Breathless
4 O Teste.
Notas iniciais
Acordei as cinco da manhã alarmada. Era como se eu lembrasse num sonho de que precisava de roupas para a batalha, roupas que não incomodassem na hora da luta, embora eu não quisesse que chegasse a esse ponto, estava com medo. Meus olhos lacrimejando só com a possibilidade de ter que lutar contra Kakashi, tipo, eu estava com medo de ter que ficar perto dele de novo, imagine de lutar contra ele. Fiquei até as sete horas acordada pensando no que fazer, estava até na cozinha fazendo um chá para pensar melhor. De repente surgiu a idéia na minha cabeça: Ino! Talvez ela pudesse me emprestar algo.
Mas não sei se devo perguntar. Quer dizer, nos falamos pela primeira vez ontem, realmente, talvez seja pedir demais. Mas afinal, quem era mais assustador, ela ou meu novo sensei? Claro pedir para Ino. Eu tinha que tentar, mas vou precisar de mais alguns segundos a mais de coragem. Então fiquei andando igual uma tonta pela casa e tomando chá. Sinceramente não me preocupei com o horário, eu nem mesmo queria ir, e por causa de ontem, algo me dizia que ele iria se atrasar. Mas como eu precisava de uma desculpa para ir até Ino, fui para o quarto de mamãe andando na ponta dos pés. Quando entrei, tive vontade de voltar. Mamãe estava deitada de costas para mim, tudo naquele quarto conspirava para o meu pavor. O barulho de passos contra o chão de madeira, a fraca brisa que vinha da janela aberta balançando fracamente as cortinas, além dos quadros e crucifixos nas paredes. Tentei não olhar para essas coisas e toquei levemente seu ombro para acordar-lá, mas sem efeito. Fui tocar de novo quando sua voz acelerou meu coração me paralisando ali.
— O que você quer Emi? — ela dizia como quem já estava acordada à tempo. Engoli seco.
— M-mamãe, e-eu tenho que ir para o campo de treinamento agora — disse fechando os olhos e me preparando para sua resposta.
— Vá — ela disse simplesmente. Fiquei confusa e temerosa. Desde quando mamãe me deixa sair de casa tão cedo? Sem dizer nada? Sem nenhum oposição? Algo estava terrivelmente errado. Virei-me e praticamente corri para a porta. Meu medo falava mais alto e dizia que eu devia ir logo.
Comi um sanduíche que já tinha preparado antes, vesti o mesmo casaco de ontem e sai as pressas de casa. O que eu sabia de Ino era que sua casa ficava ao lado da floricultura da família, acho que devia ser a única da vila. O ar frio da manhã de Konoha fazia com que eu abraçasse meu corpo, desejando poder voltar para cama. Depois de uns dez minutos de corrida, cheguei em frente à floricultura. As flores brilhantes e coloridas que enfeitavam a fachada da loja eram lindas, sem falar no ótimo perfume. Andei até a sua porta e bati fracamente, ao mesmo tempo em que queria que ela atendesse logo, também desejava não ter acordado ninguém. Então ouvi o ruído da maçaneta e paralisei.
— Emi? — disse Ino sonolenta. Estava de pijama, me senti muito culpada por acorda-la a essa hora da manhã.
— Ino, me perdoe mesmo por acorda-la, mas preciso da sua ajuda — falei rapidamente na esperança de que ela tivesse entendido.
— Claro. Entre — fiquei totalmente surpresa e entrei. Sua casa era aconchegante, achei bonita.
— Obrigada. E-eu queria saber se você não podia emprestar algumas roupas? — Ino ficou confusa — É que eu não tenho roupas apropriadas para lutar e temos um teste do nosso novo sensei hoje.
Ino sorriu.
— Há! Essa é a minha especialidade, depois de flores, claro. Vem comigo — ela me puxou pelo braço para o segundo andar. Perguntei à ela se estava sozinha em casa já que estava tudo deserto. Ela disse que seus pais estavam dormindo, e que tinham um sono muito pesado, eu ri quando ela destacou essa parte.
Ela abriu a primeira porta do corredor revelando seu quarto. Era um pouco menor que o meu, mas bem mais enfeitado e criativo, tinham alguns desenhos infantis colados nas paredes, deduzi que ela os desenhou quando criança e não quis mais tirar. Eles ficaram fofinhos. Me virei a vendo revirando seu guarda-roupa.
