, o nó em minha garganta.

Doía, doía muito.

A morte de Tommy havia sido a pior coisa que aconteceu comigo, e seu retorno milagroso era o que era, um milagre, e eu não poderia imaginar uma surpresa mais feliz, seria como tornar realidade vários sonhos que me assolaram esses meses que ele ficou longe. Meu irmão e melhor amigo de volta, era a maravilha das maravilhas.

E por que eu andava como se estivesse em um funeral sem fim? Simples, porque ter meu irmão de volta me fazia perder o que eu mais amava. Sim, eu amava Felicity, e mesmo que a coragem tenha me faltado de colocar em palavras, era o que eu sentia, por isso quase fiz o pedido ali naquela noite.

Só que ela era a namorada dele, Benjamin era filho dele, e eu apenas o usurpador que quase roubei do meu irmão a melhor coisa que ele teria na vida. Minha quase família perfeita.

― Fale comigo, irmão.

― Não há o que falar. Tommy voltou, foi a melhor coisa que aconteceu na nossa família, e agora ele vai ter de volta o que é dele por direito. Eu sou o elemento que sobrou nessa história.

― O amor não funciona assim, Ollie. Acha mesmo que Felicity vai esquecer tudo que sente por você assim da noite para o dia?

― Eu fui a pessoa que a consolei mais de uma vez quando chorava por Tommy, Speedy. Ela o ama, eles tem um filho juntos e é isso, ponto. E os dois merecem essa felicidade, não ficarei no meio.

― Então deixa ela te falar isso, seu lerdo! Não fica aí trabalhando como um lunático para esquecer a garota por quem é apaixonado e o filho que considerava como seu. Você ao menos já pegou Benji no colo?

― Não posso, vai doer demais.

― Sério, você não pegou mesmo aquele bebê no colo. Não tem como sentir nada ruim perto dele, é como um dementador ao contrário.

― Tipo um patrono?

― Viu, é esse tipo de bobagem nerd que Felicity deve amar em você. Vá falar com ela, eu juro por Deus que se for visitá-la e ouvir a pergunta "cadê o Oliver" mais uma vez, eu enfio tampões nos ouvidos. E mais, aquele colarzinho fofo não vai se entregar sozinho. ― Me empertiguei ao ouvir sobre o colar que achei que ninguém soubesse da existência.

― Como você sabe do colar?

― Mexi nas suas coisas, óbvio ― falou como se fosse a coisa mais normal do mundo invadir a privacidade das pessoas. ― Qual é, achei que estava metido com drogas! ― se defendeu.

― Não mexa nas minhas coisas! ― Levantei da cama para conferir sobre a segurança da joia que eu mantinha no gaveteiro maior do quarto.

― É um colar lindo, mano. Simples demais para mim e mamãe, mas Felicity vai amar.

Abri a caixa vermelha para mais uma vez dar uma olhada no presente. Havia visto em algum lugar que era costume presentear suas mulheres depois que elas têm um bebê. Achei a tradição interessante e seria a desculpa perfeita para ela aceitar a joia, um colar de ouro rosa, com pingente de orquídea e diamante no centro da flor.

― Não é nada de mais, só um presente.

― Presente pra quem? ― Tommy apareceu na porta, que tinha sido esquecida aberta. Ele estava sorrindo de orelha a orelha, pois se esse já era seu estado natural antes, agora era uma constante. ― Casinho novo, irmão?

― É pra Felicity. ― Thea pulou da minha cama para junto de nós, e olhei feio para sua tentativa de me forçar em uma confissão.

― Por quê?

― As pessoas dão presentes para quem teve bebês, você não sabia? ― Ele deu de ombros, aceitando minha justificativa.

― Estou esperando um Rolex no meu quarto, então ― brincou, já saindo. ― Preciso me trocar, talvez deva deixar uma muda de roupa por lá, o carinha parece ter prazer em me cobrir de xixi sempre que pode. E, Thea… ― Freou ao lembrar de algo. ― Vou hoje à noite com você pra Verdant, preciso ver se não estragou meu negócio ― a provocou.

― Pode ir, abriu vaga pra barman, te encaixo para uma entrevista ― rebateu impertinente, mas Tommy achou graça e entrou no próprio quarto.

Quando ele não mais podia nos ouvir, me virei para minha irmã, que tinha um olhar inocente no rosto.

