Breeding Love
13 Betrayal
Notas iniciais
"Traição"
― Eu juro por Deus que mexeu dessa vez, Thea. Eu sempre sinto e Oliver também ― a interrompi quando ela abriu a boca pra continuar a argumentar. ― E pare de chamar meu filho de lombriga.
Todos estavam presentes à mesa pela manhã, isso porque hoje à noite seria a festa do aniversário de Thea, e a Verdant estava fechada e sendo preparada desde noite passada para o que a própria chamou de "evento do ano".
― E por que esse pestinha não mexe agora? ― Ela mantinha a mão em cima da minha barriga. ― Chuta a titia, coisinha.
― Não funciona assim. ― Tirei a mão dela de mim, estava fazendo cócegas. ― Agora me deixe tomar café da manhã em paz.
― Eu mal havia completado os quatro meses e Oliver já me chutava como um jogador de futebol. Thea era mais quietinha. ― Moira falou com olhar distante.
― A ironia de como as coisas mudam ― Malcom brincou, e Thea fechou a cara, torcendo o lábio inferior em um beicinho.
― Bom dia, bom dia. ― Oliver chegou cumprimentando, dando um beijo na cabeça da mãe e da irmã e sentando na cadeira à minha frente, do outro lado da mesa. Já tinha percebido que ele sempre evitava toques e carinhos comigo quando os pais estavam por perto, e agradeci aos céus por isso.
― Filho, você tem estado tão bem mais disposto esse último mês. A empresa está indo bem como nunca, estive analisando a contabilidade essa última semana.
― Obrigado, pai. ― Sorriu pequeno, colocando o guardanapo sobre o colo para começar a comer.
― Quanta diferença faz ter três amantes a menos! ― Thea cochichou para mim e eu ri, mas logo o ouvimos o pigarro de Oliver, que também tinha escutado e nos olhava feio, o garfo com mamão a meio caminho da boca. Para sorte dele, Moira e Malcom estavam distraídos demais em uma conversa própria para prestar atenção.
― Qual o assunto?
― Thea não aceita que o Ben chuta sempre só porque ela nunca sentiu.
― Claro que ele mexe sempre, Felicity tem um pequeno lutador de kickbox aí. Eu só preciso falar com ele e já sinto o chutinho.
― Eu te disse, comigo é do mesmo jeito. Titia é tão teimosa, hein bebê?
― Exibidos. ― Fez bico, e continuou a cortar suas panquecas.
― Mas eu li uma coisa sobre isso, Speedy. ― Ela parou o que estava fazendo para dar atenção ao irmão. ― Algo sobre bebês ainda no útero identificarem pessoas irritantes.
― Eu vou chutar tua canela. ― Começou a tentar acertá-lo com os pés por baixo da mesa.
― Crianças, parem! ― Moira pediu.
― Tá marcado comigo, garoto! ― Apontou dois dedos para os próprios olhos, então para ele em um gesto de ameaça, mas Oliver sequer considerou.
― Você e mais quantos, baixinha?
― Crianças, respeitem a mesa das refeições! ― Os dois só pararam com as provocações quando Malcom elevou a voz. Nem pareciam dois adultos discutindo na mesa.
― Vocês deviam ter mais respeito, hoje é meu aniversário.
― Seu aniversário é amanhã, Thea ― atestei.
― Meu aniversário é quando eu quiser.
― Não é assim que funciona.
― Quieta você também, Felicity! ― ralhou comigo. ― Como estava dizendo, hoje é meu aniversário e quero todos lindos e bem arrumados na minha festa, sem atrasos.
― Filha, acho melhor eu e seu pai não irmos. É na sua boate, só terá jovens, e aquela música alta.
― Eu também quero pular essa. ― Oliver ergueu a mão ao expressar sua opinião.
― Ninguém vai "pular essa". Finalmente a médica liberou Felicity para sair, e a coitada anseia desesperadamente por uma festa.
Era mentira. Eu e minha barriga de mais de seis meses de gravidez só queriam sorvete e pipoca, mas não adiantava mais discutir, perdi essa briga ontem para ela.
― E acho fofo como vocês acham que tem alguma escolha. ― Se levantou, colocando o guardanapo sobre a mesa. ― Eu tenho que sair agora para cuidar de uns detalhes. Não estão autorizados a levar ninguém que eu não aprove antes, e Ollie?
― O quê?