— Já vi que você não gosta de roupas curtas ou reveladoras né? — concordei — Bom, eu tenho essa saia, minha mãe comprou para mim mas eu não gostei muito — ela disse ainda de costas jogando a saia vermelha em cima da cama — Ah! E essa blusa, adoro! — jogou dessa vez uma blusa branca — E caso não goste da saia, pode usar isso por baixo — dessa vez ela se virou segurando uma leggin preta.
Peguei todas as roupas.
— Obrigada Ino — eu disse. Ela sorriu.
— De nada, agora vá provar! O banheiro é ali — ela disse gesticulando. Eu ri de sua animação e fui para a porta designada. Fiquei encantada com seu banheiro: as paredes eram lilás e tinha peixinhos super fofos desenhados no box. Vesti rapidamente a roupa, peguei a bandana que ainda estava no bolso do casaco e o dobrei junto com as roupas antigas. Quando terminei, me olhei no espelho avaliando. A saia era de cintura alta e tinha uma pequena fenda nas laterais, a parte da frente ia até os joelhos e a de trás era um pouco mais longa e ia até abaixo. A legging ia até debaixo do joelho e a blusa, que eu tinha posto por dentro da saia, tinha mangas compridas e botões na frente. Calcei as minhas sandálias ninja por último. Eu havia achado a blusa um pouco reveladora demais, quer dizer, por causa do caso dos seios. Não que tivesse ficado muito marcada, ela até era larga, só que ficava um pouquinho. Mas decidi que não ia ficar dando trabalho para Ino e ir com essa mesmo. Prendi o cabelo em um coque desajeitado deixando algumas mechas soltas, eu realmente não era boa no quesito penteados. Sai do banheiro com as roupas antigas na mão e fui novamente para o quarto de Ino. Ela estava revirando uma gaveta da escrivaninha.
— Terminei — falei chamando sua atenção. Ela se virou e sorriu.
— Nossa! Eu deveria virar estilista, ficou ótimo! — ela disse pondo as mãos na cintura em uma pose orgulhosa — Tem certeza que não quer uma regata ou blusa de alça?
— Não, obrigada. Eu já achei que essa aqui ficou um pouco marcada — eu digo pondo as roupas dobradas em cima da cama. Poderia pega-las aqui na volta.
— Ah mais se eu tivesse esses peitões, eu vestia! — senti meu rosto esquentar.
— I-Ino!
Ela gargalhou virando-se com um vidrinho na mão.
— Aqui! Só falta isso! — ela disse borrifando um perfume forte e ousado em mim — Pronto! Agora sim voce pode ir.
Eu podia sentir o perfume em mim. Era indescritível, um pouco doce, mas não tanto. Mais ousado mesmo.
— Ino, acho que esse perfume é muito ousado para mim — falei. Ela estalou a língua.
— Não é nada! — ela me entregou uma bolsinha de kunais e shuriken de colocar na perna — Aí tem kunais, shurikens e papéis bomba.
Agradeci colocando na perna, a saia a escondia. Olhei para um relógio que ficava ao lado da cabeceira de sua cama, eram 8 horas.
— Ino eu tenho que ir! — falei já correndo para a escada.
— Boa sorte. Pode deixar que eu guardo as suas roupas! — ouvi sua voz fraca devido ao fato de que eu já estava na sala.
— Obrigada! — exclamei sem ter certeza de que ela ouviu. Corri para fora de sua casa.
Durante o caminho, me lembrei que ainda estava com a bandana na mão e a coloquei na bolsa de armas. Ainda não tinha decidido aonde devia usar aquilo, mas tarde eu decidiria, eu sei que estava procrastinando, mas não me importei. Eu devo ter corrido por uns dez metros até que cansei, já estava cansada antes de chegar na casa de Ino. Não posso dizer que não fiquei surpresa quando ela me ajudou, eu nunca consegui ficar com raiva de Ino mesmo quando ela me xingava na academia, eu até achava ela legal por mais estranho que isso pareça. Por que ela sempre foi livre, extrovertida, popular, bonita e tinha vários amigos. O mesmo era Sakura, elas eram legais, tirando essa obsessão por Sasuke. Fiquei pensando que se Ino havia virado minha amiga quando soube que eu não gostava dele, talvez Sakura também entendesse. O problema é que ela era bem mais irritada que Ino.
