Breathless
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Jake pediu uma porção de fritas e cocas para nós. Já que podíamos levar tudo para a areia, levamos as coisas para onde ficamos de manhã. Rose e Derek ficaram no bar.
– Jake? – perguntei – Posso fazer uma observação?
– Claro – respondeu o menino – Por que não?
– Eu quase não te conheço – falei – e nem você me conhece. Por que me beijou?
Jake suspirou, pensando em uma resposta.
– Não sei – afirmou ele – Você é bonita, me parece legal, surfa, eu não sei.
– São razões meio fracas, não acha? – perguntei – Mas bem, acho que podemos resolver isso.
Jake me olhou, arqueando uma das sobrancelhas.
– Eu digo uma frase. Que tenha lógica e que possa ser verdade. Sobre mim, é claro. Você adivinha se é mentira ou não. E você também diz as frases. – expliquei – Você começa.
– Eu moro sozinho – formulou Jake.
– Falso – adivinhei; ele era muito... eu não sei o que... para morar sozinho.
– É verdadeiro, na verdade – disse ele – Bem, eu moro com Rose, mas é isso. Meus pais morreram no ano passado.
Fiquei sem palavras, então disse a primeira coisa que me veio à mente.
– Meus pêsames. Deve ter sido difícil. Eu quase nunca vejo os meus... – afirmei com a voz rouca – Bem, eu preferia não vê-los, na verdade...
– Isso é com certeza falso – retrucou Jake. – Você ama seus pais.
– Sim, eu os amo. Mas não me sinto bem com eles – expus. – Por causa do dinheiro e da tradição da família, eles me excluem de certa forma. Eles me sustentam, é claro. Tenho 17, é a obrigação deles. Mas... Bem, eu sou terrível na escola. Tipo uma ovelha negra na família. Derek é brilhante.
– Meu pai era o dono da maior rede de pranchas da cidade. E de mais algumas outras cidades. – alegou ele – Rose é... Como eu, acho. Somos medianos, mas sabe... Passamos mais tempo com uma prancha do que com um caderno.
– Nunca comi McDonalds – voltei à brincadeira.
– Isso é definitivamente falso. – afirmou Jake – Quem nunca comeu McDonalds?
– Bem, eu. – respondi sorrindo com a cara surpresa de Jake – Meus pais não deixavam. Diziam que era um monte de lixo que iria deixar a gente doente.
– Bem, um dia desses vou te levar a um McDonalds. – retrucou o menino – Sou virgem.
– Falso – afirmei sem dúvidas.
– Como você acertou? – verbalizou ele com uma cara de espanto, de brincadeira, é claro.
– Bem, digamos que você, Jake, atrai muitos olhares por onde passa – afirmei – E não só de mulheres...
– E eu não reparo – falou o menino, deixando a frase aberta.
– Coitados, então – falei sorrindo. – Eu sou virgem.
– Verdadeiro – falou ele.
– Hm... É falso. – afirmei rindo da cara de surpresa dele – O que?
– Nada – retrucou Jake – Você me parece tão... Delicada.
Sorri diante da expressão dele.
– Obrigada... Acho. – agradeci.
+++
Após nosso “encontro”, fui para casa. A conversa na praia seguiu leve e no mesmo jogo do “Verdadeiro ou falso”.
Depois do que pareceram 5 minutos, mas que na verdade foram horas, Derek e Rose vieram nos buscar.
– Te vejo mais tarde – despediu-se Jake.
– Vê? – perguntei
– Vejo – falou o menino
– O que? – perguntei
– Você – respondeu ele.
– Chato – murmurei
– Chata – retrucou ele
– Derek, ele está me chateando – falei.
– Rose, ela está me chateando – repetiu Jake
– Se entendam depois – falaram Derek e Rose em uníssono.
Estiquei-me e dei um beijo no cantinho da boca de Jake.
– Até mais tarde, então. – sussurrei
Derek me ajudou a levantar e fomos para casa.
– Onde vocês estavam? – perguntou minha mãe assim que entramos na casa
– Na praia – falei
– Vocês não me parecem estar molhados – observou meu pai
– Eu não disse “no mar” – retruquei, já subindo as escadas para meu quarto.
Deitei em minha cama e fechei os olhos, pensando em Jake. Eu nunca havia falado tanto com alguém além de Derek e Connor... Todos pareciam frios. Até conhecê-lo. Meu telefone apita depois de uma hora no estado semi-dormindo. Abri meus olhos e vi pela grande janela que o sol estava se pondo.