― De presente, quero que termine seu noivado com aquela monstra, já passou da hora. Procure alguém mais… Como posso dizer? Feliz. ― Troquei um olhar constrangido com ele, e Thea saiu, deixando o maior climão estranho na mesa.
~
― Está gostando da festa, Felicity? ― Moira quase teve que gritar para que eu conseguisse entender o que já parecia ser sua segunda tentativa de fazer uma pergunta e me tirar do tédio.
Eu não estava.
Mas o problema não era a festa em si, tudo era muito bonito, colorido, animado. Um dos melhores DJ do país havia sido contratado, open bar e comida liberada, decoração impecável. Só que música alta, pista de dança lotada e toda aquela gente metida a rica nunca fora meu padrão de festa.
― Está tudo muito bonito, mas nunca foi meu estilo ― respondi sincera.
― Queria que pelo menos um dos meus filhos fosse assim, mas os três praticamente moravam em lugares como esse desde a adolescência. Quer dizer, Oliver tem estado mais quieto nos últimos anos, mas era o pior de todos antes.
Apertei o copo da minha bebida colorida, doce a álcool free entre os dedos, e olhei de relance para o lugar onde o loiro estava com aquela cara de que estar odiando cada mísero segundo de sua existência.
Contrariando Thea, Laurel havia marcado presença e minutos atrás tinha arrastado o noivo para o meio da pista, para uma dança tão obscena quanto constrangedora. Não que alguém além de mim estivesse prestando atenção, já era quase meia noite e com o open bar, quase todo mundo já estava meio bêbado a esse ponto.
Eu ainda não entendia porque eles ainda estavam juntos. E não, eu não queria que aquele relacionamento terminasse para pegar o noivo (como Thea não calava a boca de falar sobre), Oliver e eu juntos era algo que não aconteceria e nós dois estávamos em paz com essa decisão, mas ele também não precisava ficar com ela. Ele não a amava, e sem todos os casos extraconjugais o distrair, reclamava cada dia mais sobre o noivado. Mas também não terminava, como disse que faria, e agora faltava menos de um mês para o casamento.
― Cunhadinha! ― Thea gritou se aproximando.
Ela estava linda, havia cortado seu longo cabelo castanho na altura do ombro, usava um tubinho de lantejoulas escuras que mudava de cor de acordo com a luz, maquiagem extravagantemente negra dando destaque aos seus olhos verdes e saltos muito altos.
― Pare de gritar isso! ― a reprimi.
Meu relacionamento com Tommy estava sendo mantido fora do olhar da mídia, mas aquela festa estava tão badalada que eu já tinha contado pelo menos umas dez equipes de fofoca cobrindo o evento, e ela gritando aquilo levantaria perguntas demais, do tipo que ninguém queria responder.
― Filha, vou pedir que tragam o bolo e chamar seu pai. ― Entendi que a sugestão de Moira era apenas para poder ir logo embora daquela festa. E me levando junto, porque Deus é bom.
― 21 anos! ― a morena gritou novamente quando a mãe já havia saído.
― Ainda vai dar meia noite, você não fez 21 e, portanto, não deveria estar tão alta.
― Chata! Cadê meu irmão para te dar uns beijos?
― Meu Deus, garota! ― Arregalei os olhos para sua fala nada discreta.
Sim, eu tinha contado sobre o beijo para ela tão logo eu e Oliver fizemos as pazes sobre isso, apenas porque a considerava minha única amiga e precisava falar com alguém o que estava acontecendo. Ela prometeu segredo, mas foi só ficar bêbada que agora gritava aos quatro cantos.
― Nada demais. ― Deu de ombros. ― Olicity é minha nova religião, eu falo isso pra ele direto!
― Você fala? ― Olhei para onde ele estava, Laurel claramente forçando mais uma daquelas situações de pegações exageradas para espaços públicos, até mesmo uma boate. Nojo.
― Não podia? ― Mordeu a unha do polegar como se estivesse com vergonha e sentisse muito, mas um sorrisinho indiscreto surgiu logo em seguida. ― Seu tio vai ser seu novo papai, Benji.
― Oh, meu Deus. ― Cobri o rosto com a mão, ela não tinha jeito sóbria, não tentaria controlá-la bêbada.
Por sorte, não tivemos mais muito tempo para debater sobre, já que um enorme bolo era trazido em uma mesa de rodinhas. Por um segundo tive medo que a história do aniversário de 18 anos dela que Oliver me contou se repetisse, e um cara seminu saísse de dentro, mas dessa vez não houve nada além de muitas velas estrela que não fariam vergonha a nenhuma festa de réveillon.