Interrompi meus pensamentos quando avistei Naruto, Sakura e Sasuke esperando na área de treinamento. Aumentei o passo, já sentia meu coração palpitando, o medo da reação deles. Me senti culpada por chegar atrasada, éramos uma equipe e deveríamos sempre estar enfrentando as coisas juntos. Mas se tratando dos outros membros, era mais complicado do que parece.
— ESTA ATRASADA! — ouvi o grito de Sakura e estremeci. Agora sim o dia começa.
— D-desculpe, tive problemas pelo caminho — evitei olha-los porque tinha certeza que meu rosto estava vermelho.
— Ah! Pelo menos não está mais atrasada que o Kakashi-sensei! Onde ele está?! — Naruto reclamou. Estava sentado no chão fazendo careta. Eu quase ri.
Eu sentia meu coração martelando o peito. Sentei no chão, só quando foquei em mim mesma, eu notei que o cansaço era maior do que eu achava. Minhas pernas doíam e minha respiração estava ofegante, tomara que o teste não seja tão difícil. Os minutos foram passando, e o sol esquentando. Tanto que resolvi me sentar em baixo de uma árvore. Eu não sei quantas horas ficamos ali, mergulhados em profunda agonia. No caso dos outros, também era frustração. Eu já estava me sentindo sonolenta, ainda havia acordado às cinco da manhã. Eu e os outros, por que Kakashi nos chamava tão cedo se ia se atrasar. Será que ele faz isso de propósito?
— Bom dia! — gelei ao ouvir aquela voz do alto da árvore na qual estava sentada. Instintivamente, levantei num pulo me afastando da árvore. Ele estava em pé em um galho.
— ESTA ATRASADO! — Naruto e Sakura gritaram juntos quase estourando nossos tímpanos.
— Desculpe o atraso, um gato preto cruzou o meu caminho e tive que tomar o outro mais longo — suspirei quase rindo. Que tipo de desculpe era aquela?
Naruto fez careta não acreditando. Kakashi pulou da árvore indo até onde tinha uns troncos cortados e pôs um despertador em cima de um deles. Desviei o olhar quando ele se virou para nós.
— O despertador está configurado para o meio dia. Vocês terão até lá para tentar tomar esses sinos de mim, — levantei a cabeça vendo os três sinos que estavam amarrados em um laço vermelho — Se não conseguirem pega-los vão ficar sem almoço, amarrados naqueles troncos, enquanto me vêem almoçando na sua frente.
Não acredito! Esqueci de não comer! Mas era por isso que ele disse para não tomar café. Sorri, surpresa e aliviada. Meu Deus, que jogada de sorte!
— Parece que alguém desobedeceu minhas ordens, não é mesmo Arai? — desviei o olhar sentindo minhas bochechas queimarem — Enfim, vocês podem usar suas armas ninjas incluindo kunai e shuriken. Se não estiverem prontos para me matar, não conseguirão pegar os sinos.
M-matar? Realmente, nós estamos encrencados. Nunca vamos conseguir vencer um Jounnin, seria necessário um batalhão para isso. Espera! Um batalhão é composto de vários ninjas, vários, é isso! Se tentarmos derrota-lo juntos teremos uma chance. Mesmo que seja uma chance mínima, ainda vale a pena tentar.
— Mas sensei! Essas coisas são perigosas! — exclamou Sakura, que assim como eu, deve estar apavorada.
— Ainda mais pra quem não consegue se desviar de um apagador — disse Naruto com um sorriso zombeteiro. Naruto! Não provoque esse cara!
— Aqueles com as piores notas são os que mais reclamam. Ignorem o palhaço — o tiro saiu pela culatra apagando o sorriso do outro.
Vi a raiva tomar a face de Naruto.
— Eu vou acabar com você! — exclamou correndo para ele com uma kunai na mão. Meu coração disparou, me paralisando. Mal consigo descrever o que aconteceu, Naruto havia ido o enfrentar e só consegui arfar quando Kakashi estava segurando sua própria kunai contra seu pescoço.
— Não seja tão apressado, eu nem disse comecem ainda. Mas você você veio a mim com a intenção de me matar. Acho que estou começando a gostar de vocês — ele largou Naruto — Comecem!
Um ninja precisa saber se esconder. Peguei impulso e pulei o mais alto que pude, girei o corpo no ar para aterrisar no galho da árvore mais próxima dali. Já na árvore, fiquei na ponta do galho, sei que seria fácil me achar ali, mas por algum motivo, Naruto não havia se escondido. Me preocupei, o que ele estava pensando?! Tenho que ficar alerta para ajudar-lo se for preciso. Mas espera! Também preciso tentar faze-los trabalhar em equipe.