Retiro meu iPhone, presente imprestável de mamãe (Okay, eu até que gostava bastante dele), do bolso de meu short e vejo uma mensagem de Connor:
“Jogue seus cabelos, Rapunzel! Ou: abra a porta para seu melhor amigo”.
Saí do quarto e desci as escadas. Abri a porta de casa e vi Connor parado na entrada, vestindo uma bermuda bege, tênis da mesma cor e uma camisa polo vermelha.
Agarrei seu braço e puxei-o pela escada.
– Olá, Senhor e Senhora Ashwood. E Derek. – falou ele quando viu minha família na sala de estar assistindo TV.
– Olá, querido! – respondeu minha mãe. Não sei a razão, mas meus pais gostavam de Derek.
Chegando ao meu quarto, larguei o braço do menino, fechei a porta e sentei no parapeito da janela.
– Oi pra você também, Katherine! – exclamou Connor.
Olhei para ele com descrença e dei de ombros.
– O que? Você veio com alguma razão – supus.
– Sim, eu vim. – falou ele mexendo em meu armário
– Ei! – chamei – Por que você veio, então? E por que está mexendo em meu armário?
– Bem, você vai sair comigo hoje – respondeu Connor – e eu estou escolhendo sua roupa.
– O que essa tem de errado? – perguntei indicando minha roupa atual
– Está amassada agora que você deitou e rolou na cama com ela – respondeu o menino.
Connor retirou um vestido preto solto com losangos beges do armário e botou em cima da cama. Pegou sapatos de salto pretos. Um colar com pingente de coruja e uma pulseira chan luu de meu porta joias. Pegou minha caixa de maquiagens e um esmalte marrom. Até que ficou bom, então eu perguntei:
– Desde quando você sabe escolher roupas, Connor?
Ele enrubesceu.
– Er, é que... – ele murmurou – Bem, não vejo o motivo de esconder isso da minha melhor amiga, você vai descobrir mesmo...
– Connor? – perguntei – Você est...
– Eu sou gay, Kate. – Connor interrompeu
– Bem, eu não vejo vergonha nisso, Connor – respondi – Você pode me contar tudo o que quiser, não precisa ter medo de mim! Sou sua melhor amiga, nada vai mudar minha relação com você.
Connor hesitou, mas foi até mim e me deu um abraço.
– Eu te amo, Kate – sussurrou o menino. – Como amiga.
– Eu também te amo Yoshi – retruquei – Como amigo.
Distanciamos-nos e Connor me ajudou a levantar. Ele sentou na cama e eu comecei a me arrumar.
“Nada mal, acho.” — Pensei ao terminar.
– Uou. Eu te pegaria se eu não fosse gay, Kate. – falou Connor ao me ver, fazendo eu sorrir.
– Obrigada, Yoshi. – agradeci
– Vamos logo, já está quase na hora. – falou o menino
– Na hora de que? – perguntei
– Você vai ver. – respondeu ele
– Ver o que? – perguntei – Onde vamos?
– Uma coisa e a um lugar. – respondeu Connor
– Que saco, ninguém está me falando nada hoje – reclamei, fazendo-o sorrir.
Descemos as escadas.
– Tchau! Volto mais tarde! – gritei para que meus pais ouvissem
– Tchau senhor e senhora Ashwood – falou Connor – Devolvo sua filha mais tarde!
Retirei meus saltos. Subimos a colina de areia que separava a casa da rua. Botei meus saltos. Ô coisa cansativa... Fomos até um carro conversível preto estacionado na rua.
– É seu? — perguntei
– É, Kate. Claro, imagine! – falou Connor com ironia – É de Jake. Ele me emprestou para te levar.
– Céus, vocês estão tramando alguma coisa – deduzi. – Primeiro Jake, depois você? Eu não gosto de surpresas, Connor.
– Você vai gostar dessa – falou ele abrindo a porta do carona para mim.
Ao entrar no carro, Connor impôs:
– Ponha essa venda.
Ele amarrou em meus olhos e me senti tonta nos primeiros metros que o carro andou. Após uns 10 minutos sem falar com Yoshi, chegamos.
Ele me conduziu até uma sala escura e fechada.
– Fique de olhos fechados até eu falar para abrir – ordenou ele enquanto retirava a venda de meus olhos.
– Posso? – perguntei
– Pode – falou ele, mas sua voz soou distante.
Eu abri meus olhos e vi apenas escuridão. Até que luzes me cegaram e meus ouvidos foram preenchidos com um grito em conjunto que dizia: “Bem vinda de volta, rainha das ondas”. Todos começaram a me rodear.
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