O DJ colocou um “parabéns pra você” ao ritmo eletrônico e toda aquela multidão se reuniu para cantar parabéns para ela. Até o Ben parecia animado, já que se mexia muito agora, talvez acordado com toda a barulheira, mas se puxasse um pouco à tia, poderia estar apenas feliz também.
― Vamos ao escritório dos meninos por alguns minutos para uma teleconferência rápida e depois vamos embora, tá bom, querida?
― Reunião essa hora?
― É horário comercial em Hong Kong e Moscou ― explicou. ― Não vai demorar, prometo.
Fui para o bar, apenas para não passar a impressão que era tão peixe fora d'água naquela festa, fingindo vez ou outra conversar com o barman. Thea havia sido engolida pela multidão logo após o parabéns e Oliver também sumiu.
Só mais um pouco, Felicity, e você estará em sua cama quentinha com roupas confortáveis e com sorte, meus amados amendoins japoneses.
― Hey, Felicity. ― Fechei os olhos com força, e puxei uma respiração profunda antes de me virar na direção da voz de ninguém menos que Helena Bertineli.
A mulher estava sorrindo maleficamente para mim, um dos braços encostados sobre o balcão. A morena usava um bonito e justo vestido vermelho vivo, que fazia conjunto ao seu batom também muito vermelho, os longos e lisos cabelos pretos batendo em sua cintura.
― Hey, Helena! ― repeti o cumprimento, com exagerada simpatia. ― Então é de você que está vindo o cheio de enxofre, sua diaba. ― Fechei o sorriso e ela franziu os lábios irritada.
― Tá se achando, né? Os Merlyn te dando atenção, Thea te comprando presentinhos, aquela casa enorme e empregados à disposição, Oliver puxando seu saco por causa dessa gravidez. Chegou lá, hein garota?
― Dá licença, Helena, não quero estragar a festa da Thea socando tua cara. ― Levantei do banquinho para sair dali.
― É muito resolução da classe C, resolver tudo armando um barraco. ― Rolou olhos, estalando a língua. ― Mas fica aí, ainda tenho muito o que fazer, a noite só está começando.
― Espera aí. ― A segurei impedindo que saísse. Helena olhou para minha mão em seu braço e fez uma careta, e logo a soltei. ― Você está aprontando.
― Eu? ― Levou a mão ao peito, fingindo inocência. ― Aliás, cadê o Oliver? ― Olhou ao redor, procurando por ele. Cínica.
― O que você quer com o Oliver?
― Tchau, Felicity.
― O que você quer com o Oliver, Helena?
― Fica assistindo. ― Piscou para mim e sumiu ao se misturar às pessoas.
Fiquei preocupada, ela estava armando alguma para Oliver e seria agora. Eu deveria saber que Helena não levaria aquele fora numa boa, a mulher era arrogante e obcecada demais para isso e, ao contrário das outras duas, não tinha nada a perder.
Comecei a procurar o loiro por todos os lugares, e o encontrei encostado em uma das paredes do fundo, ouvindo com cara de tédio algo que Laurel lhe falava. Segurei minha barriga de seis meses para andar mais rápido e me desviar dos corpos dançantes até chegar até eles.
― Oliver, graças a Deus.
― Aconteceu alguma coisa, você tá bem? ― Veio até mim, parecendo metade feliz por algo que o tirasse daquela conversa e metade preocupado com o que eu poderia dizer.
― Eu estou, mas… ― Olhei para Laurel que esticava o pescoço para tentar ouvir, então de volta para ele. ― Posso falar só com você um instante?
― Nada disso, coisinha, qualquer coisa que for falar para ele, pode dizer na minha frente. Não temos segredos.
― Oliver? ― Olhei para ele, uma pergunta muda se deveria mesmo falar. Se havia uma coisa que ele tinha com Laurel, eram segredos.
― Um segundo, Laurel.
― Neném! ― gritou quando ele apoiou a mão na base da minha coluna e andamos alguns passos dali.
― O que foi?
― Helena está aqui e está armando algo pra você. ― Sua expressão relaxou e ele sorriu. ― Não faça essa cara, a mulher está com raiva e pode te prejudicar! Crimes passionais já foram cometidos por bem menos.
― Ela não vai fazer nada aqui, Helena tem uma vida pública que adora e isso aqui está cheio de repórter. Ela não vai fazer ou dizer nada que a entregue e corra o risco do famigerado cancelamento virtual.