Acho melhor tentar com o Naruto primeiro, ele era mais mente aberta.
— Ei! Você e eu agora, uma batalha justa! — Naruto disse para Kakashi. Oh meu Kami, proteja o Naruto!
— Sabe, em comparação aos outros, você é meio estranho — Kakashi disse indiferente. Naruto parecia ter se irritado.
— A única coisa estranha aqui é o seu corte de cabelo! — ele gritou correndo em disparada para a luta. Mas parou bruscamente ao ver Kakashi tirar algo da bolsa de armas.
— Técnica ninja número um: Taijutsu. Acho que vou te ensinar isso primeiro — ele disse. Espera! Taijutsu é não é luta corporal? Por que ele está com….. um livro? É. É isso, ele tirou um livro de capa laranja. Meu Deus. .… ele lê Jardim dos amassos? É um pervertido! — O que foi? Você não ia me atacar?
— É, m-mas por que você está com esse livro? — Naruto perguntou confuso.
— Por que? Para saber o que acontece na história. Mas não se preocupe, com seus ataques fracos não faz diferença se estou lendo ou não — Wow! Agora ele realmente irritou o Naruto. Esse recomeçou a corrida gritando como um louco.
Era incrível. Naruto atacava Kakashi e o mesmo desviava enquanto lia. Então Naruto tentou dar um soco, mas Kakashi desviou e por uma fração de segundos ele desapareceu e reapareceu atrás de Naruto. Meu coração estava quase saindo pela boca, Kakashi fazia o sinal de tigre com as mãos! Aquele sinal era perigoso, poderia acabar com Naruto.
— Nunca deixe seu inimigo ficar atrás de você — ele disse. Não! Pulei da árvore.
— Naruto!
Corri até ele numa velocidade desumana. Tudo à minha volta era um borrão e o vento batia violentamente em meu rosto, eu quase não conseguia sentir minhas pernas. Atropelei o loiro fortemente nos tirando de perto do Kakashi, sentia uma dor enorme no ombro onde havia chocado com Naruto.
Caímos batendo com força no chão, chegando a rolar. Senti uma forte dor por todo o meu corpo. Tentei normalizar a respiração, aquela corrida pareceu ter tirado todo o ar de dentro dos meus pulmões. Olhei para Naruto caído perto de mim, me olhando chocado.
— E-Emi! — disse também ofegante — O-obrigado.
O olhei derrotada. Naruto como pode ser tão bobo? Me ajoelhei.
— N-Naruto, aquele ninja é um Jounin! Precisa ficar alerta! — falei com a respiração um pouco mais calma.
Aquele sinal. ….ele ia mesmo acabar com Naruto. Olhei ao redor. Kakashi havia desaparecido — Temos que tomar cuidado, ele po…….
— Um sino! — Naruto gritou ao ver o sino caído perto de uma árvore. Uma armadilha.
— Naruto não! — mas já era tarde demais. Assim que ele tocou o sino, uma corda se enrolou em seu pé o erguendo, deixando Naruto de cabeça para baixo. Suspirei. Quando ia me levantar para ajuda-lo, Kakashi apareceu na sua frente. Paralisei.
— Um ninja deve pensar mais do que o normal — ele disse o fazendo rosnar, depois se virou para mim. Oh Deus! Arfei.
Ele andou em minha direção até estar perto. Estou acabada! Pensa! Pensa! Pensa!
Peguei uma kunai da bolsa e joguei em sua direção, mas ele a pegou com a mão. Ele deu mais um passo.
— Então você é a filha de Isao não é? Vamos ver se é tão forte quanto ele.
Okay, eu sei que não era hora, mas meu rosto parecia estar em brasas. Eu conseguia ouvir meu coração e o sangue bombeando, queria me mexer, mas não conseguia, meu corpo não obedecia. Era como se eu não conseguisse mais sentir meu corpo.
— EMII! MEXA-SE OU ELE VAI ACABAR COM VOCÊ! — Ouvi Naruto gritar. Eu não consigo!
De repente, uma enxurrada de shurikens acertaram Kakashi em cheio. Não! Meu Kami…. só poderia ser….
— OQUEEE?! SASUKE! FICOU DOIDO?! VOCÊ FOI LONGE DEMAIS! — Naruto gritou.