― Sua cara de zangado não me afeta, neném, parece um husky siberiano fofo. ― Beijou meu rosto. ― Descanse e depois vá vê-los. Vocês merecem.

E saiu do quarto fechando a porta atrás de si, me deixando com mais dúvidas do que quando entrou.

~

Bati na porta e dei dois passos para trás, esperando que fosse aberta. O porteiro estranhou quando pedi que me anunciasse, mas fez mesmo assim, e agora eu quase pulava no lugar de ansiedade para ver Felicity e Ben. Só faziam dois dias e eu já morria de saudades da minha quase família. Novamente, preso ao quase.

― Bonitão número 1! ― Foi a mãe da Felicity que abriu a porta, e tive que segurar um grunhido de decepção.

― Boa noite, Donna, posso entrar?

― Pelo que entendi, essa é sua casa. ― Sorriu, escancarando a porta e dando um passinho para o lado. ― Você fica mais gato a cada dia ou é impressão minha?

― Você é muito gentil. ― Sorri disfarçando o constrangimento. ― Pode guardar isso no freezer, é o sorvete preferido da Felicity. ― Lhe entreguei uma das duas sacolas que levava.

― Você que é muito gentil. E quem mima meu bebê, tem espaço especial no meu coração.

― Onde ela está?

― Lá em cima, fica à vontade. ― Assenti, me direcionando à escada que levava aos quartos. ― Só mais uma coisinha, Oliver. ― Ela me olhou sério e já me preparei para algum assunto difícil. ― Eu pareço uma avó pra você? ― Fez uma pose com a mão na cintura e arrumou os longos cachos loiros para frente dos ombros.

― Como é?

― Você olha pra mim, descobre que já tenho um netinho e pensa "nossa, você parece jovem demais para já ter netos", ou algo do tipo? ― Não consegui evitar não rir, a mulher era tão espontânea e engraçada, que até meus auges de mau humor não sobreviveriam àquilo.

― Você está ótima, Donna.

― Pode dizer isso em vídeo? ― Já puxou o celular do decote, apontando para mim. ― Como que arruma essa câmera?

― Eu vou… ― Apontei de qualquer jeito para o andar de cima, querendo escapar o mais rápido possível.

― Ah, claro, depois você faz então. ― Me dispensou com um gesto de mão, mais preocupada agora que algo que não funcionava em seu telefone. ― Quarto do Benji.

― Obrigado.

Tão logo dei alguns passos, já consegui ouvi o choro de bebê que preenchia o ambiente todo. Quando cheguei na porta do quarto, Felicity ninava Ben andando por todo o cômodo o balançando em seus braços.

― Qual é, meu amor, fala pra mamãe o que você quer. ― apelou, enquanto isso, o pequeno pacotinho reagia com a mais gritos. ― Não é comida, não é sono, não é sua frauda. Está com alguma dor, meu pequenininho?

― Você poderia cantar pra ele. ― Felicity se virou no susto para mim, me fazendo concluir que Donna não tivesse avisado para ela que eu estava subindo.

― Oliver?

― Ou contar uma de suas histórias engraçadas. ― Balancei a cabeça, negando a ideia em seguida, um pequeno sorriso nos lábios. ― Melhor não, ele choraria mais.

― Oliver.

Agora que a surpresa havia passado, eu esperava raiva pelo meu sumiço, até um sermão por não ter voltado em casa depois que o bebê nasceu, mas recebi de seus olhos emoção. E saudade.

― Eu posso? ― Deixei a sacola em cima da cômoda e apontei para Ben, mesmo que estivesse morrendo de medo de quebrar, derrubar ou machucar o bebê por não saber como pegar em um recém-nascido.

― Ele não é sempre assim chorão ― explicou, ajustando ele no próprio colo, agora então começar quase um malabarismo para o colocar no meu. ― Só que hoje ele está… Parando de chorar? ― Franziu a testa quando eu nada fiz além de sorrir para ele.

Thea tinha razão, nenhum sentimento ruim conseguia resistir muito tempo ao redor daquela criaturinha. Ele era a cópia do meu irmão, formato da boca, do nariz, tinha até um topete negro em seu cabelo espetado, mas os olhos eram todos da Felicity. E por coincidência ou não, era minha parte preferida dela, que agora me encaravam daquele rostinho gorducho.