― Mas, Oliver, ela parecia bem determinada ― o avisei.
― Relaxe. ― Fez carinho em meu braço. ― Já quer ir embora? Essa festa já deu.
― Seus pais estão indo daqui a pouco, vou com eles. Só toma um pouco mais de cuidado, ok? ― Oliver cruzou os braços e abriu um sorriso enorme. ― Qual a graça, palhaço?
― Você preocupada comigo é muito lisonjeiro. ― Bufei pelo nariz, negando de leve com a cabeça, mas acabei não conseguindo segurar um pequeno sorriso. ― Eu vou tomar cuidado, se isso te deixar mais tranquila, tá bem?
― Vai rindo.
Quando voltamos ao lugar que Laurel estava entendi porque ela ainda não havia ido até nós, já que a neurótica estava com a mania de perseguição mais desenvolvida desde o dia da piscina, mas Helena estava com ela, as duas conversando e rindo.
― Hey, neném, olha quem está aqui.
― Oi, Oliver, já faz um tempo! Felicity. ― Ele automaticamente assumiu uma posição defensiva, me colocando para trás de si e forçando um sorriso educado. ― Então, Laurel estava me contando sobre como estava de saúde, e graças a Deus, está muito bem.
― Oi, Helena ― cumprimentou rapidamente, franzindo o cenho para o comentário que ninguém ali pareceu entender. ― Laurel, acho melhor irmos, está ficando tarde.
― E daí, amanhã ninguém aqui trabalha e as festas da sua irmã são conhecidas por ficarem bem melhores depois das três da manhã.
― É, Oliver, qual a pressa? ― Helena sorriu cínica. ― Você tem algum lugar para ir ainda hoje?
― Não sei do que está falando, Helena ― desconversou.
― Eu te disse, armando ― cochichei em suas costas.
― É, estou começando a concordar ― falou para mim.
― Então, Helena, a gente queria te falar... Quer ser madrinha do nosso casamento? Eu sei que eu devia ter chamado antes, mas você estava sempre tão sozinha, que achei que ficaria constrangida de ser a única ali solteira. Você ia fazer par com o Tommy, mas ele fez o favor de… ― Deixou a frase no ar e apertei as mãos em punho. Isso lá é coisa que se diga do irmão falecido do noivo na frente deste? Abri minha boca para falar algo, mas Oliver foi mais rápido.
― Fez o favor de morrer e desigualar seus lindos pares de padrinhos? Meu Deus, Laurel, isso lá é hora de ficar fazendo esse tipo de convite aos outros, e sem conversar comigo antes? ― Oliver perdeu de vez a calma com a noiva. ― Estou indo, se quiser ficar, fica. ― Laurel recuou, ele costumava ter bem mais paciência e não falava assim com ela, ainda mais na frente de tanta gente.
― Mas…
― Tchau. Vem, Felicity.
― Oliver espera aí um segundo. ― Helena ficou no caminho dele, o parando com a mão espalmada em seu peito. ― Você vai deixar que ela me convide para madrinha do seu casamento? ― Do nada a mulher estava com a voz chorosa e seus olhos se encheram de lágrimas.
― Como assim, Helena, você é minha amiga, o que tem te chamar?
― Oliver, ou você conta ou eu conto. Não é mais justo com ela, e pelo que vi, você também tem mentido para mim. ― Percebemos no mesmo momento que ela estava prestes a jogar toda a merda no ventilador, ali mesmo naquele lugar lotado.
― Você ficou maluca, garota? ― Oliver segurou o braço dela, a olhando significativamente para que parasse o que que quer que estivesse fazendo, mas Helena apenas se soltou dele, indo até Laurel e segurando suas mãos.
― Amiga, me desculpa, me desculpa. ― A esse ponto ela já chorava e por minha visão periférica vi que a cena não passava mais despercebida, ficando claro que Oliver tinha acabado de perder o controle da situação. ― Ele me falava que ia terminar com você, e você sabe como sou essa romântica, eu me apaixonei de verdade. Só que ele disse que você estava doente e que precisava estar lá por você, e só por isso não tinha acabado o casamento ainda. ― Laurel a olhava com horror e soltou as mãos dela com força.
― Do que Helena está falando, Oliver? ― Se virou para o noivo, o olhar cortante poderia matar qualquer um que entrasse no meio.
― Laurel, não é nada, vamos sair daqui.