Então seu corpo foi substituído por um tronco. Jutsu de Substituição! Ufa!… oque? Emi! Foco! Não é hora para isso! Kakashi é um inimigo nesse teste! Me levantei e corri até Naruto, peguei a kunai que lancei em Kakashi, que estava caída no chão e cortei a corda que o pendurava. Naruto caiu de cabeça no chão.
— Desculpe. Escute Naruto, acho que temos que trabalhar juntos para conseguir os sinos — falei. Ele me olhou meio culpado.
— Foi mal Emi, mas eu tenho que fazer isso sozinho se quiser ser Hokage! — ele disse e correu para a floresta. Tudo bem, talvez ele não seja tão mente aberta assim.
Escutei um grito de pavor vindo da floresta. Sakura! Ela deve estar com problemas. Corri para a floresta o mais rápido que pude, minhas pernas ainda estavam meio dormentes, isso me lembrou Kakashi. Será que ele estava bem? Quer dizer, a substituição nem sempre dá certo, e o Sasuke foi rápido. Mas. ..é, não devo me preocupar com isso. A prioridade agora era. … Sakura!
Ela estava caída no chão, murmurava o nome do Sasuke. Kakashi deve ter lançado um genjutsu nela. Cruel. Me ajoelhei perto dela e sacudi seus ombros.
— Sakura, acorde — ela se sentou ainda meio tonta. De repente, começou a chorar e apontar para as árvores.
— Sasuke!
— Sakura! Hey! Olha pra mim, não é o Sasuke! É só um genjutsu — falei segurando seus ombros. Ela pareceu se acalmar — Sakura, temos que atacar o Kakashi-sensei juntos, toda a equipe. Acho que a resposta do teste é trabalho em equipe.
Ela me olhou com desprezo e me empurrou se levantando.
— Nem pensar sua estranha! Eu vou achar o Sasuke e nós dois vamos trabalhar juntos! — ela disse e saiu andando e chamando pelo Sasuke. Não aguento mais!
Me sentei enterrando a cabeça nos joelhos, meus olhos estavam lacrimejando. Sentia um sufoco no peito. Se não conseguirmos, todos voltaremos para a academia. O que mamãe faria comigo? Todos esses anos, se esforçando, estudando e dando tudo de mim para me tornar uma grande Kunoichi, agora tudo estava por um fio. Senti as bochechas molhadas. A equipe, eu não.….
— Não é muito apropriado chorar no meio de um teste — meu coração disparou. Essa não!
Me levantei rapidamente antes que ficasse paralisada de novo. Ele estava à alguns passos de mim. Calculei quanto tempo eu levaria para fugir.
— D-desculpe — disse sem o olhar. Me virei para a floresta, estava pronta para correr quando ouvi sua voz novamente:
— Sabe, você não vai passar se não pegar os sinos.
Parei.
— Eu sei. Mas não posso fazer isso sem a minha equipe.
Corri pegando impulso e pulei num galho de árvore. Fui pulando de galho em galho, me senti livre. Continuei assim por alguns minutos até que ouvi murmúrios e aterrisei. A meu Deus! Outra cena cômica: Sasuke estava enterrado no chão com apenas a cabeça para fora.
Tive uma vontade enorme de rir, mas me segurei. Andei até estar de frente para ele.
— Sasuke! O que houve? — eu digo o assustando.
— Ah! Voce…
— Vou te tirar daí! — falei. Eu não sabia o que fazer, teria que tentar um único jutsu que vi minha mãe fazer na vida. Fiz os sinais corretos — Sasuke, desculpe mas vai doer um pouquinho. — bati as mãos na terra fazendo-a ir explodindo até chegar em Sasuke e abrir uma cratera enorme. Ouvi seu grito de dor, provavelmente foi atingido pela explosão. Corri até ele o ajudando a levantar.
— Sasuke, temos que juntar a equipe e trabalhar juntos. Só assim venceremos o sensei.
— Não. Você só vai me atrapalhar! — ele disse passando por mim. Kami! Eu tinha que tentar!
— Sasuke espe.. — puxei seu braço mas ele me empurrou fortemente me fazendo desequilibrar e cair. Senti as lágrimas voltando, mas olhei para o outro lado, ele não precisa ver isso.
— Por que acha que pode nos liderar? O que vai fazer? Tentar usar esse jutsu inútil contra um jounin? Você não é nada! Sempre foi e sempre será uma fracassada — ele disse friamente e foi embora. Agora está tudo acabado. Sorri sentindo as lágrimas escorrerem, pelo menos eu tentei. Talvez isso conte, ou não, não importa. Ele tem razão, sou só uma fracassada inútil. Nunca serei capaz de nada nessa vida.