― Ei, campeão ― comecei a falar com ele. ― Você lembra da voz do tio Ollie? Sou eu aqui, meu amor, desculpa não ter vindo te ver antes. Eu teria, se adivinhasse que você era tão simpático. ― Como se respondesse ao meu elogio, sua boquinha se esticou em um sorriso fofo. ― Você está sorrindo?

Eu sabia crianças dessa idade de fato não sorriam ao ficarem felizes, era mais como um gesto involuntário e nada relacionado com sentimentos, mas não deixava de ser a coisa mais linda do mundo para mim.

― Como é? ― Felicity, que apenas observava, chegou até nós. ― Ele está sorrindo pra você!

― Ele não faz isso sempre?

― Nunca tinha feito antes. Você é um pequeno traidor, Benjamin! Eu não sou nada pra você? ― Fez carinho em sua cabeça, e aí rimos juntos, foi quando nossos olhares se fixaram um no outro pela primeira vez.

― Como você está? ― perguntei.

― Morrendo de saudades de você, Oliver. ― Comprimi a mandíbula. Ela falar aquelas coisas não ajudava.

― Estou falando sobre o bebê.

― Ah ― soou decepcionada pela clara negativa da minha parte. ― Cansada, com sono atrasado e precisando de mais banhos, mas tudo bem. E sabe o mais estranho? Você parece igual.

― Sério? ― Pensei que meu excesso de trabalho não estava tão evidente na minha cara, ninguém havia comentado antes.

― Eu tenho um bebê, qual a sua desculpa?

Eu não tenho um bebê, pensei.

― A empresa tem sugado minha rotina, desculpa não ter vindo antes.

― Tá tudo bem, eu entendo que tenha prioridades.

Droga, eu havia magoado com minha distância! Na tentativa de não atrapalhar os novos pais em seus primeiros dias com seu primeiro filho, acabei a ferindo no processo. Me senti um merda.

― Não fala assim, você sabe que não é isso.

― Não consigo imaginar outro motivo, Oliver. Quem leva tanto tempo para pegar o próprio filho no colo pela primeira vez?

― Por mais que me doa dizer isso, Benjamin não é meu filho.

― Não era o que achava minutos antes que eu entrasse em trabalho de parto.

― Minutos antes que meu irmão, o pai dele de verdade, retornasse. ― Felicity fechou os olhos e puxou uma respiração profunda.

― Não vamos ter essa conversa na frente do bebê. Espera aí um segundo. ― Ela saiu e foi pelo corredor até a escada. ― Mãe, vem olhar o Benji!

― Ele já parou de chorar? ― sua mãe gritou lá de baixo.

― Vem, mãe! ― Logo Donna entrava no quarto, pegando o bebê do meu colo.

― Você é um milagreiro, Bonitão 01, se tem talento para fazer a coisinha se calar, não deve mais sair desse apartamento. Essa criança quase sempre legal estava insuportável hoje. Tive que arrumar mil desculpas para sair do apartamento.

― É seu neto, mãe.

― E daí? ― Felicity apenas rolou olhos, segurando no meu antebraço.

― Você e eu, no nosso quarto agora! ― E já foi me puxando, soltando apenas quando já estávamos a portas fechadas.

― Eu te trouxe uma coisa ― comecei a falar, quando ela já abria a boca para também dizer algo. ― Na verdade, te trouxe duas. Tem sorvete já embaixo, sem açúcar ou lactose, li que pode causar cólicas no bebê. ― Usei amenidades para quebrar o gelo e amortecer o peso daquela conversa.

― Obrigada, mas…

― E tem isso. ― Lhe estendi em embrulho que quase não consigo pegar a tempo do quarto de Ben antes de ser arrastado para cá. Felicity olhou desconfiada, antes de pegar a sacola de papel, abrir e tirar a caixa vermelha do colar de dentro.

― Oliver! ― Seu tom saiu em reprimenda. Ela vivia me dizendo para não gastar dinheiro em presentes para ela, eu meio que já esperava uma certa resistência ao aceitar.

― Não foi caro, eu juro.

― É um Cartier, Oliver! Convivi com Thea o suficiente pra saber que apenas um fecho de qualquer coisa dessa marca é o valor de uma renda familiar mensal.

― Ok, não foi muito caro. ― Tive que ceder ao seu argumento, mas não era sobre o preço, era sobre significado. ― Por favor, aceita, comprei já faz um tempo para te dar de presente quando Ben nascesse.