― Já chega de mentiras, Oliver, eu vou contar, não é justo com ela. Aliás… ― A morena deu alguns passos para trás, tomando distância e abrindo os braços. ― Eu vou contar para todo mundo aqui!
― Helena, olha o que vai fazer... ― Oliver falou em tom de alerta, como se, nesse ponto, ainda houvesse algo a ser feito. Não havia.
― Eu e Oliver Queen tivemos um caso por mais de um ano. Ele me seduziu, me conquistou e me convenceu a trair minha amiga dizendo que íamos ficar juntos e só não terminava o noivado porque ela estava doente.
Deus, que mulher dissimulada! Contou a verdade permeada de mentiras apenas para sair como vítima da situação, coisa que nem de perto era.
― Como é que é? ― Laurel apertou tanto o copo que segurava que o objeto quebrou entre seus dedos. Que mulher forte, gente. ― Oliver, explica!
― Ollie, você tinha um caso com essa magrela? ― Não sei de onde me saiu uma MacKenna Hall, espumando de raiva. ― Você disse que eu era a única! Fora a noivinha, claro.
― Só se for a única do dia, ele estava saindo comigo também ― Quem falou dessa vez foi Susan Williams. ― Ele fez piada de todas nós, claramente.
Nesse ponto, o malfadado quinteto amoroso era a atração principal da festa, até o som tinha baixado gradualmente até os gritos das mulheres serem o único som ambiente. Oliver massageava as têmporas, mas nem toda sua lábia e capacidade de enrolação o livraria daquilo ileso.
― Eu não acredito, você disse que me amava! ― Helena chorava como uma viúva de guerra e cada lágrima só me provava que ela havia armado tudo aquilo, ou do contrário, como todas aquelas mulheres estariam naquela festa?
― Laurel, eu nunca disse isso a ela e posso explicar, mas vamos sair daqui.
― Oliver, não encosta em mim! ― Tirou as mãos dele de seus braços. ― Ou eu juro por Deus que quebro a sua cara! Babaca, traidor, mentiroso do caralho! ― gritou. ― Você achava bonito sair dormindo com tudo que é vadia estando de casamento marcado comigo? Eu tenho cara de idiota pra você?
― Laurel, não é isso, por favor.
― É exatamente isso, e quer saber? ― MacKenna se aproximou dele. ― Foi divertido, mas que bom que me livrei de você.
A multidão soltou um arfar coletivo quando a policial o encharcou com sua bebida, em um lançamento digno de uma bela telenovela mexicana.
― Nunca mais me procura! ― Susan ordenou, e lhe deu um tapa, que ecoou pelo lugar, todo mundo ao redor fazendo uma careta. Aquilo com certeza doeu.
― Laurel? ― chamou pela advogada, que balançava a cabeça para os lados, como se ainda não acreditasse no que estava acontecendo.
― Oliver, eu não sei qual o seu tipo de relação com essas mulheres, e porque tinha tão pouco respeito por mim e por nosso relacionamento, mas não importa mais. ― Os olhos a mulher se encheram de lágrimas, que ao contrário das da Helena, essas eram de verdade. É, eu estava errada, Laurel talvez amasse Oliver, mas depois dessa, não sei como eles ficariam. ― Eu te odeio tanto, Oliver Queen!
E diferente das outras, a advogada não veio com tapinhas ou bebidas, a mulher lhe deu uma joelhada no meio das pernas o desequilibrando, então fechou a mão em punho e deu um cruzado de direita direto no olho dele, que não esperava por isso e acabou indo direto para o chão, com uma cara de dor.
― O que está rolando? ― Thea chegou até onde eu estava, olhando para a cena sem entender nada.
― Vai pro inferno e morra por lá, imbecil! ― Laurel falou e saiu.
― Eu falei que a noite seria interessante. ― Helena falou apenas para mim, que assistia tudo de camarote, um sorriso maléfico nos lábios.
Ela foi até Oliver e se abaixou no chão perto dele e quando todo mundo esperou mais um tapa ou uma segunda joelhada, ela segurou seu queixo e lhe deu um beijo na boca, marcando os lábios dele com seu batom vermelho, se erguendo em seguida e indo embora.
― Felicity do céu, o que aconteceu aqui? ― Thea veio até mim, nós duas observando ele ficar em pé, debaixo dos milhares de flashs de câmeras que haviam começado junto com a confusão.
― Acho que seu pedido de aniversário se realizou, Thea.
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