Ouvi o soar do alarme, mas não me levantei. Estava reprovada mesmo, que diferença faria. Meu pai deveria estar me olhando lá de cima, envergonhado. Senti uma mão no meu ombro me levantei rapidamente. Era o Kakashi, de novo. Estava tão triste que nem me surpreendi.
— O teste acabou Emi, hora de voltar — ele disse calmamente se virando para ir, talvez esperasse que eu o siga.
— Pra que? — minha voz estava fraca, mas não me importei — Falhamos.
— Falharam é? — ele se virou para mim.
— S-sim. Não conseguimos pegar o sino. E-eu falhei, se tivesse con… se eu tivesse conseguido convence-los, teríamos passado. É minha culpa — falei sentindo as lágrimas voltarem. Kakashi suspirou. Parecia frustrado. Ele andou até mim.
— Não deve se sentir responsável por isso Emi. Se não quiseram ouvir, o problema é deles. Você tentou, ja é uma grande coisa — dessa vez eu senti a ardência nas bochechas. Desviei o olhar.
— O-obrigada, Kakashi-sensei — falei tão rápido que temia que ele não tenha entendido. No entanto, ele deu mais um passo ficando extremamente perto de mim. Eu iria acabar tendo um ataque cardíaco daquele jeito. Kakashi se curvou um pouco e foi aproximando seu rosto do meu, Senhor! Ele não iria. … iria? Ele se aproximou mais ficando quase encostando em meu pescoço. Senti calafrios na pele, estava totalmente paralisada. O que esse homem está fazendo, meu Kami?
— Perfume ousado demais para uma menina — arfei. Ele se afastou e se virou andando para a área de treinamento. Assim que sumiu de vista, eu soltei o ar. Meu cérebro pensando em mil coisas ao mesmo tempo. Mas, a mais importante era:
Eu gostava dele?
Talvez. Meu Deus, eu não posso. Ele deve, sei lá, ter uns 25 anos de idade e eu vou fazer 15 mês que vem. E esse não é o menor dos outros milhares de problemas nisso. Balancei minha cabeça me livrando desses pensamentos e andei até a área de treinamento. Respirei fundo várias vezes e enxuguei o rosto, não queria que soubessem que eu estou mal, afinal eu ainda tenho que tentar não ser um estorvo.
Chegando lá, vi Naruto amarrado no tronco do meio, provavelmente deve ter tentado roubar a comida. Sakura e Sasuke estavam sentado dos lados dele. Eles me viram chegar. Me sentei no lado direito, o mais longe possível de Sasuke, mesmo que não demonstrasse, ainda estava magoada. O estômago de Naruto estava roncando.
— Estômagos roncando hein? Isso é mal. A propósito, sobre esse teste, decidi que não vou mandar nenhum de vocês de volta para a academia — O que? Algo estava errado. Nenhum de nós pegou os sinos.
— O que? Isso quer dizer que nós quatro .. — Naruto disse feliz.
— É, isso quer dizer que vocês quatro estão fora. Excluídos permanentemente! — Kakashi disse. Senti aquela angústia de novo. Eu sabia, claro que reprovamos. Porém permanentemente. Acho que já era demais.
— OQUEEE? MAS… — Naruto gritou.
— Vocês não pensam como ninjas! São apenas moleques mimados — Kakashi acusou friamente. Sasuke correu até ele com uma kunai na mão, mas Kakashi de algum jeito, o derrubou sentando-se em cima dele e pisando em sua cabeça. O que deu em todo mundo hoje? Por que resolveram atacar logo o Kakashi?
— SOLTE-O! VOCÊ NÃO PODE PISAR NELE! — Sakura gritou.
— Vocês desonram os ninjas. Por que acham que foram colocados em grupos?
— Como assim? — Naruto perguntou.
— Sobre isso. .. eu pensei. . — Sakura disse um pouco incerta.
— Você não pensa em nada. Não entende o porque de formarem um grupo? — sem resposta — Emi, por que não diz à eles?
— EMI?! — Sakura gritou surpresa e indignada. Senti meu rosto ficar vermelho.
— É-éra o…. trabalho em equipe? — falei baixo. Nem eu sabia se aquilo era uma afirmação ou pergunta. Tenho que parar com essa mania.