― Só porque amo orquídeas. ― Sorriu e me estendeu a caixa. ― Coloca pra mim? ― Virou de costas e jogou os cabelos por sobre um ombro.

Respirei fundo. Não, estar tão perto não ajudava, mas eu acho que merecia essa última alegria. Não resisti, e após abotoar o fecho, segurei seus ombros e deixei um beijo em sua nuca. O suspiro satisfeito dela quase me fez mudar de ideia.

― Você me assustou. ― Se virou para ficar de frente a mim, passando os braços por meu pescoço. ― Aquela sua conversa ali no quarto do Ben estava estranha, por um minuto achei que fosse terminar comigo. ― Quando ela inclinou a boca na direção da minha, segurei em seus pulsos e me afastei.

― Melhor não, Felicity.

― Oliver, o que está acontecendo? ― Meu coração quebrou ao ver no fundo de seus olhos que, apesar da pergunta feita, ela já sabia exatamente para onde aquela conversa ia.

― Eu sinto muito, mas não podemos. ― Ela pressionou os lábios, e desviou os olhos dos meus. ― Já era complicado antes, você era a namorada do meu irmão, mas agora ele está aí de volta, e vocês podem continuar sua história de onde pararam.

― Tommy ter voltado não muda em nada o que sinto por você ― murmurou.

― Mas deveria. Vocês se amam, tem um filho juntos e não posso ficar no meio da felicidade de duas das pessoas mais importantes da minha vida.

― E você agora toma todas as decisões sozinho? Apenas vem aqui bancar o mártir e me "deixar livre" para seu irmão, sem ao menos perguntar antes se é o que eu e ele queremos.

― É o que ele quer.

― Que se dane o que Tommy quer, não é o que eu nem você queremos! ― elevou a voz. ― Não faz nem uma semana que você estava no quarto ao lado, declarando seus sentimentos por mim e por meu filho, e agora tudo apenas sumiu?

― Claro que não sumiu, provavelmente nunca vai, mas alguém tem que fazer o sacrifício!

― E por que tem que ser você? ― Sua voz quebrou em lágrimas quando ela alcançou minhas mãos com as suas. ― Oliver, não faz isso com a gente, estamos apenas começando nossa história. Eu não estou dizendo que vá ser fácil, seus pais são contra, Tommy vai ser complicado, mas ele é adulto e vai entender eventualmente.

― Não, ele nunca pode saber o que rolou entre a gente esses últimos meses, eu já menti para o meu irmão, nunca havia feito isso antes, e saber o magoaria demais, não posso fazer isso com ele.

― E pode fazer comigo? ― Sua mão cobriu o lugar no meu peito em que meu coração tentava sair pelas costelas. ― Pode fazer isso com você?

― Isso é por você também, não entende? Eu mais de uma vez te consolei pela falta do Tommy, e agora apenas me diz que não sente mais nada por ele? Você merece saber, e eu não devo ficar por perto enquanto descobre.

― Se não tem certeza sobre os seus sentimentos, não duvide dos meus ― falou baixinho, notas de raiva se misturando à tristeza, tirando as mãos de mim.

― Me desculpa.

― Não quero suas desculpas. ― Enxugou as lágrimas vigorosamente com as costas das mãos. ― Era só isso ou você pensou em outras formas de quebrar meu coração?

― Felicity… ― chamei apenas seu nome, quando na verdade tinha tanto que queria dizer.

― Oliver, por hoje já chega. ― Foi até a porta e abriu para mim. ― Não dormi mais que duas horas por noite na última semana, estou cansada e com dor em músculos que nem sabia que tinha nas costas. Não tenho mais energia alguma para discutir com você.

― Olha… ― Parei perto dela ao passar pela saída. ― Eu sei que não é o que quer ouvir, mas eu realmente sinto muito. ― Ela fechou os olhos e balançou a cabeça, como se mesmo sem concordar, aceitasse meu pedido de desculpas.

Era o melhor que iria conseguir ali no momento. Não que eu contasse que aquela seria uma conversa fácil, mas não imaginava que ela fosse ficar tão magoada e que isso me destruiria ainda mais.

― Oliver, só mais uma coisa. ― Me chamou quando eu já estava na metade final do corredor.

― Ahn? ― Me virei para ser surpreendido quando ela me beijou.

― Eu te amo, Oliver.