— Trabalho em equipe? Ajudar os outros? — Sakura perguntou.
— Exato. Se os três tivessem concordado com ela e me atacado juntos, conseguiriam os sinos. Agora já era.
— Mas espere! Só tinham três sinos! Mesmo se tivéssemos trabalhado juntos, um iria voltar para a academia! — Sakura tentou argumentar.
— A ideia era colocar um contra o outro. Nesse caso, eu queria ver quem iria se sacrificar pelos outros. Acho que sei a resposta. — ele disse me olhando — Sakura, você só quis saber do Sasuke. Mesmo quando Emi te tirou do genjutsu, você a rejeitou para correr atrás dele. Naruto, você negou porque queria fazer tudo por conta própria, e você Sasuke, achou que todos os outros iriam ficar no seu caminho e lhe atrapalhar. A insultou, mesmo depois daquele “jutsu inútil” ter te tirado da terra. Arrogante. Missões são feitas em equipe, claro que a força de um ninja é importante, mas o trabalho em equipe é essencial. O egoísmo acaba com a equipe e pode até trazer a morte de seus colegas, por exemplo — engoli seco quando ele colocou uma kunai no pescoço de Sasuke — Sakura! Mate o Naruto e a Emi agora ou o Sasuke morre.
O que? Ele ficou maluco?!
— É isso que acontece. — ele disse saindo de cima de Sasuke. E então foi em direção à pedra memorial, sorri fracamente. Papai estava ali — Olhem isso. Todos os ninjas na qual o nome está nessa pedra foram heróis.
— É isso! Eu vou ter meu nome escrito nessa pedra também! Vou ser herói! — Naruto gritou. Não, Naruto não pode ter o nome escrito ali, nunca.
— Eles são um tipo diferente de herói — Kakashi disse sem nos olhar. Me senti mal, do jeito que estava ele, provavelmente tinha algum parente ali.
— Diferente?
— É Naruto. Eles foram mortos em ação — Sakura disse tristemente. Naruto ficou chocado.
— Pois é, o nome dos meus amigos mais próximos estão aqui.
Aquela pedra. Só de estar perto dela me dava angústia. Eu queria poder te conhecido papai, mas ele se foi.
— O nome do meu pai esta ali — sussurrei inconscientemente, era como se eu estivesse numa hipnose. Só olhando para o memorial, como se o meu pai estivesse ali, em pé sorrindo para mim.
— Emi. …. — ouvi Naruto dizer fracamente e sai do transe.
— Estou bem — eu sorri para ele ignorando o olhar dos outros sobre mim.
— Tudo bem. Eu vou dar uma segunda chance à vocês, terão duas horas para tentar pegar os sinos depois do almoço, mas dessa vez eu vou pegar pesado. Mas não deem nada ao Naruto, é punição por ele ter tentado roubar a comida — eu sabia. Tinha que ser o Naruto — Se algum de vocês tentar alimenta-lo, será reprovado. Eu faço as regras aqui, entenderam? — e sumiu numa nuvem de fumaça. Eu até ja estava começando a me acostumar com isso.
Pegamos os bentos que estavam ali e começamos a comer, bem, eu não. Fiquei observando o Naruto, ele tentando ao máximo não demonstrar que estava morrendo de fome, mas os roncos de seu estômago o entregava. Olhei para minha comida. Mesmo que fosse errado, ainda era o certo.
— AH! EU NÃO TÔ NEM AÍ! EU POSSO FICAR UMA SEMANA SEM COMER MESMO! — Naruto gritou. Sorri, não existia ninguém mais persistente que esse menino. Me levantei a andei até ele.
— Aqui Naruto, diga ah — falei rindo da sua expressão de surpresa.
— Emi! Você vai ser reprovada! — Sakura exclamou.
— M-mas.… Emi, você não pode..
— Tudo bem Naruto, os amigos são mais importantes! — falei sorrindo. Naruto estava com lágrimas nos olhos ou era impressão minha?
— Emi, me desculpe por negar o trabalho em equipe — ele disse de cabeça baixa. Peguei o sushi com os hashis e aproximei de sua boca.
— Tudo bem, você não sabia, agora abra a boca — disse colocando o sushi em sua boca. Esperei que terminasse de mastigar e lhe dei um pouco de arroz. Me surpreendi quando Sasuke empurrou seu bento para o nosso lado.
— Sasuke! — Naruto disse surpresa.
— Sasuke-kun você também. .. — Sakura falou aborrecida.
— Eu não sinto o Chakra dele por perto. Se o Naruto não comer, não vai conseguir nos ajudar depois — ele disse sem nos olhar.
— Obrigado!
Sakura deu um gemido e estendeu seu bento para Naruto.
— Sakura. . — ri de Naruto que estava sem fala.
Sasuke suspirou.
— Rápido! Ele pode voltar a qualquer momento — ele apressou. Dei mais um sushi para Naruto. Sinceramente, eu queria que ele mastigasse mais rápido. Kakashi realmente poderia voltar a qualquer instante e ainda tinham mais dois bentos. No entanto, quando eu ia pegar outro sushi, ouvi o típico barulho do teletransporte. Paralisei, deixando cair o bento que tinha em mãos. Olhei para Naruto que estava apavorado.
— E-ele está bem atrás de mim não é? — perguntei. Naruto assentiu freneticamente. Me virei.
— Vocês! — ele exclamou — Quebraam as regras, espero que estejam prontos para a punição. — ele disse fazendo vários sinais rapidamente, de repente várias nuvens carregadas e trovões apareceram no céu. Fechei os olhos. Eu odeio trovões! Eu odeio trovões! — Últimas palavras? — ouvi Kakashi dizer.
— Mas…mas você disse! — Naruto tentou. Abri os olhos tentando não olhar para cima.
— Sim?
— Nós somos um time! — disse Sasuke entrando na minha frente. O que? Ele fez isso mesmo?
— É! Nós quatro somos um! — falou Sakura.
— Vocês são um? Essa é a sua desculpa? — Kakashi disse se aproximando. Sasuke pareceu se preparar para o ataque — Vocês passaram.
Espera aí! QUE?! Não. .. O QUE?
— O QUE? — todos gritamos juntos. Então o céu voltou ao normal como se nada tivesse acontecido.
— Vocês são os primeiros. Os outros eram todos idiotas que só faziam o que eu mandava — Ué? Mas não é isso que temos que fazer? — Um ninja deve desvendar o que está por trás. Em nosso mundo, aqueles que não seguem as regras são chamados de escória, mas aqueles que abandonam seus companheiros são piores do que a escória. — Tudo o que consegui fazer foi franzir o cenho. Estava confusa, Kakashi era, sei lá, bipolar? — Parabéns à todos. O time 7 começa sua primeira missão amanhã! — ele terminou fazendo sinal positivo.
Todo o ar daquele lugar parecia ter sumido. Oh meu Deus! Nós passamos! Somos Genins! Eu não consegui conter o sorriso.
— Sabe? Ele é bem legal! — Naruto disse chorando. Gente! Que cena fofa!
Ah por falar em Naruto, ele continuava amarrado. Peguei uma kunai e cortei as cordas
— Ah obrigado Emi! Nossa somos ninjas! Vamos ao Ichiraku comemorar, tô certo! — ele disse fazendo os outros rirem. Menos Sasuke que apenas deu um sorriso mínimo. Ah no fundo, eu sei que ele gosta do Naruto!
Olhei em volta notando que o lindo crepúsculo que já se encontrava no céu. Mal notei que os outros já seguiam em frente, queria poder ir com eles, ser como eles.
— Hey! Emi! O que está fazendo parada aí? Vamos! — Naruto gritou ao notar que eu não estava com eles. Todos os outros pararam e se viraram me olhando. Dei um sorriso triste para Naruto.
— Desculpe Naruto, eu não vou.
Ele fez uma careta indicando que estava confuso.
— Vamos lá! Comer ramén! O Kakashi-sensei paga! — ele quase gritou fazendo Kakashi o olhar estranho. Sorri balançando a cabeça negativamente — T-tudo bem então. Nos vemos amanhã! — ele disse meio decepcionado, mas voltou a andar. Apenas Kakashi ficou parado por alguns segundos ali, me olhando. Senti minhas bochechas ficarem vermelhas. Então ele deu um sorriso de olhos fechados e acenou indo embora.
Suspirei. Ok, prometi a mim mesma que essa seria a última vez que eu suspiro hoje.
Me virei e caminhei até a pedra memorial. Ah papai, será que o senhor está orgulhoso de mim? Peguei a bandana da bolsa e a apertei.
— Eu consegui papai, eu me tornei uma ninja, e farei de tudo para que se orgulhe. — disse amarrando a bandana na testa, por baixo da franja — Eu prometo.
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