― Também te amo ― murmurei de volta, inspirando seu perfume ainda com os olhos fechados, sua respiração fazendo cócegas na minha boca.

Hesitei em soltá-la, sabia que logo que fizesse não poderia simplesmente voltar atrás. Sabia também que os próximos meses, talvez anos, seriam difíceis, também não poderia me afastar sem dar desculpas, e tinha Ben. A convivência ia doer, mas era o certo a se fazer. E eu tinha que fazer o certo.

― Adeus, Felicity.

~

A Verdant não era mais do que uma massa disforme de pessoas, misturadas a luzes coloridas e música alta. O lugar perfeito para me esconder, nada como o anonimato das multidões. Cogitei o bar, álcool era sempre um bom companheiro da tristeza e miséria, mas desisti tão logo vi que meu irmão estava atrás do balcão dando seu show.

Tommy era realmente muito bom com garrafas, coqueteleiras e drinks, tanto para criar, como para manipular os equipamentos com uma habilidade invejável. Ele jogava garrafas girando para cima, agarrava em suas costas, as deslizava por seus braços, e ainda conseguia fazer isso no ritmo da música eletrônica que tocava.

Sua orla de admiradoras estava lá também, o talento barman de Tommy sempre atraía o público feminino como abelhas para o mel, mas ele nem parecia notar a atenção que recebia, e estava apenas feliz. Imaginava que estivesse, depois de tantos meses sem fazer o que adorava.

― Ollie, o que faz aqui? ― Nem percebi quando Thea se aproximou, chamando minha atenção ao segurar meu braço. ― Não que eu não esteja feliz, já faz tanto tempo que não estamos os três na Verdant! Vem, vamos para o… ― Quando não me deixei ser conduzido para onde quer que ela estivesse querendo me levar, foi que recebi sua total atenção. ― O que aconteceu com você?

― Comigo?

― Mano? ― Seus dedos finos fizeram carinho no meu rosto, percebendo como eu deveria parecer mal. ― Você falou com Felicity?

― Speedy, acabou tudo.

Não consegui mais segurar. E lá estava eu, homem feito com meus 32 anos chorando por uma garota nos braços da minha irmã caçula recém-saída da adolescência, no meio de uma boate lotada. Parecia até um filme ruim, mas não era.

― Vamos para o meu escritório.

Tentei me recompor quando já estava no espaço fechado no andar de cima, a música agora era um ruído distante, Thea sentou ao meu lado no sofá e me estendeu uma garrafa de água.

― Como assim, acabou tudo, criatura? Vocês não conversaram? ― Balancei a cabeça afirmativamente. ― E ela te deu um pé na bunda? Me chame de surpresa se Felicity fez isso. ― Neguei com a cabeça para sua pergunta. ― Ah, não, Ollie!

― O que mais eu poderia fazer?

― Não atirar sua felicidade fora, pra começar.

― Ela e Tommy merecem pelo menos tentar se entenderem. Eles têm um filho, Ben merece uma família assim.

― Você é muito lesado, cara, isso nem faz sentido! Nosso irmão te ama, ia doer, mas ele abriria mão dela se soubesse toda a verdade. ― E também tinha certeza desse fato, e principalmente por isso, eu devia a ele o mesmo.

― Tommy a quer de volta, e mesmo que ela diga que não agora, vai acabar mudando de ideia. Eles passam tempo juntos, compartilham momentos com Benjamin e quando notarem, já estão apaixonados de novo.

― E você, como fica nessa história?

― Feliz, porque duas pessoas mais importantes da minha vida estão felizes.

― Ollie, não faça isso.

― Já está feito ― confirmei resoluto. ― Eu só preciso de um tempo para…

― Chorar seu primeiro coração partido? ― completou, me abraçando novamente e fazendo carinho em meus cabelos. ― Oh, mano, eu sinto muito.

― Eu também, Speedy, eu também.

Notas finais
Ain, gente, tadinho! Alguém abraça?! Por mais que eu não concorde, entendo demais a decisão do Oliver e sinto tanta dó dele e Felicity, que só conseguiram ser felizes por dois segundos, antes de tudo desmoronar. Mas como Thea disse, não se controla o coração, então mesmo com o término, esse amor dos dois não vai morrer, ao contrário disso. Mas estamos em um drama, fazer o quê?! Nos vemos pelos reviews. Favoritem, indiquem as amigos, recomendem!! Até segunda.. Bjs*